No apagar das luzes
Diga-se o que se quiser do deputado Eduardo Cunha. O fato é que ele tem sido insuperável na arte de montar alianças duvidosas e de trilhar os atalhos da impunidade. Agora, por exemplo, se fica sabendo que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara poderá anular todo o trabalho feito desde 3 de novembro no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, onde Eduardo Cunha corre o risco de ser acusado de quebra de decoro parlamentar e de perder o mandato, se assim vier a decidir o plenário da Câmara.
Eduardo Cunha e suas manobras regimentais, apoiadas por um time multipartidário de parlamentares que com ele se identificam – muitos deles investigados pela Operação Lava Jato –, são o melhor exemplo do despudor que impera hoje na Casa de representação popular, colocada a serviço de inescrupulosos interesses pessoais e partidários.
Desde que o Conselho de Ética acolheu, no início de novembro, representação apresentada pelo PSOL e abriu processo contra Eduardo Cunha, este tem usado de todos os recursos regimentais, que domina como ninguém, para procrastinar o andamento do trabalho dos conselheiros. Seus fiéis seguidores passaram a maior parte do tempo, em mais de um mês e meio de sessões, apresentando questões de ordem, pedidos de vista e propostas diversionistas claramente destinadas, primeiro, a impedir a discussão e votação do parecer do relator, contrário a Cunha, e, depois, a simplesmente anular a decisão da maioria que votou a favor da admissibilidade do processo.
Cinzas no paraíso Cinzas no paraíso
Por que certas questões e direitos estão fora do alcance das maiorias legislativas ordinárias?
O Supremo no Brasil talvez seja o único que toma as decisões em transmissões ao vivo. Dizem que é uma jabuticaba pois só dá no Brasil. Pelo menos é uma jabuticaba do bem, pois tem o gosto doce e esquisito da transparência. O fato de os ministros estarem tanto tempo na tela, convivendo no mesmo espaço luminoso com centenas de outros personagens, talvez os jogue nessa teia de familiaridade com os espectadores. Lewandoswki, por exemplo, é um atacante do Bayer que costuma jogar nos dias de sessão no Supremo. Você muda o canal e Lewandoswki é um tremendo zagueirão, em defesa das teses do governo. Nem sempre tenho tempo para ver tudo, mesmo nos momentos wagnerianos. Confesso que, as vezes, me parecem prolixos, redundantes, mas o que fazer, movem-se com uma linguagem especifica.
Perspectiva 2016 - ISTOÉ
O primeiro deles é internacional e reúne os maiores líderes do planeta no enfrentamento contra o Estado Islâmico e na busca para a solução do drama vivido pelos imigrantes. O segundo consenso diz respeito ao Brasil. Empresários, políticos de diversos partidos, sindicatos e a sociedade em geral estão convencidos de que, com ou sem a presidente Dilma Rousseff, o País precisa voltar a andar para frente. Para isso, oposição e setores aliados do governo já trabalham uma agenda que vá além da discussão do impeachment e permita a retomada do crescimento. Nas páginas a seguir, os eventos dos próximos doze meses que poderão construir um ano melhor.
Lula, o informante
Em depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 16 passado, no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecia falar de um outro governo, e não daquele cuja chefia ele exerceu ao longo de oito anos. Todas as suas respostas às autoridades, relativas a seu conhecimento do escândalo do petrolão, invariavelmente indicavam ignorância ou envolvimento apenas incidental. A responsabilidade, segundo ele, sempre foi dos outros – a começar por seu ministro José Dirceu.
Como Lula prestou depoimento na condição de “informante”, conforme consta no despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, esperava-se que ele tivesse ao menos alguma contribuição a dar para o esclarecimento dos fatos. Em sua oitiva, no entanto, Lula, a exemplo do que já fizera no caso do mensalão, preferiu fazer os brasileiros de tolos, ao dizer que nunca soube de nada a respeito de desvios na Petrobrás quando era presidente. “Esses fatos não eram também do conhecimento dos órgãos de fiscalização e controle, bem como da própria imprensa”, justificou-se Lula. Não consta que tenha corado. Com isso, Lula pretende convencer o País de que ele, como presidente da República, estava sendo enganado tanto quanto os cidadãos comuns, embora um dos principais beneficiados pelo assalto à Petrobrás tenha sido seu partido, o PT.
Mais um fracasso petista
Os números mais recentes sobre a quantas andam as promessas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff de construir no total 8.787 creches vêm confirmar, agora sem possibilidade de contestação – porque foram fornecidos pelo Ministério da Educação à reportagem do Estado –, aquilo que as estimativas vinham indicando há um bom tempo: esse programa não passa de um rotundo fracasso, que vem aumentar ainda mais a distância que separa a realidade dos devaneios demagógicos dos governos petistas. Só 2.940 daquelas unidades saíram do papel, ou um terço (33%). Durante a campanha eleitoral de 2010, a então candidata Dilma Rousseff garantira que o repasse de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para as prefeituras permitiria construir até o fim de seu mandato, em dezembro de 2014, o grosso daquele total – 6 mil unidades. Das 5.847 creches ainda pendentes, do total prometido por Lula e Dilma, a maior parte, 3.167, está em “ação preparatória” – que é uma forma marota de esconder o fato de que ainda nem saiu do papel –; 2.093 estão em obras; 487, paralisadas; e as restantes 100 foram canceladas.
Verba para moradia cria guerra de movimentos sociais
SÃO PAULO - O Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) não é um movimento social que faz pressão somente por habitação. É um movimento político, que luta pelo socialismo e que, embora critique a atual política econômica do governo federal, está engajado na defesa do mandato de Dilma Rousseff por considerá-la ameaçada pelo pedido de impeachment em discussão no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação, feita na semana passada pelo principal líder nacional do MTST, Guilherme Boulos, minutos antes da maior manifestação do ano a favor de Dilma, na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, deixa clara a posição do movimento que batalha pela manutenção e ampliação do acesso às verbas do Minha Casa Minha Vida (MCMV) Entidades, principal fonte de renda para garantir a militância do movimento.

Com novas áreas à espera de recursos do MCMV, como Novo Pinheirinho (Santo André), Dona Deda (Campo Limpo), Nova Palestina (zona sul), o MTST já conta com terreno da Copa do Povo, em Itaquera, comprado da Viver Incorporadora, que tem prevista a construção de 2.650 unidades. O dinheiro, segundo o Ministério das Cidades, já está destinado à Associação de Moradores do Acampamento Esperança de Um Novo Milênio, do MTST. A bagatela de R$ 201,4 milhões pode chegar até R$ 307,4 milhões com o acréscimo, por unidade, de R$ 20 mil do programa estadual Casa Paulista, e mais R$ 20 mil do programa municipal Casa Paulistana, da Prefeitura.


