Busque abaixo o que você precisa!

Bastidores: Bolsonaro acha que Maia ligou 'bomba relógio' e Congresso prepara troco

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 06h06

BRASÍLIA - O mais duro ataque público do presidente Jair Bolsonaro a Rodrigo Maia (DEM-RJ), na noite de quinta-feira, 16, pode custar caro ao governo. O novo capítulo do duelo entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, após a demissão do ministro da SaúdeLuiz Henrique Mandetta, tem como pano de fundo o programa de socorro a Estados e municípios, no valor de R$ 89,6 bilhões. A briga, no entanto, vai muito além dessa cifra.

Convencido de que Maia quer não apenas derrubá-lo como fazer uma manobra para ser reeleito ao comando da Câmara, em 2021, Bolsonaro iniciou, nas últimas semanas, uma rodada de conversas com dirigentes do Centrão. No novo modelo de articulação política planejado pelo presidente, as negociações do Planalto com o Congresso, a partir de agora, serão feitas com deputados e senadores.

Jair Bolsonaro Rodrigo Maia
Ao lado do deputado federal Rodrigo Maia, presidente Jair Bolsonaro discursa no Congresso Nacional. Foto: Nelson Almeida /AFP

Antes carimbados como “velha política”, líderes de legendas como PP, PR e PSD foram chamados para encontros reservados com Bolsonaro. Isolado, o presidente pediu ajuda a todos eles para a votação de projetos que possam amenizar a crise social e econômica provocada pela pandemia do coronavírus.

Na avaliação de Bolsonaro há uma “bomba-relógio” fiscal em curso, armada por Maia, com o objetivo de ferir de morte sua gestão. “Parece que a intenção é me tirar do governo. Quero crer que eu esteja equivocado”, disse o presidente, na noite desta quinta-feira, em entrevista à CNN Brasil. “Qual o objetivo do senhor Rodrigo Maia? Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca. (...) Está conduzindo o País para o caos”, emendou.

Dois dias antes, Maia já havia reclamado dos “coices” dados pelo governo. Desta vez, porém, mudou o linguajar e falou em pedras. “Ele joga pedras e o Parlamento vai jogar flores”, afirmou o deputado. 

Leia mais...

Já quase sabemos o que a China fez em dezembro passado

Todo mundo errou, todo mundo pisou na bola. E não foram só políticos, não. 

Cientistas irromperam em plena epidemia com modelos espantosamente errados. 

A Organização Mundial de Saúde, com uma tradição tão nobre e tão confiável, virou um gatinho angorá aninhado no colo chinês. 

Donald Trump, como sempre, disse loucuras. Continua a dizer –  e algumas delas, inclusive, correspondem à verdade.

Sobre a China, origem do vírus maldito, alguns fatos e análises podem ajudar a começar a desvendar o que aconteceu por trás da muralha de mentiras, perturbadoramente entremeada por feitos médicos e científicos reais, além exemplos de sacrifício e coragem.

É importante distinguir entre o que fez o regime, de errado ou também de certo, e os chineses comuns, excluídos da esfera do poder, bombardeados por uma doença desconhecida em escala esmagadora.

Alguns dos itens que vale a pena levar em consideração:

1- “Os seis dias que dobraram o mundo”. Assim poderia ser definida a essência de uma extraordinária reportagem da agência Associated Press que documenta o período crítico , entre 14  e 20 de janeiro em que a alta cúpula chinesa já tinha todas as informações sobre o tamanho e o potencial arrasador da epidemia.

Tudo foi mantido sob estrito segredo, interno e, evidentemente, externo. Em Wuhan, depois cognominada, para efeitos propagandísticos, de “cidade heroica”, a prefeitura deu um banquete coletivo para dezenas de milhares de pessoas.

Calcula-se, com base nos documentos obtidos pela AP que reconstituem o avanço da epidemia, que quando o presidente Xi Jinping falou ao país – e ao mundo -, ainda em termos bem contidos, cerca de três mil pessoas já estavam infectadas.

