Receita Federal acusa Globo de “associação criminosa” com atores
A Receita Federal do Brasil, órgão responsável pelo recolhimento de impostos de pessoas físicas e jurídicas no país, divulgou a situação fiscal de 43 artistas de alto escalão contratados com vínculos de Pessoa Jurídica (PJ) na maior emissora brasileira, a Rede Globo.
A Receita garantiu que trata-se de uma associação criminosa comprovada. Tanto que doze autuações já foram deflagradas e, em audiências já realizadas, a instituição irá encaminhar multas a 43 profissionais das artes, que tiveram contratos de trabalho com a Globo. A TV carioca é apontada como “solidariamente responsável pelo pagamento da autuação”. O que significa dizer que as taxas podem ser cobradas, tanto de artistas como da contratante.
O advogado tributarista, Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovana Antonelli (que também é esposa do diretor global, Leonardo Nogueira), foi o escolhido para defender os 43 famosos da Rede Globo.
Sobre isso, ele alegou:
“A primeira autuação é composta de 65 páginas escritas pelo fisco; a fim de imputar a prática de crime contra a ordem tributária praticado pela emissora em conluio com o ator. O que não faz o menor sentido”.
A defesa entrou com recurso administrativo, que paralisa, momentaneamente, os artistas de quitarem a dívida. Algumas chegam a R$ 10 milhões.
“Depois de encerrada a via administrativa, o contribuinte pode ingressar em juízo”, adiantou a próxima estratégia para não pagar o “leão”.
Antonelli não informou quem eram todos os artistas comprometidos com a Receita. Mas, a imprensa já descobriu que celebridades como: Débora Secco (cujo pai, Ricardo Secco, já esteve envolvido em corrupção, no ano de 2007), Reynaldo Gianecchini, Maria Fernanda Cândido e Malvino Salvador estão entre os nomes devedores do fisco.
A Receita Federal afirmou que há um conluio “propositado e previamente planejado para fim de prática de uma ilicitude” com o intuito de “lesar toda a sociedade”.
A investigação do “leão” conclui que houve degradação do ambiente laboral.
“Precariza as relações de trabalho e humanas, degrada o ambiente laboral, enfraquece direitos trabalhistas e a própria dignidade da pessoa humana”.
O advogado tributarista negou a prática do crime, mas o fato é que a Rede Globo tem, nos últimos dois anos de Governo Bolsonaro, feito uma “limpa na casa”; demitindo boa parte dos seus funcionários e substituindo contratos PJ por outros em que vigoram as Leis Trabalhistas (CLT). JCONLINE
A sórdida briga por cargos - J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo
Normalmente o Congresso Nacional vive seus piores momentos durante o período de eleição das mesas diretoras - a turma que vai mandar de verdade em suas duas casas, para todos os efeitos práticos, pelos dois anos seguintes. Como sabem até as crianças com dez anos de idade, é a única coisa que realmente interessa aos nossos representantes do povo: com qual candidato a presidente, e a “chapa” que vem em volta dele, eu vou me dar melhor? A situação se reproduz, como num espelho, nas eleições para o comando das Assembleias Legislativas e das Câmaras de vereadores espalhadas pelos 27 Estados e 5.500 municípios do Brasil. Não é nem um pouco melhor; é apenas mais barato.
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No caso da presente disputa pelas presidências do Senado Federal e da Câmara de Deputados, que elegerão em 1º. de fevereiro seus novos dirigentes, há um “plus a mais”, como se diz. Desta vez, não se observa apenas a sórdida briga por cargos na mesa - e o cacho de empregos que vem pendurado em cada um deles, mais a capacidade de conceder privilégios para parentes, amigos e a amigos dos amigos e autorizar furtos explícitos ao dinheiro público. Além da desgraça de sempre, agora há também uma campanha aberta para tornar a política brasileira mais suja do que já é.
Ninguém diz que é isso, é claro, mas é exatamente isso: o PT e o que se considera a “esquerda” na Câmara e no Senado querem vender seu apoio para o candidato, ou candidatos, que se comprometerem a desmanchar a Lei da Ficha Limpa – uma das pouquíssimas coisas que o Legislativo brasileiro fez nos últimos anos em favor da moralização da vida pública. A lei, como se sabe, proíbe que candidatos condenados na justiça, incluindo-se aí as condenações por corrupção, sejam candidatos a cargos de governo.
Este, tristemente, é o principal marco ideológico do PT de hoje. Por conta da situação penal do ex-presidente Lula e de tantos outros grandes nomes da política nacional, todos eles prontíssimos, no momento, a se tornarem aliados, a prioridade do partido passou a ser o combate sem tréguas a qualquer coisa que possa ser usada contra a corrupção e os corruptos.
Desmontar a Lei da ficha Limpa, obviamente, não beneficia só o PT. Num Congresso Nacional em que 30% (ou bem mais) dos deputados têm problemas com a justiça penal (sem contar a situação dos senadores), a militância pró-impunidade tornou-se praticamente uma religião. Mas chamar a si, na frente de todo mundo, o papel de liderança no movimento em favor da roubalheira é afundar ainda mais no abismo. É a isso que está reduzido o ex-maior partido político do Brasil.
