EUA prometem ao Brasil US$ 20 milhões em medicamentos para intubação
Beatriz Bulla / Correspondente/ Washington, O Estado de S.Paulo
WASHINGTON - O governo Joe Biden anunciou nesta terça-feira, 4, que deve fornecer ao Brasil medicamentos para intubação de pacientes com covid-19 no valor de US$ 20 milhões (cerca de R$ 105 milhões). Segundo a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, Estados Unidos, Brasil e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) têm discutido a parceria para destinar ao País os medicamentos americanos
"Esse apoio está sendo oferecido para compensar os surtos de abastecimento global e permitir que o Brasil receba medicamentos suficientes para atender às suas necessidades hospitalares imediatas. Então, esse é um esforço que está em andamento, ainda não foi finalizado, mas estamos trabalhando em parceria com o governo do Brasil", disse Psaki, em entrevista coletiva nesta terça-feira.
A Casa Branca tem sido questionada sobre a discrepância na ajuda oferecida a países que sofrem com surtos de covid-19. Analistas e imprensa estrangeira têm destacado o tratamento diferente dado a Brasil e Índia, por exemplo, com maior atenção por parte da Casa Branca à situação do sudeste asiático.
O governo tem sido pressionado também para divulgar quais países irão receber as 60 milhões de doses de vacina da AstraZeneca que a Casa Branca tem para compartilhar com o resto do mundo. Hoje, em evento organizado pelos centros de estudo Council of the Americas e Americas Society, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a "necessidade e não a política" estão sendo levados em consideração na decisão. Segundo ele, os países que "mais estão em perigo" devem receber as vacinas.
A porta-voz da Presidência voltou a dizer que o governo ainda realiza um processo interno para decidir os países que irão receber as doses, que foram requisitadas por países do mundo todo, entre eles o Brasil.
Com três vacinas contra covid-19 atualmente disponíveis (das farmacêuticas Moderna, Pfizer e Johnson & Johnson), o governo americano considera que não precisará das doses da AstraZeneca. Hoje, o presidente Joe Biden anunciou a nova meta de vacinação dos americanos, com o plano de ter 160 milhões de pessoas no país imunizadas até o feriado de 4 de julho.
Liberdade de imprensa vira refém do jornalismo populista
Está em cartaz a maior campanha contra a liberdade de expressão já vista no país. Ela foi articulada por pretensos justiceiros que adotam a mentira como técnica jornalística. O velho truque de fazer o mal em nome do bem — papel de embrulho para açular as arquibancadas.
A pantomima, no seu último influxo ganhou o estranho apelido de "lava jato". Os alicerces dessa construção foram "notícias" fabricadas e que agora vê-se, pelo espelho retrovisor, que metade delas foram lorotas. A parte verdadeira foi romanceada.
Como se estruturou essa novela? Vejamos:
O mercado do conteúdo tem um público enorme para o entretenimento, empreendimentos religiosos, mas um público muito reduzido para a informação política, econômica e científica.
Para aproveitar o sucesso da emoção sobre a razão, a mídia passou a embalar a informação jurídica e judicial — em geral árida e enfadonha — com sentimentos morais e maniqueísmo.
Essa metamorfose deu à luz o fetiche da corrupção. Criou-se a fantasia de que todo homem público ou empresário é corrupto. A campanha contra a liberdade de expressão começou por abolir a checagem das "informações" vendidas pelo lavajatismo. Qualquer rumor soprado pelos justiceiros passou a ter mais peso que documentos, provas e evidências que desmontasse. A começar pela falsa dimensão dada à prática da corrupção no país.
Na vida real, o maior problema dos brasileiros está nas relações de consumo. Isso representa cerca de 34% dos conflitos que chegam ao Judiciário. Em seguida, relações de trabalho: algo como 24% dos litígios. A criminalidade responde por pouco mais de 10%. Os crimes relacionados ao bloco da corrupção representam cerca de 0,03%.
