O desafio da vida à distância - ISTOÉ

O coronavírus é um micróbio disruptivo. Sua capacidade de romper rotinas, alterar a realidade, impor novos comportamentos e hábitos é notável. O medo de contágio, o aumento exponencial no número de doentes, o distanciamento social e o crescente isolamento das pessoas em todo o mundo estão estabelecendo, por exemplo, novas práticas de trabalho e exigindo soluções tecnológicas que antes eram opcionais e, do dia para a noite, se tornam obrigatórias para milhões de pessoas. O que era típico, até agora, de empresas de internet, virou padrão.
E pode ser que isso se perpetue, dependendo do desenvolvimento da pandemia, para muitos profissionais. Quem se adaptar bem ao trabalho remoto vai ter um trunfo em inúmeras funções da sociedade. Teleconferências de baixo custo e com dezenas de participantes são a bola da vez no mercado, na política e nas famílias. Pela primeira vez na história do Senado, uma decisão foi tomada em uma votação à distância, feita por teleconferência. Votou-se o decreto de calamidade pública para combater a disseminação do coronavírus que foi aprovado por unanimidade e entrou imediatamente em vigor. Na terça-feira 24, cinco dias depois, o Senado usou o mesmo Sistema de Deliberação Remota (SDR), para votar a Medida Provisória 899/2019, que inclui empresas optantes do Simples em um programa de acertos de pendências com a União. A decisão de votar remotamente foi tomada depois que três parlamentares da casa contraíram o coronavírus: o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), Nelsinho Trad (PSD-MS), que esteve na comitiva para Miami com o presidente Jair Bolsonaro, e Prisco Bezerra (PDT-CE). O sistema de debate e votação foi desenvolvido pela Secretaria de TI do Senado, a Prodasen.
“A tecnologia ajudou o Senado a cumprir seu papel neste momento difícil da Nação”, disse o senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que preside as sessões interinamente e classificou as primeiras experiências de votação “estáveis e seguras”. “É claro que um processo legislativo tem seus nuances, características e diferenças do ambiente corporativo, mas a conferência à distância é possível e viável, tanto que nós já votamos na semana passada, votamos ontem, ontem, aliás, numa sessão longa com duas mudanças de orientação, com votações nominais, deu tudo certo”, completou o senador. O mais impressionante, segundo ele, foi o quórum altíssimo. Havia 79 presentes, só não estavam os dois que estão afastados em razão da doença, Alcolumbre e Nelsinho. Bezerra, que é assintomático e cumpre quarentena, participou da sessão. “Se você fizer um levantamento, numa medida provisória, matéria de lei ordinária, quórum de 79 é raro”, completou. Alguns senadores votaram em seus gabinetes, outros estão em suas residências em Brasília, outros nos seus estados, em casas ou no escritório.
Justiça Federal no RJ suspende trechos de decreto presidencial que prevê atividades religiosas e lotéricas como serviços essenciais
Por Nicolás Satriano, G1 Rio
A Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu os efeitos do decreto do presidente Jair Bolsonaro definindo como serviço público essencial atividades religiosas e o funcionamento de casas lotéricas. A decisão desta sexta-feira (27) é da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias.
A determinação atende a pedido do Ministério Público Federal solicitando que as atividades religiosas e o funcionamento de lotéricas fossem suspensos enquanto durar o período de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus.
Na quinta-feira (26), Bolsonaro editou um decreto tornando essas atividades essenciais em meio à pandemia. Ao encaixá-las nessa categoria, o presidente definiu que elas poderiam continuar em operação mesmo durante restrição ou quarentena em razão do vírus.
O decreto presidencial, porém, faz uma ressalva em relação aos cultos: segundo o texto publicado no "Diário Oficial da União", o funcionamento da "atividade religiosa de qualquer natureza" deverá obedecer as "determinações do Ministério da Saúde".
"O decreto coloca em risco a eficácia das medidas de isolamento e achatamento de curva de casos de coronavírus. É necessário conter essa extrapolação atual e assegurar que não sejam editadas medidas ainda mais ampliativas no futuro", afirmou o procurador da República Julio José Araujo Junior, autor da ação.
Governadores articulam campanha em reação a Bolsonaro
Governadores articulam uma campanha nacional por conta própria, em reação à propaganda lançada pelo governo Jair Bolsonaro, que diz que o "Brasil não pode parar".
A sequência de declarações do presidente fez aumentar de forma relevante a pressão de comerciantes em cima dos estados para a reabertura dos serviços.
A ideia é criar peças publicitárias para confrontar a narrativa do presidente e colocar o cuidado com as vidas como a atenção mais importante do momento. Os governadores querem defender as decisões tomadas até agora e falam em revisões de acordo com a curva do avanço do coronavírus.
Quase todos os estados tomaram medidas restritivas, bem como diversas prefeituras, seguindo orientações do Ministério da Saúde.
Como mostrou o Painel, as falas do presidente geraram pressão dos secretários estaduais de Saúde em cima do ministro Luiz Henrique Mandetta. A reunião desta quinta-feira (26) teve bate-boca.
