Coronavírus: associação solicita reabertura de cartórios
A Associação dos Notários e Registradores do Estado do Ceará (Anoreg/CE) pediu formalmente à Corregedoria Geral de Justiça do Estado a reabertura dos cartórios após a decisão de adiamento em mais uma semana do estado de emergência anunciada nesse sábado (28) pelo governador Camilo Santana como medida protetiva no combate ao novo coronavírus.
[Atualização às 20:10] O Sistema Verdes Mares noticiou anteriormenteque a Anoreg/CE entrou com pedido de liminar na Justiça. A informação correta é que a associação fez um pedido administrativo à Corregedoria Geral de Justiça do Estado.
No documento, a associação ressalta que os serviços prestados pelos cartórios são essenciais, como a lavratura das escrituras de procurações e testamentos. Ela ainda aponta os impactos econômicos que o fechamento causará tanto para os titulares concursados como para o próprio Tribunal de Justiça.
Desde o último dia 20, por determinação da Corregedoria Geral de Justiça do Estado, os cartórios têm funcionado em regime de plantão apenas para atender casos urgentes previstos em lei.
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De acordo com o pedido de liminar, alguns estados continuam com o atendimento presencial, como São Paulo e a Paraíba, mas com horário reduzido conforme o Provimento n° 91 de 22 de março de 2020 do Conselho Nacional de Justiça.
A associação destaca ainda a grande procura da população dos serviços extrajudiciais, "frente à necessidade de realização de atos essenciais para a manutenção das atividades econômicas no País".
ATUALIZAÇÃO: Segundo a Anoreg/CE, a corregedoria editou na tarde de hoje (29) provimento reconhecendo ser imprescindível que se tenha acesso a atos como procuração, lavratura de testamentos, reconhecimentos de firma e outros serviços.
"Isto regulado com todos os cuidados, tais como pré-atendimento virtual, tempo mínimo de permanência nas serventias, horário de atendimento reduzido", informou a associação em nota.
Decisão do Governo
No decreto, em vigor desde o dia 20 de março, foi determinado o fechamento de estabelecimentos comerciais, com exceção dos serviços essenciais. No dia 24 deste mês, o governo ampliou a permissão de abertura de algumas empresas no Estado, entre as quais oficinas, indústrias do ramo têxtil e alimentar, empresas prestadoras de serviços de mão-de-obra terceirizada e da área de logística, bem como centrais de distribuição estão autorizadas a funcionar. DIARIONORDESTE
Em 84% das mortes provocadas por Covid-19 no Brasil, o paciente tinha doenças preexistentes
Balanço do Ministério da Saúde mostra que 84% das mortes no Brasil por coronavírus são de pessoas com ao menos um fator de risco, como doenças preexistentes.
Doenças cardíacas e diabetes foram as doenças associadas mais frequentes — estavam presentes em 71 e 50 pessoas que morreram, respectivamente. Em seguida, aparecem as pneumopatias (22) e doença neurológica (12).
Os dados da Saúde levam em conta 120 dos 136 óbitos registrados no país. Os 16 casos não analisados ainda estão em investigação dos técnicos da pasta.
O número de mortes de Covid associados a quadro de doenças pré-existentes é de 100 dentro do universo observado.
A análise foi feita com base no boletim divulgado pelo Ministério da Saúde no domingo (29), quando o país registrou 4.256 casos da doença.
O balanço mostra ainda que nove em cada dez pessoas que morreram por coronavírus no Brasil tinham mais de 60 anos. Também houve mortes em outras faixas etárias.
Entre os 120 casos, 108 foram de pessoas acima de 60 anos, sete de pessoas entre 40 a 59 anos e cinco entre pessoas de 20 a 39 anos.
Não há registro de óbitos de pessoas com menos de 20 anos.
Ainda de acordo com o ministério, 60,8 % das mortes ocorreram em homens e 39,2 % em mulheres.
