Após cinco anos, Adutora de Pereiro entra em fase de teste

Depois de cinco anos enfrentando uma das mais severas crises hídricas do interior cearense, o município de Pereiro, localizado em uma serra no Vale do Jaguaribe, finalmente começa a receber água oriunda do Rio Jaguaribe. O líquido está sendo transposto por uma adutora de 38 km de extensão cujo início das obras datam o ano de 2016. A instalação está em fase de teste, mas já é motivo de comemoração entre os moradores que, a partir de agora, se verão livres de comprar água por meio de carros-pipa.
A previsão da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) é que a obra seja entregue no fim deste mês, após reparos pontuais de vazamentos. O Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) e a Cagece avaliam que foi um desafio colocar esse projeto em funcionamento após correções, paralisações, abandono e contratação de uma segunda empresa. Isso porque a empresa vencedora da licitação não finalizou os trabalhos no prazo estipulado, e a obra ficou paralisada por quase dois anos.
Divisão do PSL eleva poder de Maia e centrão...
Num instante em que Jair Bolsonaro dedica-se a estilhaçar a unidade do seu PSL, o ministro Paulo Guedes (Economia) negocia com o Congresso a pauta de propostas econômicas para a fase posterior à reforma da Previdência. Dissemina-se entre os líderes partidários a avaliação de que o racha no PSL deixará o governo ainda mais dependente do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e das legendas que integram o chamado centrão.
Guedes reuniu-se nesta quinta-feira com Maia e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Conversaram sobre a pauta de propostas econômicas para a fase posterior à reforma da Previdência, prestes a ser concluída no Senado. Planejam fazer avançar pelo menos três temas encrespados: reforma administrativa, reforma tributária e revisão do chamado pacto federativo. Guedes revelou interesse por um quarto item: redução das despesas lançadas como obrigatórias no Orçamento da União. O ministro ficou de entregar suas propostas até a semana que vem.
Em conversa com o blog, um líder de partido do centrão ironizou a posição de Bolsonaro. Na noite de quarta-feira, disse ele, todos imaginavam que o presidente rodava o filme 'PSL em Transe'. Na manhã de quinta, prosseguiu o líder, descobriu-se que o título do filme era outro. Algo como 'Querida, encolhi minha autoridade…'
Na fita sobre o transe partidário, que ficou pela metade, Bolsonaro exibiria musculatura política, acomodaria o filho Eduardo na liderança do PSL e iniciaria um processo de ocupação que levaria à chave do cofre da legenda. No filme sobre o encolhimento da autoridade presidencial, que acabou prevalecendo, o capitão foi grampeado pedindo apoio para destituir o líder do seu partido, o Zero Três foi derrotado. Pior: o líder que se pretendia destituir, Delegado Waldir, foi gravado chamando Bolsonaro de "vagabundo" e prometendo "implodir o presidente".
Antes, os 53 deputados do PSL fechavam com o Planalto. Os votos da legenda funcionavam como um "colchão de segurança" para o governo. Agora, o presidente desperdiça tempo e energia numa articulação para obter o apoio dos 27 deputados necessários à ascensão do filho ao posto de líder. Se conseguir, terá de administrar uma bancada em pé de guerra. Se perder, a autoridade presidencial vai caber numa caixa de fósforos.
Em qualquer hipótese, Bolsonaro estará mais dependente do centrão e de Rodrigo Maia, líder informal do grupo. Dito de outro modo: quem ditará a ordem, o ritmo e o preço das votações serão Maia e os líderes da banda arcaica do Legislativo.
Começa o debate sobre a reforma sindical
18 de outubro de 2019 | 04h00
Os presidentes das principais centrais sindicais do País se reuniram ontem com representantes do Ministério da Economia para discutir a reforma que o governo pretende promover no setor. Embora as diretrizes dessa reforma ainda não tenham sido anunciadas, o governo pretende substituir o modelo varguista de sindicato único por categoria profissional em cada cidade ou região pelo modelo americano, que aceita até mesmo a existência de sindicatos por empresa.
As centrais sindicais se opõem a esse modelo, mas a maioria tem consciência de que a estrutura atual do sindicalismo brasileiro, concebida quando eram outras as condições da economia do País, já se exauriu. Entre outros motivos, porque o desenvolvimento tecnológico extinguiu várias profissões e criou outras.