Mas o charme de se derrubar um presidente, prender um deputado ou um empresário ricaço é insuperável, claro. Abusos de operadoras de telefonia, concessionárias, bancos ou planos de saúde não têm espaço nem interesse.
Até porque, pautas como a ineficiência do setor público (saúde, educação, segurança) ou do setor privado dão muito trabalho. É preciso pesquisar, estudar, fazer contas. É muito mais fácil sair gritando "pega ladrão". Não por outro motivo, os jornalistas mais famosos do momento (com exceções, claro) são verdadeiros linchadores.
O que isso tem a ver com liberdade de expressão? Tudo. Porque se essa deformação não for corrigida, as garantias e prerrogativas do jornalismo perderão o sentido. Não se fortalece as salvaguardas da imprensa fazendo vistas grossas para o fato de que há no meio vigaristas usando o manto do jornalismo para fraudar notícias — seja por dinheiro, seja por sensacionalismo.
O que tem caracterizado o noticiário sobre a Justiça? Existem os setoristas, os repórteres que acompanham julgamentos, leem as decisões, entrevistam as partes e os juízes. E existem aqueles que brilham na primeira página ou no espaço nobre das emissoras. São os animadores de auditório da escola do Ratinho, do Datena e outros artistas populares.
Sem tirar deles a importância que têm na história contemporânea, claro. Foram eles que construíram a fantasia da lava jato, elegeram Bolsonaro, Witzel, Doria e um lote de capitães, majores e coronéis no Congresso e Assembleias Legislativas. O Brasil deve a eles não só o avanço político como a gestão da crise sanitária da epidemia.
Isso foi construído com manchetes terroristas (e mentirosas) como a de que a prisão depois do trânsito em julgado colocaria nas ruas 180 mil "bandidos". Que o reconhecimento da suspeição de Sergio Moro anularia centenas de processos ou a velha ladainha de que anular ilegalidades de Curitiba seria trabalhar para corruptos.
A Academia está devendo ao país estudos menos conservadores a respeito do fenômeno do lavajatismo. O que pode explicar que procuradores e juízes de primeira instância tenham se tornado mais poderosos que seus órgãos de cúpula? Fenômeno igual ao que se viu com delegados da Polícia Federal e auditores da Receita. Quem acreditará em dez anos que um dia um grupo que se apelidou "força tarefa" governou o país, acima da Presidência da República e do Congresso?
Para voltar ao poder, movimentam-se "poetas", "escritores", "filósofos" e jornalistas em fim de carreira e sem perspectivas, que fugiram do ostracismo com a onda populista. Depois de verem suas balelas desmentidas, tentam desfibrilar o cadáver da fantasiosa "lava jato". A manobra de ressuscitação da "operação" consiste em insuflar ataques ao STF para emparedar seus ministros. Querem fazer crer que um acusado não é absolvido por falta de culpa, mas porque o juiz está do lado da corrupção.
É o encontro do voluntarismo desinformado com a perversidade. Um gênero de idealismo que confunde ingenuidade com esperteza. Ou com interesses financeiros e comerciais mesmo, como bem mostram falsos constitucionalistas e professores como Joaquim Falcão e Modesto Carvalhosa.
Um exemplo da farra: o comercialista Carvalhosa — que se apresenta como "professor aposentado" da USP, sem ser — dá aula nesta segunda-feira (3/5) para um comitê bolsonarista da Câmara dos Deputados. O tema é uma pretensa "PEC da 2ª instância". Quem sabe o professor ensine, como qualquer estudante sabe, que é inadmissível proposta de emenda constitucional para alterar cláusulas pétreas. Quem sabe.
Parafraseando o poeta Pablo Neruda, "você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências". Ou então, Eça, na frase do Conselheiro Acácio: "As consequências vêm sempre depois". Mas em pelo menos um aspecto não é preciso esperar o futuro. A imprensa tradicional só tem encolhido. Isso pode estar relacionado com suas escolhas. Ou ao seu controle de qualidade.
