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Fim do inquérito: Maia é outra vítima do modo lavajatista de arrasar o país... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/reinaldo-azevedo/2021/02/26/fim-do-inquerito-maia-e-outra-vitima-do-modo-lavajatista-de-arrasar-o-pais.

Reinaldo Azevedo
 

Colunista do UOL

26/02/2021 03h36

Pois é...

A Procuradoria Geral da República pediu ao STF para arquivar o inquérito que investigava se a Odebrecht havia feito repasses irregulares ao deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a seu pai, Cesar Maia.

Na Era da Destruição da Política, que preparava o terreno para a ascensão de Bolsonaro, Maia foi um dos acusados pela baciada de delatores da empreiteira. Duvido que tenha havido algo parecido no mundo. Ou que ainda haverá. Seu nome foi parar na boca do sapo das redes sociais, mas ele sobreviveu politicamente, o que foi bom. Resistiu a dois anos de iniquidades do governo Bolsonaro, mantendo a racionalidade necessária na Câmara. No pedido que faz agora de arquivamento, afirma a PGR: "Forçoso reconhecer que a apuração não reuniu até o momento suporte probatório mínimo (justa causa em sentido estrito) que ampare o oferecimento de denúncia. Assim, não havendo lastro probatório mínimo para o oferecimento de denúncia com perspectiva de êxito, justifica-se o arquivamento deste inquérito".

Há um outro inquérito que apura supostas doações irregulares da OAS.

Talvez o país um dia ainda se livre desse flagelo. Delatores caem nas teias da investigação, fazem as acusações e, por um bom tempo, suas palavras viram lei. E os acusados que se virem.

Depois de toda a expiação pública, vem agora uma espécie de "nada consta". Vale dizer: só há a palavra dos delatores, interessados em obter vantagens com a delação. Não há uma miserável prova que evidencie o que disseram.

Tanto melhor, claro!, que seja essa a posição da PGR.

Mas sabemos qual é o custo do modo que as delações assumiram no Brasil. Foi esse método de combate à corrupção que nos empurrou para a lama em que estamos. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Com 26% das mortes no mundo, América Latina só aplicou 6% das vacinas contra a Covid-19

Camila Zarur = O GLOBO

 

IDOSO NO SIBATE

 

RIO — A América Latina e o Caribe são uma das regiões do mundo mais afetadas pela pandemia. Apesar de representar apenas 8% da população mundial, a região registrou 26% das mortes e 18% dos casos da Covid-19. E, ainda que alguns dos países já tenham começado sua campanha de vacinação contra o vírus, a imunização segue a passos lentos e não consegue acompanhar o avanço das contaminações. Das 33 nações, 18 ainda não começaram a imunizar a população ou não têm dados públicos sobre percentual de vacinados. 

Pandemia:Casos de Covid-19 e mortes caem globalmente, mas ritmo é diferente em cada país

Ao todo, foram 21 milhões de infecções e mais de 670 mil mortes pela doença na região, sem contar a subnotificação. Junto com os Estados Unidos e o Canadá, o continente americano é o lugar onde mais pessoas se contaminaram e morreram devido à crise sanitária. No entanto, das 227 milhões de doses contra a Covid-19 aplicadas no mundo até sexta-feira, apenas 6%, ou 13,9 milhões, o foram na América Latina e no Caribe.

São poucos os exemplos de campanhas bem-sucedidas. Um deles é o Chile, onde, até o momento, cerca de 16% da população já recebeu a primeira dose da vacina. Usando os imunizantes da Pfizer, da AstraZeneca e da Sinovac, o país pretende imunizar até 75% das pessoas em seis meses — o suficiente para atingir a imunidade necessária à volta da normalidade, segundo apontam especialistas. 

Em segundo lugar no ranking, com quase dois dígitos de diferença, está a ilha caribenha de Barbados, que, a cada 100 pessoas, conseguiu vacinar 7. No entanto, nenhuma recebeu a segunda dose da vacina. Em seguida aparece o Brasil, com 2,9% da população vacinada com a primeira dose e 0,7% com a segunda.  A maioria dos países latino-americanos e caribenhos, porém, ainda não começou a vacinação ou imunizou um número pouco expressivo de pessoas. Um dos motivos para isso é que as nações de rendas mais baixa ficaram atrás na corrida pelo imunizante, ultrapassadas por países mais ricos que fecharam logo acordos com as farmacêuticas. No entanto, até aqueles que tomaram a dianteira enfrentam dificuldades de produção e entrega das vacinas.  

