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O que teme o presidente?

São gravíssimas as acusações do ministro demissionário da Justiça, Sergio Moro, contra o presidente da República. A partir delas, torna-se inescapável que as autoridades competentes abram investigações para apurar crimes comuns e de responsabilidade atribuídos a Jair Bolsonaro.

Movido pelo temor de que inquéritos da Polícia Federal pudessem atingir a sua família, o chefe do governo decidiu intervir na corporação, cuja autonomia é mandamento legal. Agiu, segundo acusou Moro, sem nenhuma motivação outra que a tentativa de transformar uma instituição de Estado numa extensão de seu poder pessoal.

É preciso saber o que o presidente teme a ponto de levar o seu ministro mais popular a se demitir, depois de exonerado o diretor da PF. Que investigações em curso pela força policial afligem tanto Bolsonaro que o fazem tomar uma decisão que arremessa o país numa enorme crise política, não bastassem as gigantescas crises sanitária e econômica em andamento?

 

Não só. Segundo o ex-juiz da Lava Jato, o Planalto também fraudou publicação e assinatura de decreto de exoneração. Estariam configurados os delitos de falsificação de documento e prevaricação, cabendo ao procurador-geral fazer denúncia perante o STF.

Nos crimes de responsabilidade, cuja competência para apurar e julgar é do Congresso, Bolsonaro terá ofendido o capítulo que pune com perda do cargo e cassação dos direitos políticos os atos de improbidade do mandatário, como expedir ordens que contrariam a impessoalidade na administração.

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Não será sem custos que a nação enveredará por novo período de investigações contra o presidente. Esses dispositivos extremos deveriam reservar-se a situações que conjugam erosão da governabilidade e afronta à legalidade. É infelizmente o que acontece agora.

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Dinamarca começará a construir em 2021 o maior túnel submerso do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 05h00

Dinamarca anunciou na sexta-feira, 24, que a construção do maior túnel submerso do mundo começará em janeiro de 2021, que será usado por trens e carros e ligará o país escandinavo à Alemanha.

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Passagem terá 18 quilômetros de extensão e conectará as ilhas dinamarquesas de Lolland-Falster, ao sul de Copenhague, com a região alemã de Schleswig-Holstein, passando sob o Báltico Foto: Femern/EFE/EPA

"As obras começarão em 1º de janeiro de 2021 e continuarão do lado alemão entre agora e meados de 2022", disse o Ministério dos Transportes em comunicado.

O túnel terá 18 quilômetros de extensão e conectará as ilhas dinamarquesas de Lolland-Falster, ao sul de Copenhague, com a região alemã de Schleswig-Holstein, passando sob o Báltico.

Levará 10 minutos de carro e sete minutos de trem para atravessá-lo, em vez do tempo de balsa atualmente necessário.

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Levará 10 minutos de carro e sete minutos de trem para atravessá-lo, em vez do tempo de balsa atualmente necessário Foto: Femern/EFE/EPA

Embora existam outros túneis subaquáticos mais longos, como o que atravessa o Canal da Mancha, este será o mais longo que não está enterrado no fundo do mar. Em outras palavras, os blocos de concreto ocos serão submersos e colocados em uma vala cavada no fundo do mar Báltico.

Na Alemanha, essas obras são suspensas por ordem judicial, devido a uma denúncia apresentada às tribais por grupos opostos ao trabalho de engenharia. /AFP

Sob o signo de Tânatos - O ESTADO DE SP

O governo de Jair Bolsonaro é conduzido sob o signo de Tânatos, o deus da morte na mitologia grega. Dedica-se desde sempre à destruição – primeiro, dos inimigos, reais e imaginários; depois, dos próprios aliados, inclusive ministros que lhe devotavam lealdade; e, afinal, a si mesmo, inviabilizando-se como presidente. É preciso interromper essa escalada antes que Bolsonaro destrua, por fim, o próprio País.

A trajetória da Presidência de Bolsonaro até aqui é impressionante. No início, constituiu um Ministério até razoável, capaz de fazer um bom trabalho em quase todas as áreas, e informou que estabeleceria uma nova forma de relação com o Congresso, sem o velho toma lá dá cá. Um ano e pouco depois, Bolsonaro fez de seu gabinete uma grande barafunda, em que ninguém se entende, e, no Congresso, depois de seguidas derrotas por se negar ao diálogo, resolveu entabular negociação com partidos e políticos envolvidos em escândalos de corrupção, oferecendo-lhes cargos em troca de votos.

