Aperto no crédito chega ao campo

A escassez do crédito agora bate às portas do agronegócio, uma das únicas atividades da economia brasileira que continua crescendo mesmo com a crise. Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na edição desta segunda-feira, produtores de soja estão reclamando da dificuldade em conseguir empréstimos a menos de um mês da semeadura da nova safra.
Os agricultores relatam casos de morosidade na análise dos pedidos de empréstimos, aumento das exigências por parte dos bancos e elevação dos juros. Segundo eles, o crédito mais restritivo tem atrasado a compra de insumos necessários para o início do plantio, como sementes e fertilizantes, e pode acabar com os consecutivos ganhos do setor.
BR alterou licitação para incluir cartel que lesou Petrobrás, aponta auditoria
Andreza Matais - BRASÍLIA / O ESTADO DE SP
Relatório de investigação interna em contratos da empresa, subsidiária da estatal, mostra que ela direcionou licitações vencidas pela UTC Engenharia no valor de R$ 574 milhões
Auditoria da BR Distribuidora em contratos investigados pela Operação Lava Jato descobriu que a empresa direcionou quatro licitações vencidas pela UTC Engenharia no valor de R$ 574,1 milhões em 2010. Até agora, havia sido descoberto apenas que a empreiteira pagou R$ 20 milhões em propina para ter acesso antecipado a estimativas de preços, o que lhe garantiu apresentar a melhor proposta nos certames. Mas o relatório de auditoria, finalizado em março deste ano e inédito até agora, apontou, no entanto, que a BR também facilitou a vitória ao substituir uma lista inicial de empresas que seriam convidadas a participar das licitações por outra relação que incluiu empreiteiras do chamado “clube da propina” – que já fraudavam, com a UTC, as licitações na Petrobrás. O resultado da auditoria reforça a tese da força-tarefa da Operação Lava Jato de que as empreitaras investigadas atuavam em conjunto, como um cartel, para lesar a Petrobrás e suas subsidiárias.
Agência contratada pelo PT paga R$ 20 mil de salário a criador de Dilma Bolada

No PT, existem duas Dilmas. Aquela que preside o país, a Rousseff, de que quase nenhum brasileiro gosta nestes idos de 2015. E a outra, a Bolada, que dois milhões de brasileiros curtem nas redes sociais. Como Bolada diz: “Sou a Rainha da Nação, a Diva do Povo, a Soberana das Américas… Sou linda, sou diva, sou Presidenta. SOU DILMA!”. Dilma Bolada, a caricatura que tem toda a simpatia e toda a verve que tanto faltam à presidente, é criação do publicitário Jeferson Monteiro. Ele sempre jurou – J-U-R-O-U – que fazia a personagem por amor. Mas ÉPOCA descobriu que o publicitário recebe um pixuleco de R$ 20 mil mensais do PT para fazer Dilma divar nas redes e zoar sem dó os adversários políticos da presidente e do partido.
As provas estão em documentos enviados por advogados da agência Pepper Interativa ao Superior Tribunal de Justiça. A Pepper é uma espécie de agência parapartidária do PT. É usada para tudo que o partido não pode fazer diretamente em campanhas ou nas redes sociais – como guerrilha digital a favor do governo e contra os assim declarados inimigos da causa. A Pepper trabalhou nas duas campanhas presidenciais de Dilma – Rousseff, não a Bolada – e tem contrato com o PT. Está sendo investigada no STJ na Operação Acrônimo, em que a PF descobriu evidências dum esquema de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o governador de Minas, Fernando Pimentel, e operadores do PT. ÉPOCA já mostrou que a dona da Pepper, Danielle Fonteles, é investigada por intermediar pagamentos do BNDES para a mulher do governador Fernando Pimentel, Carolina Oliveira, no período que ele era ministro de Dilma e chefiava o banco. Dani, como é chamada, usou até contas secretas na Suíça para receber dinheiro, enquanto pagava faturas de cartão de crédito da mulher de Pimentel.
A nova agenda das ruas
Depois de levar milhares de brasileiros às principais avenidas do País em protestos contra o governo no último domingo 16, dois dos principais movimentos de rua já planejam os próximos passos para manter a pressão sobre a presidente Dilma Rousseff. Os focos, agora, são dois dos foros que poderão selar o destino da presidente: o Congresso e o TCU. No Congresso, o alvo é o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nas últimas semanas, Renan, o antigo desafeto, foi convertido à tábua de salvação da governabilidade, ao propor uma pauta para destravar o País, a chamada Agenda Brasil. No TCU, o objetivo é fazer uma vigília em favor da reprovação das contas de 2014 da presidente. A rejeição pode levar ao impeachment, um dos objetivos dos movimentos de rua desde março, quando foi organizada a primeira grande manifestação depois da reeleição de Dilma.
Segundo Renan Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), em São Paulo, nos dias 25 e 26 de agosto, eles estarão em frente ao tribunal. Aliado do MBL, o “Vem Pra Rua” tem disparado e-mails com o número dos telefones dos ministros anexados para que a população também exerça pressão. “Queremos que eles votem com transparência”, diz um dos líderes do Vem Pra Rua, o empresário Rogerio Chequer. A ação contra Renan consistirá na montagem de acampamento em frente à residência dele em Brasília. “Nós estamos focados em tirar o nó da aliança feita entre Dilma e Renan”, afirma Santos.