— Mesmo países ricos que compraram muitas vacinas não as estão recebendo, porque alguns tiveram problemas de produção, outro aparentemente compraram mais do que [as farmacêuticas] tinham capacidade de entregar, outros enfrentam problemas com a liberação de exportação — pontuou o subdiretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, em uma entrevista coletiva na semana passada. — Mesmo países que estabeleceram acordos bilaterais estão com dificuldades de receber suas vacinas.

Um dos problemas que adia a entrega das vacinas é a falta de insumos para sua produção. Um exemplo disso é o caso dos 200 milhões de imunizantes da AstraZeneca que serão produzidos em conjunto por Argentina e México. A vacina que já foi produzida está armazenada porque o laboratório mexicano responsável por envasá-la ainda não conseguiu receber frascos e filtros, como mostrou na semana passada o jornal El País.

Muitos países da região conseguiram começar a vacinação por causa de acordos diretos com as farmacêuticas ou devido a pequenas doações. É o caso da ilha de Dominica, que recebeu 70 mil doses da Astrazeneca doadas pelo governo indiano. Suriname começou a vacinar com mil doses que recebeu de Barbados e espera receber outras 50 mil da Índia.

Isso, porém, não é suficiente para a vacinação de 500 milhões de pessoas, ou 76% dos habitantes da região, porcentagem necessária para chegar à imunidade coletiva. Para isso, muitos dos países dependem das vacinas que serão entregues através do consórcio Covax. Iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Aliança para a Vacinação (Gavi) e da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi), o Covax tem como meta fornecer imunizantes para ao menos 20% da população de cada país participante. Na região, apenas Cuba, que começou os testes da fase três de sua própria vacina, não faz parte do mecanismo. 

— Para países pequenos e de baixa ou média renda, seria muito difícil sem o Covax conseguir negociar com os fabricantes, porque eles sabem que a demanda é muito maior do que a oferta que estaria disponível no curto prazo — explicou o diretor da Gavi, Santiago Cornejo, à rádio americana WLRN.

Qual é o seu lugar na fila da vacina?  Veja o teste e descubra

Segundo Cornejo, fazer parte da iniciativa é um caminho para ter acesso às vacinas. Porém, o número de doses e cronograma de entregas estão sujeitos à capacidade de produção das farmacêuticas, assim como ao estabelecimento de acordos de fornecimento entre os produtores, a Opas e a Unicef.

Por causa disso, o Covax já teve que adiar a entrega dos primeiros lotes de imunizante, que estavam previstos para serem enviados entre janeiro e fevereiro. A previsão de agora é que os países latino-americanos e do Caribe recebam em março as cerca de 35 milhões de doses destinadas à região nesta primeira etapa. 

Segundo Barbosa, na primeira leva de vacinas a serem entregues, os países devem receber uma quantidade de doses equivalente a 2,2% a 2,6% de sua população. As exceções serão as nações muito pequenas, que vão receber uma quantidade proporcional maior, entre 16% e 20%, já que o envio de pequenas quantidades do imunizante sairia mais caro. O subdiretor da Opas, no entanto, é direto:

— Vamos ser muito claros, há uma quantidade limitada. Quanto mais acordos bilaterais são feitos, a disponibilidade começa a diminuir. O Covax é uma vitória muito importante para o mundo e deve ser fortalecido — ressalta Barbosa, que também afirma: — O prazo de entrega não é uma decisão, é uma realidade do mercado. Depende de uma negociação muito dura com todos os produtores sobre a quantidade que está disponível e como as vacinas serão transportadas do produtor para cada país.

"Fura-filas":Ministro da Saúde do Equador renuncia após escândalo com vacinas

Prioridade global

Enquanto os países da região não conseguem acelerar a vacinação, o coronavírus continua a avançar. Ainda que a OMS aponte uma redução considerável de casos da doença no continente americano na última semana, essa tendência é puxada pelos Estados Unidos, que agilizou sua campanha de imunização e endureceu as medidas para conter o vírus. Na América Latina e no Caribe, o cenário da pandemia é misto. 

