Onde nos perdemos?
24 de junho de 2019 | 03h00
Vivemos tempos convulsionados. Quando começaram? Impossível determinar um ponto de partida que obtenha concordância sequer entre a nata dos estudiosos. Sobretudo se o olhar for global e recorrermos às ocorrências típicas de vários países. E não apenas os sempre decisivos fatos econômicos, mas também tendências sociais, culturais ou institucionais que se espraiaram em distintos ambientes societários. Algumas mudanças, de fina sutileza, se insinuaram nas frestas da interação humana e, quando assomaram, já eram comportamentos sociais estabelecidos com alguma rigidez.
Diretores de associação de cabos e soldados têm patrimônio milionário
O motorista estaciona o Volkswagen Tiguan na chácara com piscinas e campo de futebol em Itanhém, litoral paulista, às 12h17 da última quinta (13). O patrão, com uma lata de cerveja na mão, conversa com o caseiro enquanto retira do porta-malas equipamento de jardinagem.
O homem é um cabo aposentado que faz parte de um grupo de cinco policiais militares de São Paulo, integrantes da cúpula da Associação de Cabos e Soldados, que acumularam patrimônio milionário.
São bens estimados em R$ 11 milhões, apesar de os cabos e soldados da PM paulista ganharem um dos piores salários da categoria no país. Os cinco policiais dizem que acumularam o patrimônio trabalhando na PM e fazendo bicos.
Entre os bens deles estão sobrado na praia, apartamento de alto padrão, chácaras e veículos de luxo, inacessíveis à maioria dos cabos e soldados paulistas, que enfrentam dificuldades financeiras após anos sem reposição salarial.
O homem que desembarcava na chácara é o presidente da associação desde 1995, Wilson de Oliveira Morais, 65.
Além dele, integram o grupo quatro diretores, todos cabos aposentados, cujas aposentadorias líquidas variam de R$ 2.436,10 a R$ 5.678,62, e têm patrimônios estimados de R$ 1,5 milhão a R$ 2,9 milhões.
Populismo digital
18 de junho de 2019 | 03h00
Seguindo o compasso dos tempos, a edição de 2019 do Relatório de Notícias Digitais do Instituto Reuters focou no impacto das gigantes da tecnologia, como Google e Facebook, e em particular na ascensão do populismo.
Entre outros destaques, o Relatório aponta que houve pouco crescimento de pessoas que pagam por notícias na rede. Mesmo nos países de alta renda, a maioria paga apenas por uma única assinatura, e muitos optam por gastar com entretenimento ao invés de notícias. Ao mesmo tempo, a preocupação com a desinformação permanece alta, assim como a desconfiança em relação à imprensa: menos da metade dos entrevistados (49%) dizem confiar no veículo que eles mesmos usam. Por outro lado, 26% declararam ter começado a confiar em fontes mais “reputadas” de notícias.
Desaceleração de serviços evidencia a estagnação
18 de junho de 2019 | 04h00
Perdem força, mês após mês, os sinais de vitalidade do setor de serviços, como evidenciam as comparações em 12 meses: até fevereiro, havia alta de 0,7% do volume de serviços prestados em relação aos 12 meses anteriores, porcentual que caiu para 0,6% em março e para 0,4% em abril. A alta de 0,3% entre março e abril de 2019 nem de longe compensou a queda de 0,8% entre fevereiro e março e de 0,4% entre janeiro e fevereiro. Em resumo, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que se acentua o grau de estagnação da economia brasileira, já evidenciado pelos números da indústria e do comércio.
Antes de ir ao Senado, Moro ensaia no Ratinho.
Cada vez mais próximo das urnas de 2022 do que da poltrona de ministro do Supremo que deve ser desocupada em novembro de 2020, quando o decano Celso de Mello se aposentar, Sergio Moro vai se tornando um típico político brasileiro —do tipo que o Barão de Itararé definiria como um sujeito que vive às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas.
Aos pouquinhos, Moro torna claras como a gema as explicações sobre as mensagens que saltam do celular para as manchetes. Começou dizendo que não havia nos diálogos com a turma da Lava Jato "qualquer anormalidade" capaz de colocar em dúvida sua isenção na época em que dava expediente como juiz. No final de semana, como qualquer político em apuros, exigia a apresentação do material a uma "autoridade independente", para a checagem de sua autenticidade.
Se a Lava Jato ensinou alguma coisa a Moro é que não se faz uma omelete sem quebrar os ovos. Durante quatro anos e meio, o então juiz da 13ª Vara de Curitiba tomou gosto pelo crec-crec das cascas que ele ajudou a quebrar. Agora, Moro sente na pele o ruído. Ele se esforça para abafar o barulhinho da própria casca se quebrando.
Moro já não é o mesmo ex-juiz de ontem. E vive a síndrome do que está por vir. Torcedor do Maringá, vestiu a camisa do Flamengo na semana passada. Na quarta-feira, dará explicações à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Nesta segunda-feira, ensaiou a língua numa gravação do Programa do Ratinho. O ex-juiz, não há dúvida, virou um típico político brasileiro. Grosso modo falando.
Governo deve remanejar verba do FGTS para Minha Casa, Minha Vida
O governo federal deve publicar nos próximos dias uma portaria que remaneja o uso do FGTS para o Minha Casa, Minha Vida. A medida será necessária para destravar repasses que foram suspensos, principalmente para projetos no estado de São Paulo.
Empreendimentos paulistas consumiram mais recursos que o previsto no primeiro semestre. Desde pelo menos sexta passada (14), não há mais dinheiro para novos projetos e para o subsídio fornecido a pessoas físicas que compram os imóveis nas faixas 1,5, 2 e 3 do MCMV.
O Ministério do Desenvolvimento Regional afirma, em nota, que até sexta-feira (21) deve publicar o remanejamento. Também é aguardada para as próximas semanas uma portaria que detalhe como será aplicado o montante de R$ 1 bilhão aprovado pelo Congresso na semana passada para o programa.
Apesar do impasse, empresários podem ficar mais tranquilos hoje do que há um ano, segundo Ronaldo Cury, vice-presidente no Sinduscon-SP (sindicato da construção). “Hoje temos certeza que o MCMV vai continuar. O recado que temos passado ao setor é ‘vamos, mas com cautela’”, diz ele

