Com transmissão comunitária, Ceará é o Estado do Nordeste com mais casos de Covid-19

O novo coronavírus evoluiu no Estado do Ceará. Com alta transmissão, o contágio da Covid-19 tornou-se comunitário, ou seja, a pessoa pode ser infectada na própria região, sem necessidade de viagem ao exterior, por exemplo. O anúncio foi da Secretaria da Saúde (Sesa), acompanhado do novo boletim epidemiológico: 68 casos confirmados, até ontem (20).
Índice crescente e que representa evolução de 2.100% desde o 1º registro, há cinco dias, quando eram três doentes. E os espaços afetados são Fortaleza (63), Aquiraz (1), Fortim (1), Sobral (1) e Juazeiro do Norte (1), além de um paulista que testou positivo, o que deixa o Ceará na liderança de casos do Nordeste.
A Pasta também comunicou que não irá mais divulgar números de casos suspeitos ou descartados. O documento diário será mais simples, com dados voltados para o registro de infectados, sem descrição de idade ou sexo.
No Brasil, o processo de pandemia é ainda mais notório, com 904 contaminados distribuídos entre os estados e o Distrito Federal. São 11 óbitos, sendo nove em São Paulo e dois no Rio de Janeiro - apenas Roraima e Maranhão não registram a doença.
Um cenário grave, mas previsto pelo Governo do Estado, segundo o titular da Sesa, Dr. Cabeto. Antes da divulgação dos números latentes, o Executivo lançou um decreto prevendo contenção para estabelecimentos comerciais a fim de evitar qualquer aglomeração - supermercados, redes hospitalares e farmácias são exceção e seguem abertos.
Março negro marca reinício do governo Bolsonaro... - JOSIAS DE SOUZA
O governo Jair Bolsonaro, tal qual os brasileiros conheceram em 1º de janeiro de 2019, acabou. O que se vê em Brasília é um recomeço, uma espécie de Bolsonaro 2º, a Caída em Si.
Digamos que há 15 meses o capitão tivesse um governo estalando de novo, um Posto Ipiranga, uma agenda de reformas, um PIB potencial de 2,5% e uma mulher chamada Michelle, e a vida lhe sorrisse.
A situação de Bolsonaro hoje é a seguinte: precisa caprichar mais na "festinha" de Michelle, que aniversaria no domingo, do que na celebração do seu próprio aniversário, neste sábado. A primeira-dama pode ser a única coisa que lhe resta.
Aquele Bolsonaro do início de 2019 não tinha oposição. O atual enfrenta um rival duro de roer: Coronavírus. Num instante em que parecia faltar rumo ao governo, o vírus mostrou que seu rumo é o de uma crise sem precedentes.
O principal problema do presidente no recomeço do governo é que o pedaço da classe média que voltou a bater panelas na janela é incapaz de reconhecer nele capacidade para lidar com a crise. E Bolsonaro é incapaz de demonstrá-la.
Não é que o capitão não tenha farejado soluções para o problema da pandemia e da ruína econômica que vem junto. Em verdade, ele ainda não enxergou nem mesmo o problema.
Há 11 dias, falando para empresários, em Miami, disse que o coronavírus "não é essa coisa toda que a grande mídia propaga." Chamou o flagelo de "fantasia". Nesta sexta, declarou que provoca uma "gripezinha".
Dois dias antes, Paulo Guedes dissera estar "tranquilo". Por quê? O mundo desacelerava, mas a economia brasileira, que tem uma dinâmica própria, estava "em plena reaceleração." O pibinho de 1,1% em 2019 desautorizava o raciocínio.
Nesta sexta-feira, a equipe econômica deu um cavalo-de-pau que deixou Guedes sem nexo. Apenas nove dias depois de ter reduzido o prognóstico do PIB para 2020 de 2,4% para 2,1%, a pasta da Economia rebaixou a taxa para zero —ou 0,02%.
Guedes e sua equipe pedem a você e ao mercado que acreditem no governo. É como se dissessem: Vamos lá, gente. Agora é sério!
Nessas coisas de crença, a credibilidade de quem pede o voto de confiança conta muito. E o histórico do governo, convenhamos, não o credencia. Com o coronavírus, o ruim ficou muito pior.