O número de hospitalizações relacionadas a problemas respiratórios chegou a 15.630 casos desde janeiro. Desses, 625 (4%) são ligados ao Covid-19.
Pioneiro no uso de cloroquina contra coronavírus, médico francês é alvo de controvérsia

Enquanto diversos países discutem a utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus, um dos pioneiros no uso do medicamento no mundo, o médico infectologista francês Didier Raoult, tenta convencer as autoridades quanto à eficácia da substância no tratamento da Covid-19.
O método, no entanto, gera controvérsias na França, e o governo local fez restrições ao remédio até que mais testes comprovem resultados de sucesso diante da pandemia.
Diretor do Instituto Hospital Universitário Méditerranée Infection (IHU), na cidade de Marselha, o professor Raoult é microbiologista, especialista em doenças infecciosas e um dos médicos mais renomados da área. Filho de um militar e uma enfermeira, ele nasceu em 1952 em Dakar, capital do Senegal, se mudou com a família para Marselha em 1961 e, hoje aos 68 anos, acumula diversos estudos e pesquisas, publicações e prêmios.
Porém, a excelente reputação científica não impede neste momento que ele seja fortemente contestado por parte da comunidade médica.
Na última segunda (23), em entrevista à imprensa, o ministro da Saúde da França, Olivier Véran, limitou o uso da cloroquina a pacientes em estado grave de Covid-19 e estritamente com acompanhamento médico. Paralelamente a esta medida, o Alto Conselho de Saúde Pública desenvolveu um projeto para diferentes especialistas testarem a prática de Raoult em outros hospitais, antes de dar um veredito final sobre a utilização.
Durante a semana, o tema movimentou debates no país, e Raoult esteve no centro das atenções. Diversos veículos de imprensa franceses publicaram reportagens mostrando os dois lados e fazendo um contraponto, com opiniões e análises de médicos, profissionais da saúde e políticos.
“Gênio ou charlatão?” Esta foi a forma como algumas manchetes, como da BFM TV e da RFI, se referiram a Raoult. Até o visual com barba e longos cabelos brancos, mais parecido com o de um “roqueiro”, foi motivo de críticas.
Além da dúvida quanto à real eficiência da substância contra o coronavírus, os maiores questionamentos são sobre o pequeno número de pacientes testados até agora e possíveis efeitos secundários tóxicos, como náusea, diarreia e até taquicardia e problemas cardiovasculares.
Procurado pela reportagem para falar sobre o assunto, Raoult gravou um vídeo divulgado pelo IHU para responder às principais perguntas feitas por jornalistas de várias nacionalidades.
“Sobre a toxicidade, todo mundo está ficando louco. Isso se trata de mais um fantasma, que eu não sei de onde vem. Mas, enfim, a hidroxicloroquina (um derivado da cloroquina) já foi prescrita para milhões de pessoas que tomam isso durante 30 anos. Isso é um veneno? É absolutamente uma ilusão.
Justamente no momento que a gente precisa dele, descobrimos que é um veneno? Isso é absolutamente surpreendente. Isso não faz sentido”, rebateu Raoult, que se mostrou satisfeito ao saber que outros países também estão testando e receitando o medicamento que ele tanto defende.
“Eu vejo que a FDA [Food and Drug Administration] nos Estados Unidos, que é uma organização extremamente séria, deu sinal verde para tratar os nova-iorquinos com a hidroxicloroquina e a azitromicina. Eu estou super contente que outras equipes querem trabalhar com isso também, em Oxford, uma equipe na Tailândia quer fazer um estudo de avaliação em 10 mil pessoas da profilaxia, os americanos, na Espanha também”.
Usada no tratamento de malária, artrite reumatoide, lúpus e doenças inflamatórias, a cloroquina é um medicamento que faz parte do trabalho de Raoult há décadas.
No combate ao coronavírus, após estudos preliminares de pesquisadores na China, o médico francês utiliza a substância em conjunto com um antibiótico, a azitromicina. Para ele, essa combinação teria impacto significativo na diminuição da carga viral no sangue dos infectados.
