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Como as manifestações na pandemia, esquerda faz o que criticava

[RESUMO] Nas manifestações deste domingo (7), lideranças de esquerda aderiram animadas à promoção irresponsável de aglomerações durante a pandemia, atitude recorrente de Jair Bolsonaro nos últimos meses que tanto condenavam.

Nos últimos três meses, quando a escalada da Covid-19 no Brasil tornou-se incontornável, assistiu-se à regular participação do presidente da República e de seu rebanho na promoção de aglomerações e manifestações públicas. O espetáculo da irresponsabilidade bolsonarista foi também regularmente acompanhado pela indignação de amplos setores da mídia, especialistas em saúde pública e opositores políticos, entre os quais representantes da esquerda.

Passada a fase inicial da pandemia, no momento em que o Brasil parece ser o epicentro da propagação do novo coronavírus, com mortes que se contam a cada minuto, eis que organizações e lideranças que acenam a bandeira do antifascismo, adversárias viscerais de Bolsonaro, decidem convocar manifestantes às ruas.

Sob a alegação de que seriam tomadas precauções, que não resistiram ao teste da realidade, como uso de máscaras (por si insuficiente como proteção) e distância entre as pessoas, a esquerda aderiu animada ao que condenava —o que não chega a ser uma novidade em termos históricos.

O líder do MTST e ex-candidato do PSOL à Presidência, Guiherme Boulos, por exemplo, foi um dos protagonistas do festim —contra, aliás, ponderações mais sensatas de parte de seus apoiadores e companheiros de partido. No ato, para o qual carreou pessoas pobres ligadas ao movimento dos sem-teto, tentou se justificar: “Ninguém queria estar na rua agora. Todo mundo queria estar em casa se protegendo”... E completou: “O problema é que criou-se uma escalada fascista no Brasil. Por isso essas manifestações têm que acontecer”.

O raciocínio é roto. O que Boulos e outros chamam de “escalada fascista” precede a pandemia. Não se discute que a radicalização bolsonarista subiu de tom recentemente, mas soa infantil a crença de que levar alguns poucos milhares de pessoas ao largo da Batata ou equivalentes em outras cidades vá fazer a diferença.

Precipitadas, as manifestações de domingo não mudaram e provavelmente não vão mudar nada, a não ser, quem sabe, a contaminação entre aquelas pessoas e seus parentes. Sintomático que parte do séquito nas redes sociais tenha esquecido o que se disse sobre as aglomerações bolsonaristas e suspirado: “Foi lindo!”

Talvez incentivada pela explosão antirracista nos EUA, que reflete acontecimentos bem definidos, nossa esquerda simplesmente passou a chancelar, indiretamente que seja, mas de maneira insofismável, a campanha pelo “foda-se” defendida desde sempre por algumas autoridades obtusas e setores do empresariado —que eram acusados de querer levar os trabalhadores para o matadouro. O fato é que os rebanhos estão soltos. E esse passou a ser nosso novo normal de lidar com a pandemia.


Marcos Augusto Gonçalves é editor da Ilustríssima e editorialista da Folha.

‘Me inclua fora dessa’, diz ACM Neto sobre Centrão

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2020 | 05h00

No momento que o Centrão recebe cargos no governo federal, o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEMACM Neto rechaçou em entrevista ao Estadão o bloco parlamentar que hoje dá sustentação ao Palácio do Planalto. Apesar do seu partido ocupar o maior número de ministérios e avançar no 2.°escalão da máquina federal, Neto disse que o Democratas não faz parte do Centrão. “Os quadros do partido que estão no governo foram escolhidos por Bolsonaro”, afirmou.

O DEM é do centrão?

Me inclua fora dessa. Nós não integramos o Centrão. O Democratas deixou claro ao presidente da República desde o processo de transição em 2018 que não participaria da indicação de cargos e não aceitaria discutir espaços no governo. Os quadros do partido que estão no governo foram escolhidos pelo próprio presidente Bolsonaro, que quando quis também tirou, a exemplo do ministro (da Saúde, Luiz HenriqueMandetta. O presidente o demitiu e não teve que dar nenhuma satisfação ao partido, como não deu quando na hora que escolheu. Não vamos participar dessa política de negociação de espaços.