Antes desse período, de 5 a 17 de janeiro, centenas de pacientes foram internados em Wuhan com a estranha pneumonia. Provavelmente, as autoridades locais impediram a propagação da notícia, receando que cortassem a cabeça dos mensageiros.

No dia 2 de janeiro, oito médicos foram judicialmente repreendidos, em cenas transmitidas pelas televisão.

Secretamente, a partir de 13 de janeiro, quando foi confirmado um caso na Tailândia, prova irrefutável da transmissão pessoa a pessoa, foi criada uma comissão para apressar preparativos.

Obedeciam ao nível 1 de urgência e incluíam distribuição de kit de testes, supervisão de laboratórios, orientações a médicos sobre protocolos de diagnósticos, treinamento do pessoal de saúde e outras medidas como medição em massa de temperatura. Tudo na moita.

Uma “fonte médica” passou para a AP a transcrição de uma teleconferência com Xi Jinping e outros figurões em que o diretor da Comissão Nacional de Saúde, Ma Xiaowei, avisava: “A situação da epidemia é grave e complexa”.

Uma das maiores preocupações era o feriadão de duas semanas, o único da China, coincidindo com o ano-novo lunar, e seu oceânico movimento de viagens.

No meio disso tudo, disse a Organização Mundial de Saúde” “Não há evidência de transmissão de pessoa para pessoa “ (14 de janeiro). No dia 23, seu diretor, Teddros Adhamon, ex-ministro da Saúde da Etiópia, elogiou a “cooperação e a transparência” da China.

2- As informações sobre a nova epidemia remontam ao começo de dezembro ou até antes.

“Durante 40 dias, o Partido Comunista Chinês de Xi Jinping escondeu, destruiu e inventou informações sobre a disseminação desenfreada da Covid-19 através do sistema de vigilância e informação em massa, a distorção da informação, o silenciamento e a criminalização da dissensão”.

Algum abominável associado da direita trumpista disse isso? Não, o Centro Raoul Wallennberg para os Direitos Humanos, baseado no Canadá.

 

“Quarenta dias de silêncio e repressão custaram à Itália – o epicentro europeu da pandemia de Covid-19 – uma taxa de mortalidade de 12%, mais do que o dobro da China, seguida pela Espanha com taxa de mortalidade de 9%. Os Estados Unidos, cuja liderança presidencial tem deixado a desejar, se transformou agora no novo epicentro”.

3- E os números? As suspeitas vão desde a quantidade de urnas funerárias contendo as cinzas das vítimas de Wuhan – baseados em depoimentos impressionistas, mas impressionantes – até levantamentos da CIA.

“A CIA tem alertado a Casa Branca desde pelo menos o começo de fevereiro que a China subnotificou amplamente as infecções por coronavírus e suas contagens não são confiáveis para os modelos de previsão”. A reportagem é do New York Times.

Disse, no começo do mês – quase uma era geológica – a epideomiologista Debora Birx, da força-tarefa da Casa Branca: “A comunidade médica interpretou  assim os dados da China: isso é sério, mas menor do que imaginávamos”.

Leia mais...

Bolsonaro minimiza a pandemia e Guedes ‘não é sério’, diz Rodrigo Maia

rodrigo maia mariz 2016 666.jpg

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está em rota de colisão com o chefe da equipe econômica, Paulo Guedes. O motivo é o seguinte: em meio à pandemia de coronavírus, o “primeiro-ministro”, como o deputado é chamado por colegas, está prevalecendo sobre o “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro na elaboração de medidas destinadas a atenuar os efeitos econômicos da crise. O mais recente embate entre os dois envolve o projeto de socorro financeiro a estados e municípios. Guedes tachou a proposta defendida pelo parlamentar de bomba fiscal e disse que, se aprovada, teria um impacto de 285 bilhões de reais. Deixando o tom moderado de lado, Maia afirma que o ministro está distribuindo informação falsa à sociedade. E emenda, num ataque frontal: “Ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas”. O deputado também critica o presidente da República, que estaria empenhado em segurar a ajuda financeira a governadores como forma de enfraquecê-los, especialmente aqueles que podem disputar com ele o Planalto em 2022. A seguir os principais trechos da entrevista, concedida por videoconferência, como manda a cartilha em tempos de distanciamento social.