A coluna Painel agora está disponível por temas. Para ler todos os assuntos abordados na edição desta sexta-feira (27 FOLHA DE SP
Ironizado por Bolsonaro, Drauzio Varella 'ajuda' governo a ganhar ação relacionada ao coronavírus
27 de março de 2020 | 16h32
“Aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão” ajudou o governo federal a ganhar uma ação na Justiça envolvendo o novo coronavírus. Alvo de ataques nas redes sociais e vítima de comentários depreciativos do presidente Jair Bolsonaro, o médico e escritor Drauzio Varella teve seus conhecimentos usados pelo governo federal em uma ação popular movida em Minas Gerais que pretendia obrigar a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a realizar triagens e medição de temperaturas dos viajantes nos aeroportos brasileiros.
O controle sobre passageiros nos terminais virou mais uma queda de braço entre o Palácio do Planalto e os Estados. No Distrito Federal e na Bahia, os governos locais recorreram à Justiça para garantir a atuação de servidores dentro dos aeroportos, mesmo diante da insistência da Anvisa de que o assunto é da sua competência.
Num recurso de 25 páginas enviado à Justiça mineira, a Anvisa lançou mão de um artigo do médico e escritor publicado no último dia 21 de março. Nele, Drauzio defende a tese de que medir a temperatura na testa, “com termômetros que parecem revólveres”, é um método impreciso. Isso porque os aparelhos medem a temperatura da pele, eventualmente diversa daquela do resto do corpo.
Além disso, o passageiro sem febre pode estar sob efeito de antitérmicos ou no período assintomático de incubação que, no caso do atual coronavírus, pode chegar a duas semanas. Drauzio ressalta ainda que o número de diagnósticos feitos no aeroportos do mundo é insignificante.
“Os Estados Unidos, que obrigam a passar pela triagem em 11 aeroportos todos os cidadãos e residentes que estiveram na China nos últimos 14 dias, identificaram apenas um caso”, ressalta Drauzio no artigo.
“Decisão foi sensata". Reconhecido nacional e internacionalmente por ajudar a popularizar a medicina no Brasil, Varella diz que a decisão da Anvisa, de não utilizar esses equipamentos nos aeroportos, foi sensata. O médico e escritor comentou, à reportagem do Estado, o fato de o governo ter usado seu artigo para conseguir vencer a disputa judicial. "Gostaria de dizer o seguinte: a decisão da Anvisa foi sensata. No combate à epidemia, medidas governamentais devem ser tomadas com base nas melhores evidências científicas", destacou.
Professor canadense conta que livro publicado em 2019 já previa a pandemia do coronavírus
Steven Taylor para o Independent / O GLOBO
Se a pandemia da Covid-19 ainda parece irreal, acredite ela foi surreal para mim. Trabalhei por quase dois anos em um livro entitulado "A Psicologia das Pandemias", publicado em dezembro de 2019. Poucas semanas após a publicação, a Covid-19 surgiu e o alcance de seu contágio tomou proporções de pandemia. O último capítulo do meu livro trazia uma seção chamada "Um retrato da próxima pandemia". Praticamente tudo descrito ali já havia acontecido; aquele capítulo foi originalmente escrito um ano antes de o mundo conhecer a Covid-19.
Seria um livro profético, como apontam alguns? Não, era baseado em pesquisas.
Esta é a história por trás dele.
Sou psicólogo e professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade British Columbia. Trato de pacientes, dou aulas para estudantes de Medicina e faço pesquisas. Em meus 30 anos de carreira, meus interesses clínicos e de pesquisa estiveram focados em distúrbios decorrentes da ansiedade e outros problemas correlatos. Isso inclui um tipo de ansiedade relacionado à saúde, formalmente conhecido como hipocondria.
Pessoas muito ansiosas sobre sua própria saúde - os chamados hipocondríacos - podem ser difíceis de se tratar, mas ainda assim a hipocondria sempre me fascinou. Essas pessoas são excessivamente preocupadas com a saúde, mesmo que seus médicos atestem, com frequência, que está tudo bem. Eu e meus colegas tratamos desse tipo de paciente e publicamos artigos e livros sobre como ajudar as pessoas acometidas por esse tipo de doença.
Indústria automotiva do Brasil para completamente com pandemia do coronavírus

Todas as 65 fábricas de carros, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas do Brasil estão ou ficarão paradas como reflexo do avanço do novo coronavírus, segundo a Anfavea, a associação das fabricantes.
O levantamento da Anfavea não inclui motos. No entanto, Honda e Yamaha, as duas maiores empresas do setor, que têm mais de 90% do mercado, já anunciaram paradas em suas fábricas, localizadas em Manaus.
As medidas foram tomadas individualmente pelas empresas, e levam em consideração dois fatores importantes: a necessidade do isolamento e do distanciamento social e a queda na demanda por veículos.
Como muitas concessionárias estão fechadas, não há necessidade de continuar produzindo. Além disso, a própria Anfavea estimava, em fevereiro, que o estoque nas lojas e pátios de fábricas era suficiente para 37 dias.
Vale ressaltar, porém, que a paralisação das fábricas de veículos não é um fenômeno brasileiro. Várias fabricantes têm adotado medidas semelhantes para tentar conter o avanço do coronavírus em outros países.
Veja abaixo as fabricantes que anunciaram a interrupção na produção de veículos no Brasil.
Automóveis
Em janeiro e fevereiro, o segmento mais volumoso dessa indústria produziu quase 400 mil veículos. As 34 fábricas ficarão paradas até meados de abril.