Qual o papel que o sr. acha que o Centrão cumpre hoje?

Eu não gosto de generalizações. Existem situações diferentes entre os partidos chamados de Centrão. Mas é evidente que alguns desses partidos foram governistas com Fernando Henrique CardosoLulaDilma, Temer e agora com Bolsonaro. Eles serão governo com qualquer um que chegar à presidência da República. Esse é um traço que distingue o Democratas. Nós fizemos oposição ao PT durante todo o período que o partido esteve no governo. Temos uma linha ideológica e de princípios muito clara. Existe um jogo de interesses muito claro de lado a lado que torna conveniente a relação, mas ela não é baseada em crenças comuns e em princípios. Portanto não tem a solidez necessária para a articulação de um governo com o Congresso Nacional.

 

O presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto
O presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto Foto: Werther Santana/Estadão

O DEM não foi consultado sobre os cargos oferecidos aos integrantes do partido, também não censurou ou desautorizou quem aceitou.

Eu não sou oposição. O Democratas não é oposição. Temos uma postura de independência. Quando a agenda tiver confluência com o partido nós vamos apoiar. O maior exemplo é a reforma da Previdência. O Democratas foi o partido mais importante para assegurar essa vitória do governo. Não vamos para oposição. Não existe isso. Em hora nenhuma eu constrangi os ministros. Não vejo motivos para impedir que eles contribuam para o governo. Mandetta, Tereza, Onyx: todos têm trabalhos muito bem reconhecidos, mesmo o Mandetta que acabou sendo demitido. Ele foi um quadro que o País descobriu. Não censurar nenhum quadro do partido que queria contribuir com o partido e ajudar o governo. Mas isso não significa que foi uma indicação do partido. Agora, isso é muito diferente do modelo de negociação que um presidente de partido indica um assessor ou o primo de um parlamentar. Não é o nosso quadro. 

O que acha dos recentes movimentos e manifestos de oposição?

Os movimentos de um lado e de outro fazem parte da democracia. Sempre respeitei a liberdade de opinião e de manifestação, independente de ser esquerda ou direita, desde que sejam pacíficas e não preguem qualquer coisa que possa colocar em risco a democracia. A democracia é inegociável. Qualquer movimento que atentar contra a democracia nós estaremos contra. O momento no País é muito preocupante. Nós estamos vivendo uma crise saúde pública sem precedentes. Estamos caminhando para a maior recessão das últimas décadas. E para tornar o cenário mais complicado temos questionamentos sobre a estabilidade institucional que não poderiam existir nesse momento. Se impôs um antagonismo entre o governo federal e a grande maioria dos governadores. 

Qual avaliação o sr. faz do desempenho do presidente?

É óbvio que em relação a pandemia eu tenho uma visão antagônica à do presidente. Defendi desde o princípio a adoção de medidas de isolamento social. Não era razoável viver a polêmica economia versus saúde pública. Eu, como prefeito, acho que seria mais útil ao País que o governo tivesse coordenando ações com Estados e municípios. O ministério da Saúde tinha que cumprir esse papel. Não gosto de ficar fazendo avaliação de governo dando nota porque não sou jurado. O governo não assumiu seu papel de grande articulador. 

Qual avaliação o sr. faz da abertura de comércio no pior momento da pandemia?

Como prefeito eu me reservo a opinar às decisões de Salvador. No meu caso tenho tomado decisões técnicas e com base em dados. A regra em Salvador tem sido o isolamento social. Na última segunda-feira prorroguei as medidas até 15 de junho. Não funcionam bares e restaurantes, shopping center, escolas e as praias estão interditadas. Adotei desde o começo uma estratégia setorial. Não trato a cidade toda de uma mesma forma.

Pretende abrir quando em Salvador?

Está tudo suspenso até o dia 15 e inclui algumas atividades, poucas, em exceções: clínicas, lavanderias e concessionárias. Mas foram poucas inclusões. 

Defende mudança no calendário eleitoral?

