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Silêncio de Bolsonaro sobre Lula e STF é gritante...

Josias de Souza

09/11/2019 05h48

Jair Bolsonaro acatou com reverência e recato o julgamento em que o Supremo Tribunal Federal tachou de inconstitucional a prisão de condenados na segunda instância. Absteve-se de revidar os ataques desferidos por Lula ao deixar a cadeia. Ou seja, Bolsonaro esteve completamente fora de si nas últimas horas. Seu silêncio, por gritante, injeta hipocrisia na conjuntura.

A prudência ensina: "Pense duas vezes antes de falar". Imprudente, Bolsonaro fala dez vezes antes de pensar. De repente, decidiu calar. Nesta sexta-feira, esquivou-se dos repórteres em duas solenidades. À noite, de volta ao Palácio da Alvorada, parou na entrada para distribuir afagos a um grupo de fãs. Fugiu de perguntas sobre STF e Lula. "Não vou entrar numa furada", alegou.

Mais cedo, ao discursar numa cerimônia de formatura do curso de formação de policiais federais, Bolsonaro caprichou na loquacidade ao recobrir de elogios o seu ministro da Justiça. Chegou mesmo a insinuar que não estaria na Presidência se Moro não tivesse feito o que fez como juiz da Lava Jato. "Se essa missão dele não fosse bem cumprida, eu também não estaria aqui. Então, em parte, o que acontece na política do Brasil devemos a Sergio Moro", disse Bolsonaro.

Até os cegos enxergam a manobra retórica do capitão. Para compensar a irritação dos devotos que o criticam nas redes sociais por poupar o Supremo e Lula, Bolsonaro encosta sua imagem declinante na figura mais popular do governo. O prestígio de Moro junto à opinião pública cresce na proporção direta da diminuição de sua reputação nos meios jurídicos.

Bolsonaro não critica o Supremo porque descobriu, depois dos 60 anos de idade, que os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes são seus amigos de infância. Ambos expediram liminares para blindar o primogênito Flávio Bolsonaro, que é acusado de peculato e lavagem de dinheiro, numa investigação coestrelada pelo PM Fabrício Queiroz. De resto, embora não possa confessar em público, o capitão declara em privado que vê a libertação de Lula como um presente a serviço da polarização.

Nesse contexto, Bolsonaro acaba deixando Sergio Moro em posição vexatória. É como se o ministro emprestasse a respeitabilidade que presume ter para ser utilizada por um chefe espertalhão. Está entendido que, por delegação de 57 milhões de brasileiros, o governo é de Bolsonaro, que carrega a tiracolo o seu clã. Mas é Sergio Moro quem coloca a cara na vitrine por eles.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Lula é solto após 580 dias na cela da PF em Curitiba

Paulo Roberto Netto, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Talita Laurino/CURITIBA

08 de novembro de 2019 | 17h42 o estado de sp

Um ano e sete meses após ser preso na Operação Lava Jato para cumprir pena de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou na tarde desta sexta, 8, a cela especial da Polícia Federal em Curitiba.

O ex-presidente Lula deixa a sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpria pena de oito anos de prisão pelo caso triplex. Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters

Lula saiu da sede da PF às 17H42 — pouco mais de uma hora depois da expedição do alvará de soltura. Uma multidão de manifestantes saudou o ex-presidente empunhando bandeiras do PT gritando palavras de ordem.

A ordem de soltura do petista foi dada pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, menos de 24 horas depois de o Supremo Tribunal Federal declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância – caso de Lula.

“Não tenho dimensão do significado de eu estar aqui junto de vocês. A vida inteira estive conversando com o povo brasileiro, eu não pensei que no dia de hoje, eu poderia estar aqui conversando com homens e mulheres que durante 580 dias ficaram aqui”, afirmou Lula a manifestantes que se aglomeraram na sede da Polícia Federal. “Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir”.

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Febre latina - MURILO DE ARAGÃO

Fervem manifestações em alguns países da América do Sul. De uma hora para outra, Equador, Bolívia e Chile entraram em convulsão. Os protestos parecem articulados e muitos acreditam na existência de uma espécie de conspiração internacional com o fito de desestabilizar a região. Tudo para provocar o retorno ao poder de políticas e políticos de esquerda.

Invocando o Foro de São Paulo, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, já afirmou que a região viveria tempos tumultuados. João Pedro Stédile, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), também seguiu nessa direção quanto ao Brasil. Ele vaticinou convulsões — aquelas que ele tanto almeja.

A associação imediata é com a chamada Primavera Árabe, ondas de protestos populares que eclodiram no Oriente Médio e no Norte da África a partir de dezembro de 2010. Será que estamos vivendo uma Primavera Latina? Como dito, as evidências apontam na direção de eventos politicamente coordenados. Várias estações de metrô em Santiago do Chile foram incendiadas no mesmo dia. Não teria havido um mínimo de conexão entre essas ações?

Talvez sim, talvez não. Não tenho resposta para a questão. Nos dias de hoje, a mobilização de massas parece ser bem mais fácil em um ambiente de insatisfação social. No Equador, o aumento do preço dos combustíveis deflagrou uma série de violentos confrontos. No Chile, a alta da tarifa de metrô produziu fenômeno semelhante. Em 2013, a questão do passe livre em São Paulo foi o gatilho para uma série de protestos em todo o Brasil que tiveram uma agenda bastante diversificada.

