Busque abaixo o que você precisa!

Revacinação de SP surpreende Estados e ministério da Saúde

Coluna do Estadão

20 de julho de 2021 | 05h00

João Doria, governador de São Paulo. Foto: Governo de SP

O anúncio de que São Paulo pretende iniciar a revacinação em janeiro próximo surpreendeu outros Estados e o Ministério da Saúde. Apesar de todos darem como certa a necessidade das campanhas anuais de vacinação contra a covid-19, ainda não há nada definido no âmbito federal. Até porque a discussão está em estágio anterior: se haverá ou não a necessidade de uma dose de “reforço” (que não se trata de revacinação) com possível início ainda este ano. Para evitar esse desencontro, os Estados querem que o ministério, desta vez, tome a dianteira.

Base teórica. A expectativa no Ministério da Saúde é de que em setembro ou outubro as pesquisas encomendadas sobre o tema já estejam finalizadas.

 

Mix. A pasta deve anunciar em breve um estudo, de cerca de 60 dias de duração, sobre a intercambialidade das vacinas no PNI.

Mix 2. Por intercambialidade, entenda-se a combinação de diferentes vacinas.

Com calma. Por ora, no Ministério da Saúde, não há conclusões sobre uma eventual dose de reforço da Coronavac, apesar de técnicos entenderem que sim, segundo apurou a Coluna.

Dúvidas. Por isso, um técnico da Saúde questiona: como seria a revacinação no caso de quem tomou reforço? Muitas perguntas para poucas respostas…

Calma… De Nésio Fernandes, secretário da Saúde do Espírito Santo: “Entendemos que a partir do próximo ano haverá uma normalidade institucional dentro do SUS e essas definições se darão nacionalmente. Não vemos necessidade de os Estados terem protagonismo nesses temas”.

…lá. Questionados pela Coluna, Piauí, Rio Grande do Sul, Maranhão e Rio também aguardam uma definição do Plano Nacional de Imunização (PNI).

É fake, coronel. Investigado pela CPI da Covid, o ex-secretário executivo da Saúde Élcio Franco compartilhou em seu status no WhatsApp um diálogo com frase mentirosa (falsa) atribuída a Renan Calheiros elogiando Bolsonaro.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Pazuello, general e ex-ministro da Saúde

https://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/wp-content/uploads/sites/352/2021/07/il2007xx_190720212221-240x300.jpg 240w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" pinger-seen="true" style="font-size: inherit; margin: 0px; padding: 0px; color: inherit; display: inline-block; max-width: 100%; height: auto;">

Kleber Sale

Dentro da água. A defesa que Bolsonaro fez de Eduardo Pazuello no fim de semana não acalmou a CPI. O ex-ministro deverá ser chamado para explicar a negociação para a compra da Coronavac, mesmo ela não tendo ocorrido numa piscina.

Para… O encontro entre Simone Tebet e Michel Temer, ontem, 19, foi um importante movimento dela em busca da candidatura ao Planalto pelo MDB.

…abrir… Afinal, conseguir o apoio do ex-presidente, ainda apontado por aliados como “possível terceira via”, é fundamental. Temer também é um bom interlocutor para a senadora com o empresariado paulista.

…as portas. Michel Temer mantém muito bom trânsito com a parcela do empresariado nacional mais engajada na política.

CLICK. No evento online Unidade para Salvar o Brasil – Fora, Bolsonaro, do Congresso da UNE, Laura, filhinha de Manuela D’Ávila, teve uma “participação-surpresa”.

Aqui. Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM) anda dizendo a interlocutores que pode se lançar candidato a Presidência da República só pra antagonizar ainda mais com Bolsonaro. Ele se tornou alvo do bolsonarismo – e do presidente – nos últimos dias.