Todo mundo olha para Brasília de esguelha. E pisa a conjuntura de mansinho, que é pra não enfiar espinho no pé. Sob Bolsonaro 2º, a economia entrou na sua fase São Tomé. É preciso ver primeiro.
Os economistas não gostam da comparação. Mas o vírus potencializou a sensação de que suas previsões funcionam como profecias de videntes.
A teoria econômica e a bola de cristal estão sempre certas. As pessoas é que não se comportam como o previsto.
O governo mobiliza seus técnicos mais talentosos. Eles enfiam o imponderável dentro das previsões mais precisas. Daí vem o ser humano, com seus apetites, caprichos e medos, e põe tudo a perder.
Para complicar, o coronavírus exerce sobre a economia o efeito de um sorvo de gigante. Na previsão mais pessimista, a Fundação Getúlio Vargas projeta para 2020 uma retração de notáveis 4,4%.
Trata-se de algo jamais visto em 58 anos. Se a quiromancia da FGV estiver mais certa do que a vidência do time de Guedes, o coronavírus conseguirá ser tão destrutivo quanto o Dilmavírus, que produziu duas recessões traumáticas em 2015 e 2016, quando a economia despencou 3,5% e 3,3%.
Se confirmada, uma conjuntura assim, tão nefasta, transformaria o governo de Bolsonaro 2º numa espécie de ocaso hipertrofiado. Um epílogo comandado por um presidente bem diferente daquele que cavalgava expectativas esplendorosas no início de 2019.
Dizia-se que a reforma da Previdência reativaria rapidamente a economia, produzindo taxas de crescimento que ultrapassariam os 2,5% anuais. Deu no que está dando.
Há duas semanas, quando ainda estava na fase de negação, Guedes programara para esta sexta-feira o anúncio de um contingenciamento (pode me chamar de bloqueio de verbas) de quase R$ 40 bilhões. A pandemia virou a programação do avesso.
Sob estado de calamidade sanitária, em vez de cortar despesas, Guedes será obrigado a abrir os cofres. O déficit de 2020, antes estimado em 124 bilhões, ultrapassará em muito os R$ 200 bilhões.
As reformas estruturais do ministro, que já não empolgavam Bolsonaro e os líderes do Congresso, envelheceram antes de ficar prontas.
O liberalismo do Posto Ipiranga agora está, por assim dizer, subordinado à lógica do posto de saúde. Guedes perde holofotes para o colega Henrique Mandetta, da Saúde.
Nesta sexta, falando numa videoconferência com empresários, Mandetta vaticinou: "Claramente, no final de abril, nosso sistema [de Saúde] entra em colapso. O que é um colapso? É quando você pode ter o dinheiro, você pode ter o plano de saúde, pode ter a ordem judicial, mas simplesmente não há um sistema para você entrar. É o que está vivenciando a Itália, um dos países de primeiro mundo. Atualmente, não tem onde entrar."
Quer dizer: confirmando-se o cenário descrito por Mandetta —que ele tentou atenuar ao perceber que chamara a atenção dos repórteres— este março negro que marca a inauguração do governo de Bolsonaro 2º é apenas o prenúncio de um resto de mandato sombrio.
Durante a semana, enquanto anunciava uma "festinha" de dois dias para celebrar seu aniversário e o de Michelle, Bolsonaro declarou que a crise do coronavírus vai passar. Verdade. Átila também passava. O problema era a situação em que ficavam o gramado e a vegetação em volta depois da passagem do rei dos hunos.
Bolsonaro parece inoculado por um cognitusvírus
Por que Jair Bolsonaro não consegue fazer a coisa certa? Difícil responder a esta pergunta sem entender a cabeça confusa do presidente, que em pouco mais de um ano jogou por terra quase todo o seu capital político. Não se trata de compreender apenas seu comportamento na epidemia de coronavírus, embora essa seja a evidência mais clara de sua incapacidade, mas sim os sucessivos equívocos que vem cometendo desde a sua posse. A resposta mais adequada talvez se encontre avaliando a sua capacidade cognitiva usando como ponto de vista a política.