O Uruguai, que começará a vacina nesta segunda-feira, reduziu drasticamente os casos ao adotar restrições mais rígidas e fechar fronteiras. Porém, países como Peru, Barbados, Santa Lúcia e São Vicente e Granadina vem registrando um aumento crescente de novas infecções, como também é o caso do Brasil.

Buenos-Aires-México-MoscouComo a vacina russa se tornou cobiçada na América Latina

A diretora da Opas, Carissa Etienne, afirmou que, devido à alta de casos, o acesso regional às vacinas deve ser uma “prioridade global”. 

— O poder de salvar vidas das vacinas não deve ser um privilégio de poucos, mas um direito de todos, especialmente dos países sob maior risco como os das Américas, que continuam sendo o epicentro da pandemia. Nossa região precisa de vacinas o mais rápido possível e o máximo possível para salvar vidas — declarou Etienne. — É por isso que pedimos à comunidade global que faça da vacinação contra a Covid-19 nas Américas uma prioridade global, pois é onde a necessidade e o risco são maiores.

“Fura-filas”

Além da escassez de vacinas e dos gargalos de distribuição, a América Latina e o Caribe enfrentam outro problema para ter uma imunização eficaz: os fura-filas, pessoas que são vacinadas antes dos grupos prioritários e, às vezes, antes mesmo do início da campanha.

Não é só no BrasilEscândalos de fura-fila da vacina contra Covid-19 se espalham pelo mundo

Na Argentina, os “fura-filas” levaram à renúncia do ministro da Saúde, Ginés Gonzáles García, depois que foi revelado um esquema apelidado de “vacinação VIP”, onde pessoas eram imunizadas antes graças a seus bons contatos com os altos escalões do governo. No Peru, o escândalo começou ao descobrirem que o ex-presidente Martín Vizcarra e sua mulher tomaram de forma secreta a vacina da Sinopharm, enviada para a fase três de testes realizada no país,  antes dele ser afastado do cargo, em setembro.

Em alguns países, o esquema é mais explícito, e autoridades puderam receber as vacinas antes dos grupos prioritários de maneira oficial. Em Dominica, o presidente, Charles Savarin, e a primeira-dama, Clara Savarin, junto com outros membros do governo, foram vacinados no dia 12 de fevereiro — 10 dias antes do início da vacinação começar. 

Em Santa Lúcia, o primeiro-ministro, Allen Chastanet, e sua mulher, Raquel Du Boulay-Chastanet, tomaram suas doses da AstraZeneca logo no primeiro dia da campanha de vacinação, no dia 17 deste mês. OBS: SIBATE FICA NA COLOMBIA

 

OMS condena o lockdown: não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres


Radar Econômico questionou o órgão após entrevista de diretor da OMS preocupado com o crescimento da pobreza no mundo

Em uma entrevista concedida ao site americano The Spectator, Dr. David Nabarro, o emissário da Organização Mundial da Saúde (OMS) para lidar com a pandemia de Covid-19, afirmou categoricamente que “nós, na Organização Mundial da Saúde, não defendemos lockdown como o principal meio de controle desse vírus”, e listou uma série de problemas econômicos causados pelos países que adotaram essa medida para barrar o novo coronavírus. “Basta olhar para o que aconteceu com a indústria do turismo, por exemplo, no Caribe ou no Pacífico, porque as pessoas não estão tirando férias. 

 

Veja o que aconteceu aos pequenos agricultores em todo o mundo porque seus mercados foram prejudicados. Veja o que está acontecendo com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. 

Parece que podemos ter pelo menos uma duplicação da desnutrição infantil porque as crianças não estão recebendo refeições na escola e seus pais, em famílias pobres, não têm condições de pagar”, afirmou. Depois, concluiu: “E, portanto, realmente apelamos a todos os líderes mundiais: pare de usar o lockdown como seu método de controle primário, desenvolva sistemas melhores para fazê-lo, trabalhe em conjunto e aprenda uns com os outros, mas lembre-se — lockdowns têm apenas uma consequência que você nunca deve diminuir, e isso está tornando as pessoas pobres muito mais pobres.”