Aqui 2. Da base governista, o PL é esperado no palanque de Bolsonaro…

PRONTO, FALEI!

https://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/wp-content/uploads/sites/352/2021/05/omaraziz_280520214050-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" pinger-seen="true" style="font-size: inherit; margin: 0px; padding: 0px; color: inherit; display: inline-block; max-width: 100%; height: auto;">

FOTO Edilson Rodrigues/Agencia Senado

Omar Aziz, senador (PSD-AM): “Presidente, dica: estude a fauna. Que fique claro: na CPI não tem anta, tem onça. E as onças vão pegar o guariba”, após Bolsonaro chamá-lo de anta amazônica.

COM MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM PEDRO VILAS BOAS E JESSICA BRASIL.

Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Canadá reabre para brasileiros vacinados; Coronavac está fora da lista

Nathalia Molina / o estado de sp

19 de julho de 2021 | 21h43

Canadá reabre para brasileiros vacinados totalmente com imunizantes aprovados pelo governo do país. A medida vale a partir de 7 de setembro. Os voos da Air Canada entre São Paulo e Toronto têm retomada prevista para 2 de setembro, sendo a primeira decolagem do Brasil no dia seguinte. A lista de imunizantes aceitos pelo Canadá inclui AstraZeneca/Covishield, Pfizer, Janssen e Moderna, mas não Coronavac.

Aos poucos, vários países vão retomando o turismo internacional. No fim de semana, a França abriu para brasileiros vacinados e informou que também não aceita a vacina do laboratório chinês Sinovac – ainda há uma certa dúvida sobre a AstraZeneca/Covishield. No fim de junho, a Suíça já havia liberado a entrada de viajantes do Brasil imunizados. Nesse país, valem todas as vacinas aplicadas por aqui, já que os suíços aceitam os imunizantes aprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que inclui a Coronavac.

https://viagem.estadao.com.br/blogs/canada-para-viagem/wp-content/uploads/sites/420/2021/07/canadatorontoletreirofotocidadedetoronto_190720213918-300x165.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" pinger-seen="true" style="margin: 0px; padding: 0px; font-size: inherit; color: inherit; display: inline-block; max-width: 100%; height: auto;">

Voos entre Brasil e Canadá devem voltar no início de setembro – Foto: Cidade de Toronto

Antes de abrir as fronteiras em setembro para todos os visitantes internacionais vacinados, o Canadá recebe americanos a partir de 9 de agosto. Além das quatro cidades canadenses que já recebiam voos internacionais – Toronto, Vancouver, Montréal e Calgary –, outras cinco passam a ter permissão para isso: Winnipeg, Edmonton, Halifax, Québec e da capital do Canadá, Ottawa.

Nathalia Molina

19 de julho de 2021 | 21h43

Canadá reabre para brasileiros vacinados totalmente com imunizantes aprovados pelo governo do país. A medida vale a partir de 7 de setembro. Os voos da Air Canada entre São Paulo e Toronto têm retomada prevista para 2 de setembro, sendo a primeira decolagem do Brasil no dia seguinte. A lista de imunizantes aceitos pelo Canadá inclui AstraZeneca/Covishield, Pfizer, Janssen e Moderna, mas não Coronavac.

Aos poucos, vários países vão retomando o turismo internacional. No fim de semana, a França abriu para brasileiros vacinados e informou que também não aceita a vacina do laboratório chinês Sinovac – ainda há uma certa dúvida sobre a AstraZeneca/Covishield. No fim de junho, a Suíça já havia liberado a entrada de viajantes do Brasil imunizados. Nesse país, valem todas as vacinas aplicadas por aqui, já que os suíços aceitam os imunizantes aprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que inclui a Coronavac.

Voos entre Brasil e Canadá devem voltar no início de setembro – Foto: Cidade de Toronto

Antes de abrir as fronteiras em setembro para todos os visitantes internacionais vacinados, o Canadá recebe americanos a partir de 9 de agosto. Além das quatro cidades canadenses que já recebiam voos internacionais – Toronto, Vancouver, Montréal e Calgary –, outras cinco passam a ter permissão para isso: Winnipeg, Edmonton, Halifax, Québec e da capital do Canadá, Ottawa

Planeja viajar para o Canadá? Me conta lá no Instagram @ComoViaja

A abertura para o país vizinho servirá de base para entender como funcionará o retorno de outros visitantes internacionais. A preocupação do governo canadense é monitorar a situação da covid-19 no país após a reabertura das fronteiras.