O Brasil experimentou mais de duas décadas de governos de centro-esquerda, com os oito anos de Fernando Henrique, outros oito de Lula e mais seis anos de Dilma. Desde o primeiro mandato de FH, os presidentes do Brasil foram inteligentes o suficiente para entender que, depois de empossados, o discurso de campanha deve obrigatoriamente mudar. Os três citados abriram seus leques e expandiram seus horizontes de maneira a tentar atender aos anseios e às demandas de todos os brasileiros.
FH governou sempre com maioria no Congresso e conseguiu até mesmo o apoio do PT ou de parte dele em votações importantes. Com essa maioria aprovou a emenda da reeleição e foi reeleito no primeiro turno. O ex-presidente tucano era agregador, sabia jogar com o time. Muitas vezes preferia contrariar seu próprio partido em benefício de aliados. Sabia depois compensar os companheiros que momentaneamente eram deixados de lado.
Lula também fez política de resultados. Eleito pela esquerda, governou com o centro, e em muitos casos com os métodos e as políticas do centro, e manteve-se no poder por 14 anos. Depois dos seus dois mandatos, elegeu e reelegeu Dilma. Ambos fizeram alianças que garantiram durante muito tempo a maioria legislativa. Foi quando perdeu essa maioria que Dilma caiu. Lula, que alguns anos antes se metera no escândalo do mensalão, conseguiu segurar-se no cargo em razão da sua capacidade aglutinadora.
Diante dos escândalos que explodiram nos governos petistas e na curta gestão de Michel Temer, o Brasil embarcou na onda da direita conservadora. E aí entrou Bolsonaro. Eleito nessa enorme maré de insatisfação com os políticos profissionais, o presidente tinha tudo para fazer a experiência à direita para o qual o país lhe conferira o mandato. Desde o primeiro momento, contudo, o capitão foi trabalhando contra o seu próprio governo, a começar pela reforma da Previdência, pela qual não fez qualquer esforço entregando o trabalho pela sua aprovação ao ministro da Fazenda e ao presidente da Câmara.
Não dá para listar, por serem inúmeras, as bobagens produzidas pelo presidente. Mas o certo é que a sua forma de atuar difere na essência da dos seus antecessores. Bolsonaro não é cooperativo, não é generoso e não cogita fazer concessões em nome do entendimento. É exatamente o oposto do que se espera de um governante. No caso da Covid-19, ele cometeu e segue cometendo todos os erros que estariam incluídos em qualquer lista do que não fazer em caso de epidemia. Estão enganados os que enxergam nisso um método. É burrice mesmo.
Bolsonaro parece ter sido inoculado por um cognitusvírus, o mesmo contraído por seu filho Eduardo Bananinha, que o impede de pensar com tranquilidade, analisando todas as alternativas, dando chance ao contraditório, abrindo espaço para o debate. Até mesmo o governador do Rio, Wilson Witzel, que muito recentemente não sabia o que fazer com a água contaminada da Cedae, parece um estadista diante de um abobado presidente. Witzel mostra serviço, toma medidas, assim como o ministro da Saúde, Luiz Mandetta. Enquanto isso, o presidente atabalhoado tumultua o trabalho dos outros e confunde a população.
Conflito entre Bolsonaro e governadores se acirra com crise do coronavírus
BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO — A crise do novo coronavírus escancarou a falta de sintonia entre o governo Jair Bolsonaro e governadores do país. A sexta-feira foi marcada por troca de acusações públicas entre o presidente e os chefes dos Executivos do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e de São Paulo, João Doria (PSDB).
Irritado com medidas restritivas impostas por governadores, como o fechamento de fronteiras interestaduais, Bolsonaro acusou os antigos aliados de usurpar suas competências. Em entrevista coletiva, durante a tarde, no Palácio do Planalto, o presidente afirmou:
— Lamentavelmente tem um governador de Estado que só faltou declarar independência do mesmo, como se não fizesse parte da Federação — disse Bolsonaro, numa clara referência a Witzel.
Na noite de quinta-feira, o governador do Rio anunciou medidas para tentar conter o avanço da Covid-19. A principal delas é o fechamento dos limites da capital. A ideia é criar um cinturão de proteção para evitar que os transportes públicos levem passageiros de outras regiões para a cidade do Rio. A partir de hoje, estão proibidas também visitas a praias, rios e pontos turísticos da cidade, como o Pão de Açúcar e o Corcovado.