No entanto, para além da suspeita de uma conspiração internacional, não existem relações específicas entre os protestos. No Equador e no Chile, eles foram detonados a partir de decisões tomadas por seus respectivos governos. Sem estas, talvez nada acontecesse. Na Bolívia, o clima anda quente pelas suspeitas de manipulação nas eleições de 20 de outubro, que levaram ao poder, pela quarta vez consecutiva, Evo Morales, após uma disputa acirrada com seu oponente, Carlos Mesa.

Se as razões não são específicas, o que faz o continente ser sacudido por protestos? Não é uma resposta fácil. Em todos esses países existem forças interessadas em desestabilizar os regimes vigentes. São forças de oposição que se alimentam das expectativas não cumpridas, o que parece evidente no Chile e no Equador. Sem um saldo anterior de insatisfação, provavelmente os protestos não teriam eco, ficando limitados aos movimentos que não chegam a galvanizar as multidões.


Há quem diga que a febre latina pode chegar ao Brasil. Não me parece que isso vá acontecer, apesar da situação paradoxal que vivemos: guerra belicosa de narrativas e alta produtividade nas reformas. Parece, mais uma vez, que o Brasil continuará sendo um lugar à parte do continente sul-americano.

Ambev investirá R$ 600 mi em usina eólica para fábricas na região Nordeste

Gabriela Mello / FOLHA DE SP
SÃO PAULO | REUTERS

A fabricante de bebidas Ambev anunciou nesta sexta-feira (8) um acordo com um grupo de private equity para construção de uma usina eólica que abastecerá todas as suas fábricas na região Nordeste, bem como as cinco cervejarias da marca Budweiser no Brasil.

Sob os termos do acordo, a Ambev desembolsará cerca de R$ 600 milhões em um período de 15 anos para Casaforte Investimentos, que por sua vez construirá uma usina eólica de 1.600 hectares e potência superior a 80 megawatts na Bahia.

"Com esse acordo de compra de energia, 20 mil toneladas de dióxido de carbono deixarão de ser emitidas por ano, o equivalente à retirada de 35 mil carros das ruas por ano", disse o vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da Ambev, Rodrigo Figueiredo, em entrevista à Reuters nesta sexta.

Todas as licenças de construção já foram concedidas e as obras devem começar no início do próximo ano, com a usina eólica provavelmente iniciando as operações no começo de 2022, acrescentou o executivo.

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Caso Marielle: porteiro que citou 'Seu Jair' em depoimento não é o mesmo do áudio divulgado por Carlos Bolsonaro

 

PORTAL G1

O porteiro que citou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em depoimento à Polícia Civil, no inquérito que investiga a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), não é o mesmo porteiro que aparece no áudio divulgado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), em que o presidente não está envolvido.

A informação foi publicada nesta semana pelo colunista Lauro Jardim, do jornal "O Globo", e confirmada em reportagem desta sexta (8) da revista "Veja".

Esse caso se refere ao encontro de dois suspeitos do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes, horas antes do crime, em 14 de março de 2018. Elcio Queiroz foi visitar Ronnie Lessa, que mora no condomínio Vivendas da Barra, na Zona Oeste do Rio. Lá também moravam, nessa época, o então deputado Jair Bolsonaro e seu filho Carlos.

Um porteiro declarou à polícia que Elcio disse que iria à casa 58, de Jair Bolsonaro, e anotou o número no livro de registros do condomínio. Afirmou ainda que identificou a voz de quem autorizou a entrada como sendo a do "Seu Jair". Mas o Jornal Nacional mostrou em reportagem de 29 de outubro que registros da Câmara dos Deputados apontam que o então parlamentar Jair Bolsonaro estava em Brasília.

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Reabilitação de Lula ainda depende da 2ª Turma...

Josias de Souza

08/11/2019 01h28

LulaPrisaoFranciscoPronerReuters

Ao revogar a regra que autorizava a prisão de condenados na segunda instância, o plenário do Supremo Tribunal Federal colocou Lula a um passo do meio-fio. Mas o personagem continua ostentando a condição de ficha suja, pois a sentença do TRF-4 no caso do tríplex ainda está em pé. A revogação do veredicto depende do julgamento da Segunda Turma da Corte sobre o pedido de suspeição que a defesa de Lula protocolou contra Sergio Moro.

O caso está nas mãos do ministro Gilmar Mendes, que pediu vista do processo. Deve retornar à pauta ainda neste mês de novembro, já informou Gilmar. Há chances reais de anulação da sentença. Nessa hipótese, o Supremo lavará, por assim dizer, a ficha enodoada de Lula, que está momentaneamente inelegível até 2035, quando fará aniversário de 89 anos.

A lavagem da ficha é, hoje, o principal objetivo de Lula, preso há um ano e sete meses. Até porque ele já havia conquistado o direito de deixar o cárcere especial da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. A própria força-tarefa da Lava Jato já requisitou à Justiça a progressão do regime prisional de Lula. Passaria do regime fechado para o semi-aberto, que seria convertido em reclusão domiciliar.

Integram a segunda turma do Supremo cinco ministros. Edson Fachin e Cármen Lúcia já votaram contra Lula. Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski devem votar a favor da revogação da sentença imposta ao petista. A bola rolará, então, para os pés do decano Celso de Mello, a quem caberá bater o pênalti decisivo. Seus colegas apostam que Celso, sob o impacto das mensagens da Vaza Jato, desempatará a favor de Lula.

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