Tudo vai depender de como estará o controle da pandemia no Canadá, onde atualmente quase 80% das pessoas acima de 12 anos receberam ao menos uma dose de vacina contra a covid-19. Metade da população a partir dessa mesma faixa etária já foi totalmente imunizada no país. Esses são números do governo canadense registrados até 10 de julho.

Pré-requisitos para viagem ao Canadá

No planejamento da viagem, o visitante deve usar o aplicativo ou o site ArriveCAN, para fornecer suas informações de saúde, incluindo o comprovante de vacinação. É importante verificar se a província ou o território visitado tem alguma restrição adicional, porque isso pode ocorrer.

Após a imunização completa (com duas doses, exceto no caso da Janssen), o viajante deve esperar pelo menos 14 dias antes de partir para o país. É necessário levar uma cópia impressa ou digital do comprovante de vacinação em inglês ou francês (ou com tradução certificada), para mostrar a um funcionário do governo, se for solicitado.

https://viagem.estadao.com.br/blogs/canada-para-viagem/wp-content/uploads/sites/420/2019/01/Toronto-Distillery-Historic-District-Prédio-histórico-Restaurantes-Cafés-e-Eventos-Foto-Ontario-Travel-Divulgação-1024x683-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" pinger-seen="true" style="margin: 0px; padding: 0px; font-size: inherit; color: inherit; display: inline-block; max-width: 100%; height: auto;">

Distillery Historic District: área histórica em Toronto, com restaurantes e cafés – Foto: Ontario Travel

Na chegada ao país, o visitante não deve apresentar sintomas parecidos com os da covid-19 e deve estar disposto a ser submetido a um exame PCR, caso seja escolhido aleatoriamente para isso.

Voos da Air Canada para Toronto

A ligação direta entre Toronto e São Paulo tem volta marcada para 2 de setembro (Toronto/SP), com o avião 787-6 Dreamliner da Air Canada. Até 31 de outubro, serão três frequências semanais: terça, sexta e domingo do Brasil para o Canadá; e segunda, quinta e sábado no sentido contrário. A previsão é que os voos diários voltem a partir de 1º de novembro.

Ainda não foi divulgada a data de retorno do voo para Montréal.

* Sou jornalista de turismo e apresento o Como Viaja | podcast de viagem, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Me acompanhe também no Instagram @ComoViaja para novidades e curiosidades

O G-7 está de volta

Sergio Amaral, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 03h00

O Grupo dos Sete nasceu de uma conferência convocada pelo presidente francês Giscard d’Estaing, em 1975, para coordenar uma posição comum ante a crise do petróleo e as ameaças da Opep. A partir de então tem-se reunido anualmente, com a presença de um grupo representativo das economias e democracias mais avançadas – EUA, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália. É um organismo internacional peculiar, pois não se originou de um tratado, não tem um secretariado permanente nem aprova resoluções, apenas registra suas conclusões num comunicado conjunto.

Nos anos 80, uma de suas reuniões teve como foco a crise da dívida dos países em desenvolvimento. Como se fosse um diretório da comunidade internacional, suas conclusões foram em seguida adotadas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial.

Aos poucos, alguns dos temas que vinham sendo tratados pelo G-7 migraram para o G-20, sobretudo comércio, finanças e até meio ambiente, pois este grupo contava com uma representação geográfica mais ampla para decidir sobre questões de interesse global. Na era Trump, o G-7 sofreu novo esvaziamento, em decorrência da visão do America first e das fricções e ameaças do presidente norte-americano aos demais membros, minando assim a construção de convergências.