A economia brasileira também é hoje de tal modo diferenciada, em termos funcionais, que a estrutura sindical não consegue representar os novos profissionais que nela atuam. É o caso dos metalúrgicos do setor aeronáutico. Quase todos têm diploma universitário e suas demandas conflitam com as dos metalúrgicos do setor automobilístico, onde muitos têm apenas o ensino fundamental.
Sentença reforça tese do ‘estardalhaço’ na PGR
Coluna do Estadão
18 de outubro de 2019 | 05h00
A recente decisão da Justiça de absolver Michel Temer foi interpretada como mais um duro golpe no “legado” de Rodrigo Janot, autor da denúncia contra o ex-presidente. A sentença do juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, do DF, corrobora tese dominante no meio jurídico: o ex-PGR preferiu o estardalhaço à investigação aprofundada, que poderia encontrar algo mais robusto ou poupar o País do colapso político. Não havia indício de obstrução de justiça, diz um importante advogado que não trabalha para Temer.
A luta… Mesmo derrotados na tentativa de destituir Delegado Waldir da liderança, deputados bolsonaristas do PSL esticarão a corda na disputa pelo comando interno do partido.
…continua. Em minoria e com poucas possibilidades jurídicas de alegar perseguição, só lhes resta o embate político. Insistem que convencerão deputados a apoiar Eduardo Bolsonaro, mas já sabem que o outro grupo tem outras listas prontas de apoio a Waldir.
Calma, cara. Apesar de Waldir ter sido gravado prometendo expulsar desafetos, não é de interesse da cúpula do partido. Com isso, eles poderiam sair levando recursos do Fundo Partidário e tempo de rádio e TV. Pode até haver uma ou outra expulsão, mas em seu tempo.
Só B.O. O presidente pode mudar de partido, mas, sem tempo de rádio e TV e dinheiro, a barganha dos seus deputados diminui. “O PRB está de portas abertas a Bolsonaro. Já os deputados têm primeiro que resolver a questão na Justiça”, disse Jhonatan de Jesus.
Artilharia. O grupo de Bivar vai denunciar Karina Kufa no Conselho de Ética da OAB, ex-advogada do PSL que ficou com Bolsonaro no “racha”. Alegam que ela deixou sem concluir a defesa do PSL em ações pelas quais já teria sido paga.
Celso de Mello frustra Bezerra Coelho e diz que Congresso quer ‘círculo de imunidade virtualmente absoluta’
Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA, Pepita Ortega e Fausto Macedo / SÃO PAULO
17 de outubro de 2019 | 12h08
Ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o habeas corpus apresentado pela Mesa Diretora do Senado em defesa de Fernando Bezerra, líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, contra decisão que autorizou as buscas em seu gabinete. Na decisão, o decano diz ainda que o Congresso ‘estabelecer um círculo de imunidade virtualmente absoluta’ sobre os parlamentares com o objetivo de ‘excluí-los da esfera de jurisdição penal cautelar do Supremo Tribunal Federal’.
O principal argumento do ministro para rejeitar o pedido do Senado Federal é o de que o plenário do Supremo não tem mais admitido ‘habeas corpus’ impetrados contra atos monocráticos de ministros. No caso, a ação da PF, que mira supostas propinas de R$ 5,5 milhões de empreiteiras, foi realizada no ultimo dia 19 a mando do ministro Luís Roberto Barroso.
O episódio abriu uma crise institucional entre o Supremo e o Senado Federal e levou a Casa Legislativa a pedir ao presidente da Corte Suprema, Dias Toffoli, a imediata suspensão tanto da liminar de Barroso quanto da análise de objetos e documentos apreendidos durante a operação.
Ao negar o habeas corpus, além de fazer considerações sobre a legitimidade das buscas ordenadas por Barroso, o decano diz que o Congresso tenta ‘estabelecer um círculo de imunidade virtualmente absoluta’ em volta dos gabinetes parlamentares e imóveis funcionais dos deputados e senadores, com o objetivo de ‘excluí-los da esfera de jurisdição penal cautelar do Supremo Tribunal Federal’.
‘Eu vou implodir o presidente’, diz líder do PSL na Câmara
17 de outubro de 2019 | 14h42
BRASÍLIA - O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), afirmou em reunião interna da ala ligada ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE), que vai “implodir” o presidente Jair Bolsonaro. O áudio do encontro, gravado por um dos presentes, foi obtido pelo Estado.
“Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, afirma Waldir. Logo em seguida, alguém não identificado o alerta: “Cuidado com isso, Waldir.”




