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Fachin, presidente da corporação

Demétrio Magnoli

Sociólogo, autor de “Uma Gota de Sangue: História do Pensamento Racial”. É doutor em geografia humana pela USP/ FOLHA DE SP

 

Primeiro, Edson Fachin clamou aos céus pela ética e a transparência. Depois, deu um passo atrás, legitimando de antemão as estripulias de Dias Toffoli. No fim, rendeu-se sem combate a uma maioria oculta. O ministro escolheu a condição de presidente da corporação. Seu partido não é o direito, mas o STF.

 

O projeto do código de conduta nasceu das suspeitas que cercam as relações de Alexandre de Moraes e Toffoli com os negócios piramidais do Banco Master. Já de início, era uma tentativa de trocar investigações sobre os colegas por um elenco de regras éticas. Tratava-se de enterrar o presente na cova do futuro.

 

O passo seguinte foi a nota oficial embusteira destinada à dupla função de proteger Toffoli e cortar-lhe as asas (https://2cm.es/1nLCS). O colega ficaria a salvo de qualquer questionamento, com a condição de transferir o processo do Master à primeira instância. O intercâmbio já seria ruim o suficiente para a credibilidade do STF sem o texto arrogante que o envelopa.

Atribui-se a Luís 14 a proclamação de que "o Estado sou eu". Na sua nota, Fachin parafraseia o monarca ao sugerir que a democracia é o STF: "Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito".

 

Tradução: na opinião do presidente da corporação, a "democracia constitucional e o Estado de direito" convertem seus colegas juízes em figuras especiais, imunes ao escrutínio público. O célebre contrato da esposa de Moraes e as aventuras de Toffoli no país das maravilhas do Master tornam-se temas proibidos. Tabu.

 

Os antigos comunistas cultivavam o hábito de invocar a História (com maiúscula) para encerrar debates incômodos. Fachin os imita, evocando uma "história implacável" contra "aqueles que tentam destruir instituições", ou seja, os insatisfeitos com o silêncio da dupla de ministros. Por algum motivo estranho, o ministro das sentenças pomposas imagina cavalgar o corcel da História.

 

Há mais de cem anos, Trotsky anunciou a ditadura bolchevique ao condenar os mencheviques à "lata de lixo da História". Fachin assinou sua capitulação ao insinuar que a proverbial lixeira é o destino do tal código de conduta. Nas suas palavras, em entrevista ao Estadão: "Sendo necessárias, as regras são viáveis? Eu tenho colegas que entendem que são necessárias, mas que o momento não é agora, por ser ano eleitoral. Reconheço que esse argumento é sólido". Tradução: sólido é o que interessa aos juízes da corporação.

 

Da gloriosa investida de Fachin, sobra apenas o acordo destinado a preservar os segredos da dupla de colegas do presidente. O STF remeteria a papelada à instância inferior, desistindo da artimanha de impor sua jurisdição sobre o escândalo do Master. Contudo, mesmo essa saída providencial segue pendente de conchavos internos. Motivo: Toffoli resiste à hipótese de eliminação do manto do segredo judicial máximo com o qual recobriu os parceiros políticos de Vorcaro.

 

A regra da colegialidade tem o propósito de cotejar publicamente as opiniões dos juízes supremos. Fachin, porém, a interpreta como instrumento de conluios ocultos destinados a produzir consensos corporativos. Por isso, não submeterá suas propostas ao voto dos ministros. O STF fecha-se na sua caverna.

 

Aproximações perigosas

Por  Merval Pereira / O GLOBO

 

As investigações, não só as oficiais, mas as dos jornalistas também, mostram uma proximidade muito perigosa do entorno do presidente Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master. A começar pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e pelo ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que foram para o Master a pedido do governo. O líder do PT, senador Jaques Wagner, admitiu ter sido ele quem indicou os dois — porque Lula tinha um compromisso moral com Mantega depois de não ter conseguido colocá-lo na Vale. Acabou arranjando um lugar aparentemente muito bem remunerado no Master; dizem que ganhava cerca de R$ 1 milhão por mês.