Joe Biden, ao contrário, aposta no entendimento com o G-7 em ao menos cinco pontos prioritários de sua política externa: 1) A centralidade da democracia, que deveria inspirar não só a restauração da Aliança Transatlântica – um ponto-chave de sua visão internacional –, mas também a constituição de uma frente comum para conter a China. 2) A linha divisória na comunidade internacional não passaria mais pela oposição entre ideologias, ou pela distância entre países pobres e ricos, mas pela distinção entre democracias e autocracias. 3) A China dominou a agenda do G-7, especialmente pelo empenho do presidente norte-americano em convencer seus aliados a condenar a violação de direitos humanos por Beijing, conter a sua expansão econômica por meio da iniciativa Belt and Road, reduzir a transferência de tecnologias sensíveis e suspender a implementação do acordo sobre investimentos de vários países europeus com a China. 4) O combate à mudança climática, outro eixo fundamental da diplomacia de Biden, foi retomado no encontro da Cornualha, à luz das discussões em curso para a preparação da COP-26, em novembro, na Escócia, em que a Aliança Transatlântica terá mais uma vez papel de destaque, sob a inspiração de um Green New Deal, em ambos os lados do Atlântico. 5) Por fim, o propósito comum de disciplinar a globalização foi ratificado por um entendimento sobre a tributação das multinacionais em escala mundial, enquanto o outro dos grandes temas globais, a pandemia de covid- 19, levou a um consenso sobre a distribuição de vacinas e a flexibilização das regras de propriedade intelectual para permitir a sua produção num número maior de países.

Esse rol de entendimentos e iniciativas mostra que o G-7 voltou a ser uma instância relevante para a concertação entre as maiores economias e democracias mundiais, assim como uma peça privilegiada no xadrez geopolítico do presidente norte-americano. Resta saber, no entanto, se as iniciativas anunciadas no recente comunicado do G-7 poderão ser efetivamente implementadas.

Em primeiro lugar, haverá recursos para investimentos em infraestrutura comparáveis aos do programa chinês? Em segundo, as diferenças de visão e de interesses entre os próprios europeus, no que se refere ao relacionamento com a China, permitirão uma postura convergente da Aliança Atlântica nas negociações com Beijing?

De um lado, Itália, França e Alemanha, com mais fortes interesses comerciais e mesmo políticos com Beijing, são relutantes em aplicar pressões fortes contra a China. De outro, no entanto, Canadá e Reino Unidos parecem mais dispostos em cerrar fileiras ao lado de Washington.

De qualquer modo, a obstinação de Biden vai aos poucos tecendo uma rede de alianças, com Austrália, Japão e Coreia do Sul, no âmbito do Diálogo de Segurança Quadrilateral (Quad). Com um número maior de países na revitalização da Otan, em defesa contra o expansionismo russo, mas que agora poderá voltar-se também contra a China, considerada o outro competidor estratégico. Em resumo, a nova diplomacia norte-americana, ao mesmo tempo que rejeita a política externa de Trump, vai fincando os pilares do que Boris Johnson, o anfitrião do evento, chamou o reset da ordem internacional.

Vale indagar também se o Brasil está sintonizado com os deslocamentos profundos em curso na cena internacional. Mais do que isso, se está preparado para assumir o papel de ator relevante, como sempre foi, ou apenas o de coadjuvante menor de uma nova configuração geopolítica e econômica que já se desenha no horizonte.

Apesar dos muitos equívocos de um passado recente, temos recursos e um grande potencial no agronegócio, no comércio e, sobretudo, na questão ambiental, que, em vez de um passivo, como é hoje, pode voltar a ser um importante ativo para a nossa reconexão com as novas tendências mundiais.


