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‘Para derrubar Bolsonaro, só se for a bala’, afirma Roberto Jefferson

Na semana em que o presidente Jair Bolsonaro aumentou os ataques ao Legislativo e ao Judiciário, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse que há uma tentativa do Congresso de promover novo impeachment no País e previu uma reação à altura. “Para derrubar Bolsonaro, só se for a bala”, afirmou ele. A análise reverbera o que pensa a ala ideológica do governo.

Com 37 anos na política, Jefferson foi da tropa de choque do então presidente Fernando Collor, denunciou o mensalão do PT e acabou preso. Disse não ver um ato de desespero nas atitudes de Bolsonaro, que participou domingo de ato que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo. “O que o Bolsonaro está fazendo? Está botando o povo na rua, mas do lado dele”, argumentou.

O sr. insinuou que o Parlamento prepara o impeachment do presidente Bolsonaro. Com base em que o sr. disse isso?

É dedução minha. Deputados estão me falando que Rodrigo (Maia, presidente da Câmara) vai acelerar o projeto de reeleição (para os comandos da Câmara e do Senado, proibido na mesma legislatura). E as atitudes do Rodrigo mostram o confronto aberto com o Executivo. Ele dá a cabeça do Bolsonaro e ganha sua reeleição.

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O vírus está nas minhas roupas? Nos sapatos? Cabelo? Jornal?

Tara Parker-Pope / FOLHA DE SP
THE NEW YORK TIMES

Quando pedimos aos leitores para nos enviar suas dúvidas sobre o coronavírus, surgiu um tema comum: muitas pessoas temem trazer o vírus para casa nas roupas, nos sapatos, na correspondência ou mesmo no jornal.

Consultamos especialistas em doenças infecciosas, cientistas que estudam aerossóis e microbiólogos para responder às perguntas dos leitores sobre os riscos de entrar em contato com o vírus durante trajetos essenciais fora de casa e entregas de mercadorias. Devemos sempre tomar precauções, mas as respostas foram tranquilizadoras.

Devo trocar de roupa e tomar uma ducha quando chego em casa vindo do mercado? Para a maioria das pessoas que praticam o distanciamento social e vão apenas de vez em quando ao mercado ou à farmácia, os especialistas concordam que não é necessário trocar de roupa ou tomar banho ao voltar para casa. Mas deve-se sempre lavar as mãos.

Embora seja verdade que um espirro ou tosse de uma pessoa infectada possa projetar gotículas virais e partículas pelo ar, a maioria delas cairá ao chão.

Estudos mostram que algumas pequenas partículas virais podem flutuar no ar durante cerca de meia hora, mas elas não atacam como vespas e tendem a não colidir com suas roupas.

"Uma gotícula pequena o suficiente para flutuar no ar durante algum tempo não tende a se depositar nas roupas por causa da aerodinâmica", disse Linsey Marr, cientista na Universidade Virginia Tech. "As gotículas são tão pequenas que elas se movimentarão no ar ao redor do seu corpo e das roupas."

Por que gotículas e partículas virais geralmente não pousam nas roupas? Pedi à professora que explicasse melhor, já que estamos numa aula rápida de aerodinâmica. "A melhor maneira de descrever isso é que elas seguem o fluxo de ar em torno da pessoa, porque nos movemos relativamente devagar. É como os pequenos insetos ou partículas de poeira que voam nas correntes de ar em torno de um carro em baixa velocidade, mas potencialmente se chocam com o parabrisa se o carro estiver mais rápido", disse a professora.

"Os seres humanos geralmente não se movimentam com rapidez suficiente para que isso aconteça", continuou Marr. "Enquanto nos movemos, empurramos o ar para fora do trajeto, e a maioria das gotículas e partículas também é empurrada para longe. Uma pessoa teria de borrifar grandes gotículas ao falar, tossir ou espirrar para que elas pousassem em nossas roupas. As gotículas também teriam de ser grandes o bastante para não acompanharem o fluxo de ar."

Então, se você estiver fazendo compras e alguém espirrar sobre você, provavelmente é melhor voltar para casa, tomar um banho e trocar de roupas. Mas nas demais ocasiões fique tranquilo, porque seu corpo em movimento lento empurra o ar e as partículas virais para longe de suas roupas —um resultado da física simples.

Existe o risco de que o vírus fique no meu cabelo ou na barba? Por todos os motivos expostos acima, você não deve se preocupar com contaminação viral no seu cabelo ou barba se você estiver praticando o distanciamento social. Mesmo que alguém espirre na sua nuca, alguma gotícula que pousar no seu cabelo provavelmente não seria uma fonte de infecção.

