A máscara caiu - PATRICIA ROCCO / O GLOBO
O uso das máscaras nas ruas foi iniciado na pandemia da gripe espanhola em 1918, que se disseminou por todo o mundo, matando cerca de 50 milhões de pessoas (5% da população global de então).
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Apesar do nome gripe espanhola, a doença se iniciou no Kansas, nos EUA. Esse nome foi dado porque, durante a 1ª Guerra Mundial, a Espanha foi o único país a se manter neutro em relação à imprensa e às notícias sobre a doença. As informações dos 8 milhões de infectados pela “fiebre de los tres días” eram repassadas à população espanhola. No entanto, os outros países bloqueavam notícias que pudessem desfavorecer as tropas que lutavam na guerra.
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Será correto omitir as notícias? Será que a população necessita estar desinformada, ou levada a acreditar que tudo está bem, que sairemos do isolamento social e que todos estaremos protegidos? A máscara caiu e ficou a tristeza por termos acreditado que alguém estivesse nos protegendo.
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Nesse momento, a sociedade tem que acreditar na ciência. Sei que é difícil pensar em isolamento social quando se tem fome. Entretanto, é difícil pensar no não isolamento social quando, ao nosso lado, nos deparamos com a morte de um ente querido. São mais de 40 mil mortos no Brasil.
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Onde está a mudança de inflexão da curva do número de óbitos para se determinar a abertura, já que essa curva segue crescendo exponencialmente? Será esse o momento? Será que a máscara nos protegerá? A crise é global, todos estamos vulneráveis.
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O uso da máscara é recomendado sempre, seja em pacientes que apresentam sintomas respiratórios, profissionais de saúde, bem como em todos os indivíduos que necessitam sair de casa, já que pacientes assintomáticos ou pré-sintomáticos podem ser potenciais contaminantes. É fundamental seguir boas práticas de uso, remoção e descarte da máscara. Não é incomum a máscara estar abaixo do nariz, sem cobrir boca e queixo, ser feita com pano fino, estar rasgada, invertida (a borda rígida deve estar adaptada ao nariz) e utilizada durante semanas sem higienização, aumentando risco de contaminação do indivíduo e dele para outras pessoas.
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Assim, tudo parece muito confuso, momento errado para a abertura e uso errado de um importante aliado na proteção pessoal, a máscara.
Realmente, o Brasil é um país de dimensão continental que apresenta áreas onde essa abertura lenta e gradual pode ocorrer, porém, definitivamente, não é o caso de algumas grandes cidades como o Rio de Janeiro.
Fiquem atentos, essa pandemia é a pior de todas. A ciência deve restabelecer sua posição, orientando seus dirigentes, mostrar as descobertas e erros do presente para programar o futuro. Não arrisque sua vida.
Depois de três meses de isolamento social, a ideia de abertura, de poder sair de casa, levar os filhos à escola, ir ao shopping, por vezes suplanta o medo do contágio. Lembre-se, segundo Voltaire, a esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo.
Todos são iguais perante a lei, exceto os 11 brasileiros do STF
Se for correto o entendimento predominante na doutrina, no sentido de que não há como controlar abusos de poder cometidos pelo STF, há um equívoco no texto do caput do art. 5º da Constituição, ao dizer que todos são iguais perante a lei. O correto seria dizer que quase todos são iguais perante a lei, pois 11 brasileiros são totalmente diferentes dos demais.

Neste texto, volto ao que já escrevi neste mesmo espaço em 07/05/20 ("Supremo não é sinônimo de absoluto") do qual transcrevo fragmentos. Supremo, conforme registram os dicionários, é o que está acima de todos, num determinado grupo. O Supremo Tribunal Federal é apenas um órgão do Poder Judiciário, que está acima dos demais órgãos desse mesmo Poder. Supremo é o órgão, o colegiado, não seus integrantes individualmente. Estes são apenas ministros, tais como os outros ministros, integrantes dos tribunais superiores. Em síntese, o Poder Judiciário é apenas um dos poderes da República; não é superior (nem muito menos supremo) com relação aos demais.
O artigo 2º da Constituição afirma que o Legislativo, o Executivo e o Judiciário são poderes independentes e harmônicos. Cada um deles tem funções próprias e específicas, que são estabelecidas no Título IV — Da Organização dos Poderes, a partir do artigo 44 até o artigo 75. Já é cediço que a separação (ou especificação) dos poderes da República serve exatamente para evitar excessos, para delimitar atribuições e, fundamentalmente, para que qualquer um dos poderes não invada a área de atribuições constitucionalmente reservada a outro poder.
Coronavírus: em plena reabertura, Brasil é o país com mais mortes em junho
Em processo de abertura da quarentena em diversas regiões, o Brasil figura como país com maior registro de mortes por coronavírus neste mês de junho. De acordo com o levantamento diário realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) foram 8.300 novos registros de óbitos entre as análises publicadas de 1º de junho a 10 de junho, a mais recente.