*Texto da palestra no evento "O Judiciário e a Mídia" promovido pela TV ConJur com a participação da Associação Paulista de Magistrados.
Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.
Revista Consultor Jurídico, 3 de maio de 2021, 15h37
Com a CPI da Covid instalada, FHC finalmente admite: “É preciso reabrir a economia para gerar trabalho e renda a brasileiros”
Em evento das centrais sindicais, neste sábado (1), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) admitiu em público que é necessário reabrir a economia brasileira com segurança, para gerar trabalho e renda para os brasileiros.
"É fundamental, hoje, nós pensarmos nos trabalhadores porque há muito desemprego no Brasil. Eu diria que a questão fundamental no Brasil, hoje, é reabrir a economia de modo tal que ela possa permitir que tenhamos trabalho, renda, para as nossas famílias", declarou, fazendo coro ao que o presidente Jair Bolsonaro afirma desde o início da pandemia, em março de 2020: que saúde e economia “andam lado a lado”.
FHC terminou sua curta declaração destacando a importância da educação no País e disse, em poucas palavras:
“Tenhamos um futuro mais auspicioso, com mais trabalho, com mais possibilidade de viver melhor, não só individualmente, mas familiarmente".
O evento foi organizado pelos “braços” esquerdistas do PT: CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical, Pública e CGTB.
FHC não comentou as imensas manifestações em favor do presidente Jair Bolsonaro por todo o país, no Dia do Trabalhador.
JC ONLINE
Número de vacinados contra a covid-19 no Brasil chega a 32,3 milhões, 15,2% da população
Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo
O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou nesta segunda-feira, 3, a 32.316.507, o equivalente a 15,26% da população total. Nas últimas 24 horas, 440.826 pessoas receberam a primeira dose da vacina, de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto a secretarias de 26 Estados.
Entre os mais de 32 milhões de vacinados, 16.279.037 milhões receberam a segunda dose, o que representa 7,69% da população com a imunização completa contra o novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, 409.052 pessoas receberam essa dose de reforço. Somando as vacinas de primeira e segunda dose aplicadas, o Brasil administrou 849.878 doses nesta segunda-feira.
Em termos proporcionais, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais vacinou sua população até aqui: 19,92% dos habitantes receberam ao menos a primeira dose. A porcentagem mais baixa é encontrada no Amapá, onde 10,37% receberam a vacina. Em números absolutos, o maior número de vacinados com a primeira dose está em São Paulo (7,66 milhões), seguido por Minas Gerais (3,38 milhões) e Bahia (2,4 milhões).
O Estadão mostrou nesta segunda-feira que ao menos sete capitais brasileiras estão com a aplicação da segunda dose da Coronavac atrasada após mudança no cronograma de entrega do imunizante. Em parte delas, a oferta do reforço está totalmente suspensa. Em outras, foi preciso restabelecer a ordem de prioridades da imunização, escalonando os grupos por idade ou ordem alfabética. Pelo menos 164 mil pessoas foram afetadas pela demora nos repasses.
Cinco anos depois, não há motivo para se arrepender de impeachment de Dilma
Joel Pinheiro da Fonseca / Economista, mestre em filosofia pela USP e colunista da folha de sp
[RESUMO] Participante ativo nas manifestação de rua e virtuais contra o governo Dilma, autor avalia que, cinco anos depois, não há motivos para se arrepender do impeachment, nem para atribuir a ele a ascensão de Bolsonaro. Identifica, contudo, um valioso aprendizado no que se seguiu depois da derrocada petista: o sentimento destrutivo contra a política em geral não levará o país a lugar algum.
Começou a CPI da Covid, e somos levados por ela a considerar a possibilidade de que o mandato de Bolsonaro termine antes de 2023. Será que, ao desastre nacional na pandemia, correspondem crimes de negligência e omissão do governo federal? Claro que a pergunta é retórica.
