Butantan entrega mais 2 milhões de doses de CoronaVac ao PNI
O governo de São Paulo entregou hoje (4) ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) mais 2 milhões de doses da vacina contra covid-19 CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Com a nova entrega, as liberações chegam à marca de 64,8 milhões de doses fornecidas ao Ministério da Saúde desde 17 de janeiro, quando o uso emergencial do imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo informações do governo estadual, em julho foram entregues mais de 10 milhões de doses do imunizante, produzidos a partir de 6 mil litros de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) recebidos no dia 26 de junho. Na noite do último domingo (1º), o instituto recebeu uma carga de 2 mil litros de matéria-prima para produzir e entregar mais 4 milhões de doses da CoronaVac.
As vacinas liberadas hoje fazem parte do segundo contrato firmado com o Ministério da Saúde, de 54 milhões de de doses do imunizante. O primeiro, de 46 milhões, foi concluído em 12 de maio.
Edição: Graça Adjuto / AGÊNCIA BRASIL
O PT e as imitações do velho modelo – Rosângela Bittar
Executivo parado, Congresso fechado, Judiciário suspenso. O retrato do governo, neste momento, é de um cenário de faz-de-conta.
Truculência nas ruas, militância paga, aluguel de candidatos. A campanha eleitoral que se encerra amanhã deixou em cartaz práticas retrógradas, nas quais o partido do governo se lambuzou sem constrangimentos.
Acordos de cessão de partidos, burla à lei na propaganda, na liberação de recursos e na participação de autoridades nos palanques. Estas as irregularidades pouco usuais nas campanhas do velho PT e agora revisitadas à vontade neste pleito em que o partido estreou sua nova condição de comandante do país. Na campanha eleitoral de 2004, o PT deu as cartas, nas capitais, sobretudo nas que desejou manter, e no interior, que pretendeu ocupar em larga escala.
A descompostura com que o PT se comportou, porém, nesta sua primeira campanha depois de assumir o poder federal, foi grande. Atraiu até o presidente da República para a luta livre e o vale-tudo. Foram criadas situações inusitadas, como uma, anunciada para as próximas horas, em que a justiça será obrigada a levar notificação judicial a Lula da Silva, o presidente, por atividade ilegal a favor dos seus candidatos.
A campanha que se encerra amanhã foi aquela em que o PT trabalhou sob o lema “ganhar ou ganhar“. E não foi só por causa da riqueza financeira, exibida sobretudo em São Paulo, ou pela extrema visibilidade do que ali ocorreu em matéria de enfrentamento de baixos nível e calão.
Em São Paulo, onde, pela grandeza do município e importância política do adversário, além do significado da disputa para o partido, esperava-se do PT avanços políticos e um modelo de campanha moderno e democrático, foi exatamente onde mais houve retrocesso.
Foram copiados ali os métodos dos autoritários, dos radicais, dos violentos. Sem constrangimentos de qualquer espécie. O PT colocou em prática, em São Paulo, métodos e ações já superados, inclusive em grotões de caciques em decadência, e em Estados de valentes aposentados. A prerrogativa não foi só de São Paulo, e também não foi só do grupo petista que se fechou em torno da candidata do partido na cidade.
A cúpula do PT incrustada no governo federal distribuiu verbas fora do período legal, respaldada por pareceres do próprio governo; permitiu alongamento da dívida paulistana, numa descoberta tardia e exclusiva que se mantinha oculta antes da campanha; apoiou, contra a lei eleitoral, candidatos adversários dos candidatos petistas, como fez em Fortaleza, correndo o risco de isolar e destruir muitos grupos do partido que até agora se perfilavam aos caciques.
O governo compareceu ao palanque, o presidente pediu votos em inaugurações, os ministros fizeram campanha por todo o Brasil, entre um arrependimento aqui, um pedido de desculpas ali, uma proibição de férias acolá, a lei foi sendo rasgada diariamente. Fez-se tudo ao contrário das declarações de intenção anteriores ao início da campanha, quando, em reuniões de ministros, no Planalto, foi elaborada cartilha de orientação sobre a conduta correta na campanha eleitoral.
