Falta de remédios ameaça dois milhões de pacientes no Brasil
Brasília - No dia 12 de março de 2019, um ofício do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) endereçado ao gabinete do ministro Luiz Henrique Mandetta avisava: a situação dos estoques públicos de medicamentos em todos os estados da federação é crítica.
O documento traçava um panorama do desabastecimento, problema que se arrasta há anos, mas se agravou nos primeiros meses do governo Jair Bolsonaro.
De um total de 134 remédios que são distribuídos obrigatoriamente pelo Ministério da Saúde, 25 estão com estoques zerados em todos os estados do país e outros 18 devem se esgotar nos próximos 30 dias.
O GLOBO analisou relatórios de dez secretarias estaduais de Saúde e outro documento do Conass encaminhados ao governo federal cobrando providências para o problema. De acordo com eles, o país vive a maior crise de sua História na oferta de medicamentos para o sistema público de saúde.
Como o Ceará perdeu o protagonismo no mercado de energia eólica no País

Pioneiro na geração de energia eólica - com a instalação dos primeiros geradores do País há cerca de 20 anos - e líder nesse mercado por quase 15, o Ceará é hoje o terceiro em potência instalada. Foi ultrapassado pelo Rio Grande do Norte e Bahia, que possuem condições climáticas semelhantes e ambiente considerado mais amigável a investidores.
Até 2014, o Estado liderava o segmento de geração eólica, com mais de 1 mil MW de potência instalada, superando a soma das capacidades do Rio Grande do Norte e da Bahia. Hoje, tanto o Estado potiguar (4.066 MW) como o baiano (3.934 MW) têm praticamente o dobro da capacidade do cearense (2.054 MW).
Grita por verbas - FOLHA DE SP
A sociedade se alarma com os efeitos da limitação da despesa do governo federal, imposta pela ruína orçamentária e formalizada pelo teto vigente desde 2017. A tensão da disputa por recursos minguantes tornou-se mais evidente.
Ainda que por meio de declarações desastradas do ministro da Educação, o público tomou conhecimento do corte expressivo de verbas nas universidades federais; na área da pesquisa científica, a reclamação também é grande; o censo demográfico de 2020 deverá ter alcance menor.
Empresários se frustram com a redução drástica dos recursos disponíveis para investimentos, no Minha Casa Minha Vida ou em obras viárias e de infraestrutura. O país atrasa compromissos com organismos internacionais.
A EBC continua / FOLHA DE SP
Definida por um ex-presidente, Larte Rimoli, como um "mastodonte", a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) conta neste ano com orçamento de R$ 600 milhões para sustentar um conglomerado formado por uma agência, emissoras de rádio e canais de televisão.
A estatal foi criada em 2007 por medida provisória, durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Com a missão de incorporar a estrutura de comunicação estatal já existente e liderar o chamado Sistema Público de Comunicação, nasceu em meio à cantilena do PT acerca do "controle social" da mídia —um eufemismo mal disfarçado para a vontade de restringir a liberdade de imprensa e proteger os governantes do jornalismo crítico.
Durante a campanha eleitoral do ano passado, o então candidato Jair Bolsonaro (PSL) aventou a possibilidade de extinguir a estatal de comunicação, o que parecia uma demonstração de coerência com a agenda privatizante de Paulo Guedes, o nome escolhido para comandar o Ministério da Economia.
Com quatro meses de governo, Bolsonaro já deu mostras suficientes de que sua adesão ao liberalismo é, no mínimo, tortuosa.
Declarações sobre temas sensíveis como a reforma da Previdência, o preço dos combustíveis ou a política de crédito dos bancos públicos já geraram instabilidade nos mercados financeiros e reforçaram a desconfiança dos agentes econômicos quanto às suas reais convicções no terreno econômico.
O presidente, como se noticiou, desistiu da ideia de fechar a EBC. Na realidade, em 1º de janeiro, dia da posse do novo governo, tal recuo já se esboçava no decreto 9.660, que passou a vincular a empresa à Secretaria de Governo —hoje sob o comando do general Carlos Alberto dos Santos Cruz.
Agora, como parte do que seria um processo de reorganização, o presidente da empresa, Alexandre Graziani, promove a contratação de militares para ocupar cargos diretivos e de assessoria.
Repete-se o que se observa em diversos ramos da máquina federal na atual administração, que tem escalado quadros ligados às Forças Armadas e à Polícia Militar para as mais variadas funções públicas. Tal disposição não deixa de lembrar os governos autoritários, em especial na década de 1970, que acolhiam vasto contingente de oficiais nas companhias estatais.
Durante o breve período de Michel Temer (MDB) na Presidência, a EBC passou por alguns ajustes de governança. Manteve-se, não obstante, inexpressiva e desnecessária como sempre foi e continua a ser --agora sob nova direção.
Devaneios - O Estado de S.Paulo
05 de maio de 2019 | 03h00
O governo de Jair Bolsonaro vem mantendo uma relação conflituosa com a realidade. O presidente e alguns de seus assessores, incluindo aí seus filhos, parecem incapazes de refletir de modo racional sobre os problemas do País. Suas reações indicam um consistente alheamento, situação em que referências concretas são ignoradas ou, pior, são consideradas um entrave para a realização de sua visão de mundo, ou um inimigo a ser enfrentado.
Nos devaneios de Bolsonaro, dos filhos e dos ministros do que se chama equivocadamente de ala “ideológica” do governo, a realidade é a inimiga a ser combatida, e com frequência o núcleo duro do poder bolsonarista trava essa guerra cultivando entre si fantasias sobre complôs de ateus esquerdistas, profecias apocalípticas e missões divinas.
Espetáculo x realidade
05 de maio de 2019 | 03h00
Você liga a televisão para saber o que acontece em sua cidade, no País e no mundo e é atropelado por galope verborrágico de notícias deprimentes ou lúdico/festivas. O que não emociona o povo também é noticiado, mas sem sensacionalismo.
Limitemo-nos ao Brasil, iniciando pelo quadro negativo: hospitais com pacientes nos corredores, falta de médicos e equipamentos avariados (o reparo, sempre já em licitação...). Atentados e vandalismo em escolas, mau estado de conservação e limpeza e falta de professores. Assaltos a caixas eletrônicos. Caos desumano no sistema presidiário. Miniassaltos no varejo das ruas. Salários atrasados e greves no serviço público (até na polícia) e em atividades vitais (como a dos caminhoneiros em 2018). Corrupção, violência (estupros...), drogas, tiroteios entre criminosos ou entre eles e a polícia – as vítimas inocentes, sempre atribuídas à polícia. Bailes funk com participantes portando fuzis. Acidentes e arrastões em estradas e ruas urbanas. Degradação ambiental, desastres naturais ou em razão de atuação humana (poluição, ruptura de barragens, alagamentos e desabamentos...). Queda na previsão do aumento do produto interno bruto (PIB) e aumento do desemprego. E por aí vai – angústia suficiente para o dia.