A entrevista levou diversos veículos e cientistas a questionarem a OMS por posicionamentos anteriores e que subsidiaram decisões de líderes nacionais a adotarem o lockdown como principal forma de conter a disseminação do vírus. O Radar Econômico entrou em contato com a OMS e também a questionou: afinal, qual o posicionamento oficial da Organização Mundial da Saúde. O órgão enviou uma carta, que abaixo, você lê na íntegra.

A OMS nunca advogou por lockdowns nacionais como principal meio de controle do vírus. O Dr. Nabarro estava repetindo nosso conselho aos governos para “fazer de tudo”.

Governos, empregadores, comunidades devem aplicar um pacote de medidas comprovadas de saúde pública que sabemos serem eficazes para prevenir a transmissão, incluindo higiene das mãos e respiratória, distanciamento físico, uso de máscara, ficar em casa se estiver doente, etc. Sistemas para teste, isolamento, rastreamento e quarentena, etc.

As medidas para controlar a COVID-19 dependem das avaliações de risco locais. As restrições de movimento podem estar entre uma série de medidas que os governos podem considerar em certas áreas geográficas.

Se os aglomerados e surtos aparecerem, eles devem ser retardados e então suprimidos prontamente e é por isso que restrições de movimento localizadas e direcionadas, implementadas em conjunto por atores locais e autoridades nacionais, são necessárias de tempos em tempos.

Mike Ryan (diretor-executivo do Programa de Emergência em Saúde da OMS) em 9 de outubro: “Nós sabemos o que precisamos fazer e sabemos que é uma combinação de todas essas coisas e, nenhuma dessas coisas por si só aborda todos os problemas que enfrentamos nesta pandemia. Temos as ferramentas de que dispomos, vimos como essas ferramentas podem ser eficazes se aplicadas nas proporções certas, no momento certo e da forma certa a nível do país. Não se trata de estabelecer lockdowns. 

O que os governos estão tentando fazer é não fazer lockdowns. O que os governos estão tentando fazer é quebrar as cadeias de transmissão. Eles estão tentando impedir que a doença passe de pessoa para pessoa e, em certas circunstâncias, tentar fazer isso se torna extremamente difícil quando há transmissão intensa na comunidade. O que dissemos desde o início desta pandemia é que precisamos evitar situações em que a doença possa se espalhar de forma desenfreada no nível da comunidade.”

Maria Von Kerkhove (epidemiologista do Programa de Emergência em Saúde da OMS) em 9 de outubro: “O desafio é a implementação. Isso é difícil e continuará a ser difícil, pois estamos tentando encontrar esse equilíbrio para abrir novamente nossas sociedades. Precisamos apoiar os governos, precisamos apoiar as comunidades e precisamos apoiar os indivíduos porque estamos absolutamente todos juntos nisso”.

FONTE: WWW.VEJA.ABRIL.COM.BR

LEIA TAMBÉM: Relatora Magda Mofatto que pediu manutenção da prisão de Daniel Silveira tem 50 processos e teve seus direitos políticos cassados em 2019

NA PARAÍBA, A CADA R$ 100 DE GASOLINA, VOCÊ PAGA R$ 42,45 SOMENTE DE IMPOSTOS

ENQUETE: VOCÊ É A FAVOR DO IMPEACHTMENT DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAIS DO STF? VOTE E COMPARTILHE!

 

Veja o que aconteceu aos pequenos agricultores em todo o mundo porque seus mercados foram prejudicados. Veja o que está acontecendo com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. 

Parece que podemos ter pelo menos uma duplicação da desnutrição infantil porque as crianças não estão recebendo refeições na escola e seus pais, em famílias pobres, não têm condições de pagar”, afirmou. Depois, concluiu: “E, portanto, realmente apelamos a todos os líderes mundiais: pare de usar o lockdown como seu método de controle primário, desenvolva sistemas melhores para fazê-lo, trabalhe em conjunto e aprenda uns com os outros, mas lembre-se — lockdowns têm apenas uma consequência que você nunca deve diminuir, e isso está tornando as pessoas pobres muito mais pobres.”