No velho método pelo qual optou o PT está incluída também a omissão. O governo petista deixou uma pesada agenda para o período pós-eleitoral. Depois de abertas as urnas, são esperadas decisões de todo tipo: do aumento dos preços de combustíveis à edição da MP dos transgênicos; do destino do dossiê da CPI do Banestado às correções do programa Bolsa Família; do plano de reestruturação e demissões na Varig ao projeto de autonomia do Banco Central; da emenda da reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado à reforma trabalhista.
Entre alguns dos mais criteriosos petistas houve repulsa ao comportamento do partido nesta campanha. Temeu-se, nos últimos dias, que a candidatura de João Paulo, no Recife, fosse impugnada, porque compareceu a uma inauguração onde o presidente Lula atuou como pedreiro. O PT foi temerário lá, como em São Paulo. Marta Suplicy não esteve na inauguração feita por Lula, mas compareceu a outros eventos iguais, a título de exercício da sua porção prefeita. Não podia ser pior a estréia.
Há sinais de perda de ritmo da economia mundial
ZEINA LATIF / o globo
A surpreendente recuperação da economia mundial decorreu, em grande medida, da reação rápida e contundente de governos e bancos centrais com medidas de socorro e estímulo. Excessos na política econômica, porém, costumam carregar consigo sementes de instabilidade.
Assim, é recomendável que os países corrijam oportunamente a deterioração das contas públicas e desmontem as medidas de expansão de liquidez e crédito – tema já em discussão em alguns BCs -, sob pena de alimentarem a inflação e a formação de bolhas em preços de ativos.
Nesse caso, a correção de rumos seria ainda mais custosa. Saber suspender a medicação é quase tão importante quanto saber prescrevê-la.
As altas recentes da inflação mundial decorrem, provavelmente, de excessos nas políticas de estímulo - ainda que a descontinuidade de cadeias produtivas cobre seu preço, por exemplo ao afetar o suprimento de insumos.
A elevação de preços de commodities agrícolas e da inflação de alimentos no mundo estaria associada ao aumento do consumo das famílias em muitas nações.
Foi o caso brasileiro em 2020, como resposta ao auxílio emergencial - meritório, mas mal calibrado.
O quadro atual é distinto daquele da crise global de 2008-09, quando a inflação não disparou.
Além de as medidas de estímulos serem significativamente maiores agora, há importante foco em indivíduos e empresas, inclusive naquelas de menor porte; enquanto na crise anterior, os recursos foram direcionados para evitar quebradeiras no sistema financeiro e estimular o investimento produtivo, notadamente em infraestrutura, não gerando o mesmo impacto no consumo.
Crises diferentes demandando respostas diferentes, mas com certo exagero agora.
A retirada dos estímulos será provavelmente bastante lenta, tendo em vista as taxas de desemprego ainda elevadas e os riscos remanescentes da pandemia. Isso não será algo necessariamente bom, pois poderá resultar em inflação teimosa e pressão sobre as taxas de juros no futuro.
Há mais razões para cautela quanto ao ritmo de crescimento mundial daqui para frente. Não se pode confundir a volta cíclica da economia, decorrente de condições excepcionais – ou seja, que não se repetirão –, com a capacidade ou o potencial de crescimento de longo prazo.
Apesar de ganhos de produtividade decorrentes do avanço no uso de automação e tecnologias digitais (capital intangível), não parece seguro afirmar que o mundo sairá melhor da crise do que entrou - fora o aumento das desigualdades.
Primeiro, as mudanças tecnológicas demandam capacidade de adaptação de indivíduos e empresas, e requerem a realocação de fatores de produção entre segmentos da economia, algo desafiador. Por exemplo, não é fácil deslocar um trabalhador de baixa qualificação de uma empresa que fechou para um serviço digital ou de tecnologia.
Segundo, as políticas públicas socorreram a todos, inclusive empresas ineficientes, ou as chamadas empresas zumbis; ação compreensível em meio ao furacão da pandemia, mas com consequências negativas para a produtividade das economias.
Terceiro, a promoção da abertura comercial dos países – principal motor de inovações e ganhos de produtividade - tem sido deixada de lado. Discutem-se compromissos ambientais dos governos, mas não a eliminação de barreiras ao comércio.
Há alguns sinais de perda de ritmo da economia mundial nos últimos meses, mesmo com o avanço da vacinação - na variação anual, os números são inflados por conta da base de comparação deprimida.