Como o senhor avalia a atuação do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia de coronavírus? O presidente minimiza o problema, o que pode ter consequências enormes num país continental como o Brasil. Outro dia, ele disse numa live que teríamos menos mortes com o novo coronavírus do que com a H1N1, o que, em poucas semanas, foi desmentido pelos dados oficiais. O presidente segue a linha daqueles que, em outros países, entenderam que o custo do não isolamento era menor que o custo do isolamento. A diferença é que a maioria dos governantes que seguiram esse caminho já recuou. A postura de Bolsonaro de minimizar a pandemia levou a equipe econômica a demorar muito tempo para se convencer de que o impacto seria grande. Essa postura também provoca conflitos.

Que tipos de conflito? Todos os problemas enfrentados pelo presidente são resultado de seu diagnóstico errado. Todos os conflitos partem de uma divergência dele com a maioria da sociedade brasileira. É uma coisa estranha porque parece que o Bolsonaro sai da posição de presidente e fica sendo o comentarista e crítico, como se não tivesse responsabilidade sobre determinada decisão ministerial. Outro dia, a esposa do ministro Sergio Moro postou um apoio a Mandetta e, depois, o apagou. Há um mal-estar não só com o Ministério da Saúde, mas com o segmento mais racional do governo.

O senhor disse recentemente que o governo dá coice. Toda vez que você diverge, como ocorreu em relação ao Ministério da Economia, o governo parte para o ataque. Em vez de fazerem um debate transparente e sério, o ministro (Paulo Guedes) e sua equipe passam informações falsas à sociedade em relação ao que deve ser a crise de estados e municípios nos próximos meses. Da forma como Guedes faz, a impressão que dá é que ele quer impor a posição dele — e, numa democracia, isso não existe. Tínhamos uma proposta de como ajudar estados e municípios, fomos convencidos de que parte dela estava equivocada, mudamos o texto e aprovamos uma versão muito equilibrada. Chegou a ponto de ele dizer que o impacto do projeto pode ser de 285 bilhões de reais. Sabe o que significa? Queda de 100% na arrecadação do ICMS e do ISS. Se ele acha que pode ser isso, o que não será nunca, está dizendo que a crise é muito mais grave do que estamos imaginando. Ou seja: ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas.

Leia mais...

Sem Mandetta, Bolsonaro planeja mudança arriscada no combate à Covid-19

BOLSONARO E O POVO

Não foi exatamente uma surpresa. Fazia tempo que Jair Bolsonaro ameaçava demitir Luiz Henrique Mandetta do cargo de ministro da Saúde e dar uma guinada na estratégia de reação à pandemia do coronavírus. O presidente foi convencido por militares a adiar a decisão por enquanto, mas as divergências foram maiores. Na tarde da quinta 16, depois de conseguir algum consenso dentro do governo e o nome do oncologista Nelson Teich para substituí-lo, Bolsonaro finalmente mandou Mandetta embora. Por trás do desligamento do ministro, um aspecto maior: o governo vai mesmo flexibilizar a quarentena. E pretende fazer isso o mais breve possível, antes mesmo da chegada do período de pico da Covid-19 ao Brasil (o que, segundo as estimativas mais recentes, acontecerá nos meses de maio e junho). Com a troca, o objetivo é incentivar uma retomada mais rápida da atividade econômica, para atenuar a queda do PIB neste ano, que poderá chegar a 5%. O temerário plano, que desconsidera as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) neste estágio da pandemia, pretende implantar um isolamento seletivo da população. Isso significa que apenas os infectados e pessoas dos grupos de risco, como idosos, devem ficar em casa. As demais poderão retomar suas atividades, desde que usem máscara de proteção e álcool em gel.