"Você tem de pensar em todo o processo do que deve acontecer para que uma pessoa seja infectada", disse o doutor Andrew Janowski, instrutor de doenças infecciosas pediátricas na escola de medicina da Universidade de Washington, Hospital Infantil St. Louis. "Alguém espirra, mas ela precisa ter uma quantidade X de vírus no espirro. Depois deve haver um número de gotículas que pousam em você."

"Depois você tem de tocar aquela parte do seu cabelo ou da roupa onde estão as gotículas, que já tiveram uma redução significativa de partículas virais", disse Janowski. "Então você precisa tocar aquilo e depois tocar qualquer parte do seu rosto para entrar em contato com elas. Quando você percorre a série de eventos que precisam ocorrer, esse longo número de coisas tem de acontecer precisamente. Isso diminui muito o risco."

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Ala militar nega golpismo, mas apoia Bolsonaro no embate com Poderes

Igor Gielow / FOLHA DE SP
SÃO PAULO

A ala militar do governo negou às cúpulas do Congresso e do Judiciário haver qualquer risco de ruptura democrática por parte de Jair Bolsonaro, mas também fez questão de dizer que considera que os Poderes têm agido de forma a cercear o presidente na crise do coronavírus.

A impressão foi registrada pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Os três conversaram com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ao longo do domingo (19).

Naquele dia, Bolsonaro decidiu após almoçar com os filhos ir encontrar manifestantes pedindo intervenção militar e edição de "um AI-5" em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília.

A cena foi desenhada para chocar o mundo político e supor o apoio dos militares ao governo e a eventuais arroubos autoritários do presidente. Ato contínuo, Toffoli procurou Azevedo, que já foi seu assessor e com quem mantém interlocução frequente.

Tanto o ministro do Supremo como os presidentes das Casas do Congresso, em telefonemas separados, cobraram um posicionamento das Forças Armadas. Azevedo é um ponto de contato tanto com os militares dentro do governo quanto com o oficialato da ativa, de quem é superior hierárquico.

Ouviram a negativa de intenções golpistas e a promessa de que Bolsonaro iria baixar o tom, o que de fato aconteceu na manhã seguinte.

Além disso, o próprio general Azevedo divulgou nota reiterando o comprometimento das Forças Armadas com a Constituição e priorizando o combate ao coronavírus "e suas consequências sociais" —uma deixa não casual, alinhada à ênfase que Bolsonaro faz do impacto econômico da pandemia.

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Ministro da Saúde adota cautela em primeiras reuniões

Por Nilson Klava / G1

 

O novo ministro da saúde, Nelson Teich, pouco tem falado nas suas primeiras reuniões à frente da pasta. Prefere ouvir. No lugar das afirmações, perguntas. Tem repetido reiteradas vezes aos interlocutores que ainda está tomando pé da situação no ministério.

Nesta segunda, participou de reunião com os governadores do Nordeste. Evitou falar das medidas de isolamento social, alvo de polêmica entre governadores e o presidente Jair Bolsonaro, e pediu um relatório com a situação e as demandas de cada estado.

“Ele foi atencioso. Foi muito econômico nas falas. Mais ouviu do que falou. Disse que responderia na quinta, depois de ver projeções de cada estado. Não quis comentar nada sobre distanciamento social”, afirma Rui Costa, governador da Bahia.

Na reunião por videoconferência, os governadores do Nordeste expuseram a preocupação com a falta de equipamentos de proteção individual e de respiradores.

Eles também falaram das dificuldades que enfrentam no financiamento da saúde pública, reclamaram que os critérios adotados pelo ministério na hora de distribuir os recursos beneficiam municípios em detrimento dos estados, e também da demora do governo na hora de fazer o “cadastramento de leitos”, o que garantiria novos repasses.

Outra preocupação é com a lotação dos leitos, à medida em que a curva de contaminação cresce no país.

“O grande problema é que o sistema entra em colapso rapidamente, porque pacientes precisam de leito por muito tempo, de 14 a 24 dias. Média de 20 dias ocupando mesmo leito, não tem rodízio e provoca esgotamento rápido”, alerta Costa.

O ministro disse que iria analisar todas as preocupações passadas pelos governadores. Na sexta (17), logo depois que tomou posse, em conversa por telefone com o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Alberto Beltrame, defendeu a cooperação com estados e municípios.

“Disse que quer trabalhar em conjunto, quer trabalhar com os estados. Desejei sucesso, disse que os secretários estão prontos para trabalhar juntos”, afirmou Beltrame.