Nota-se uma acomodação no comércio e na produção industrial mundial, bem como a desaceleração na China. Podem já ser os sinais de limites ao crescimento, por restrições estruturais e pelas próprias consequências das medidas anticíclicas. É improvável que a perda de fôlego decorra apenas da variante delta.
Seguindo os ventos externos, a economia brasileira também desacelera, mas com agravantes. Além do baixo potencial de crescimento, o ativismo da política fiscal é maior aqui e os riscos fiscais aumentam a cada dia. O exemplo mais recente é a discussão sobre parcelamento de precatórios e sua retirada do teto de gastos.
Lembra o governo Dilma quando se buscava a reeleição. Esvai-se a disciplina e a previsibilidade da política fiscal, colocando mais peso nos ombros do BC para trazer a inflação de volta à meta.
O mundo muda a marcha. Nós também, mas acionamos a marcha à ré.
Contra Bolsonaro, 18 ex-presidentes do TSE se unem em defesa das urnas
As urnas eletrônicas são auditáveis em todas as etapas do processo, antes, durante e depois das eleições. E o voto impresso não é um mecanismo adequado de auditoria a se somar aos já existentes, por ser menos seguro do que o voto eletrônico, em razão dos riscos decorrentes da manipulação humana e da quebra de sigilo.

Isto é o que afirmam todos os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 1988, inclusive o atual, ministro Luís Roberto Barroso, e o futuro, ministro Luiz Edson Fachin, em nota divulgada em defesa do processo eleitoral. A manifestação ocorre no momento em que o presidente Jair Bolsonaro vem intensificando seus ataques à justiça eleitoral e colocando em dúvida as eleições do próximo ano.
"Eleições livres, seguras e limpas são da essência da democracia. No Brasil, o Congresso Nacional, por meio de legislação própria, e o TSE, como organizador das eleições, conseguiram eliminar um passado de fraudes eleitorais que marcaram a história do Brasil, no Império e na República", diz o documento.
Os ex-presidentes acrescentam que, desde 1996, quando houve a implantação do sistema de votação eletrônica, jamais se documentou qualquer episódio de fraude nas eleições. Nesse período, o TSE já foi presidido por 15 ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao longo dos seus 25 anos de existência, a urna eletrônica passou por sucessivos processos de modernização e aprimoramento, contando com diversas camadas de segurança.
O documento lembra que as urnas eletrônicas são auditáveis em todas as etapas do processo, antes, durante e depois das eleições. Todos os passos, da elaboração do programa à divulgação dos resultados, podem ser acompanhados pelos partidos políticos, Procuradoria-Geral da República, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outros que são especialmente convidados. É importante observar, ainda, que as urnas eletrônicas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto, por não estarem conectadas à internet.
Por isso, "a contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, cenário das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil".
A nota é assinada pelos seguintes ministros e ex-ministros: Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Ayres Britto, Carlos Velloso, Sepúlveda Pertence, Nelson Jobim, Ilmar Galvão, Sydney Sanches, Francisco Rezek e Néri da Silveira.
Severino Goes é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 2 de agosto de 2021, 11h20
No pior surto de Covid em meses, China volta a registrar casos em Wuhan
O Globo e Bloomberg / O GLOBO
PEQUIM — A China está enfrentando seu maior surto de Covid-19 desde o surgimento do coronavírus no final de 2019, com a variante Delta se espalhando para lugares que estiveram livres do vírus por meses, incluindo a cidade de Wuhan, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez.
Apesar da alta taxa de vacinação e das medidas restritivas impostas no país, mais de 350 pessoas em 18 das 22 províncias chinesas foram infectadas com a nova cepa em duas semanas, incluindo sete infecções confirmadas nesta segunda-feira em Wuhan. Em janeiro, os chineses enfrentaram um surto com 2 mil casos na província de Hebei, no Nordeste do país, mas ele ficou circunscrito à região e não se disseminou nacionalmente.
O surto da variante Delta na China surgiu em 20 de julho, quando nove funcionários da equipe de limpeza do aeroporto de Nanquim, na província de Jiangsu, no Leste do país, foram detectados com essa cepa mais contagiosa após higienizarem um avião procedente de Moscou. Em poucas semanas, os casos também surgiram em lugares tão distantes quanto a ilha de Hainan, a 1,9 mil km de Nanquim, e Zhangjiajie, local turístico na província de Hunan, na região central do país.