Sou cético quanto ao impeachment de Bolsonaro. Acredito que a CPI servirá para aumentar o preço do centrão, que tem mais um canal de chantagem para exigir verbas e cargos. No entanto, se a pressão popular aumentar, não é impossível que esses cálculos também mudem.
Pensando nisso, minha mente volta a um passado recente, os anos de 2015 e 2016, que agora parecem pertencer a outra era geológica. Participei ativamente, como cidadão e formador de opinião, daqueles anos. Subi em palco do MBL, ajudei a organizar um movimento que levou caminhão para a av. Paulista (o Movimento Acorda Brasil, que entre outros contava com a presença do hoje deputado Luiz Felipe de Orleans e Bragança), discuti e defendi repetidamente o tema nas redes sociais.
Olhando de hoje tudo o que se seguiu, terá sido uma boa ideia a queda de Dilma Rousseff?
COMO TUDO COMEÇOU
A história do impeachment de Dilma não começou em 2016, nem na sujíssima eleição de 2014. Seu nascimento espiritual se deu em junho de 2013. A economia ainda crescia, o desemprego seguia caindo, havia obra para todo lado, bancos públicos emprestavam dinheiro barato, a Copa do Mundo no ano seguinte prometia ser nossa consagração eterna. Algo, contudo, não ia bem na alma brasileira.
Um mal-estar latente foi posto para fora em junho de 2013. Uma profunda desconexão entre o brasileiro médio e a classe política se transformou em revolta. Na mira estava não só a corrupção, como também a percepção mais abrangente de que tudo na política era negociação de interesses particulares, com zero espaço para se pensar o bem comum. Governo, Congresso, partidos, imprensa; tudo era parte de um sistema corrupto e alheio aos interesses do povo.
Em 2014, esse sentimento foi epitomizado pela Lava Jato, operação que prometia mudar a relação permissiva da política brasileira com a corrupção e que atingiu em cheio o PT. Seja qual for sua opinião sobre Sergio Moro ou a operação como um todo, é inegável que o megaesquema de corrupção bilionário conhecido como petrolão, que envolvia a Petrobras, empreiteiras privadas e partidos políticos, teve o PT em sua cabeça.
Os valores destinados a Lula pessoalmente, como nos casos do tríplex e do sítio, seriam as migalhas que caíam da mesa desse que foi o maior esquema de corrupção da nossa história. A legitimidade moral do governo Dilma foi dinamitada.
Junte-se a isso a maior recessão da história recente. Dilma iniciou seu segundo mandato, em 2015, com o país já em crise produzida por seu próprio governo: PIB em queda livre, desemprego em rápida ascensão, inflação e gastos do governo fora de controle, Petrobras destruída, preços controlados, maquiagem contábil.
Ninguém nem sabia o tamanho do buraco. O sentimento popular fez a ligação: a farra corrupta do PT tirou o nosso futuro. Assim, o mesmo verde-amarelo que dominara as ruas em 2013 voltou com tudo em 2015 e 2016, agora com pautas menos difusas e um inimigo mais claro: o governo Dilma e o PT.
A pressão popular pelo impeachment foi acolhida pelos deputados. A presidente caiu. Veio o governo Temer. Podemos discutir horas sobre o mérito de suas muitas reformas econômicas —o teto de gastos, a reforma trabalhista, a TLP—, mas ninguém negará que foi um governo que primou pela normalidade democrática.
O grande abalo veio, já em 2018, da greve dos caminhoneiros, com amplo apoio popular. As bandeiras do Brasil estavam de volta. Temer não era do PT, nem de esquerda, mas representava o sistema político.
Em 2018, Bolsonaro encarnou esse sentimento antissistema. É curioso que um político com quase 30 anos de carreira na Câmara dos Deputados, que construiu um pequeno feudo familiar e cujos gabinetes eram cheios de pequenas corrupções, viesse a representar um desejo quase revolucionário.
A política, contudo, é percepção, e não realidade, e foi assim que Bolsonaro foi visto. Só ele tinha a força para contrariar a esquerda, a velha política, a mídia, as universidades, o globalismo; enfim, o sistema. A revolta contra nossa política levou à aposta na antipolítica, na força bruta como substituto da negociação.