DIPLOMATA, FOI MINISTRO DO DESENVOLVIMENTO,

DA INDÚSTRIA E DO COMÉRCIO

EM Cuba atinge o maior nível de contágio por Covid-19

O Globo e Reuters

 

HAVANA — Cuba, que manteve as taxas de transmissão de coronavírus bem baixas no ano passado, tem agora a maior taxa de infecção per capita das Américas. Com 11,2 milhões de habitantes, o país registrou 4 mil casos confirmados por milhão de pessoas na semana passada, nove vezes a média mundial e mais do que qualquer outro país da região. O aumento acontece em um momento de tensão social, após os protestos contra o governo e a crise socioeconômica que levaram milhares de pessoas às ruas em quase todas as províncias da ilha em 11 de julho.

O surto, impulsionado pela chegada da nova variante Delta, mais contagiosa, levou à sobrecarga de hospitais na província de Matanzas, no Oeste do país, epicentro da crise sanitária.  Um dos estopins para as manifestações, cuja organização pelas redes sociais foi crucial, foi a hashtag #SOS Matanzas, com o qual cubanos denunciavam a escassez de insumos, medicamentos e até profissionais de saúde nessa região.

Nos últimos dias, a própria mídia estatal tem mostrado imagens incomuns de pacientes em leitos em corredores e médicos reclamando de falta de oxigênio, respiradores e medicamentos.

No início da pandemia, Cuba fechou as fronteiras, tornou as máscaras obrigatórias em espaços públicos, enviou pessoas que tiveram contato com infectados a centros de isolamento e mobilizou seu setor de biotecnologia para explorar tratamentos experimentais e vacinas.

No entanto, a Covid-19 interrompeu o turismo e levou a uma queda de 11% do PIB em 2020. A crise econômica forçou a abertura das fronteiras no final do ano passado, principalmente para países com altas taxas de infecção, como os Estados Unidos, onde vive a maior diáspora cubana.

Na semana passsada, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o aumento dos casos na ilha. Segundo o o Diretor de Emergências Sanitárias da Opas, Ciro Ugarte, todos os municípios já têm transmissão comunitária da variante.

O país registra agora uma média de 6.300 novos casos diários e 30 mortes, segundo o Our World Data. Ainda assim, os números totais são relativamente baixos se comparados a países da região: a ilha registrou até agora 275 mil casos e pouco mais de 1.800 mortes.

— O governo sempre argumentou que uma das principais conquistas da revolução é seu setor médico — disse Daniel Rodríguez, autor de um livro sobre política médica em Havana e professor assistente de história na Brown University. — Quando a pandemia começou a sair de controle há algumas semanas, parecia cada vez mais que o governo não podia mais proteger a vida dos cubanos, e o resultado foi um repúdio extraordinário à própria Revolução.

O país já vacinou cerca de 18% da população com pelo menos uma dose, como parte de um estudo com a Abdala e a Soberana 02, as duas candidatas vacunais mais avançadas das cinco desenvolvidas por Cuba. Ambos os imunizantes aguardam autorização para uso emergencial da entidade reguladora de medicamentos cubana depois que as autoridades sanitárias anunciaram que apresentaram eficácia de 92,2% (Abdala) e 62% (Soberana 02) na última fase dos testes clínicos.

Cuba atinge o maior nível de contágio por Covid-19

O Globo e Reuters

 

HAVANA — Cuba, que manteve as taxas de transmissão de coronavírus bem baixas no ano passado, tem agora a maior taxa de infecção per capita das Américas. Com 11,2 milhões de habitantes, o país registrou 4 mil casos confirmados por milhão de pessoas na semana passada, nove vezes a média mundial e mais do que qualquer outro país da região. O aumento acontece em um momento de tensão social, após os protestos contra o governo e a crise socioeconômica que levaram milhares de pessoas às ruas em quase todas as províncias da ilha em 11 de julho.

O surto, impulsionado pela chegada da nova variante Delta, mais contagiosa, levou à sobrecarga de hospitais na província de Matanzas, no Oeste do país, epicentro da crise sanitária.  Um dos estopins para as manifestações, cuja organização pelas redes sociais foi crucial, foi a hashtag #SOS Matanzas, com o qual cubanos denunciavam a escassez de insumos, medicamentos e até profissionais de saúde nessa região.