 Lewandowski, depois de nomeado ministro, deixou de herança para seu escritório, dirigido por um filho, o contrato de consultoria que lhe rendia R$ 250 mil por mês. A seu favor, não há nenhum indício até agora de que tenha usado o cargo para impedir qualquer investigação — e a Polícia Federal era subordinada a ele. Mas todas essas aproximações, com consequências ou não, são muito desgastantes, principalmente para Lula, que não deveria ter a tranquilidade de criticar os que defendem o Master, já que participou de conversas com Vorcaro no Palácio do Planalto, mesmo que ainda não houvesse nenhuma prova concreta de que ele cometera crimes.
 
A ministra Gleisi Hoffmann alega que não há nenhum problema em Lula conversar com banqueiros, algo que parece natural para um presidente da República. Mas, quando o banqueiro se mete em trapalhadas depois de ter atendido a pedidos desse mesmo presidente, ele fica em situação delicada. O caso é muito grande, alcança várias instituições, os três Poderes estão metidos de uma maneira ou de outra no networking que Vorcaro montou. É inevitável que isso repercuta e que a oposição, na reabertura do Legislativo, tente o impeachment de algum ministro. Não acontecerá neste ano, mas poderá complicar a campanha eleitoral, que agora ganha tônus novo com a trinca pessedista que o presidente do partido, Gilberto Kassab, montou para ampliar o alcance da centro-direita.
 
Sabe-se que o governador do Paraná, Ratinho Junior, é o candidato a presidente acertado com os demais governadores, com razoável capacidade de mobilização. O efeito pode ser acuar o senador Flávio Bolsonaro num nicho de extrema direita, abrindo caminho ao centro e bloqueando a tentativa de Lula de ganhar esses votos decisivos. Lula sempre ganhou as eleições contando com votos da centro-direita. Quando os candidatos tucanos foram o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou José Serra, ele ganhou com o apoio de 60% dos eleitores, agregando os votos de centro-direita.
 
A adesão desse eleitorado tucano ao bolsonarismo deu a Jair Bolsonaro força para vencer uma eleição presidencial e sair derrotado em outra, mas por pouco. O mineiro Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff em 2014 por pequena margem, já denotando que crescia o eleitorado anti-Lula. A ideia de que Vorcaro seja um outsider é equivocada. Ele é tão outsider quanto Bolsonaro era na política. São do baixo clero, trabalham nas bordas da lei. Foi apanhado porque se meteu em trapalhadas econômicas que o beneficiaram e a seus amigos, mas prejudicaram milhares de cidadãos.
 
O Master se revela grande demais para ter sido liquidado, se defende por meio das relações que Vorcaro teceu no mundo corporativo e institucional brasileiros e tenta se salvar. Nunca houve tentativa tão ampla, com participação de tanta gente influente, para salvar um banco. Isso mostra a grandiosidade do esquema, que se aproxima perigosamente do Palácio do Planalto no ano eleitoral. Por isso o governo tenta impedir que se faça uma CPI sobre o Master, que virará tema eleitoral, queiram ou não os governistas.

Caso Master: gabinete de Toffoli admite possibilidade de enviar caso à primeira instância após fim de inquérito

Por Mariana Muniz — Brasília / O GLOBO

 

 

O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou um comunicado nesta quarta-feira no qual rebate algumas das críticas recebidas pelo magistrado na condução do inquérito relacionado ao Banco Master. Na nota, ele admite pela primeira vez a possibilidade de enviar o caso relacionado à primeira instância, mas afirma que essa análise só será possível de ser feita após o fim das investigações.

 

"Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal", diz o texto divulgado pelo gabinete do ministro.

 

O GLOBO apurou que o comunicado com os "esclarecimentos" foi enviado também aos demais ministros do STF. Em entrevista ao GLOBO, o presidente da Corte, Edson Fachin, disse que não irá ficar de “braços cruzados” na hipótese de ter que avaliar questionamentos sobre o caso do Banco Master.

 

O caso chegou ao STF após a defesa do dono do banco, Daniel Vorcaro, argumentar que trechos da investigação citavam um deputado federal — que possui foro por prerrogativa de função e, portanto, só poderia ser julgado pela Corte. Atendendo a esse pedido, Toffoli definiu que a competência sobre as investigações e futuras diligências passaria a ser da Suprema Corte, e não mais da instância inferior, fazendo com que o inquérito tramitasse diretamente no tribunal.

 

O envio do caso ao STF, contudo, foi criticado por parlamentares da oposição, que apontaram uma tentativa do ministro de blindar envolvidos na investigação. Um pedido para que ele seja afastado da relatoria do caso, contudo, já foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República.

 

A representação citava uma viagem de Toffoli no jatinho de um empresário para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores da América contra o Flamengo na companhia de um advogado de um dos executivos do Master investigado na Operação Compliance Zero comprometeria a isenção do ministro para conduzir o caso.

 

A nota divulgada pelo gabinete do ministro nesta quarta-feira frisa o fato de Toffoli ter sido definido relator "por sorteio" e justifica o sigilo pela necessidade de evitar vazamentos que possam atrapalhar as investigações.

 

"No dia 3 de dezembro de 2025, após o exame preliminar dos autos, houve a determinação, em caráter liminar, para que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, mantidas e validadas todas as medidas cautelares já deferidas, bem como o sigilo que já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau, a fim de evitar vazamentos que pudessem prejudicar as investigações", diz o texto.

 

Diante da pressão relacionada pelo caso nas últimas semanas, a possibilidade de um retorno das investigações para a primeira instância passou a ser discutida, mas Toffoli tem sinalizado a interlocutores que é preciso verificar a persistência de pessoas com foro privilegiado nas apurações. Por isso, é possível que parte do caso permaneça no Supremo e que outra parte vá para a instância inferior.

 

Com a retomada dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) no próximo dia 2 de fevereiro e o encerramento do regime de plantão da Corte, decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli no âmbito das investigações do caso Master poderão, em tese, ser submetidas ao crivo da Segunda Turma do tribunal. Como mostrou O GLOBO, porém, a avaliação predominante no STF é a que essa possibilidade é remota no curto prazo.

 

Leia a íntegra da nota:

"Gabinete esclarece principais andamentos do caso Master no STF

1.O Ministro Dias Toffoli foi escolhido, por sorteio, para ser o relator da operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal em 28 de novembro de 2025;

2.No dia 3 de dezembro de 2025, após o exame preliminar dos autos, houve a determinação, em caráter liminar, para que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, mantidas e validadas todas as medidas cautelares já deferidas, bem como o sigilo que já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau, a fim de evitar vazamentos que pudessem prejudicar as investigações;

 

3.Da análise preliminar dos documentos, o Ministro relator verificou, em 15 de dezembro de 2025, a absoluta necessidade da realização de diligências urgentes, não só para o sucesso das investigações, mas também como medida de proteção ao Sistema Financeiro Nacional e às pessoas que dele se utilizam, determinando, no prazo inicial de trinta dias, a oitiva dos principais investigados para esclarecer, em detalhes e com apresentação dos respectivos documentos, as denúncias em apuração;

4.Na mesma oportunidade, houve a determinação de oitiva dos dirigentes do Banco Central do Brasil sobre questões de sua atribuição envolvendo as atividades do Banco Master e de possíveis desdobramentos envolvendo outras instituições financeiras;

 

5.As oitivas dos presidentes dos bancos envolvidos no caso e do diretor do Banco Central responsável pela fiscalização das instituições ocorreram no dia 30 de dezembro de 2025, inclusive com a acareação, que se mostrou necessária, entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa;

 

6.Após o exame do material contido nos autos e com parecer favorável do Procurador-Geral da República, foi julgada parcialmente procedente a reclamação, para reconhecer a competência da Suprema Corte a fim de supervisionar as investigações que envolvem a operação Compliance Zero, decisão contra a qual não foi apresentado recurso;

 

7.No curso do processo, todos os pedidos de reconhecimento de nulidades formulados pelas defesas dos investigados, inclusive por violação de prerrogativa de foro, foram rejeitados, assim como foi indeferido um pedido de composição amigável entre as partes apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro;

 

8.Aberto o inquérito policial correspondente, que corre em sigilo em razão de diligências ainda em andamento, foram ouvidos alguns investigados pela autoridade policial entre os dias 26 e 27 de janeiro de 2026. A autoridade policial pediu a prorrogação do prazo para a conclusão das investigações por mais sessenta dias, o que foi deferido;

 

9.Paralelamente à operação Compliance Zero, outras operações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, dentre as quais, uma realizada na cidade do Rio de Janeiro, que foi prontamente devolvida à primeira instância, e outra efetivada em São Paulo por determinação da Suprema Corte, trazida ao Supremo Tribunal Federal por iniciativa direta da Procuradoria-Geral da República;

 

10.Em todos os âmbitos, as investigações continuam a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos, mantidos os sigilos necessários em razão das diligências ainda em andamento;

 

11.Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal."

Tarcísio reforça que será candidato em São Paulo após visita a Bolsonaro e diz que é 'parte do time'

Carolina Linhares / FOLHA DE SP

 

O governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (29) ter dito ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que será candidato à reeleição no estado e que fará "parte do time", em referência à entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa ao Planalto.

A declaração foi dada logo após a visita do governador a Bolsonaro no Batalhão da Polícia Militar conhecido como Papudinha, ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

"O projeto nosso sempre foi São Paulo, eu tenho um papel importante dentro do time, que é realmente cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil, e agregar à visão deste grupo, e o grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente", disse o governador.

"A gente conversou como amigos, a gente vai estar empenhado neste projeto. Vamos entrar muito fortes, muito unidos, agregando mais pessoas, agregando mais gente, e falando de perspectiva, falando de projeto para o país, falando de pontos que são importantes para a gente resolver a questão fiscal", declarou.

Questionado sobre apoiar a candidatura presidencial de Flávio, ele respondeu apenas: "sem dúvida, como eu tenho afirmado constantemente".

Tarcísio disse ainda que terá na campanha o mesmo papel de 2022. Declarou que pretende se "eleger em São Paulo e ajudar nosso candidato presidencial", sem citar o nome de Flávio nesse momento.

O governador afirmou também que ele e Bolsonaro conversaram sobre a filiação do governador Ronaldo Caiado (GO) ao PSD e a possibilidade de que ele seja o presidenciável do partido. Segundo o governador, Bolsonaro viu a movimentação com bons olhos, elogiou Caiado e disse que todos estarão juntos "lá na frente", em uma sinalização a respeito do segundo turno.

Tarcísio chegou ao complexo da Papuda por volta das 10h50, em um comboio de carros. Ele estava acompanhado de Vicente Santini, chefe do escritório do Governo de São Paulo em Brasília e aliado da família Bolsonaro. O horário autorizado para a visita é das 11h às 13h.

A visita havia sido marcada inicialmente na semana passada, mas acabou adiada pelo governador após um conflito com o bolsonarismo. O encontro foi autorizado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes a pedido do ex-presidente.

A conversa entre Bolsonaro e Tarcísio é a primeira desde que o ex-presidente indicou ter escolhido o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para disputar as eleições contra Lula (PT), preterindo o governador. O último encontro entre os dois ocorreu em setembro, quando Bolsonaro ainda estava em prisão domiciliar.

Nas últimas semanas, a articulação de Tarcísio pela prisão domiciliar de Bolsonaro acendeu o alerta entre apoiadores de Flávio de que o governador ainda nutria pretensões nacionais, o que levou o filho do ex-presidente a pressioná-lo publicamente. Em sinal de insatisfação, Tarcísio adiou a visita.

Como mostrou a Folhaa expectativa desse novo encontro, porém, era positiva. Depois de aliados de ambos os lados buscarem baixar a temperatura, a ideia era que a visita desta quinta virasse a página em relação ao recente desgaste entre Tarcísio e a família do ex-presidente.

A leitura entre auxiliares de Tarcísio e interlocutores de Flávio é a de que está consolidado, neste momento, o plano de que o primeiro concorra à reeleição, enquanto o segundo dispute o Planalto.

Para bolsonaristas, a visita deve selar o compromisso de Tarcísio em apoiar Flávio, algo que ele já disse publicamente, embora permaneçam reclamações de que o governador não embarcou de verdade. Ao mesmo tempo, eles esperam que Bolsonaro defina o papel de Tarcísio na eleição, seja como palanque do filho em São Paulo ou articulador político junto a outras legendas do centrão.

Nesta quarta (28), o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou em rede social que esteve com Tarcísio em São Paulo num encontro amistoso. "Foi mais um momento muito bacana com o eterno ministro, por quem tenho um carinho e uma admiração enormes", afirmou o filho do ex-presidente.

Carlos também visitou Bolsonaro nesta quinta-feira e publicou, por volta das 10h30, ao sair da Papudinha, que o pai precisava de boas energias para ficar de pé.

"Se eu estou exausto de modo como jamais fiquei, não consigo mostrar o quão meu pai está. Peço a todos boas energias, como sempre têm mandado. Somente assim para, minimamente, ele ficar de pé", escreveu.

O governador respondeu: "Foi muito bom estar com vc no dia de hoje. Você sempre será credor do meu respeito e da minha amizade".

Quem convive com o governador diz que o objetivo do encontro é expressar solidariedade e que os políticos devem tratar de assuntos pessoais, como velhos amigos que se gostam. Não é esperado que Tarcísio traga temas espinhosos, como a sua insatisfação com a declaração de Flávio que o fez adiar a visita ao ex-presidente.

Bolsonaro está preso em regime fechado desde 22 de novembro. Ele foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele cumpre pena na Papudinha, em Brasília, e aliados denunciam deterioramento do seu estado de saúde para tentar transferência para a prisão domiciliar.

Todo o Ceará está sob risco de chuvas intensas até esta quinta-feira (29)

Escrito por Matheus Facundo / DIARIONORDESTE
 
Os 184 municípios do Ceará estão sob risco de chuvas intensa até as 12h desta quinta-feira (29). Um novo aviso meteorológico foi publicado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) na tarde desta quarta-feira (28), que também informou a possibilidade de raios e rajadas de vento.   Ainda segundo o aviso da Funceme, um total de 170 municípios possuem risco médio, entre 41 e 70% de probabilidade de ocorrência de chuvas. Os 14 restantes ficam na região Jaguaribana e têm risco potencial (20 a 40%) de fortes precipitações. 
 

Não há nenhum município em risco alto. O aviso possui caráter preventivo, e é divulgado para informar a população e as defesas civis sobre riscos de eventos meteorológicos.

 

Desde essa última terça-feira (27), o Ceará tem sido banhado por fortes chuvas. Entre as 7h de terça-feira e o mesmo horário desta quarta, choveu em 160 municípios cearenses, de acordo com o calendário de chuvas da Funceme. O maior acumulado foi em Itapipoca, com 264.8 milímetros (mm), que se tornou a 5ª maior chuva da história do Estado

 

Chuvas distribuídas por regiões 

O noroeste do Estado deve receber chuvas intensas até o fim desta quarta, enquanto o sul e o litoral cearense devem ter precipitações entre esta noite e a madrugada e o início da manhã da quinta-feira.

 

O meteorologista da Funceme Vinicius Oliveira, reforçou que previsão do tempo segue de chuva para todas as macrorregiões do Ceará. A partir da próxima sexta-feira (30), no entanto, a tendência é de diminuição gradual da nebulosidade e, consequentemente, das chuvas no Estado. 

 

 

 

 
Vista de uma rua urbana alagada, com carros e uma motocicleta trafegando lentamente pela água, sob céu nublado.
Legenda: Chuvas chegaram ao Ceará com intensidade nesta semana.
Foto: Fabiane de Paula.
 

banco de brasília Caso Master: Influenciadores relatam que foram procurados para defender o BRB nas redes sociais

Por Carlos Eduardo Valim e Daniel Weterman / O ESTADÃO DE SP

 

 

BRASÍLIA E SÃO PAULO — Influenciadores especializados em finanças com centenas de milhares de seguidores relataram terem sido abordados, em nome do Banco Regional de Brasília (BRB), para defender nas redes sociais a versão da instituição financeira estatal sobre a sua participação no caso Master. A operação lembra um conjunto de publicações que, no final do ano passado, atacou as medidas do Banco Central em relação ao Banco Master, liquidado em 18 de novembro.

 

 

Durante a apuração da reportagem, a agência Flap, especializada em ações de live marketing e promoções, enviou comunicado ao Estadão afirmando “que o contato estabelecido com influenciadores digitais partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB” (leia mais abaixo a nota completa). A Flap teria subcontratado uma agência de gestão de campanhas digitais para a intermediação com os influenciadores. Procurado, o BRB não respondeu aos pedidos de esclarecimentos do Estadão.

 

Por meio de email e mensagens de WhatsApp, os influenciadores receberam, na terça-feira, 27, um pedido de orçamento para que participassem de almoço no dia 10 ou 24 de fevereiro a convite do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza.

 

O objetivo do encontro seria para que técnicos da estatal explicassem “as medidas de contenção de danos e as ações de recuperação” adotadas e que mostrassem “a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e o mercado”.

 

Pelo valor que fosse decidido em contrato, eles deveriam, além de participar do almoço, publicar no Instagram um relato no espaço de stories e um vídeo em reels resumindo o evento. O conteúdo deveria seguir um roteiro passado pelo banco. Era prometido um pagamento para 40 dias depois da ação.

 

O BRB enfrenta um desgaste após comprar R$ 12,2 bilhões em ativos considerados “podres” do Banco Master e ter feito uma oferta para adquirir uma fatia do Master, barrada pelo Banco Central. Agora, o BRB precisará levantar recursos para cobrir esse prejuízo e evitar um rombo nas contas. O governo do Distrito Federal estuda fazer um aporte no banco, oferecer imóveis em garantia para um empréstimo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou ainda lançar um fundo imobiliário do BRB formado com imóveis públicos do DF.

 

Influenciadores conhecidos do segmento disseram, em suas redes sociais, terem recebido a proposta e a rejeitado. Foram os casos de Murilo Duarte, conhecido como Favelado Investidor; Renata Barreto, sócia do escritório de investimentos Faz Capital; e Renato Breia, cofundador da casa de análises Nord Investimentos. Outros nomes conhecidos também foram procurados, como a jornalista Nathalia Arcuri, segundo confirmou a sua assessoria de comunicação ao Estadão.

 

Os influenciadores que divulgaram o caso demonstraram não terem recebido bem a proposta. “Não conheço ninguém que aceitou”, diz Duarte, conhecido como Favelado Investidor nas redes, e que tem mais de 580 mil seguidores no Instagram.

 

“O Banco Master prejudicou muita gente, com muita gente envolvida, políticos, empresários, e os investidores que confiaram no CDB deles que sofreram, mesmo que tenha cobertura pelo FGC”.

 

Em vídeo em suas redes sociais, Breia criticou a iniciativa. “Um banco que tem CDBs no mercado, que tem o seu próprio RI (área de relações com investidores), precisa de um influencer ir lá almoçar com o presidente para falar bem do banco?”, disse.

 

O que diz a nota da agência Flap

 

A FLAP, agência de live marketing e promoções, esclarece que o contato estabelecido com influenciadores digitais partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB. O objetivo da agência era convidar influenciadores reconhecidos no mercado pela seriedade e pela atuação no segmento econômico/financeiro para um evento onde seria feita uma apresentação institucional pela nova direção do BRB. O propósito da iniciativa era ampliar o acesso à informação, promovendo transparência e permitindo que diferentes públicos tivessem contato com os esclarecimentos prestados pelo Banco.

 

Reiteramos que, em hipótese alguma, houve qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial. A agência respeita a independência dos profissionais que atuam em redes sociais.  Ressaltamos que a abordagem foi conduzida pela equipe da agência e seus fornecedores, sem qualquer participação de funcionários do Banco BRB. A FLAP reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às boas práticas do mercado.

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