Não se pode cogitar prorrogação de mandato e coincidência de eleições com 2022. Isso seria inconstitucional e antidemocrático. A eleição tem que acontecer esse ano. O grande desafio não é o dia da votação, que pode ser ocorrer em 4 dias ou dois finais de semana. A questão é: como fazer campanha? As pessoas que hoje defendem o isolamento não podem que dia 20 de julho tenha convenções. Defendo um adiamento curto, com o 1° turno no dia 15 de novembro e o 2° no dia 30. Eu disse no Democratas: esqueçam a campanha no modelo tradicional, com corpo a corpo e comícios.

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

Receio de ser infectado, medo de morrer – e de ficar sozinho no hospital –, tristeza por estar distante de colegas e de amigos por tanto tempo, insegurança com o que acontecerá amanhã, angústia por pouco saber a respeito do vírus e do que acontecerá no futuro próximo etc.

Muitos experimentam algumas dessas emoções ora alternadas, ora juntas, e cada um usa as defesas pessoais que construiu até então para se proteger delas o suficiente para não esmorecer, para não se entregar nesse período de tanta instabilidade e de tantas crises ao nosso redor.

Algumas pessoas são resilientes. Essas, desenvolveram a capacidade de enfrentar as adversidades que a vida lhes apresenta como desafios e de aprender com elas e, sobretudo, de se adaptar rapidamente ao contexto que vive no momento. Alguns acreditam que ser resiliente é ser otimista, mas parece que ser realista faz mais sentido nesse caso, já que é preciso não negar a realidade. Resiliência se constrói durante a vida toda, desde a infância, e é uma característica que tem permitido a muita gente seguir em frente de maneira saudável nesse período tão conturbado que vivemos.

Há também os que conseguem lidar com essas emoções usando o autoconhecimento e o consequente respeito consigo mesmo para seguir, passo a passo, caminhando na vida e realizando o que precisa. O autoconhecimento é ferramenta pessoal das mais preciosas e, à semelhança da resiliência, também se desenvolve durante toda a vida já que somos dinâmicos e mudamos sempre.

Há os que buscam ajuda, seja ela profissional ou esteja mediada pelas artes e pela cultura, há os que passam a viver mais no mundo virtual, há os que se entregam a múltiplas atividades incansavelmente, por exemplo.

E há também os que recorrem ao uso de drogas para enfrentar melhor a pandemia e o isolamento. É o que tem acontecido com pelo menos metade dos jovens brasileiros, segundo levantamento realizado recentemente pelo Centro de Convivência É de Lei, apoiado pelo Grupo de Pesquisa em Toxicologia e pelo Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos, da Unicamp.

Não é de hoje que o uso de drogas por adolescentes e jovens – tanto as lícitas quanto as ilícitas – é preocupação da sociedade. É nessa faixa de idade que mais se observa o uso dessas substâncias, e o início está cada vez mais precoce, entre os 12 e os 16 anos, mais ou menos.

As drogas lícitas mais usadas por eles são o álcool e o tabaco, mas não podemos ignorar o crescente uso de medicamentos – sim, remédios são drogas que, usados adequadamente produzem benefícios ao organismo, mas usados sem acompanhamento médico e para resolver situações difíceis, produzem muitos efeitos negativos.

Ainda não conseguimos estabelecer políticas públicas e educacionais que colaborem com essa questão, apesar de esse não ser um problema novo. Estamos, quase sempre, oscilando entre a repressão e a moralização desse uso, o que o tempo tem mostrado que não são medidas efetivas.

As escolas, por exemplo, são, em sua maioria, ocupadas 100% de seu tempo no ensino de conteúdos escolares. Disciplinas humanistas e artísticas, que ajudariam muito no desenvolvimento pessoal e social, não costumam ser populares, nem entre as famílias, para falar a verdade. E são elas as maiores colaboradoras no trabalho indireto de prevenção ao uso de drogas.