A entrevista levou diversos veículos e cientistas a questionarem a OMS por posicionamentos anteriores e que subsidiaram decisões de líderes nacionais a adotarem o lockdown como principal forma de conter a disseminação do vírus. O Radar Econômico entrou em contato com a OMS e também a questionou: afinal, qual o posicionamento oficial da Organização Mundial da Saúde. O órgão enviou uma carta, que abaixo, você lê na íntegra.

A OMS nunca advogou por lockdowns nacionais como principal meio de controle do vírus. O Dr. Nabarro estava repetindo nosso conselho aos governos para “fazer de tudo”.

Governos, empregadores, comunidades devem aplicar um pacote de medidas comprovadas de saúde pública que sabemos serem eficazes para prevenir a transmissão, incluindo higiene das mãos e respiratória, distanciamento físico, uso de máscara, ficar em casa se estiver doente, etc. Sistemas para teste, isolamento, rastreamento e quarentena, etc.

As medidas para controlar a COVID-19 dependem das avaliações de risco locais. As restrições de movimento podem estar entre uma série de medidas que os governos podem considerar em certas áreas geográficas.

Se os aglomerados e surtos aparecerem, eles devem ser retardados e então suprimidos prontamente e é por isso que restrições de movimento localizadas e direcionadas, implementadas em conjunto por atores locais e autoridades nacionais, são necessárias de tempos em tempos.

Mike Ryan (diretor-executivo do Programa de Emergência em Saúde da OMS) em 9 de outubro: “Nós sabemos o que precisamos fazer e sabemos que é uma combinação de todas essas coisas e, nenhuma dessas coisas por si só aborda todos os problemas que enfrentamos nesta pandemia. Temos as ferramentas de que dispomos, vimos como essas ferramentas podem ser eficazes se aplicadas nas proporções certas, no momento certo e da forma certa a nível do país. Não se trata de estabelecer lockdowns. 

O que os governos estão tentando fazer é não fazer lockdowns. O que os governos estão tentando fazer é quebrar as cadeias de transmissão. Eles estão tentando impedir que a doença passe de pessoa para pessoa e, em certas circunstâncias, tentar fazer isso se torna extremamente difícil quando há transmissão intensa na comunidade. O que dissemos desde o início desta pandemia é que precisamos evitar situações em que a doença possa se espalhar de forma desenfreada no nível da comunidade.”

Maria Von Kerkhove (epidemiologista do Programa de Emergência em Saúde da OMS) em 9 de outubro: “O desafio é a implementação. Isso é difícil e continuará a ser difícil, pois estamos tentando encontrar esse equilíbrio para abrir novamente nossas sociedades. Precisamos apoiar os governos, precisamos apoiar as comunidades e precisamos apoiar os indivíduos porque estamos absolutamente todos juntos nisso”.

FONTE: WWW.VEJA.ABRIL.COM.BR

Congresso antecipa votação da PEC da imunidade, mas adia análise da PEC do auxílio

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2021 | 04h00

Congresso fala em urgência das votações para as medidas de combate à covid-19, mas age com o mesmo negacionismo do presidente Jair Bolsonaro diante do quadro devastador da pandemia no Brasil.

É inaceitável que, na pior semana desde o início da pandemia, os deputados tenham parado qualquer discussão para tirar de supetão uma proposta de mudança na Constituição para blindagem parlamentar, apelidada de PEC da "impunidade". Numa operação a jato, a PEC, se transformou no assunto de "maior relevância'' para os deputados.

Nada, absolutamente nada, tem mais importância do que enfrentar com foco e determinação a pandemia. Parlamentares têm a responsabilidade de não apenas votar projetos voltados para o combate da pandemia, mas também atuar como instrumento de pressão sobre os governos federal, estaduais e municipais agirem.

Congresso nacional
No governo tem muita disputa interna, de construção de espaço com o Centrão. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Para votar a PEC da imunidade parlamentar, ritos de tramitação foram sendo atropelados e subjugados à vontade soberana das lideranças congressistas. Suas Excelências, as majestades, reis intocáveis, como bem batizou a senadora emedebista Simone Tebet ao comentar as negociações políticas para aprovação da PEC.

