É hora de parar de esconder que Lula é investigado na Operação da Lava Jato
Está cada dia mais difícil fingir que Lula não é alvo de nenhuma investigação. De tanto repetirem que o ex-presidente não é investigado, o brasileiro começou a desconfiar. Será que não é? É grande o esforço para convencer o país de que o Lula que todo mundo vê não é o Lula de verdade, é outro personagem. Até Lula já acredita que o Lula que está na cara não é ele. “O próprio Sérgio Moro disse que eu não sou investigado”, declarou, na semana passada. O problema é que, toda vez que os investigadores se mexem, esbarram no Lula que a infantaria petista diz que não é o Lula. Deflagrada nesta quarta-feira, a 22ª fase da Operação Lava Jato apura a suspeita de que a empreiteira OAS pagou propinas por meio de transações imobiliárias. O epicentro da apuração é o edifício Solaris, um condomínio de apartamentos assentado à beira mar, na praia de Astúrias, no Guarujá.
No despacho em que determinou mais um lote de prisões e batidas policiais de busca e apreensão, o juiz Sérgio Moro anotou que há a suspeita de que a OAS “teria utilizado o empreendimento imobiliário no Guarujá para repasse disfarçado de propina a agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras''. No papel, os alvos centrais da investigação são o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, uma empresa baseada no Panamá e a própria OAS. Porém…
Dilma perde feio a guerra contra o fisiologismo
De passagem pelo Equador, Dilma Rousseff teve de desperdirçar um naco do seu tempo para traduzir uma declaração de Marcelo Castro, um deputado-psiquiatra que o PMDB plantou no comando da pasta da Saúde. O doutor Castro dissera o seguinte: “Nós estamos há três décadas com o mosquito [Aedes aegypti] aqui no Brasil. E estamos perdendo feio a batalha para o mosquito. Blá, blá, blá…” Noutros tempos, Dilma passaria uma carraspana no ministro em público, ameaçando-o de demissão. Hoje, instada a comentar a sentença do ministro, Dilma afirmou: “Não, a batalha não está perdida, não. Isso não é o que ele está pensando nem o que ele disse.'' Hã? “O que ele disse é: se nós todos não nos unirmos e se a população não participar, nós perdemos essa guerra. […] Inclusive se ele fizer uma exposição para vocês, ele domina bastante bem o assunto.'' Ah, bom!
Explicações de Lula sobre triplex não têm nexo
A deflagração da 22ª fase da Lava Jato deixou Lula irritado. Em nota, ele reclamou da “tentativa de envolver seu nome em atos ilícitos.” O problema é simples de resolver. Se não quiser ser importunado, basta que o ex-presidente demonstre que não é o dono do triplex número 164 A, do edifício Solaris, no Guarujá. Sua assessoria já tentou várias vezes desvincular Lula do imóvel. Mas falta às explicações oficiais algo essencial: nexo.
Batizada de Triplo X, a nova fase da Lava Jato apura a suspeita de que a empreiteira OAS usou apartamentos do agora célebre edifício do Guarujá para camuflar o pagamento de propinas extraídas da Petrobras. Entre eles o triplex que Lula diz não possuir. Vão abaixo as perguntas que o morubixaba do PT já poderia ter respondido:
Tempestade perfeita na saúde - Guilherme Boulos
O caos na saúde não é propriamente uma novidade no Brasil. Mas este início de 2016 parece superar todas as expectativas. O surto do zika vírus, trágico por si, encontrou um Ministro da Saúde despreparado e capaz de pérolas como "vamos torcer para que mulheres antes de entrar no período fértil peguem o zika". A indicação, na contramão da Reforma Psiquiátrica, do ex-diretor do maior manicômio privado da América Latina, Valencius Wurch, para a Coordenação da Saúde Mental do Ministério e o fechamento das UPAs e hospitais no Rio de Janeiro, por falta de verba, dão as cores da paisagem. O quadro é desastroso.
Na hora que a crise estoura aparece, enfim, a discussão das responsabilidades. De tanto ser repetida, já tornou-se senso comum a tese de que o problema do SUS é de gestão: sobrariam recursos, faltaria competência administrativa.
Ei, a crise é muito grave mesmo
"Por incrível que pareça, muita gente no Brasil parece não ter ainda consciência do que se passa no nosso cotidiano: preços mais altos, amigos e conhecidos desempregados, salários atrasados, lojas fechando, obras paralisadas, restaurantes mais vazios e por aí vai. A gravíssima crise econômica e financeira pela qual passa o país está à vista de todos", escreve o colunista do 247 Hélio Doyle; para o jornalista, "o governo tem a obrigação de sair da paralisia medrosa e apresentar suas propostas para enfrentar a crise. O Congresso tem a obrigação de decidir logo se vai continuar com um bandido presidindo a Câmara e se vai ou não destituir a presidente da República. O Poder Judiciário tem de voltar das imerecidas férias disposto a fazer horas extras para tomar as decisões que vão desatar os nós que ficam dependendo de suas excelências. A população tem de entender que o momento pelo qual passa o mundo, o país, cada estado e cada município, não comporta reivindicações irreais" BRASIL 247
A fórmula da impunidade
Depois de dois anos de investigações, com a oitiva de nada menos que 300 testemunhas e a mobilização de um grande aparato policial e judicial, a Polícia Civil de São Paulo conseguiu indiciar apenas sete pessoas pelo vandalismo protagonizado pelo grupo “black bloc” nas manifestações de 2013 e de 2014. O resultado, a despeito de haver carradas de evidências contra muitos outros criminosos que participaram da baderna, significa que os tais “black blocs” descobriram a fórmula perfeita da impunidade: quem quiser continuar livre depois de cometer atentados contra o patrimônio da cidade de São Paulo e de atormentar violentamente a vida dos moradores só precisa agir em bando e cobrir o rosto com uma máscara.
Essa fórmula só funciona plenamente numa cultura em que as autoridades responsáveis pela segurança pública hesitam na hora de exercer seu papel, talvez temerosas de que uma ação mais enérgica contra os vândalos possa causar prejuízos à imagem do governo. Numa época em que o cumprimento da lei é cinicamente confundido com a repressão típica dos tempos da ditadura, confusão esta que conta sempre com ampla repercussão nas redes sociais da internet, a tibieza do poder público e sua submissão a interesses eleitoreiros prevalecem ante a necessidade de fazer valer os direitos do conjunto da população.