O Brasil está à frente, inclusive, dos Estados Unidos, que registrou 8.130 novas mortes durante o mesmo período e que segue como o país com mais mortes totais pela doença (1,9 milhão, segundo o último levantamento da OMS). As secretarias de Saúde brasileiras também registraram no levantamento de junho mais mortes que o México (4.274), Reino Unido (2.394), Itália (628), França (488) e Alemanha (218), outras nações com altas taxas de mortes pela Covid-19.
Desde o final de maio, o Brasil e os Estados Unidos revezam-se entre os maiores índices de mortes diárias pelo coronavírus em todo o mundo. Segundo o último levantamento da OMS, publicado nesta quarta-feira, 10, o Brasil tinha 679 vítimas fatais e os Estados Unidos, 550. No dia anterior, as médias foram 904 mortes nas últimas 24 horas no Brasil e os EUA, 708.
O banco de dados da OMS coleta registros pandemia com intervalo de 24 horas em todos os países do mundo. Há no entanto, um atraso em relação aos dados diários publicados por todos os países e o que é divulgado nos boletins da entidade. Esse fato, no entanto, não é impeditivo para determinar que o Brasil segue na dianteira da letalidade do coronavírus em todo o mundo neste mês de junho.
Se considerados apenas os dados mais recentes (entre 3 e 10 de junho), o país ainda é o que registra mais mortes no período. São 7.197 mortes registrados durante a janela de oito boletins. Em segundo lugar está os EUA, com 5.762 e em terceiro o México, com 3.886. VEJA
J. R. Guzzo: Como cumprir o que pede a OMS?
10 de junho de 2020 | 17h54
Para ser um bom cidadão e um bom patriota, hoje em dia, você precisa obedecer às instruções da Organização Mundial da Saúde em tudo o que diga respeito ao coronavirus. É o que mandam fazer o Supremo Tribunal Federal, o Senado, a Câmara dos Deputados, os artistas da TV Globo e o juiz de São João do Meriti: enquanto a OMS não disser que a epidemia está eliminada, mantenha o máximo possível de “distanciamento social”, não siga nenhuma recomendação médica que não seja aprovada pelos chefes da organização e, principalmente, não discuta.
Não se trata de uma opção, e sim um dever legal. Para dar um exemplo prático: os habitantes da já citada São João do Meriti, no Rio de Janeiro, estão sendo obrigados a manter a quarentena por ordem do juiz local. O prefeito, achando que o que valia era a decisão do STF pela qual só as “autoridades locais”, e ninguém mais, podem tomar medidas quanto a covid-19, liberou as atividades econômicas no município. O juiz proibiu a população de obedecer à prefeitura – mandou seguir o que a OMS diz e, segundo ele, a OMS quer que o comércio de São João do Meriti continue fechado. Não foi o único.
Há um problema sem solução nisso aí: trata-se de saber qual seria, no fim das contas, a decisão da OMS que está valendo hoje, pois ela pode perfeitamente não ser a de ontem. Nem os diretores da organização sabem; como, então, a gente poderia saber?
No começo da epidemia, no final de 2019 na China, a OMS viveu uma intensa fase de “gripezinha que vai passar daqui a pouco”. Disse que o vírus não podia ser transmitido do animal para o homem. Condenou as recomendações de não se viajar para a China. A um certo momento, foi politicamente correto combater o distanciamento. “Abrace um chinês”, recomendava-se nessa época. Depois, à medida em que os mortos começavam a se empilhar, trocaram o sinal e passaram a ser os campeões mundiais da “quarentena radical por tempo indeterminado até a descoberta de uma vacina”. No Brasil, é essa a fase da OMS que está em vigor.
Desde então, a OMS já disse que se deveria testar a cloroquina como possível tratamento para a covid-19. Tempos depois, determinou que todos os testes fossem suspensos. Agora, ao que parece, suspendeu a suspensão e está achando que sim, seria bom testar a cloroquina de novo. Em seu mais recente surto de posições que se contradizem e se anulam entre si, uma diretora afirmou que a transmissão do vírus a partir de pessoas que não têm sintomas “é muto rara”. Um dia depois outro diretor garantiu o oposto – disse que estava “absolutamente convencido” de que há transmissão por parte dos “assintomáticos”, embora não pudesse demonstrar com números a sua afirmação. Então: como cumprir as determinações da OMS se não se sabe se a determinação é essa ou é aquela?
Quando um diretor diz uma coisa e outro diretor diz o oposto, parece haver uma prova provada de que um dos dois está errado, já que não podem ter razão ao mesmo tempo. É possível, ainda, que nenhum dos dois esteja certo. O indiscutível, depois de todo esse tumulto mental, é que a OMS não pode, realmente, garantir que saiba o que está fazendo. Poderia ser apenas um problema dela – mas é um problema concreto para os brasileiros, cujas vidas cotidianas se veem afetadas diretamente por decisões que o STF, o Congresso e mais uma penca de autoridades continuam levando a sério.