Pior: em meio a uma pandemia devastadora, com milhares de doentes e mortos e com o sistema hospitalar público à beira do colapso, Bolsonaro preferiu desdenhar das vítimas e se mostrar mais preocupado com sua popularidade do que com a vida de seus governados.

Com esse espírito destruidor, trata como intocáveis ministros néscios que se dedicam dia e noite a encontrar comunistas embaixo da cama, enquanto inviabiliza o trabalho dos ministros e assessores que, ao contrário, prezam o cargo que ocupam e têm útil e valiosa colaboração a dar. Bolsonaro substituiu o ministro da Saúde porque este não aceitava desrespeitar as orientações da Organização Mundial da Saúde para enfrentar a pandemia de covid-19; desmoralizou sua equipe econômica ao resistir a fazer reformas e ao flertar com a irresponsabilidade fiscal; permitiu a fritura da ministra da Agricultura porque esta se queixou dos ataques bolsonaristas à China, principal cliente do agronegócio brasileiro; e agora tudo fez para provocar a saída do ministro da Justiça porque este se recusou a permitir que ele interferisse politicamente no comando da Polícia Federal (PF).

Para perplexidade dos brasileiros, Sérgio Moro, ao anunciar sua demissão do Ministério da Justiça, informou que Bolsonaro lhe disse que “queria ter (na chefia da PF) uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência”. Para ilustrar a gravidade do caso, Sérgio Moro, com uma pitada de ironia, deu o seguinte exemplo: “Imagine se, durante a Lava Jato, o presidente (Lula), a presidente Dilma ficassem ligando para a superintendência (da PF) em Curitiba para colher informações sobre as operações em andamento”.

Como resposta, o presidente, em pronunciamento espantosamente desconexo, fez várias acusações contra Sérgio Moro – inclusive a de que exigiu uma vaga no Supremo Tribunal Federal e a de que trabalha para vê-lo fora da Presidência – e também colocou em dúvida o trabalho da PF. Em sua glossolalia, contudo, foi incapaz de explicar a essência da denúncia de Moro, a de que tinha interesse em fazer da PF sua polícia particular.

Trata-se de comportamento intolerável, que pode dar as condições para a abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro – a Procuradoria-Geral da República já pediu ao Supremo a abertura de investigação sobre a acusação de Sérgio Moro.

Não se pode aceitar como natural que o presidente queira manipular a Polícia Federal, especialmente considerando-se que há investigações em andamento que interessam ao clã Bolsonaro. Se comprovadas as denúncias, o presidente pode ser acusado de crimes de responsabilidade, prevaricação e advocacia administrativa, entre outros.

As vozes responsáveis do País, inclusive de dentro do governo, têm a obrigação de manifestar seu total repúdio ao presidente Bolsonaro, deixando claro que os limites da lei e da decência há muito foram ultrapassados. “É hora de falar”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, resumindo a urgência. “O presidente está cavando sua fossa. Que renuncie antes de ser renunciado. Poupe-nos de, além do coronavírus, termos um longo processo de impeachment. Que assuma logo o vice para voltarmos ao foco: saúde e emprego. Menos instabilidade, mais ação pelo Brasil.”

"O País ganha muito", diz Ciro Gomes sobre rompimento entre Moro e Bolsonaro

FORTALEZA, CE, BRASIL, 13.03.2020: Ciro Gomes fala no Congresso Nacional de Gestao Pública para Resultados (foto: Thais Mesquita/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 13.03.2020: Ciro Gomes fala no Congresso Nacional de Gestao Pública para Resultados (foto: Thais Mesquita/O POVO) (Foto: Thaís Mesquita)

Ex-candidato à presidência da República, Ciro Gomes se manifestou sobre a saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça, anunciada nesta sexta-feira, 24. Por meio de mensagem em sua página no twitter, o ex-governador do Ceará afirmou que as acusações do ex-ministro contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) configuraram uma “confrontação chocante” entre as duas figuras políticas, e alegou que o Brasil “ganharia muito com essa briga”.

