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Folha prova que Temer disse a verdade sobre emendas;

Entrevistei ontem, no programa “O É da Coisa”, o presidente Michel Temer. Perguntei a ele como respondia à crítica de que estava comprando votos dos deputados com a liberação de emendas. Ele negou a acusação, que eu já sabia ser falsa, diga-se. Mas tinha a obrigação de indagá-lo a respeito. Eu mesmo lembrei que a Emenda Constitucional 86 tornou impositiva as chamadas emendas parlamentares. O Orçamento reserva, neste ano, R$ 6,3 bilhões para este fim. Na conversa com Temer, destaquei o caso da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), uma das que acusaram o presidente de comprar parlamentares. Ela própria está entre as que receberam as maiores dotações. Trato do assunto na minha coluna da Folha.

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A desfaçatez de Lula - ISTOÉ

O petista freqüenta o sítio de Atibaia desde quando era presidente. Esteve no local 270 vezes. Reformas foram realizadas por empreiteiras a seu pedido. Mesmo diante de provas irrefutáveis, Lula insiste no discurso de que nada sabia

A desfaçatez de Lula

Germano Oliveira / ISTOÉ

Dezembro de 2010. Lula ainda era presidente. Dona Marisa, falecida no início deste ano, procurou Emílio Odebrecht, dono da Construtora Odebrecht, e pediu para que a empreiteira reformasse o sítio de Atibaia, onde o então presidente passaria a descansar depois que deixasse a Presidência. “Vou para o meu sítio”, contou Lula a amigos. O patriarca da empreiteira ordenou, então, que Alexandrino Alencar, diretor da companhia, se encarregasse das benfeitorias. Com a propriedade moldada a seu feitio, o petista e sua família passaram a frequentar o local religiosamente. Em seis anos, esteve no sítio por 270 ocasiões.

Até a eclosão das denúncias contra ele, ao se manifestar sobre o paradeiro do ex-presidente, sua assessoria emitiu pelo menos 12 notas oficiais em que afirmava com todas as letras que o petista passaria os fins de semana “em sua casa de veraneio em Atibaia”. Ou seja, até ser acossada pela Lava Jato, a família Lula não tinha o menor constrangimento em reconhecer o imóvel como seu. A retórica se ajustou à luz dos novos fatos. Agora, perto de ser condenado de novo em primeira instância, Lula, que se tornou réu pela sexta vez na última semana, recorre a subterfúgios para negar o óbvio ululante: que o sítio lhe pertence e foi repaginado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht como contrapartida a obtenção de contratos na Petrobras.

No total, as empreiteiras gastaram R$ 1,025 milhão nas reformas do sítio, conforme concluiu o juiz Sergio Moro, ao aceitar, na terça-feira 1, a denúncia contra Lula por corrupção e lavagem de dinheiro. Em seu despacho, Moro afirmou que o ex-presidente “teria participado conscientemente do esquema criminoso. Como parte de acertos de propinas destinadas à sua agremiação política, o grupo Odebrecht e o grupo OAS teriam pago vantagem indevida ao ex-presidente Lula consubstanciada em reformas no sítio de Atibaia por ele utilizado”. Formalmente, o sitio está registrado em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de Lulinha. Mas extraoficialmente, “a propriedade é de Lula”, diz o juiz. “O sítio passou a sofrer significativas reformas ainda em 2010, durante o mandato presidencial e que prosseguiram até 2014”, lembrou Moro. Lá, foram feitos investimentos “sempre com o conhecimento de Luiz Inácio”.

Para comprovar que Lula é o verdadeiro dono do sítio, o MPF anexou ao processo mensagens eletrônicas trocadas entre o caseiro da propriedade, conhecido como Maradona, com seguranças do ex-presidente. Uma delas falava que “um pintinho” havia sido atropelado pela “perua”. O MPF ainda incluiu na denúncia que, quando a PF fez buscas no local, roupas e bens pessoais do petista e de dona Marisa estavam guardadas no quarto do casal. Até uma camisa do Corinthians, escrito Lula nas costas, foi apreendida. Também foram encontradas notas fiscais de compra de material de construção – em nome de Marisa. Em outra devassa feita no imóvel de Lula em São Bernardo, a PF apreendeu uma minuta da escritura de compra e venda do sítio. Estava lá a digital do advogado de Lula, Roberto Teixeira, a quem coube preparar o documento de compra e venda em nome de Fernando Bittar. Um verdadeiro “batom na cueca”, como se diz no jargão policial quando há provas irrefutáveis de um crime.