Embora não tenham sido registradas mortes no surto, é o maior desafio para a estratégia da China desde que o vírus foi detectado em Wuhan. As medidas restritivas do país, que incluem testes em massa assim que um caso aparece, rastreamento de contatos, uso generalizado de quarentenas e quarentenas direcionadas, esmagaram mais de 30 surtos anteriores no ano passado.
No entanto, a chegada da Delta, identificada pela primeira vez na Índia, está pondo à prova até mesmo essa abordagem. Com o uso de máscaras e o distanciamento social flexibilizados em grande parte do país — livre da Covid há meses — e o aumento das viagens para as férias de verão, a nova cepa tem sua circulação facilitada, afirmam especialistas.
Pequim, com 17,9 milhões de pessoas totalmente vacinadas, ou 82% de sua população, permanece em alerta máximo depois que mais cidades relataram casos relacionados a Nanquim. Alguns voos, trens e ônibus para a capital chinesa foram cancelados e outras medidas de controle foram intensificadas, de acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post.
Pang Xinghuo, vice-diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças de Pequim, implorou aos visitantes da cidade que viajaram de áreas de alto risco dentro da China ou suspeitam que podem ter estado em contato próximo com alguém infectado para relatar às autoridades. As autoridades também pediram aos moradores que restringissem suas viagens e permanecessem na cidade no futuro próximo, se possível.
— Surtos ocorreram um após o outro em todo o país e vários casos foram relatados em Pequim, levando a uma fase crítica em nossa resposta à epidemia — disse Pang. — Não podemos deixar escapar nenhum caso.
Na China, mais de 1,6 bilhão de doses de vacinas contra Covid-19 foram administradas até domingo, alcançando quase 60% da população. A taxa de imunização do país é uma das mais altas do mundo, mas ainda está muito longe de atingir a barreira de imunidade para a população de 1,4 bilhão, e também não se sabe ainda se as vacinas nacionais podem retardar a propagação da Delta.
Desafio Delta
A maioria das pessoas infectadas em Nanquim havia sido imunizada, e as vacinas desenvolvidas pela China parecem estar fornecendo proteção, com apenas 4% dos infectados nesta onda atual desenvolvendo sintomas graves da doença até agora. Muitos deles têm comorbidades como asma, diabetes ou pressão alta, disse Guo Yanhong, funcionário da Comissão Nacional de Saúde, em uma entrevista coletiva em Pequim, no sábado.
Embora todas as vacinas anti-Covid estejam se mostrando menos eficazes contra a Delta, é grande a preocupação de que as vacinas que usam tecnologias mais tradicionais, como as chinesas e as da AstraZeneca, sejam menos capazes em retardar a transmissão em comparação com as vacinas da Pfizer e da Moderna, por exemplo, que usam tecnologia de RNA mensageiro.
A estatal Sinopharm disse que sua injeção contra a de Covid-19 baseada no vírus inativado e amplamente administrada na China, é 68% eficaz contra a Delta, citando um estudo no Sri Lanka. Já a Sinovac, que produz a vacina conhecida como CoronaVac no Brasil, disse que os anticorpos induzidos por sua vacina de vírus inativado neutralizaram a cepa em estudos de laboratório, informou o jornal Global Times, sem fornecer mais detalhes.
O mito de Cuba - Denis Lerrer Rosenfield, O Estado de S.Paulo
Cuba é uma amostra da desordem intelectual reinante na esquerda brasileira, em particular no PT, considerando que esse partido se coloca como alternativa democrática de poder. Desordem tanto mais preocupante porque ela expõe a natureza autoritária do partido e de seu líder, ambos não hesitando em defender e em elogiar um regime político carcomido, criador de miséria, de violação dos direitos humanos, incapaz de produzir vacinas contra a covid-19 para a população que diz encarnar. Regime policialesco que controla no detalhe a vida de seus cidadãos, súditos da ditadura comunista. É esse exemplo de democracia que Lula da Silva e o PT pretendem apresentar nas próximas eleições?
