MPF e PF apreendem cofre com R$ 50 mil em espécie em carro de desembargador do TJ do Rio
Juliana Dal Piva e Aguirre Talento / O GLOBO

RIO e BRASÍLIA - Durante a Operação “Voto Vendido”, que cumpriu mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira contra o desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Mário Guimarães Neto, os investigadores apreenderam joias, como um colar de diamantes, relógios de ouro, 20 quadros de diferentes artistas e um cofre dentro um Audi A6 com R$ 50 mil em espécie na garagem do condomínio onde mora o magistrado. A operação foi autorizada pelo ministro Félix Fischer, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao todo, investigadores do MPF e da PF cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em locais como o gabinete do desembargador no TJ e em outros endereços nos bairros de Olaria, Leblon e Guaratiba. Na Barra da Tijuca, no endereço onde o desembargador mora, é que foi encontrado o carro, um Audi A6 com o cofre.
Segundo investigadores que participaram da operação, as chaves foram encontradas na casa do desembargador, e depois o carro foi localizado na garagem do condomínio com o acionamento por chave, porque, a princípio, Guimarães Neto negou que tivesse automóvel no local. Quando o carro foi localizado, verificou-se o cofre. Depois que ele foi aberto, além do dinheiro foram encontrados diversos documentos. Todo o material, incluindo o carro que não está no nome do desembargador, foi apreendido.
Também ocorreram buscas em Petrópolis, na Região Serrana, onde foi apreendido um anel de brilhantes. Os investigadores ainda apreenderam mais de 60 bolsas de grifes internacionais.
Além de Guimarães Neto, foram alvo da operação a mulher dele, que é advogada e é suspeita de receber propina em nome dele, e um funcionário do seu gabinete. A investigação constatou que o desembargador e sua mulher ocultaram das autoridades brasileiras patrimônio mantido nos Estados Unidos, como contas e imóveis. Por isso, também há a suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional.
Além dos mandados, Fisher também determinou o afastamento do desembargador de suas funções por um prazo de 90 dias, prorrogável. Guimarães Neto foi acusado na delação premiada do ex-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio (Fetranspor), Lélis Teixeira, de ter recebido R$ 6 milhões, por meio de sua mulher, para atuar em um processo de interesse da Fetranspor. Os crimes pelos quais o desembargador é investigado são corrupção e lavagem de dinheiro.
É o terceiro desembargador do Rio afastado de suas funções pelo STJ nos últimos meses. Na semana passada, o alvo foi o desembargador Siro Darlan. Em dezembro de 2019, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o desembargador Guaraci de Campos Vianna, também do TJ.
Quando foi citado na delação, o desembargador repudiou as declarações de Lélis e disse que não poderia ter decidido a favor das empresas porque a ação judicial na qual atuou previa licitação de linhas de ônibus no Rio, o que foi efetivamente feito pela prefeitura.
O advogado Cláudio Figueiredo Costa, que faz a defesa do desembargador, afirmou que o cofre apreendido estava em um veículo que pertence a uma empresa da mulher dele e que possuem vidas financeiras independentes. A defesa diz ainda que foi a mulher dele quem entregou a chave do carro e tinha a senha do cofre. O advogado afirma também que o desembargador não tinha envolvimento com irregularidades nem com venda de decisões judiciais. O desembargador também divulgou nota negando irregularidades.
“A respeito da ação deflagrada nesta sexta-feira (17) pela Polícia Federal, o desembargador Mário Guimarães Neto informa que, ao final do inquérito, ficará demonstrada sua inocência acerca dos fatos noticiados. O desembargador assegura não ter praticado atos ilícitos e que os policiais encarregados das investigações não apreenderam nenhum bem ou valor com ele e nos imóveis e dependências do Tribunal de Justiça vasculhados. Os fatos em apuração, diz o desembargador, não são contemporâneos, pois aconteceram em 2009”.
Menos mortes - FOLHA DE SP

Em meio às sucessivas e lúgubres notícias sobre a pandemia de Covid-19, emerge enfim uma boa nova: o número de homicídios cometidos no Brasil continua a recuar. Mantém-se, assim, a tendência observada a partir de 2018.