Segundo os dados apresentados por ele, no primeiro teste feito em 24 pacientes em Marselha, 75% dos infectados com o vírus se curaram e não poderiam mais transmitir o Sars-CoV-2 após seis dias de tratamento, enquanto apenas os 25% restantes continuaram tendo testes com resultado positivo e sendo contagiosos. O tempo de recuperação foi bem menor do que os 20 dias que especialistas afirmam que a carga viral fica ativa.
Como base de comparação, ele apresentou um outro grupo de pessoas, das cidades de Nice e Avignon, que não foi tratado com o remédio e teve como resultado apenas 10% de curados no mesmo período.
“Primeiro, os chineses reportaram que tinham utilizado a cloroquina. Então, nós propusemos de refletir e passar a ação no tratamento dos pacientes com coronavírus. É um medicamento que eu conheço muito bem, porque a gente inventou o tratamento de doenças infecciosas bacterianas intracelulares com a hidroxicloroquina em associação à azitromicina. Então, nós propusemos rapidamente de cuidar dos pacientes infectados com coronavírus com a hidroxicloroquina, com a posologia que eu conheço, que pratico há 25 anos, que é de 600 miligramas por dia”, explicou.
Após ignorar ministro, Bolsonaro diz ter vontade de baixar decreto para população poder trabalhar

Na contramão das orientações do Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro conclamou as pessoas a voltarem para as ruas para trabalhar e disse neste domingo (29) estar com "vontade" de fazer um decreto para liberar todas as atividades.
"Eu estou com vontade, não sei se eu vou fazer, de baixar um decreto amanhã: toda e qualquer profissão legalmente existente ou aquela que é voltada para a informalidade, se for necessária para levar o sustento para os seus filhos, para levar leite para seus filhos, para levar arroz e feijão para casa, vai poder trabalhar", afirmou.
Questionado se o texto já estava em estudo, Bolsonaro afirmou que havia acabado de pensar na ideia, enquanto falava com jornalistas na porta do Palácio da Alvorada.
"Alguns querem que eu me cale. 'Ah, siga os protocolos, quantas vezes o médico não segue o protocolo? Por que que ele não segue? Porque tem que tomar decisão naquele momento. Eu mesmo, quando fui operado em Juiz de Fora, se fosse seguir todos os protocolos, fazer todos os exames, morrido", disse o presidente ao voltar ao Alvorada após fazer um giro pelo comércio do Distrito Federal.
Ele justificou sua ida a pontos de comércio local, como em Taguatinga e Ceilândia, cidades satélites da capital federal, como uma forma de "ouvir o povo" sobre os problemas do Brasil.
"Se eu não ouvir o cara falar que está na banana, como é que eu vou me sentir para poder agir?", disse.
Durante sua fala, o presidente endereçou recados aos que se queixam de seus gestos, mas não mencionou nomes, afirmou apenas que o vírus existe e é preciso enfrentar a realidade.
"Se você não estiver trabalhando aqui vai estar de casa. Ou vão estar de férias ou vão estar demitidos. Essa é uma realidade. O vírus esta aí, vamos ter que enfrentá-lo. Vamos enfrentar como homem, pô, não como moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade, todos nós vamos morrer um dia", afirmou.
Para sustentar seu argumento de que o isolamento é prejudicial, Bolsonaro citou, sem apontar números, um aumento da violência doméstica.
"É só mostrar isso, tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão todos brigam e ninguém tem razão. Como que acaba com isso? O cara quer trabalhar, meu Deus do céu, é crime agora isso?"
Ele falou ainda em "casos absurdos" como a detenção de pessoas que estavam passeando pela praia. Segundo o presidente, trata-se de um local "seguro" por ser aberto.
A orientação das autoridades e médicas é de desestimular que as pessoas frequentem locais públicos, como praias, parques e praças, para evitar aglomerações que favoreçam a disseminação do novo coronavírus.
