Os escombros da oposição - POR MERVAL PEREIRA / O GLOBO
Quando, no início do debate sobre a reforma da Previdência, o deputado Paulinho da Força, líder do Solidariedade, disse que os deputados aprovariam uma reforma que não ajudasse o presidente Bolsonaro a se reeleger, estava fazendo um sincericídio ao mesmo tempo revelador e incoerente.
Revelador da velha política de raiz, que só pensa nos seus interesses pessoais. Incoerente porque, se aprovar a reforma daria a Bolsonaro condições de se reeleger, é que ele a considerava boa para seus representados, os trabalhadores.
Líder sindical que disputa com a CUT o campo do trabalhismo, Paulinho da Força se caracteriza por uma atuação oportunista, e parece ter perdido o freio, não distingue mais o que só deve pensar, e não dizer.
No decorrer do processo de negociação da reforma da Previdência, descobriu-se que o pensamento de Paulinho refletia talvez o pensamento médio do plenário da Câmara, e se não fosse o trabalho de Rodrigo Maia, inclusive junto ao próprio Paulinho, a votação teria sido mais difícil.
O poder dos privilegiados
José Nêumanne / O ESTADO DE SP
13 de julho de 2019 | 13h05
Maia foi endeusado por colegas e jornalistas na aprovação da reforma, mas não enfrentou o poder das corporações na dos destaques. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil
Quem anda por aí endeusando Rodrigo Maia por causa da aprovação histórica do texto-base da reforma da Previdência na Câmara ainda não achou uma boa justificativa para a aprovação, sob a mesma presidência, dos privilégios que desidrataram a economia prevista na proposta original do governo de mais de R$ 1 trilhão. A nova Previdência continua uma grande conquista, mas o cidadão oprimido pelas castas tem uma luta longa e árdua pela frente. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.
Comissão da Câmara dá aval a texto e projeto da reforma vai a 2º turno em 6 de agosto
A comissão especial avalizou, na madrugada deste sábado (13), proposta aprovada em primeiro turno no plenário da Câmara dos Deputados. O texto agora será apreciado em segundo turno pelos parlamentares a partir de 6 de agosto, aonde chega com economia estimada em R$ 900 bilhões em dez anos.
Na comissão, que conta com 49 membros titulares, as discussões foram bem mais rápidas: começaram às 20h45 e terminaram às 00h24. A nova versão do texto foi aprovada por 35 votos a favor e 12 contrários —havia 47 presentes. Na semana passada, quando foi encaminhada para votação em primeiro turno no plenário, o placar foi de 36 a 13.
Para agilizar o processo, o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), substituiu o tempo de leitura do relator, de uma hora, pelo debate entre os parlamentares.
Esmagadora maioria do PDT defende expulsão de Tabata e outros ‘rebeldes’, diz Lupi
12 de julho de 2019 | 15h53
BRASÍLIA – O PDT divulgou nesta sexta-feira, 12, em sua página na internet e em redes sociais, um vídeo da convenção do partido, em 18 de março, que aprovou o fechamento de questão contra a reforma da Previdência apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro. A deputada Tabata Amaral (PDT-SP), que na última quarta-feira, 10, votou a favor das mudanças na aposentadoria, estava presente ao encontro, realizado em Brasília.
A gravação (veja o vídeo abaixo) mostra Tabata, sorridente, ao lado do presidente do PDT, Carlos Lupi, que comandava os trabalhos. Na sequência, há um corte na imagem e Lupi aparece perguntando aos convencionais quem era favorável a fechar questão contra a reforma da Previdência. Todos levantaram os crachás e a proposta foi aprovada por unanimidade.
Perigos de uma campanha precoce
12 de julho de 2019 | 03h00
A reforma da Previdência e o acordo comercial com a União Europeia são dois temas que podem animar a economia. Mas não se pode superestimá-los. Um trabalho de reconstrução demanda um trabalho diuturno.
O clima de campanha política não é o melhor para desenvolver essas tarefas. Bolsonaro falou duas vezes em concorrer de novo em 2022. Espera entregar um País melhor em 2026, mas parece ignorar que passará pelo grande julgamento no final do primeiro mandato.
O vazamento entrou na campanha. Moro decidiu por uma saída política, contando com a ambiguidade: os diálogos podem ou não ser verdadeiros. Bolsonaro abraçou a Lava Jato com o mesmo entusiasmo com que levantou a taça da Copa América.