Há, sim, o que comemorar. Como assinalou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, houve 10.107 menos brasileiros mortos no ano passado, segundo a classificação de crimes violentos letais intencionais (homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte).
No total, foram 42.201 pessoas assassinadas em 2019. Embora seja a menor cifra da série histórica iniciada em 2015, impõe-se temperar o otimismo com um grão de sal, pois ainda se trata de índice relativamente alto --na casa de 20 mortes intencionais por grupo de 100 mil habitantes.
Existe motivo para regozijo com a estatística saída do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública; por outro lado, será difícil obter consenso sobre a raiz desse desenvolvimento favorável.
Moro dá a entender que resulta da repressão policial, mas há muito se sabe que o recuo na criminalidade é fenômeno multifatorial. Com seu simplismo costumeiro, o presidente Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral reduz a política pública nesse setor à truculência da polícia e ao relaxamento do controle de armas.
Tal discurso mostrou grande apelo nas eleições de 2018. A ele aderiram, em graus variados, governadores eleitos como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), ambos atualmente na oposição à administração federal.
A queda paulatina dos assassinatos já se iniciara, porém, nos primeiros meses do ano retrasado. Naquela altura, a influência do ideário bolsonarista não alcançava ainda feição concreta nas instituições. Muitas são as explicações aventadas por especialistas na área para a mudança de panorama.
Entre as hipóteses, não excludentes entre si, estão melhora na capacitação e no equipamento das corporações policiais, nova dinâmica das disputas entre facções criminosas, mobilização frequente da Força Nacional de Segurança e até fatores demográficos (progressiva diminuição de coortes de jovens recrutáveis pelo crime organizado).
Estudos serão necessários para deslindar as causas. A melhor aposta, porque mais civilizada que a brutalidade policial, privilegia inteligência, investigação e prevenção.
Milícia obriga reabertura de comércio da Zona Oeste e Região Metropolitana do Rio para manter cobrança de taxas
Por Anita Prado e Guilherme Peixoto, RJ 1
Comerciantes de áreas da Zona Oeste e Região Metropolitana do Rio dizem que são obrigados a trabalhar para pagar a taxa da milícia, apesar das restriçõespara o isolamento social como prevenção ao coronavírus. É o que aponta uma reportagem exclusiva do RJ1 nesta sexta-feira (17).
Segundo as denúncias, grupos paramilitares usam ameaças para obrigar vendedores e comerciantes a manterem as portas dos estabelecimentos abertas durante a pandemia.
Na Zona Oeste, a TV Globo flagrou funcionamento normal do comércio na Gardênia Azul, Rio das Pedras e Muzema.
Sem se identificar, os moradores relatam como os milicianos agem na região.
"Eles vão sempre à noite, um deles encapuzado, um assim mais gordo, outro mais moreno e outro mais forte, entendeu? São três que foram lá em casa, para pegar R$ 30", diz um morador
Comerciantes relatam que os milicianos pedem dinheiro dizendo que é para pagar ajuda da polícia.
"Os milicianos daqui, cara, ficam oprimindo a gente, entendeu? Mandando ficar com o bar aberto, que nós 'tem' que ficar pra fazer dinheiro pra pagar eles, pra eles 'poder' pagar os caras da cobertura da PM", relata outro morador.
Ainda de acordo com os relatos, os boletos com a cobrança da milícia chega nas casas no Itanhangá e tem o nome do morador. Algumas famílias dizem que na atual situação da pandemia da Covid-19 tem poucos recursos para sobreviver e se sentem ameaçadas.
"Por causa do vírus, a gente não pode pagar nem as contas, quanto mais eles. Outro dia, faltou até o do pão, para tomar café de manhã, aí vão lá em casa para pegar dinheiro? Não tem como", desabafa morador.
Itaboraí
Em Itaboraí, na Região Metropolitana, os milicianos foram flagrados durante uma comemoração enquanto os moradores são obrigados a trabalhar normalmente.
A prefeitura do município determinou o fechamento do comércio no dia 23 de março, e a cidade registrava 31 casos de Covid-19, com 4 mortes, até esta sexta.
"Esses milicianos aí ficam exigindo que os bares fiquem abertos , com os nossos comércios abertos, para poder pagar a eles as extorsões. Para pagar as viaturas que 'faz' cobertura deles quando eles vão fazer as extorsões deles", disse um comerciante.