“JÁ CHEGA, NÉ?” - Mandetta: o governo resistiu em arcar com o desgaste político de demitir o ministro José Dias/PR

Embora a ciência e as estatísticas mostrem que este ainda não é o momento, o governo quer adotar a quarentena apenas em pontos geográficos com maior concentração de casos suspeitos, e não mais obrigar uma cidade inteira a ficar em casa. Assim, municípios e regiões industriais voltariam a funcionar normalmente, mesmo com determinadas zonas interditadas. O presidente e seus auxiliares reclamam do excesso de medidas restritivas de governadores e prefeitos, que teriam travado até mesmo polos industriais que não haviam apontado casos de contaminação pelo novo coronavírus. Um oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que acompanha a evolução do vírus, ouvido por VEJA, diz que a orientação do Ministério da Saúde em favor do isolamento, seguida por governadores e prefeitos, provocou paralisação em cidades como Jandaia do Sul e Cambé, no Paraná, e Patrocínio, em Minas Gerais, antes mesmo da chegada da doença. “O vírus não chegou a 80% das cidades brasileiras, mas grande parte delas sofre um verdadeiro lockdown”, diz ele. A avaliação (que despreza o fato de que, dessa forma, o vírus vai chegar nesses lugares) é que é possível reativar com segurança parte da produção. “Estamos estudando como diminuir o impacto da pandemia na economia e, ao mesmo tempo, começar a impulsionar o crescimento”, disse um assessor da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

DOSSIÊ - Braga Netto: investigação de supostas irregularidades e má gestão no Ministério da Saúde, como a compra de respiradores que não funcionam Marcello Casal Jr./Agência Brasil/FAB/Divulgação

Leia mais...

Não haverá ‘cavalo de pau’ em quarentena, diz Bolsonaro ao lado de Teich

BOLSONARO E NELSON TRICH

Ao lado de Jair Bolsonaro na tradicional live de quinta-feira no Facebook, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, procurou novamente, como havia feito na entrevista à tarde logo após ser convidado, mostrar que está alinhado ao presidente nas estratégias para combater o avanço do novo coronavírus.

Antes de passar a palavra ao novo titular da Saúde, Bolsonaro agradeceu ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, mas disse que a “linha dele (Mandetta) era voltada quase que exclusivamente para a questão da vida”, sem levar em conta os efeitos do isolamento horizontal na economia do país. “É importante, não tem nada mais importante que a vida, mas sabemos que os efeitos colaterais de uma quarentena muito rígida poderiam causar problemas seríssimos para o Brasil, a ponto de a economia não se recuperar mais”, disse.

Segundo Bolsonaro, as consequências econômicas da quarentena “também levam à morte”. E reforçou o que o ministro havia dito à tarde: não haverá mudanças bruscas em relação ao isolamento social. “Não vai ser um cavalo de pau que vamos dar nessa questão, mas gradativamente o Brasil vai votar a trabalhar”. Ele, no entanto, ressaltou que isso vai depender de governadores e prefeitos, já que o Supremo Tribunal Federal decidiu na quarta-feira 15 que estados e municípios têm autonomia para decretar quarentenas.

Questionado pelo presidente sobre como enxergava a questão, Teich disse que “a gente caminhou para uma separação entre saúde e economia”, ressaltou que não era assim que via o problema e fez um discurso que agradou a Bolsonaro. “Um país que cresce economicamente arrasta com ele o crescimento da saúde, da educação. Essa separação é irreal. Tudo vai influenciar no tempo de vida, na qualidade de vida e no bem-estar. Quando imagino cuidar da saúde das pessoas, é uma combinação de muitas coisas”, afirmou.

E completou: “Quando eu discuto emprego, quando eu discuto economia, estou pensando em pessoas, estou pensando na sociedade. É difícil às vezes você não poder dar o mínimo para a sua família, sei como isso é difícil para um pai”, disse, ecoando de novo um discurso recorrente de Bolsonaro. “Quando você começa a separar uma coisa da outra, você começa a trazer competição para onde deveria haver colaboração. Trabalhar pela saúde vai além do Ministério da Saúde”, afirmou.

Bolsonaro aproveitou, dizendo que muitos não entenderam as suas ressalvas à quarentena. “Eu fui muito criticado por ter ficado muito preocupado com a economia”, disse. “Vamos tomar as medidas que precisam ser tomadas com muito cuidado, com muita responsabilidade”, disse.