Vivemos numa sociedade que, mesmo sem querer e sem perceber, estimula o uso das drogas, considerando aqui o seu conceito amplo. Usamos muito agrotóxicos para ter à mesa verduras e legumes vistosos, não suportamos nem pequenas dores, físicas ou psíquicas, sem recorrer ao uso de medicamentos, entre outras coisas.

Dessa maneira, aos poucos os mais novos vão apreendendo e aceitando como normal o conceito de uso das drogas: “quando queremos melhorar nosso desempenho, cognitivo ou social, ou quando um mal-estar qualquer nos assalta, certamente encontraremos uma substância que irá aliviar o que de desagradável nós sentimos e/ou irá melhorar nossa atuação”. É ou não é isso?

Não é à toa que adolescentes e jovens usam muita bebidas alcoólicas em festas e fazem um verdadeiro tráfico de medicamentos estimulantes em épocas de provas consideradas decisivas para eles.

Nada mais desafiador para todos enfrentar a pandemia e o distanciamento social e as emoções e os sentimentos que ela provoca e, para os jovens, o desafio é ainda maior, tanto quanto o estresse, a angustia e a ansiedade.

A família que percebe ou desconfia que os filhos adolescentes ou jovens estão no uso, beirando o abuso, de drogas pode ajudá-los? Sim, pode. 

Primeiramente, é preciso ceder à tentação de aplicar punições. Precisamos entender que, neste momento, ao usar drogas, eles estão buscando ajuda para enfrentar a situação. Também é importante reconhecer que nem todo usuário de qualquer droga se tornará dependente dela: há jovens que usam drogas para recreação, por exemplo.

Conversar com os filhos é importante contribuição: dar escuta às suas dores, reclamações e pesares e dialogar com seus argumentos é a base dessa troca de ideias. E manter-se sempre como mãe e pai em quem eles podem sempre poderão confiar. Vínculo amoroso é o que torna isso possível.

*É PSICÓLOGA

Na periferia, famílias adoecem juntas / O ESTADÃO

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

 

SÃO PAULO - Quatro famílias moram no mesmo número da Rua Capricho Rústico, no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo. Cada porta da casa retangular se abre para cômodos pequenos que acumulam funções – o quarto também é sala, por exemplo. Falta ventilação. No fundo do terreno, do outro lado do muro improvisado por telhas de amianto e uma porta de madeira, avançam as águas cinza-chumbo do córrego Lageado, que transborda na época das chuvas e invade o quintal. Nessas quatro famílias, cinco pessoas tiveram covid-19.

 

Famílias numerosas, com parentes que formam suas próprias famílias, mas permanecem no mesmo espaço, além de vizinhos que dividem o terreno, estão adoecendo juntos quando um morador pega o vírus. Em casas pequenas, com cômodos minúsculos, existe maior dificuldade de isolamento. Simplesmente não há espaço para se resguardar.

 

A dona de casa Eliana da Silva Souza Silveira, moradora da casa que acolhe quatro famílias, sentiu febre, dores no corpo, perda do olfato e do paladar. O agente comunitário de saúde recomendou isolamento, boa alimentação, hidratação e paracetamol. Estava no grupo de assintomáticos ou sintomáticos leves. Hoje, ela está bem – o Estadão a encontrou varrendo a calçada na manhã quente de uma quinta-feira. “Mas foi impossível se isolar dentro de casa”, diz. Os outros quatro moradores pegaram a doença e conseguiram superá-la sem internação. Antes que cause estranhamento o fato de ninguém ter ido ao médico, vale um dado estatístico. Pesquisa da organização Viva Rio com cerca de mil famílias mostrou que 75,5% das pessoas com sintomas nas comunidades cariocas não procuraram atendimento médico.

Eliana Silveira
Eliana Silveira mora em uma casa que acomoda quatro famílias. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Distante nove minutos da casa de Eliana, agora no bairro Jardim Senice, a família do aposentado Manoel Francisco também viveu uma luta contra o coronavírus. A mulher dele, Cleusa, foi a um hospital na Mooca assim que teve os sintomas. Como é quase impossível se isolar dentro de casa, Francisco se contaminou. A sobrinha, Railayne Silva, que mora no mesmo endereço, mas na casa debaixo, pegou. Com medicação, todos se recuperaram.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Prefeitura de São Paulo, a região do Itaim Paulista, onde moram Eliana e Francisco, registra 439 casos de covid-19. É a segunda maior incidência da zona leste, atrás de Sapopemba (559). O cenário se repete em relação aos óbitos: a região do Itaim registrou 122 mortes e Sapopemba, 205.