Witzel reagiu à crítica de Bolsonaro no mesmo tom, indicando, mais uma vez, unidade dos governadores. Ele reclamou da falta de diálogo com o Palácio do Planalto e disse que as medidas adotadas em seus Estados são reflexo da falta de atuação de Bolsonaro no combate à pandemia.
— São os nossos hospitais que serão impactados e o governo federal ainda em passo de tartaruga. Só fiz o decreto para que o governo tome ciência das medidas que precisam ser adotadas e, de uma vez, acorde. É necessário acabar com essa atitude antidemocrática e ouvir os governadores — disse Witzel à Globonews.
O governador de São Paulo, João Doria, também reagiu. Afirmou estar fazendo o que o presidente não faz: “liderar”. E que, quando o presidente “faz, faz errado”.
'Não é como uma gripe, é uma pneumonia muito severa', dizem médicos de hospital na Itália
Médicos do principal hospital de Bérgamo estão preocupados com a quantidade de pacientes da doença que já matou mais de 4 mil pessoas na Itália. E fazem um alerta ao mundo: "Não é uma gripe". Veja no VÍDEO acima.
"A maioria dos pacientes tem pneumonia. É uma pneumonia muito severa", alertou um médico.
Com cerca de 120 mil habitantes, a cidade de Bérgamo, no norte da Itália, tornou-se um dos locais mais críticos da pandemia de novo coronavírus — a ponto de militares precisarem trabalhar para levar os corpos das vítimas da Covid-19.
Exército transporta corpos de vítimas do novo coronavírus em Bergamo, na Itália, nesta quinta-feira (19) — Foto: Sergio Agazzi.Fotogramma via Reuters
Com a velocidade do contágio do novo coronavírus, o sistema de saúde de Bérgamo está sobrecarregado. "É massivamente estressante para qualquer sistema de saúde, porque vemos todo dia de 50 a 60 pacientes chegando. A maioria é tão severa que eles precisam de muito oxigênio", disse outro médico.
"Nunca me senti tão estressado na minha vida. Eu sou um intensivista, então estou acostumado com momentos intensos, com escolhas. Quando você chega a esse ponto, você percebe que não é suficiente. Estamos fazendo o nosso melhor, mas talvez não seja suficiente."
Mapa mostra localização da cidade de Bergamo, na Itália — Foto: G1
Últimas notícias de coronavírus de 21 de março

Ao menos 11,4 mil pessoas morreram por complicações da Covid-19 em todo o mundo. Um levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins apontou que na manhã de sábado (21), mais de 275 mil pessoas foram infectados pelo novo coronavírus.
As autoridades chinesas anunciaram que, pelo terceiro dia consecutivo, não foram registrados casos locais de transmissão da Covid-19. O país enfrenta agora novas infecções por coronavírus originadas no exterior.
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As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 7h deste sábado (21), 978 casos confirmados de novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil em 25 estados e no Distrito Federal. São 11 mortes no Brasil, duas no Rio de Janeiro e chegou a nove em São Paulo.
O Ministério da Saúde atualizou os números na tarde de sexta-feira, informando que o Brasil tem um total de 904 casos confirmados de coronavírus e 11 mortes. Além deles, um homem de 65 anos que tinha coronavírus morreu em Petrópolis (RJ) na sexta-feira (21), mas o caso ainda não foi incluído nos balanços da secretaria de saúde do estado e do ministério.
Pelo mundo
Singapura confirmou as duas primeiras mortes no país provocadas pelo novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, as vítimas eram uma mulher singapurense de 75 anos e um homem indonésio de 64. Ambos tinham problemas de saúde anteriores.
Na Tailândia, o número de infectados passou de 400. Por enquanto, uma morte foi registrada. Nesta manhã, 89 novos casos foram registrados pelo governo. Destes, 32 são de pessoas que estiveram em um mesmo evento de boxe. Outras seis estiveram em eventos religiosos.
Na Alemanha, os casos aumentaram 20% nas últimas 24 horas. Nas últimas horas, foram registrados 2.705 novos casos no país, elevando o total de contaminados para 16.662 pessoas, de acordo com o Instituto Robert Koch. Ao todo, são 47 mortes, as últimas 16 também recentes. PORTAL G1
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