O ex-presidente chegou mesmo ao ápice do hilário ao declarar que, não fosse o embargo americano, Cuba seria a Holanda. Talvez não saiba que na Holanda vigora um regime capitalista, defensor da propriedade privada no campo e na cidade, fruto da tolerância religiosa e de um passado de importante país comercial, que até hoje permanece. Boa parte das exportações brasileiras do agronegócio entra na Europa através de seus portos. Tampouco deve ele saber que se trata de uma monarquia constitucional, assegurando aos seus cidadãos amplo direito de expressão, comunicação, circulação e participação política. É isso que Lula está querendo para Cuba? Pretende ele converter o regime comunista para o capitalismo e a democracia?
Cuba sofre o embargo americano. Diga-se de passagem que é uma medida burra, pois o próprio comércio seria um elemento de dinamização capitalista de sua economia, além de oferecer uma narrativa “anti-imperialista” para o Partido Comunista e para a esquerda mundial, que pensa representar alguma coisa. Dito isto, os americanos não cercaram a ilha com sua frota nem impediram o seu livre-comércio com outros países do mundo. O regime cubano, frise-se, pode comercializar com qualquer país do planeta, salvo os Estados Unidos. Poderia ter um profícuo intercâmbio comercial e tecnológico com a China (a exemplo do Brasil), com a Rússia, com a União Europeia, e assim por diante. Se não o faz é porque é ineficiente economicamente, incompetente no trato diplomático e fechado em si mesmo. Eis as condições de manutenção da ditadura comunista. Quanto menor abertura, melhor para ela.
Aliás, à luz da ideologia comunista, não dá para entender por que a esquerda reclama tanto dos Estados Unidos. Não é um postulado dessa doutrina que o socialismo é superior ao capitalismo? Ora, se o socialismo goza de tal superioridade, não poderia ele precisar de algo inferior e historicamente ultrapassado. Seria uma posição anacrônica reivindicar a liberdade de comércio com a maior potência capitalista do mundo. Deveria, ao contrário, apresentar todos os seus feitos na criação de um novo homem.
Também deveria poder explicar por que tantos cubanos procuraram e procuram escapar desse “paraíso” socialista em busca de uma vida melhor no capitalismo. E o fizeram, no passado, em embarcações improvisadas, com risco da própria vida. Melhor a ameaça da morte do que a felicidade comunista!
A perpetuação do regime castrista pelas últimas décadas, além do férreo controle policial da população, acompanhada de uma narrativa comunista avessa a qualquer crítica, deve-se, primeiro, ao apoio da ex-União Soviética e, depois, ao petróleo do regime chavista, da Venezuela. Os comunistas soviéticos armaram os cubanos, deram alimentos e outros produtos, seguindo o seu próprio projeto ideológico e geopolítico de confrontação com os Estados Unidos. Os chavistas, por sua vez, forneceram o petróleo de que o país tanto necessita, até mesmo em quantidades superiores às suas necessidades básicas. Instaurou-se o socialismo da mesada. Na falta desta, está ruindo!
O que Cuba foi capaz de exportar para a Venezuela, em retribuição? Policiais e soldados para controlarem as Forças Armadas e a população deste país: os comissários do “povo” para reprimirem o verdadeiro povo! Os cubanos tornaram-se pilares da ditadura chavista, que destruiu a economia, eliminou a divisão democrática dos Poderes, assenhorou-se do Legislativo, sufocou totalmente as liberdades e submeteu o seu povo à fome e à servidão. Convém lembrar que o mesmo Lula chegou a caracterizar a Venezuela como um exemplo de democracia para o mundo e o Brasil. É nessa ditadura que o PT e a esquerda desnorteada procuram se espelhar?
O passado e, no caso, o presente são plenos de ensinamentos. Dentre eles, considerar um embuste a vocação democrática lulopetista. Se assim não fosse, eles deveriam cessar de defender e elogiar esses regimes liberticidas. É bem verdade que o Brasil se confronta hoje com duas posições autoritárias, uma de extrema direita e outra dessa esquerda, ambas disputando e se alimentando reciprocamente.
Se o País realmente almeja a democracia e o bem-estar de sua população, não pode compactuar com duas alternativas claramente não democráticas. Não se pode acreditar em artimanhas ideológicas. Disso depende nosso futuro!
PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFGRS. E-MAIL: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