PT vai ficar isolado - PT SÓ PENSA EM LULA
Mais uma vez o PT divide a oposição. O partido que se acostumou a liderar a oposição desde que acabou com o brizolismo - colocou Brizola de vice e depois o deixou de lado -, perdeu força depois de todas as denúncias de corrupção e da prisão do Lula; e depois que ele foi solto, ficou sem saber o que fazer. Embora em 2018 tenha sido beneficiado com a polarização com Bolsonaro, era evidente que não era minimamente confiável para vencer a eleição.
E deixou de dar um passo à frente, abrindo mão da candidatura de Haddad para assumir a de Ciro Gomes, candidato da oposição mais bem posicionado naquele momento. A candidatura de Lula era só política, a favor dele próprio, não da oposição.
Uma união de PT e PDT levaria outros partidos a abrirem mão e fazerem voto útil. Mas como o PT nunca pensou globalmente, só individualmente no Lula e na sua condição de líder, fez a escolha errada em 2018 e está fazendo agora de novo.
Lula se recusou a assinar manifestos de oposição porque tinha pessoas que defenderam o que ele chama de golpe contra Dilma e que não o entendiam como preso político e sim político preso – tudo pessoal dele. Com isso, mais uma vez afasta o partido da oposição, que está tentado fazer agora a aliança que não conseguiu em 2018.
Ciro Gomes e FH se reconciliaram na semana passada durante um programa na Globonews. A tendência seria Lula aderir a essa união, sem querer ser o líder que não pode mais ser, e tentar uma candidatura única - que é difícil - mas pelo menos para agirem juntos nesse período em que vai haver muita manifestação de rua e protesto no Congresso. Mas nesse momento, quem vai ficar isolado é o PT. MERVAL PEREIRA / O GLOBO
Lotéricas no Ceará são alvos da PF por clonagem de cartões de beneficiados do auxílio emergencial
Uma operação da Polícia Federal contra fraudes nos saques do Auxílio Emergencial cumpre mandados de busca e busca e apreensão em Morrinhos, Russas e Quixeré, municípios do interior do Ceará, nesta quarta-feira (10). Nestas cidades, casas lotéricas clonavam dados de beneficiados com o valor de R$ 600.
Em uma outra operação, também realizada nesta quarta, a Polícia Civil cumpriu seis mandados de prisão contra foragidos da Justiça que receberam o benefício.
A operação da PF, nomeada de 'Covideiros', é realizada com o apoio da Caixa Econômica Federal e investiga uma associação criminosa com atuação no Ceará e em São Paulo, que realizou saques indevidos do benefício de R$ 600,00, utilizando dados de reais beneficiários. O Auxílio Emergencial é um benefício do Governo Federal a trabalhadores informais, autonômos e desempregados durante o período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do novo coronavírus.
Foram expedidos oito mandados de busca e apreensão, um em Morrinho, um em Quixeré, um em Russas e os outros em São Paulo. Também foram expedidos dois mandados de prisão temporária, todos em São Paulo.
Os investigados devem responder por furto qualificado e associação criminosa, com pena de até 11 anos de prisão. Nenhum suspeito foi identificado.
Conforme a PF, a associação criminosa clonava dados de cidadãos beneficiários do Auxílio Emergencial nas casas lotéricas das cidades cearenses. Em São Paulo, eram emitidos cartões com os dados clonados e as senhas eram então recadastradas em casas lotéricas da zona leste paulista. Os suspeitos, de posse de vários cartões clonados, depois iam até o autoatendimento das agências e realizavam os saques do benefício.
Para o recadastramento das senhas, funcionários das lotéricas participam da associação criminosa. Depois de coptados pela organização, os funcionários recebiam instruções remotamente e ganhavam parte do lucro gerado com as fraudes.
A operação contou com mais de 40 policiais federais, além de 40 policias militares e 14 empregados da Caixa. Os mandados foram expedidos pela 4° Vara criminal da Jutiça Federal de São Paulo.
Benefício Federal
O Auxílio Emergencial de R$ 600,00 é um benefício do Governo Federal a trabalhadores informais, autonômos e desempregados durante o período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do novo coronavírus.
O pagamento do auxílio foi inicialmente previsto para os meses de abril, maio e junho. Nesta segunda-feira (8), o ministro da Ecnomia Paulo Guedes afirmou que o Governo deve estender o auxílio por mais dois meses, mas com um valor de R$ 300,00.
O investimento no programa alcançou R$ 152,6 bilhões e a assistência já foi liberada para quase 60 milhões de brasileiros.
No Ceará, o início do pagamento do auxílio gerou filas e aglomerações nas agências bancárias.
A Polícia Federal, em maio, abriu investigação para apurar um esquema de facilitação do saque do auxílio em Aurora, no Cariri. Um vereador e um pré-candidato a prefeitura do município são suspeitos de envolvimento. DIARIONORDESTE