Um outro dono de um comércio na cidade disse que a arrecadação caiu e eles ainda são obrigados a repassar dinheiro para a milícia.
Dados de localização de celulares mostram redução no isolamento social no Brasil pela 2ª semana seguida
O isolamento dos brasileiros diminuiu pela 2ª semana seguida contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a pandemia de coronavírus. Os dados são da empresa de tecnologia In Loco e utilizam como base informações de aplicativos.
Em 21 estados mais o Distrito Federal, a circulação de pessoas aumentou entre os dias 7 e 13 de abril, ao comparar com a semana anterior – de 31 de março a 6 de abril.
O relatório usa informações enviadas por aplicativos parceiros para aferir deslocamentos dos usuários. A In Loco afirma que a coleta de dados só é feita com a permissão dos usuários dos apps. Além disso, a empresa diz não repassar informações como nome, RG ou CPF.
As medidas de isolamento social empregadas nas cidades e estados são uma das grandes discussões durante a pandemia de coronavírus no Brasil.
Essa era uma divergência entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defensor do isolamento.
Na quinta-feira (16), Mandetta foi demitido por Bolsonaro, e o médico Nelson Teich foi nomeado em seu lugar. O novo ministro disse, em seu primeiro pronunciamento, que "não haverá definição brusca" sobre o isolamento em um primeiro momento.
Como é feito o monitoramento?
Para verificar o deslocamento, a In Loco utiliza GPS, sinais de wi-fi, Bluetooth e telefonia. A empresa diz possuir informações de localização em tempo real de 60 milhões de smartphones no Brasil.
Foram consideradas 6 semanas, no período de 3 de março a 13 de abril. Nesse período, houve aumento do isolamento durante as 4 primeiras semanas, e queda nas 2 últimas como mostra a tabela abaixo:
Na guerra com Maia, Bolsonaro agora negocia cargos na Saúde com o centrão
Em guerra com o Congresso, Jair Bolsonaro decidiu se unir aos caciques do centrão da Câmara para minar o comando de Rodrigo Maia no Legislativo.
Seu antigo partido, o PP, topou abrir caminho ao presidente para começar a boicotar a liderança de Maia, mas colocou preço: quer aproveitar a queda de Luiz Henrique Mandetta nesta quinta para retomar nacos perdidos no Ministério da Saúde.
Diante da clara proposta no estilo “toma lá dá cá”, Bolsonaro — veja quanta mudança! — prometeu pensar. Nesta quinta, ao apresentar o novo chefe da Saúde, Nelson Teich, o presidente da República avisou a todos que será ele quem escolherá os secretários da Saúde.
“Foram sugeridos nomes, sim, para começar a formar um ministério que siga a orientação do presidente de ver o problema como um todo, e não uma questão no particular”, disse Bolsonaro.
É o primeiro passo para fazer a alegria do centrão. Foi comandando secretarias do Ministério da Saúde que o PP de José Janene pavimentou os caminhos de Lula no mensalão. Ao topar entregar pedaços do ministério ao centrão para minar os poderes de Maia, Bolsonaro age como Dilma Rousseff, que tentou esvaziar Eduardo Cunha. Quem lembra os idos de 2016 sabe bem como a história acabou.
Bolsonaro adoraria que Maia atuasse como Cunha, aceitando o pedido de impeachment que repousa na Câmara contra ele. Uma guerra política no momento em que o país se prepara para ultrapassar as 2.000 mortes por coronavírus seria péssima para o país, mas muito útil para o interesse do presidente de desviar o foco do que realmente importa.
Em defesa de Bolsonaro, diga-se que ele mesmo, em entrevista recente, admitiu que o seu governo já acabou. De governante, Bolsonaro e seu ministério passaram a ser governados pela crise do coronavírus. A agenda de reformas se foi, é preciso gastar para socorrer a população, os estados e municípios, mas Bolsonaro continua pregando que o país, convalescente, levante e vá trabalhar. É por isso que o Congresso não vê necessidade de impeachment.
“É só deixar o tempo e o próprio presidente fazerem sua parte”, ironiza um aliado de Maia, sobre a ruína do Planalto. veja