Antes mesmo de tomar posse, o ministro foi colocado numa saia justa. O representante do CONASS foi barrado na porta do Planalto, com a justificativa de que a cerimônia seria restrita para evitar aglomeração em tempos de coronavírus. Preocupado com a relação com os estados, o ministro, assim que soube da situação, apresentou seu pedido de desculpas.

“Foi um primeiro constrangimento. Não atribuo ao ministro. Mas fomos surpreendidos. Nunca vi isso. Ele fez um pedido de desculpa. Disse: somos parceiros e conta comigo”, afirma Beltrame.

Nelson Teich vem dizendo que, antes de falar sobre a nova linha de ação do governo, quer garantir uma ampliação dos testes em todo o país, para que tenha mais dados sobre a propagação do vírus na hora de tomar qualquer decisão.

Crise do coronavírus pode fazer fome quase dobrar no mundo este ano, aponta ONU

ESTOQUES DE MEDICAMENTOS

 

O número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda pode quase dobrar este ano, para 265 milhões, devido às conseqüências econômicas da Covid-19, informou o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (ONU).

A estimativa é que o impacto das perdas de receitas com turismo, remessas em queda e restrições a viagens deixem 130 milhões de pessoas sob "ameaça severa". Somadas às 135 milhões de pessoas que já estavam nessas condição antes da pandemia, a ONU estima que as vidas e subsistências de 265 milhões de pessoas em países de baixa e média renda estejam ameaçadas.

"A Covid-19 é potencialmente catastrófica para milhões de pessoas que já estão 'por um fio'", disse Arif Husain, economista chefe e diretor de pesquisa do Programa Mundial de Alimentos em conferência virtual a partir de Genebra, na Suíça. "Precisamos nos unir para lidar com isso, ou o custo será alto demais – o custo global será alto demais: muitas vidas perdidas e muitos, muitos meios de subsistência".

"Crise aguda de alimentos e meios de subsistência" é a categoria três das cinco fases da ONU, que significa "falta crítica de acesso a alimentos e desnutrição acima do habitual". A categoria 5 significa "fome em massa".

Husain afirmou que é crítico agir rápido para evitar que pessoas já vivendo em situações como a de vendedores de alimentos no Quênia vendam seus bens, uma vez que pode levar anos para que sejam independentes novamente. Em alguns casos, como quando produtores vendem seus equipamentos ou gado, pode levar a efeito cascata na produção de alimentos por vários anos.

"Essas são as pessoas com as quais estamos preocupados – os que estavam bem antes da Covid e agora não estão", disse, acrescentando estar "realmente preocupado" com pessoa vivendo em países com pouca ou nenhuma rede de segurança do governo.

África será provavelmente região mais atingida

Oficiais da ONU não deram um detalhamento geográfico das necessidades crescentes, mas disseram que a África provavelmente será a mais atingida.

O programa espera precisar de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões para financiar seus programas de assistência este ano, em comparação com os US$ 8,3 bilhões registrados no ano passado, acrescentou Husain. Ela planeja pré-posicionar os estoques de alimentos nos próximos meses, antecipando necessidades crescentes.

Dos que já são considerados famintos, muitos estão em zonas de conflito como a Síria ou em países seriamente afetados pelo impacto das mudanças climáticas, de acordo com um relatório da ONU. Mesmo antes da pandemia de coronavírus, os gafanhotos do deserto na África oriental haviam destruído as colheitas e aumentado o número de pessoas dependentes de ajuda alimentar.

Um país amarrado para o estupro coletivo

Fernão Lara Mesquita, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 03h00

Jair Bolsonaro frequentemente não sabe o que faz. Nada mais fácil do que levá-lo ao destempero absoluto. Mas Rodrigo Maia sabe perfeitamente.

Essa macheza toda de João Doria é mau sinal. Ele não é homem de arriscar o próprio lombo. Lá da fazendinha dele no Jardim Europa, com suas fronteiras com o resto do mundo fechadas pela polícia, vocifera o seu olímpico “que coma bolos o povão, São Paulo tem de parar!” porque está certo de poder mandar a conta para Bolsonaro. Se soubesse que era a ele que caberia entregá-la ao favelão nacional, pensaria dez vezes e, como sempre, não teria a menor dificuldade em desdizer o que disse ontem com as boas palavras que faltam ao nosso inarticulado presidente para explicar os passos necessários para transitar desse mergulho de cabeça na miséria do jogo do poder para a quarentena seletiva necessária à preservação da saúde pública.