Já para a PEC do auxílio, o Congresso enrola e adia a sua tramitação na esteira de “bodes na sala” colocados no substitutivo do relator, senador Marcio Bittar, como o fim dos pisos de saúde e educação. Dois pesos e duas medidas. Ou melhor, duas PECs, dois pesos.

Também não houve movimentação forte no Parlamento para garantir mais recursos para hospitais que se encontram com falta de leitos de UTIs. Cadê a votação do Orçamento de 2021? Também não é importante, nem ao menos para arrumar dinheiro para a saúde.

Não cabem desculpas dos deputados. O certo teria sido a Câmara se envolver mais diretamente nas discussões da PEC do auxílio e junto com o Senado avançado na votação do Orçamento. Inclusive na busca de um acordo político de fatiamento com o Senado para deixar o texto mais compacto, sem todas as medidas fiscais, para agilizar o processo.

Mais uma semana perdida. Sem antes o presidente da Câmara, Arthur Lira, ter reclamado da falta de articulação para a votação da proposta, e das críticas que a PEC recebeu, inclusive do apelido dado.

Lira não conseguiu nessa sexta fechar um acordo para votação da proposta mais rapidamente e acabou decidindo que o tema deverá ser discutido em uma comissão especial. Uma derrota para ele, mas não deixa de ser mais uma proposta a concorrer com a prioridade da guerra contra a pandemia. O jogo vai seguir, mesmo com esse revés.

Longe de ser a pandemia, o que agita mesmo o mundo político é o apetite por cargos nas mudanças prometidas pelo presidente Bolsonaro de tubarões. Um deles já se sabe é o presidente do Banco do BrasilAndré Brandão, que colocou o cargo à disposição antevendo mais fritura e o risco de humilhação. Esse é o assunto em Brasília e será nos próximos dias com a cobiça por outros cargos, inclusive do ministério de Paulo Guedes.

Tem muita disputa interna, de construção de espaço com o Centrão. Desenho já pronto de divisão do Ministério da Economia, separando Previdência e Emprego já circula a pressionar a equipe do ministro.

Enquanto o efeito Petrobrás segue alimentando a desconfiança, o governo dança na corda bamba: quer que o mercado seja fiador, agora centrando na PEC do auxílio e contrapartidas, com os “enfeites” das privatizações da Eletrobrás e Correios. Ao mesmo tempo, dança com o Centrão, que é a política do dia a dia. Não tem nem auxílio e nem reforma.

Nesse meio termo, a economia mergulha com a pandemia em seu pior momento e a vacinação desorganizada. E Bolsonaro dificulta ainda mais ao ameaçar os governadores, que anunciarem lockdown, de ficarem sem o auxílio daqui para frente.

A poucos dias de completar um ano da pandemia, o Brasil parece o filme Feitiço do Tempo. A diferença é que no retorno do tempo o cenário é pior ainda. Acelerem o passo, suas Excelências, parlamentares!

*É REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

A esbórnia intervencionista - CARLOS JOSÉ MARQUES

BOLSONARO NA ISTOÉ

Alguém, por um lapso de momento, teve qualquer dúvida do traço marcante de controle do Estado que o capitão Bolsonaro acalentou, tenta implementar aboletado no Planalto e manifesta como meta desde sempre? Então, vejamos: meteu a mão na Polícia Federal e avisou abertamente que o faria. Meteu a mão no INPE, trocando o comando, para abafar dados constrangedores de desmatamento e queimadas. Fez o mesmo com a Receita Federal, com o Coaf, para travar informações comprometedoras envolvendo a família.

Não gostou do preço do diesel? Substituiu o presidente da estatal porque não atendeu a sua determinação de baixar na marra o valor do combustível. Meteu um general. Quem sabe o tal vai mandar o preço do petróleo internacional bater continência e fazer flexões deitado no chão. A tarifa da luz tá subindo muito? Vai mexer nessa coisa aí. Aguarde. “Meter o dedo”, como diz. Interferir mesmo. No jargão rastaquera do capitão: controlar e acabou, goste quem quiser. Afinal, na visão soberana de Messias Bolsonaro, ele é o Estado. Absoluto, totalitário.