Nos últimos dias, a própria mídia estatal tem mostrado imagens incomuns de pacientes em leitos em corredores e médicos reclamando de falta de oxigênio, respiradores e medicamentos.

No início da pandemia, Cuba fechou as fronteiras, tornou as máscaras obrigatórias em espaços públicos, enviou pessoas que tiveram contato com infectados a centros de isolamento e mobilizou seu setor de biotecnologia para explorar tratamentos experimentais e vacinas.

No entanto, a Covid-19 interrompeu o turismo e levou a uma queda de 11% do PIB em 2020. A crise econômica forçou a abertura das fronteiras no final do ano passado, principalmente para países com altas taxas de infecção, como os Estados Unidos, onde vive a maior diáspora cubana.

Na semana passsada, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o aumento dos casos na ilha. Segundo o o Diretor de Emergências Sanitárias da Opas, Ciro Ugarte, todos os municípios já têm transmissão comunitária da variante.

O país registra agora uma média de 6.300 novos casos diários e 30 mortes, segundo o Our World Data. Ainda assim, os números totais são relativamente baixos se comparados a países da região: a ilha registrou até agora 275 mil casos e pouco mais de 1.800 mortes.

— O governo sempre argumentou que uma das principais conquistas da revolução é seu setor médico — disse Daniel Rodríguez, autor de um livro sobre política médica em Havana e professor assistente de história na Brown University. — Quando a pandemia começou a sair de controle há algumas semanas, parecia cada vez mais que o governo não podia mais proteger a vida dos cubanos, e o resultado foi um repúdio extraordinário à própria Revolução.

O país já vacinou cerca de 18% da população com pelo menos uma dose, como parte de um estudo com a Abdala e a Soberana 02, as duas candidatas vacunais mais avançadas das cinco desenvolvidas por Cuba. Ambos os imunizantes aguardam autorização para uso emergencial da entidade reguladora de medicamentos cubana depois que as autoridades sanitárias anunciaram que apresentaram eficácia de 92,2% (Abdala) e 62% (Soberana 02) na última fase dos testes clínicos.

Cuba atinge o maior nível de contágio por Covid-19 das Américas

O Globo e Reuters / 

 

HAVANA — Cuba, que manteve as taxas de transmissão de coronavírus bem baixas no ano passado, tem agora a maior taxa de infecção per capita das Américas. Com 11,2 milhões de habitantes, o país registrou 4 mil casos confirmados por milhão de pessoas na semana passada, nove vezes a média mundial e mais do que qualquer outro país da região. O aumento acontece em um momento de tensão social, após os protestos contra o governo e a crise socioeconômica que levaram milhares de pessoas às ruas em quase todas as províncias da ilha em 11 de julho.

O surto, impulsionado pela chegada da nova variante Delta, mais contagiosa, levou à sobrecarga de hospitais na província de Matanzas, no Oeste do país, epicentro da crise sanitária.  Um dos estopins para as manifestações, cuja organização pelas redes sociais foi crucial, foi a hashtag #SOS Matanzas, com o qual cubanos denunciavam a escassez de insumos, medicamentos e até profissionais de saúde nessa região.

Nos últimos dias, a própria mídia estatal tem mostrado imagens incomuns de pacientes em leitos em corredores e médicos reclamando de falta de oxigênio, respiradores e medicamentos.

No início da pandemia, Cuba fechou as fronteiras, tornou as máscaras obrigatórias em espaços públicos, enviou pessoas que tiveram contato com infectados a centros de isolamento e mobilizou seu setor de biotecnologia para explorar tratamentos experimentais e vacinas.

No entanto, a Covid-19 interrompeu o turismo e levou a uma queda de 11% do PIB em 2020. A crise econômica forçou a abertura das fronteiras no final do ano passado, principalmente para países com altas taxas de infecção, como os Estados Unidos, onde vive a maior diáspora cubana.

 

Compartilhar Conteúdo

444