Do outro lado da cidade, em Paraisópolis, na zona sul, várias famílias adoecem juntas. A mãe de Jessica não conseguiu escapar. Após passar por três hospitais, Zita Pereira Silva morreu no dia 23 de abril. Jessica também se contaminou. Para evitar a transmissão na família, decidiu se isolar. A confeiteira de 27 anos foi uma das primeiras a ocupar uma das escolas transformadas em centro de acolhimento pela União dos Moradores e Comerciantes de Paraisópolis. “Fiquei 15 dias e mais ninguém se contaminou em casa.”

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Vereadores tentam entrar em hospital do PV e Polícia Militar é acionada

Por Carlos Mazza

 
Vídeo do momento em que vereadores tentam entrar no PV viralizou nas redes sociais
Vídeo do momento em que vereadores tentam entrar no PV viralizou nas redes sociais

Os vereadores Sargento Reginauro (Pros), Julierme Sena (Pros) e Márcio Martins (Pros) tiveram entrada barrada nesta sexta-feira, 12, no hospital de campanha do estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Alegando que estavam no local para fiscalizar a unidade, os três insistiram em entrar na área hospitalar e a Polícia Militar precisou ser acionada.

Nas redes sociais, os vereadores classificaram a ação da gestão do hospital como "abuso de autoridade e obstrução da lei”. “Enquanto a população morre sem leitos, soubemos que apenas 60 dos 225 leitos estão ocupados”, publicou Reginauro. Ele argumenta que os vereadores chegaram ao local com um mandado judicial em mãos, que autorizaria a fiscalização.

Segundo a Prefeitura de Fortaleza, a entrada dos vereadores foi barrada pois eles não tinham autorização para trânsito dentro da área hospitalar. A gestão destaca ainda que os vereadores não fizeram comunicação prévia da vistoria, e que a decisão judicial que traziam dizia respeito à obra de construção do hospital, e não ao funcionamento da unidade em si.

A gestão do hospital decidiu chamar a Polícia Militar após um dos vereadores ameaçar entrar na unidade aproveitando o momento em que alguma ambulância chegasse ou deixasse o local. Imagens dos parlamentares discutindo com servidores da gestão e com os policiais militares circularam nas redes sociais durante a tarde desta sexta-feira.

"Qual o problema de visitar um órgão que é público, que é nosso, do povo de Fortaleza?", questiona Julierme Sena em uma das imagens. "Nós não precisávamos nem de ordem judicial para entrar aqui", destaca Márcio Martins, em outra.

“Filmar leitos vazios”

Segundo Márcio Martins, a intenção da visita era filmar o interior da unidade para mostrar a “ociosidade e subutilização” de leitos do hospital. Segundo Martins, ele recebe constantes denúncias de pessoas precisando de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto o Hospital do PV está "com mais da metade de sua capacidade ociosa".

O vereador argumenta que ele próprio teria acionado a PM por duas vezes, em tentativas de entrar no estabelecimento. A Prefeitura de Fortaleza reafirma, no entanto, que foi ela que acionou os agentes de segurança no caso. “Não havia qualquer justificativa plausível para a autorização da entrada”, diz a assessoria de imprensa da gestão.

A ação ocorre um dia após o presidente Jair Bolsonaro recomendar, em transmissão ao vivo, que seus seguidores invadam hospitais públicos para filmar leitos vazios. Nesta sexta-feira, um grupo invadiu, a socos e pontapés, a ala para Covid-19 do hospital Ronaldo Gazolla, do Rio de Janeiro, chegando a quebrar equipamentos e assustando pacientes.