É a própria Constituição, encarnada em pessoa, como já falou recentemente. Outro dia reclamou do regime em voga alegando que, a depender dele, não seria assim. “Se tudo dependesse de mim, não viveríamos nesse regime”. Dá para prever o quão tirânico seria o modelo dos sonhos do capitão. “Mito” de araque, ele não gosta de democracia. Fique logo claro de uma vez. Não tolera nada andando fora de suas rédeas. Abomina a possibilidade de oposição ou mesmo de alguém, dentro do ecossistema de seu poder, sendo capaz de exibir qualidades e talentos que lhe façam sombra. A figura do maioral. Adora ser visto e saudado assim.

Cerca-se de bajuladores ideológicos, desprovidos de qualidade ou luz própria. Submissos até o último fio de cabelo. Não por menos mandou embora o ex-ministro da Saúde, Luiz Mandetta, simplesmente por ele realizar um bom trabalho na pasta. Não aguentou. Trocou por um obediente e inapto general Pazuello, que anarquiza e implode o sistema sanitário nacional.

Recomenda, como espera Messias, tratamento à base da droga cloroquina e outras baboseiras. Faz todas as suas vontades. Esquece os compromissos com a sociedade e nem seringa ou imunizante compra para defender a população. Na Justiça, a mesma coisa. O herói da Lava Jato, Sergio Moro, foi forçado a renunciar por não atender à vontade do capitão de varrer do mapa aqueles que faziam investigações sobre os filhos maculados. Bolsonaro, no estado puro, na essência, é o absolutista insano que agora está em exibição. Tirou de vez a máscara.

De liberal não guarda nada, nem cheiro. Em arroubos arbitrários coloca a perder o resto da credibilidade do País e as mais elementares regras de governança. Não tá nem aí. Inexiste um pingo de sentimento republicano correndo em suas veias. Faz demagogia e populismo com tarifas oficiais, mesmo que signifiquem homéricos rombos nos cofres da União, apenas e tão somente para angariar o sonhado apoio à reeleição.

O comportamento é esquizofrênico: aplica os mais abomináveis ritos sumários de autoritarismo para, logo depois, encenar um recuo com gestos falsos rumo a privatizações que, sabe, não sairão do papel. Assim se dá com os projetos da Eletrobrás e dos Correios, enviados ao Congresso como ardil tático insinuando pendor privatista. Quis calar os apupos da turba frente ao desassombro causado por sua evidente arrogância no caso Petrobras. Bolsonaro empulhou a sociedade, destruiu o valor de mercado da Companhia – que chegou a perder mais de R$ 100 bilhões em dias — e fez algo ainda de maior gravidade: sinalizou um País estatizante, desaconselhável para investimentos externos que busquem estabilidade.

Com a solução simplista, do alto de seu “profundo” conhecimento sobre os humores do mercado e as oscilações de valor dos combustíveis, quis mostrar que é ele o maioral, fazendo como quer. Nostalgia, quem sabe, dos regimes de exceção, onde pontificava o princípio do aqui mando eu. No reacionarismo delirante e costumeiro, Bolsonaro meteu o País na boleia de um caminhão e o deixou a reboque das vontades de uma categoria.

Ameaçado por uma greve de caminhoneiros, disse sim às demandas e partiu abertamente ao controle de preços. “Mudança comigo não é de bagrinho, é tubarão”, bravateou o chefe de Estado, cujo desatino vai provocando danos irreversíveis. Não há como ignorar a ruptura de valores provocada pelo episódio. O senhorio do Planalto, após consagrar uma aliança excêntrica e fisiológica com o Centrão, confirmou não apenas o tamanho do estelionato eleitoral praticado. Deu a senha de conduta para experimentos radicais e perigosos daqui por diante.

Vai transformando o Brasil em uma republiqueta apequenada, no modelo venezuelano, na qual ninguém pode acreditar, sob pena de se dar mal. O fim da autonomia na Petrobras é muito mais que um mero incidente ou equívoco de percurso. Representa riscos concretos à democracia, conspira contra o Estado de Direito e propicia ostensivamente o livre arbítrio. A lembrar, sempre, que Bolsonaro foi um personagem parlamentar que votou contra o Plano Real, contra a quebra do monopólio das telecomunicações e do monopólio estatal do petróleo, contra a Reforma Administrativa que impunha o teto de gastos, votou a favor do regime especial de aposentadorias para deputados e senadores e contra o cadastro positivo.