A decisão de Bolsonaro de fazer um passeio pelo Hospital das Forças Armadas e comércios do DF foi tomada depois de ele ficar irritado com repercussão de notícias de que seus ministros estavam fazendo pressão para que ele amenize o tom sobre o novo coronavírus e siga as orientações do Ministério da Saúde.
O presidente ficou incomodado ao ler que estava sendo "enquadrado" por seus subordinados.
O tema foi levado ao presidente por um grupo de ministros no Alvorada em reunião no sábado (28). Em uma conversa tensa, partiu do próprio titular da Saúde, Henrique Mandetta, alertar o presidente sobre os riscos que o país pode enfrentar se houver uma normalização das atividades.
Criticadas por ministro, carreatas anticonfinamento alinhadas com Bolsonaro se repetem pelo país

Manifestantes repetiram em algumas cidades do país neste domingo (29) carreatas com pedidos de suspensão de medidas anticonfinamento (como fechamento de comércio e escolas) adotadas por alguns estados em meio à pandemia do coronavírus.
Criticadas pelo ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e impulsionadas por discurso do próprio presidente Jair Bolsonaro, uma das carreatas passou por grandes avenidas de São Paulo, como a Paulista, e foi recebida com panelaços de prédios e gritos de "Fora, Bolsonaro" no centro.
Assim como nos últimos dias, uma marca dos atos é a presença dos manifestantes sempre dentro de seus carros, em meio à pandemia que já matou 136 pessoas no país até este domingo.
Em 24 horas, 22 pessoas morreram em decorrência da Covid19. No sábado, eram 114 mortes. O país registra 4.256 casos da doença.
Na semana passada, o próprio presidente postou em sua conta em rede social o vídeo de uma carreata realizada em Balneário Camboriú (SC) contrária ao isolamento social, uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Já neste domingo, Bolsonaro conclamou as pessoas a voltarem para as ruas para trabalhar e disse estar com "vontade" de fazer um decreto para liberar todas as atividades.
"Eu estou com vontade, não sei se eu vou fazer, de baixar um decreto amanhã: toda e qualquer profissão legalmente existente ou aquela que é voltada para a informalidade, se for necessária para levar o sustento para os seus filhos, para levar leite para seus filhos, para levar arroz e feijão para casa, vai poder trabalhar", afirmou Bolsonaro.
Salvador também teve carreata na manhã desse domingo. O grupo de manifestantes pedia a volta do funcionamento do comércio e o fim do isolamento social.
O buzinaço durou cerca de duas horas. Partiu da Boca do Rio, passou pela orla e por locais como a avenida Manoel Dias da Silva e seguiu em direção ao Farol da Barra, onde os participantes encerraram o ato no início da tarde.
Outro ato foi realizado ainda no sábado (28), em Caruaru (PE), que teve buzinaço pelas principais ruas da cidade. Assim como em Salvador, os manifestantes pediram o fim das medidas estipuladas pela quarentena. Os atos são contrários às recomendações feitas pelas autoridades de saúde, que defendem o isolamento social como medida para evitar a rápida propagação do novo coronavírus.
Chuvas formam fortes quedas d'água na Cachoeira de Missão Velha; água segue para o Castanhão
As chuvas da última semana mudaram a paisagem da Cachoeira de Missão Velha, no município homônimo, um dos cartões-postais da região do Cariri. A confluência das águas que formam o Rio Salgado compõe três quedas d’água de aproximadamente 12 metros de altura. O recurso hídrico contribui com o aporte do açude Castanhão, que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Chuvas formam fortes quedas d'água na Cachoeira de Missão Velha; água segue para o Castanhão https://bit.ly/2UKTz6j
Nos quatro principais territórios que formam as águas que caem na Cachoeira de Missão Velha choveu acima de sua média histórica, neste mês de março. Em Crato, foram 439 milímetros, até agora, o que representa 78,8% acima de sua média (245,6 mm). Já em Juazeiro do Norte, registrou 430 milímetros, número 81% acima (237,5 mm).