Leitos ociosos

A Prefeitura de Fortaleza destaca que, em um mês de funcionamento, o hospital do PV atendeu mais de 1000 pacientes, com 800 deles já tendo recebido alta. A gestão destaca ainda que, durante parte do período em que ficou em funcionamento, o hospital operou com 100% da capacidade.

Atualmente, estão ocupados apenas 68 dos 280 leitos disponíveis, o que a gestão atribui como “resultado das medidas de lockdown impostas no município”. A gestão destaca ainda que, durante parte do período em que ficou em funcionamento, o hospital operou com 100% da capacidade.

De acordo com a plataforma IntegraSUS, que reúne indicadores da Covid-19 no Ceará e dispõe de informações sobre ocupação de leitos, o número de leitos ativos no hospital do PV atualmente é de 136. Conforme dados atualizados às 20h05min desta sexta-feira, 12, são 34 leitos de UTI e 102 de enfermaria. Destes, nove leitos de UTI estão ocupados, contra 51 de enfermaria. (colaborou Matheus Facundo) opovo

Os desafios dos estados que começam a flexibilizar a quarentena no Brasil

Desde o começo da crise sanitária, grande parte da atenção do Brasil está voltada para o que acontece em São Paulo. A capital do estado serviu como a porta de entrada do coronavírus no país, quando um homem de 61 anos, vindo da região da Lombardia, na Itália, acusou os sintomas, procurou o hospital Albert Einstein e recebeu o primeiro diagnóstico de Covid-19. Um mês antes, com base no que já ocorria fora do país, o governador João Doria (PSDB) começou a formar um comitê de gestão prevendo a crise que fatalmente chegaria por aqui. Em março, São Paulo foi um dos primeiros estados do país a adotar a quarentena com o objetivo de tentar conter a velocidade de expansão do vírus e ganhar tempo para preparar o sistema de saúde a fim de evitar um colapso, e acaba de anunciar parceria para a fabricação da primeira vacina no país. Passados três meses, continua sendo o epicentro da doença em território nacional, concentrando 25% das mortes do país. Mas essa participação chegou a ser de 88% no início da crise. O índice de ocupação das UTIs, que ficou perto de 90% no fim de maio, encontra-se hoje em torno de 70%. Outro dado animador: a taxa de contágio da Covid-19 caiu de quase seis pessoas para menos de duas depois que medidas de distanciamento social foram adotadas.

MONITORAMENTO - Drive-thru para testes em Santos: plano de flexibilização será reavaliado a cada quinze dias Van Campos/Fotoarena

Na última quarta, 10, os olhares se viraram mais uma vez para os paulistas, quando o estado passou a fazer parte de um movimento do país de uma retomada cautelosa que abriu a esperança de que a vida possa começar a se normalizar em um futuro não muito distante. Complexa mesmo em países com muito mais recursos, essa reabertura gradual ganha contornos ainda mais delicados no Brasil. Ao contrário das nações do exterior, que só entraram nessa fase com a queda nas estatísticas, São Paulo deu o passo com números ainda altos de registros da doença. No mesmo dia em que liberou a abertura do comércio de rua e de shoppings em algumas cidades, o estado registrou pelo segundo dia seguido o número mais alto de óbitos (340). De acordo com especialistas, chegou-se ao momento de pico da doença, e as estatísticas vão se manter altas ainda por um tempo, até começarem a cair de forma expressiva (na quinta 11, o total de mortos foi de 283). Mas a expectativa de que a curva possa em breve ser descendente está baseada em cenários como o da capital do estado: na maior metrópole do país, com 12,2 milhões de habitantes, que equivalem a 30% da população do estado, o ritmo de crescimento das contaminações agora é de 1,8%, ante os 5% registrados em abril. Além disso, a média de evolução das mortes também diminuiu na última semana, passando de 18% por dia para 13%. “Não é um ‘liberou geral’, continuamos em quarentena, mas de forma mais seletiva”, afirmou a VEJA o governador João Doria. “Conviver com o vírus, com o máximo de segurança, mas também com garantia de atendimento hospitalar de qualidade, é o desafio que continuará presente.”

ESTRUTURA - O governador Doria: mais respiradores para ampliar o atendimento GovernoSP/Divulgação

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