Mas poder “bate” fortíssimo. Os “nóias” dessa droga vão a qualquer profundidade por ela. Nenhuma abominação é grande demais para obtê-la. Veja-se Rodrigo Maia. O DEM veio bem até aqui pertinho. Mas foi só ser-lhe dado comer um pouquinho de melado e lambuzou-se todo. E dizer que quem o armou de ministérios bilionários e articulou a entrega do comando da Câmara e do Senado ao partido foi o próprio Bolsonaro! É quase bíblico...

O DEM sempre foi dois. Um é o tribal, que deita raízes em 64. Ainda caminham por aí assombrando o Brasil os mortos-vivos do “coronelismo eletrônico” salvos da lata de lixo da História pela distribuição de rádios e TVs do presidente por acaso José Sarney. Nos “feudos” onde ganharam o poder de falar sozinhos é da lei do machão da “casa grande” da vez manter a marca do inaugurador da dinastia - “de direita” ou “de esquerda” -, mas qualquer diferença real no comportamento pessoal ou na práxis da relação com a “senzala” ampliada do eleitorado que só come se for na mão deles está enterrada sob camadas sucessivas da cultura do comércio de privilégios que iguala a todos e entorta de cabo a rabo a política nacional.

O outro DEM é o pós-85. Desde o fim do regime militar, filiar-se ao antigo PFL, que já tinha sido Arena, passa a ser uma credencial de consistência ideológica. O sujeito entrava para o PFL, depois DEM, quando a vocação política mais a fidelidade a princípios davam uma soma maior que a sede de poder porque, de cara, essa opção matava qualquer chance real de disputá-lo. Isso era privilégio exclusivo dos 30 e tantos “partidos de esquerda” que, entre vivas à democracia, entretinham-se no nobre esporte de, alternadamente, distribuir ou agarrar tetas.

Luiz Henrique Mandetta é dos últimos representantes desse DEM vocacional, hoje circunscrito a uns cantos do Centro-Oeste, último bastião da meritocracia no Brasil. Ele foi eleito pela primeira geração de uma gente que saiu do nada e, longe do Estado, arrancou da terra o próprio sucesso e hoje sustenta este país devastado. Nada é “puro” como nada é puro, mas esse DNA é que faz a diferença que, do primeiro ao último discurso, com exceção da esparrela do Fantástico, o Brasil inteiro notou entre o que é Luiz Henrique Mandetta e o que são os chefões do partido que agora tratam de cavalgá-lo.

Rodrigo Maia, lá dos seus 74 mil 232 chorados votinhos, aderiu de corpo e alma ao movimento reacionário da esquerda apeada do poder pela revolução midiática que derrubou a dupla muralha do patrulhamento da imprensa e do financiamento público de campanha e resultou nos 57 milhões 797 mil e 847 votos que puseram Jair Bolsonaro, O Tosco, onde está na (frustrada) expectativa de um País exausto de que ele pusesse pelo menos um freio às indecências da privilegiatura “fina e chique”.

Há sinais claros de que o presidente periclitante começa, até, a arrepender-se do quanto tolheu o avanço das reformas no início, agora que as vê empurradas aos trambolhões para trás, mas é tarde. Paulo Guedes e seu programa que se queria liberal é o primeiro fuzilado da contrarrevolução. Já Nelson Teich é um natimorto. O inédito surto “federalista” do STF é o contrário do que parece. O cargo dele foi abatido antes mesmo de ele pensar em aceitá-lo pelos franco atiradores que, lá do pico mais alto da privilegiatura, vêm fuzilando, uma a uma, as últimas defesas do favelão nacional contra o saque final em preparação. 

O “Orçamento de Guerra” acaba com todas as restrições legais ao gasto público. Os novos “controles” passam a ser do Congresso Nacional, o que dispensa qualquer especulação mais séria sobre sua consistência. E agora, depois da confirmação da intocabilidade do emprego público e da inimputabilidade geral do “servidor”, mesmo ladrão de sentença passada e reconfirmada, prepara-se a imposição da “estabilidade na arrecadação”, ou seja, o moto-contínuo da “renda mínima da corte” com suas lagostas e vinhos premiados, seus infalíveis aumentos anuais e seus penduricalhos de ocasião venha o que vier e dane-se o favelão, que será o tiro na nuca do Brasil.

Rodrigo Maia definitivamente abraçou o capeta. Resta torcer para que Davi Alcolumbre ainda esteja neste mundo e poupe o País de ser definitivamente amarrado para esse estupro coletivo.

JORNALISTA, ESCREVE EM WWW.VESPEIRO.COM

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