Na natureza, no comportamento, nos princípios, nas declarações, é um típico estatizante, pregador de um evangelho no qual o Estado tudo pode e controla. Jamais se converteu ao liberalismo, embora tenha vestido a carapuça para torna-se eleitoralmente atraente ao capital. Enganou meio mundo e fincou em Brasília as estacas de um projeto de poder concentrador. Vai fazendo da esbórnia intervencionista a marca de governo. ISTOÉ

Apoio evangélico em 2022 indica Bolsonaro na ponta e entraves a Doria, Huck e PT

 
BOLSONARO EM CULTA DOS EVANGELICOS NA CAMMARA
RIO DE JANEIRO

Num grupo de WhatsApp, um pastor brinca que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atingiu imunidade de rebanho no eleitorado evangélico. Estaria protegido, assim, contra o "vírus de esquerda" por contar com a ampla maioria de uma fatia que representa cerca de 30% dos brasileiros.

Mas não é só o campo progressista que precisa se preocupar com a fidelização ao bolsonarismo dos principais líderes evangélicos do país —estima-se que 70% do segmento tenha aderido a ele em 2018.

Muitos pastores que marcharam junto com o governador João Doria (PSDB) agora dizem que ele perdeu moral com as igrejas. E isso, apostam, sairá caro na eleição de 2022, caso ele consiga pôr de pé uma candidatura presidencial.

No dia 19 de novembro de 2020, o pastor Silas Malafaia postou uma foto: ele, o apóstolo César Augusto, da Igreja Apostólica Fonte da Vida, e Bolsonaro, "num bate-papo sobre o Brasil agora à tarde". Duas pontes entre o presidente e essa parcela religiosa, eles dizem que o tucano não é sequer cogitado no pastorado.

 
 

"Nunca vi tanto o Doria quanto o [Luciano] Huck se posicionarem a favor dos valores que defendemos. Como disse, evangélicos apoiam os valores conservadores. Bolsonaro até então é o único que os tem", afirma Augusto à Folha.

Sobre o "mocinho engomado", como Malafaia chama o governador, tem a dizer: "A ideia que a liderança tem é a de que ele é traíra. O cara que você não pode confiar, o verdadeiro escorpião. Traiu Alckmin, depois Bolsonaro".

Em 2018, Doria escanteou seu padrinho político no PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin, e se elegeu pregando o voto BolsoDoria. Agora, faz oposição feroz ao titular do Palácio do Planalto. Se muito, conseguirá "arrumar algum pastor aí pra enfeite" em 2022, diz Malafaia.

Augusto e ele já tiveram um lugar no coração para o governador. Em 2017, o pastor carioca disse à Folha que, embora preferisse Bolsonaro, o tucano —então prefeito paulistano— faria "um bem danado ao Brasil" e daria um "ótimo presidente", isso "se não descambar".

Já Augusto começou aquela campanha endossando Alckmin, que acabaria em quarto lugar no primeiro turno, contrariando o favoritismo inicialmente previsto.

Um ano antes do pleito, o apóstolo foi recebido pelo tucano, que à época controlava o Palácio dos Bandeirantes. Ali o instigou: Deus o convocaria a concorrer à Presidência de novo (já havia perdido em 2006, para Lula). O pastor mudou de lado perto da reta final, quando a vitória de Bolsonaro se avizinhava.

A simpatia por Doria, então aposta de Alckmin, veio por extensão. Augusto diz que nutria a esperança de que "ele abraçaria os valores que apoiamos", e que o tucano ganhou pontos por se acoplar ao bolsonarismo antes da eleição.

Fato é que, ao se mudar para o Bandeirantes, Doria diminuiu o contato com pastores. "O distanciamento, além da pandemia, também se configura pelo próprio cargo: políticas públicas são mais fáceis de serem implementadas no âmbito municipal do que estadual", diz Carolini Gonçalves, presidente do Núcleo Cristão do PSDB em São Paulo.

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