“Só hoje já tivemos notícia de uma lista de artigos do Código Penal”, afirmou o opositor declarado de Bolsonaro. Em sequência, ele listou crimes de responsabilidade que teriam sido cometidos pelo presidente, de acordo com as acusações feitas por Moro.

Ciro Gomes
@cirogomes

Nesta confrontação chocante entre Moro e Bolsonaro, o País ganha muito com a briga em si. Só hoje já tivemos notícia de uma lista de artigos do código penal além de crime de responsabilidade: prevaricação, falsidade ideológica, tráfico de influência, (...)

4.641 pessoas estão falando sobre isso

Entre os crimes listados por Ciro estão: falsidade ideológica, tráfico de influência e obstrução da Justiça. Segundo Ciro, o Brasil sairá beneficiado com essas denúncias.

Sergio Moro pediu demissão após Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, nome de confiança do ex-juiz. Durante coletiva realizada nesta tarde, Moro justificou saída afirmando que o presidente queria tirar a autonomia da PF, mudando diretoria e solicitando relatórios. As acusações repercutiram entre opositores e aliados do governo. opovo

Bolsonaro acusa Moro de negociar vaga no STF e admite interesse pessoal em ações da PF

Ladeado por ministros e aliados do governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusou o ex-ministro da Justiça Sergio Moro de negociar uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) e admitiu interesses pessoais em ações da Polícia Federal.

Bolsonaro afirmou que Moro pediu a ele para que a troca do comando da PF ocorresse em novembro, depois de o ex-juiz ser indicado a uma vaga no STF. "É desmoralizante para um presidente ouvir isso", afirmou Bolsonaro durante pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24).

Pelo critério de aposentadoria compulsória aos 75 anos dos ministros do Supremo, as próximas vagas serão as de Celso de Mello, em novembro deste ano, e Marco Aurélio Mello, em julho de 2021.

Minutos após o pronunciamento do presidente, Moro negou a acusação de Bolsonaro. "A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF", escreveu Moro em rede social.​

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Bolsonaro pediu a Moro que interferisse em inquérito que envolve Carlos

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Sergio Moro não mencionou em vão, em seu discurso de despedida, o incômodo do presidente Jair Bolsonaro com inquéritos específicos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Interlocutores do ex-juiz da Lava-Jato informaram a VEJA que a gota d’água para o pedido de demissão de Moro foi o fato de Bolsonaro exigir que a Polícia Federal e o ministro da Justiça dessem um jeito de segurar uma investigação que aponta para a participação do vereador Carlos Bolsonaro em um esquema de ataques virtuais a autoridades e propagação de fake news.

Nos últimos dias, Bolsonaro recebeu informações de que o inquérito sigiloso que apura fake news e ofensas contra autoridades, tocado pelo ministro Alexandre de Moraes no STF, obteve indícios contundentes  do envolvimento do vereador Carlos, o filho Zero Dois e apontado como criador do chamado gabinete do ódio — um grupo que usaria as dependências do Palácio do Planalto para promover campanhas virtuais contra adversários do governo. Mais que isso: os investigadores colheram elementos sugerindo que essas são financiadas por empresários ligados ao presidente.

“A água está subindo”, disse o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, para Moro, se referindo ao  inquérito, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, mas que tem na linha de frente um delegado da Polícia Federal, responsável pela  parte operacional como levantamento de dados, quebra de sigilos telemáticos e bancários.

Interesses políticos

O presidente tentava cotidianamente receber informações de Maurício Valeixo sobre o andamento das investigações e era ignorado. O diretor-geral da PF acabou exonerado nesta quinta-feira (23). Moro também se recusava a interferir no caso. Ao anunciar seu pedido de demissão, o ministro denunciou a interferência do presidente da República na Polícia Federal. Bolsonaro, segundo ele, queria colocar uma pessoa de confiança para ter acesso a informações e relatórios de inteligências de investigações em andamento.

“O presidente me disse mais de uma vez expressamente que ele queria ter alguém do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligencia, seja diretor ou superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm que ser preservadas”, disse Moro. VEJA

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