E sacou de novo a cloroquina, medicamento cuja defesa não fazia em público desde o dia 9 de abril. Ele vinha se notabilizando pela pregação da possibilidade de o remédio ser fundamental no tratamento do coronavírus, embora isso ainda careça de estudos científicos conclusivos.

“A cloroquina pode dar certo. Por que eu digo que pode? Porque não tem comprovação ainda. Mas pode se chegar à conclusão de que ela é eficaz. O que eu vejo no Brasil são muitos médicos aplicando a cloroquina. A cloroquina não é uma imposição minha, não é uma decisão de quem quer que seja, mas é algo que pode ser eficaz”, afirmou.

Questionado pelo presidente, Teich saiu pela tangente. Disse que quando um medicamento ainda está sendo testado, se criam alguns critérios, disponibilizando-o para algumas pessoas, sempre dependendo de decisão do médico. “Há algumas indicações de que ela funciona e outros colocam alguns questionamentos sobre a eficácia e a toxicidade. Esse equilíbrio entre disponibilizar quando você acha que pode estar funcionando, em situações críticas em que as pessoas podem morrer, você coloca na mão do médico, o médico vai fazer essa escolha, vai ter essa responsabilidade”, disse. E no fim ressaltou que são necessários “dados mais precisos e mais confiáveis”. VEJA

Homicídios se mantêm elevados no Ceará durante isolamento

BALANÇO DOS CRIMES NO CE

Apesar de política de isolamento social decretada pelo governador Camilo Santana (PT) em 19 de março no Ceará, a violência não diminuiu. Entre 20 de março e 13 de abril, data do mais recente registro da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), foram 302 homicídios no Estado.

A média durante esses 25 primeiros dias de isolamento social é de 12,08 homicídios por dia no Ceará. De 1º a 19 de março, no período que antecede o início do isolamento, foram 229 homicídios em 19 dias. A média é de 12,05 homicídios por dia.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgou o número dos crimes violentos letais intencionais (CVLI) do mês de março. Foram 359 mortes violentas no mês. Em 1º de março chegaram ao fim os 13 dias de paralisação da Política Militar. O motim alavancou os assassinatos em fevereiro, que chegaram a 459. Houve, portanto, uma queda em março, com 100 mortes a menos - redução de 21%. Os CVLIs incluem homicídios dolosos/feminicídios, lesões corporais seguidas de morte e roubo seguido de morte (latrocínio).

Leia também: Fevereiro foi o mais violento já registrado no Ceará

Contudo, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o crescimento em março de 2020 é expressivo, apesar do isolamento social. Em março de 2019, haviam sido 189 homicídios. O aumento é de 89,9%. O número mostra que não houve queda das mortes violentas durante o período de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. E indica também que, apesar da queda em relação a fevereiro, os crimes contra a vida continuaram num nível elevado após o motim policial de fevereiro.

Foi registrada ainda em março a primeira morte violenta dentro de unidade prisional. O mês teve também o maior número de mortes em intervenções policiais: 10. Haviam sido 8 em janeiro e 7 em fevereiro.

O horário mais comum dos homicídios e demais mortes violentas intencionais ocorridos em março foi à noite. Foram 45,4% dos CVLIs entre 18 horas e 23 horas e 59min. No intervalo da 0 hora às 5h59min, foram 17,5% dos casos. Das 6 horas às 11h59min, 13,9%. De meio-dia às 17h59min, 23,1%.

Segunda-feira foi o dia mais comum das mortes violentas em março no Ceará. Foram 17,3% dos crimes neste dia. Já a quinta-feira foi quando menos houve homicídios, latrocínios e crimes que resultaram em lesões seguidas de morte: 11,4%. A terça concentra 15,6% dos casos; quarta, 12,3%; sexta, 13,6%; sábado, 13,9%; domingo, 15,9%.

Em pouco mais de 100 dias do ano, o Ceará totaliza 1.236 mortes violências, de 1º de janeiro a 13 de abril. Os números até março são consolidados pela SSPDS. Já os dados de 1º a 13 de abril são ainda parciais e passíveis de revisão. OPOVO

Compartilhar Conteúdo

444