A reforma de R$ 1 milhão

• O MPF afirma que Lula é o verdadeiro dono do sitio de Atibaia
• A propriedade, no entanto, está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de seu filho Lulinha
• O imóvel está avaliado em R$ 1, 5 milhão
• Mas, a pedido de Lula, a Odebrecht, a OAS e seu compadre José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,025 milhão para reformar a propriedade
• Lula diz que não é dono do local, mas nos últimos 6 anos esteve lá 270 vezes
• Em emails, o caseiro do sítio, Maradona, comunicava os seguranças de Lula até sobre a morte de “pintinhos” na propriedade
• Em buscas em seu apartamento, a PF encontrou uma minuta da escritura do sítio

'Perspectivas de outras denúncias são reduzidas', diz historiador

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 05h00

RIO - O sepultamento da denúncia por corrupção passiva apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer aponta um futuro melancólico para o País, afirma o historiador José Murilo de Carvalho, de 77 anos. Sob o “desencanto” que se refletiu nas ruas vazias durante a votação na Câmara nesta quarta-feira, 2, os brasileiros enfrentarão maior probabilidade de Temer encerrar sua gestão sob contestação permanente. “(Temer) Recupera a parte (da governabilidade) perdida com a denúncia. A perspectiva de que outras denúncias prosperem ficam reduzidas.” 

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PSDB delega a Temer destino de ministros

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Ao fechar um acordo sobre o processo de eleições internas no PSDB, os senadores Aécio Neves (MG) e Tasso Jereissati (CE), presidentes licenciado e interino respectivamente da sigla, delegaram ao presidente Michel Temer o destino de seus ministros tucanos. A legenda saiu rachada do processo de votação na Câmara dos Deputados sobre o prosseguimento da denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista.

“Vamos reavivar o partido. Se tem ministro (do PSDB no governo), se não tem ministro, isso é problema do presidente. Não é nosso problema”, afirmou Tasso durante entrevista coletiva no Senado ao lado de Aécio.

O senador mineiro também minimizou a permanência no governo Temer. “(Continuar no governo) é uma questão, para nós, absolutamente secundária. Essa questão de cargos e ministérios pertence ao presidente da República, que fará aquilo que achar mais adequado em relação aos cargos do PSDB. Isso não é uma preocupação que nós temos”, disse Aécio.

Agora o partido ficará focado em escolher seus dirigentes. Em encontro na casa do senador mineiro, em Brasília, horas antes da coletiva, Aécio fez um “apelo” para que Tasso continue à frente da sigla: “Ao meu ver, é a pessoa que tem as melhores condições (de conduzir o partido). Fiz a ele um apelo em nome da unidade do partido”. 

O senador mineiro deu “carta branca” ao colega para conduzir a renovação da sigla. “Em relação ao cronograma do PSDB acertado com o senador Tasso Jereissati, o PSDB fará, até o fim do ano, a renovação das suas direções municipais, estaduais, da sua direção nacional e apresentará o nome do seu pré-candidato à Presidência da República”, afirmou Aécio. Tasso ganha autonomia no comando do PSDB.

O acordo possibilitou também a Aécio continuar como presidente licenciado mesmo sendo denunciado em processo no Supremo Tribunal Federal. Antes do encontro, Tasso manifestava a interlocutores o interesse de entregar o cargo de interino por não concordar com as articulações paralelas de Aécio com o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Comemoração. A ala mineira da bancada do PSDB na Câmara, que sempre defendeu a manutenção da aliança com o governo, comemorou o compromisso. “Foi a superação de um momento delicado do partido. Eu acho que a gente vira uma página e vamos superar essa agenda do desembarque que imobilizou o partido”, disse o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos aliados de Aécio na Casa.

A avaliação dos cabeças pretas, movimento que defendia o fim da aliança, também foi positiva. O deputado Daniel Coelho (PSDB-PE) ligou para Aécio para elogiar o gesto pela “união do partido”. Na avaliação de alguns deles, manter Tasso no comando da legenda é uma sinalização de reverência. “É um gesto para todos nós que estamos pensando em sair do governo”, disse.

Alguns tucanos avaliam que o único derrotado teria sido o governador Geraldo Alckmin (SP), que atuou pela derrota do governo. Entre os deputados paulistas, 11 de 12 votaram pelo prosseguimento da denúncia. “Esse acordo entre Aécio e Tasso foi feito com o Alckmin. Ele teve participação direta e era um dos mais preocupados com a divisão do partido”, disse o deputado Silvio Torres (SP), principal aliado do paulista na Câmara e secretário-geral do PSDB.

 

Entre mortos e feridos I

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 03h00

Balanço da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer pela Câmara: o governo ganha um recomeço, o PSDB foi o que mais perdeu, o PT demonstrou que tem sobrevida, o DEM foi o maior vencedor. E o “povo”? Não estava nem aí.

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Entre mortos e feridos

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 03h00

Balanço da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer pela Câmara: o governo ganha um recomeço, o PSDB foi o que mais perdeu, o PT demonstrou que tem sobrevida, o DEM foi o maior vencedor. E o “povo”? Não estava nem aí.

A sensação não só no Planalto como em toda Brasília é que Temer vai enfrentar solavancos, mas conseguirá atravessar a pinguela, avançar na pauta legislativa e concluir o mandato. A questão é saber como Temer fica, com quem e para quê.

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