De Witzel a Renan - J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo
Imagine, durante dois minutos, o que estaria acontecendo se aparecesse no noticiário político a seguinte informação: “Wilson Witzel assume as funções de relator na CPI da Covid”. A reação, para 95% das pessoas que acompanham esse tipo de coisa, seria a mesma: “Não é possível; tem de ter algum engano nisso aí”. Quem não se lembra dele? O cidadão, em agosto do ano passado, foi o autor de um prodígio: conseguiu ser posto para fora do governo do Rio de Janeiro, acusado de roubar recursos destinados a combater a epidemia. Isso mesmo, do Rio de Janeiro – que já teve no seu comando um gigante inigualável na história da corrupção mundial, Sérgio Cabral (o homem tem mais de 200 anos de prisão no lombo, condenado por ladroagem em primeiro grau), e cuja Assembleia Legislativa deu diploma a cinco deputados que estavam na cadeia no momento da posse. Quer dizer: ser deposto do cargo de governador do Rio não é para qualquer um. Não pode ser normal, assim, que a turma aprovada pelo Senado para dirigir a sua CPI seja essa que está aí: não tem Witzel como relator, mas tem Renan Calheiros.
É possível demonstrar alguma diferença de verdade entre os dois? Não, não é.
Pode uma coisa dessas? Não só pode, neste Brasil de hoje, como está sendo considerada um momento de notável importância na história nacional. Renan, um dos senadores que têm mais encrenca que qualquer outro político brasileiro com o Código Penal, responde a um caminhão de processos na Justiça e há 30 anos vem se utilizando das “imunidades parlamentares” como principal recurso para manter-se fora da cadeia. Pois então: com tudo isso nas costas, ele passou agora a ser julgador. Witzel, ou Maluf, ou Geddel Vieira Lima – aquele que tinha R$ 50 milhões em dinheiro vivo num apartamento da Bahia – ou qualquer outro colosso nessa área, seriam tidos como uma piada se fossem encarregados de investigar alguma coisa. Mas Renan é levado mais a sério, no papel de magistrado, que o próprio Rei Salomão. É assim que ficou o Brasil.
Renan saiu da sua vida habitual, e se tornou um dos heróis da luta pela moralidade pública neste País, por um motivo mais decisivo que qualquer outro: “reinventou” a si próprio, como se diz nos manuais de autoajuda, e assumiu a “persona” de um marechal de campo da esquerda brasileira. Mais: convenceu todo o ecossistema político do Brasil de que é, hoje, o cabeça de chave nas lutas populares da “resistência” contra o presidente Jair Bolsonaro. Por conta disso, e automaticamente, passou a ser tratado como um estadista de primeira classe – um Churchill de Alagoas, que está arriscando a própria vida para salvar o País da direita, do “negacionismo” e do genocídio.
É este, claramente, o elixir universal da política brasileira de hoje: fique contra Bolsonaro e, cinco minutos depois, você paga todos os seus pecados, anula qualquer vício de sua vida anterior e ainda ganha uma indulgência plenária, daquelas que a Igreja dava antigamente e colocavam o cidadão direto no Céu, sem escalas. O próprio Witzel, aliás, está tentando ir um pouco por aí; também descobriu que falar mal do presidente da República dá lucro na hora. Já começa a ser chamado de “ex-governador do Rio de Janeiro” – só isso, “ex-governador”, sem maiores detalhes. Daqui a pouco pode estar nas mesas-redondas do horário nobre da televisão, ao lado dos cientistas políticos, etc. etc. discursando sobre como consertar o Brasil. Com sorte, e se não perder o foco em Bolsonaro, ainda pode virar um novo Renan.
As pessoas pararam de prestar atenção no que dizem, ou no que pensam. Na verdade, pararam de pensar. É o ambiente ideal para os Renans.
*JORNALISTA