Embora não sejam o foco principal, neste momento, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também merecerão a atenção dos movimentos. De acordo com Chequer, o Vem Pra Rua pretende pressionar o TSE a retomar a votação que investiga irregularidades na prestação de contas eleitorais de Dilma, quanto Janot será cobrado a encaminhar com mais celeridade os pedidos de investigação que estão em sua mesa desde o dia 25 de maio. ISTOÉ
Lula com medo
Até as manifestações do dia 16 de agosto, o PT acreditava que a recente antipatia do brasileiro pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era uma marolinha. O partido ainda alimentava a ilusão de que a popularidade do ex-líder sindical convertia em vilão qualquer um que desfiasse críticas a seu respeito. Os protestos promoveram, no entanto, a descanonização do mito. As crises política e econômica enfrentadas pelo País e que afetou a população como um todo, sem distinção de classe social, tornaram Lula alvo da insatisfação popular. O boneco inflável de 12 metros do ex-presidente vestido em trajes de presidiário confeccionado pelos manifestantes, e que virou febre nas redes sociais, ilustra bem o sentimento que hoje parte expressiva dos brasileiros nutre pelo petista. Mesmo em sua cidade natal, Garanhuns (PE), onde Lula sempre foi ídolo, conterrâneos saíram às ruas com faixas pedindo “desculpas ao Brasil pelo filho corrupto”. A alegoria dos protestos de Brasília fez a imprensa internacional questionar se o petista perdeu o troféu de “o cara”, numa referência à expressão.
São Paulo - Cerca de 40 mil pessoas, segundo a Secretaria de Segurança Pública, participaram do ato promovido por movimentos sociais e sindicatos nesta quinta-feira, 20, em São Paulo em contraponto aos protestos realizados no domingo. As críticas ao presi

Brasileiros foram às ruas nesta quinta-feira (20) em 25 estados e no Distrito Federal com atos de apoio ao governo Dilma Rousseff. Os protestos são uma reação organizada por partidos e entidades civis às manifestações de domingo (16), que pediram o impeachment da presidente. No total, foram registrados atos em 39 cidades, com 73 mil participantes, segundo a PM, e 190 mil, segundo organizadores. Ocorrem manifestações em AL, AM, AP, BA, CE, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RO, RR, RS, SC, SE, SP e TO e no DF. Os manifestantes também criticavam o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o ajuste fiscal.
São Paulo teve o maior número de manifestantes, tanto pelas contas da PM (40 mil) quanto dos organizadores (75 mil). Segundo o Instituto Datafolha (há uma diferença de metodologia entre PM e Datafolha), o total de manifestantes chegou a 37 mil entre 17h30 e 21h30. O protesto teve concentração no Largo da Batata, na Zona Oeste, e seguiu até a Avenida Paulista durante a noite. No Rio de Janeiro, uma passeata saiu da Candelária com destino a Cinelândia, onde um palco foi montado para apresentações após o ato. Segundo a organização, foram 25 mil pessoas. A PM não fez uma estimativa de público.
Veja como foram os protestos em cada estado:

