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Análise: Temer mostrou conhecer como poucos a alma do parlamento

Uma das máximas atribuídas a Antônio Carlos Magalhães era de que na política é necessário saber dar a cada aliado o que ele espera de você: alguns querem dinheiro, outros poder, outros proteção. E é fundamental não confundir as demandas. O resultado da sessão desta quarta-feira coloca o presidente Michel Temer no panteão dos detentores dessa arte da política.

Desde que tornou-se alvo da delação da JBS, revelada pelo GLOBO, Michel Temer usou tudo o que tinha em mãos: distribuiu cargos, abriu os cofres públicos a demandas duvidosas, entregou um mar de emendas parlamentares para as bases políticas de deputados, recebeu no gabinete presidencial todo tipo de deputado, sem qualquer linha de corte.

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Todo poder ao Centrão

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 00h32

A líder do PSB orientando voto contra mas avisando que votaria a favor de Temer sintetiza o que foi ontem a apreciação da primeira denúncia contra o presidente da República pela Câmara: os partidos valem nada. Ao menos como representação política. Tanto que o grosso da barganha feita pelo Planalto para sustentar o chefe não foi com lideranças partidárias, mas com bancadas temáticas: ruralistas, sindicalistas, sonegadores.

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Impopular, impune e presidente

Eloísa Machado de Almeida*, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 04h13

A decisão do plenário da Câmara concede imunidade frente à acusação de corrupção passiva feita em denúncia baseada nas conversas nada republicanas de Michel Temer com Joesley Batista e no vídeo de Rodrigo Rocha Loures com sua mala de dinheiro. Essa imunidade impede que as investigações prossigam enquanto Temer ocupar a Presidência, mas não afeta a apresentação de novas denúncias nem que se dê continuidade às investigações após deixar o cargo. 

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Parlamentares-juízes

*Antonio Herman Benjamin, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 03h07

Numa democracia robusta, o exercício parlamentar tem nos partidos sua coluna mestra. Por isso a Constituição federal lhes confere ampla liberdade para definir “normas de disciplina e fidelidade partidária” (artigo 17, § 1.º). Nada mais natural, portanto, que, de acordo com seus programas e prioridades políticas, os partidos “fechem questão” sobre temas relevantes em debate – como se viu na recente reforma trabalhista – e, portanto, na hora do voto exijam uma predeterminada posição de seus filiados no dia a dia do mandato.

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Um pedido incompreensível

O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 03h06

Consciente da importância que o funcionamento livre do Congresso Nacional tem para a democracia, a Constituição Federal de 1988 é taxativa em relação às garantias dos parlamentares. “Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável”, diz o art. 53, § 2.º da Carta Magna.

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