Pesquisa do IBGE mostra concentração de riqueza no país em 2018
O Brasil ainda apresenta concentração de riqueza. Em 2018, os 25 municípios mais ricos do país detinham 36,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país). Em 2002, esse percentual era maior: 40,6%. Os dados constam da pesquisa PIB dos Municípios 2018, divulgada hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se forem considerados os 100 municípios mais ricos, a participação chega a 55% do PIB. Em 2002, era 59%. O Brasil tem 5.570 cidades.
Dos 25 maiores PIBs, 12 capitais somavam 27,6% da produção e 13 não capitais, 8,6%. O líder em participação era São Paulo, responsável por 10,2% do PIB do país que, naquele ano, chegou a R$ 7 trilhões. Em seguida vêm Rio de Janeiro, com 5,2% e Brasília, com 3,6%.
A atividade econômica na região de São Paulo, que reúne 92 municípios adjacentes à capital paulista, com forte interação, gerava o equivalente a um quarto do PIB do país.
“É um indicador de concentração evidente, mas tem uma tendência de desconcentração em relação a 2002”, disse o analista do IBGE, Luiz Antonio de Sá.
Os 1.346 municípios de menores PIBs responderam por cerca de 1% do PIB do país e por 3,1% da população brasileira. “Nota-se que, entre esses, os situados nos estados do Piauí (156), Paraíba (134), Rio Grande do Norte (79) e Tocantins (69) representavam cerca de 50% das municipalidades de seus respectivos estados. Em 2002, 1.383 correspondiam a 1% do PIB e somavam 3,7% da população nacional”, informou o IBGE.
Em 49,2% dos municípios do país, a administração pública foi a principal atividade econômica em 2018. Esse predomínio ocorria em mais de 90% das cidades do Acre, Roraima, Amapá, Piauí, Paraíba, Distrito Federal e em apenas 9,6% dos municípios do estado de São Paulo.
Setores da economia
Construção foi a única atividade com queda em volume em 2018 (-3,2%), enquanto as atividades de serviços tiveram a maior contribuição no resultado nacional, respondendo por 73% de participação no PIB. Os destaques do segmento são comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, atividades imobiliárias e atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares.
Período 2017-2018
Entre 2017 e 2018, os municípios com maior ganho de participação no PIB do país foram Maricá (RJ), Niterói (RJ) e Campos dos Goytacazes (RJ), cada um com acréscimo de 0,2 ponto percentual (p.p.). Os três ganhos se deveram à alta do preço internacional do petróleo em 2018.
Por outro lado, as maiores quedas de participação ocorreram em São Paulo, Osasco (SP), Brasília e Parauapebas (PA). Em São Paulo e Osasco, a perda de participação se deu, principalmente, em função das atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, já que, em 2018, houve redução da taxa de juros Selic e, em ambos os municípios, essa atividade tem peso destacado. Em Brasília, houve decréscimo de participação nos impostos, líquidos de subsídios, sobre os produtos. Parauapebas, por sua vez, apresentou queda da extração de minério de ferro.
PIB per capita
Em 2018, os dez municípios com os maiores PIB per capita somavam 1,5% do PIB nacional e 0,2% da população brasileira. Presidente Kennedy (ES), com R$ 583.171,85, apresentou o maior PIB per capita em 2018, seguido por Ilhabela (SP), ambos devido à extração de petróleo.
Selvíria (MS) ocupava a terceira posição e Vitória do Xingu (PA), a sétima, constam nessa relação graças à geração de energia hidrelétrica. Na quarta posição, São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) foi a única municipalidade que tem a extração de minério de ferro como a sua principal atividade entre os dez maiores PIBs per capita de 2018.
As cidades que ocupavam a quinta e a décima posições em termos de PIB per capita, Paulínia (SP) e São Francisco do Conde (BA), respectivamente, tiveram na indústria de refino de petróleo a sua principal atividade, enquanto Triunfo (RS), na sexta posição, destacou-se na indústria petroquímica. Extrema (MG) e Louveira (SP) figuravam na oitava e nona posições, em razão do comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas e das indústrias de transformação.
Entre as capitais, Brasília, com R$ 85.661,39, ocupou a primeira posição em relação ao PIB per capita em 2018, enquanto Belém ocupou a última (R$ 21.191,47). A razão entre o PIB per capita das capitais e o PIB per capita do Brasil (R$ 33.593,82) mostrou que, em 2018, enquanto Brasília alcançou valor 2,55 vezes maior que o nacional, em Belém a razão foi 0,63. No mesmo ano, dez capitais tinham PIB per capita maior do que o nacional; em 2002 eram 11.
Os maiores valores do PIB per capita, em 2018, pertencem aos grandes centros urbanos do Centro-Sul, e, ainda, a algumas regiões de forte expansão da fronteira agrícola, principalmente na região central de Mato Grosso, no oeste baiano e no alto curso do Rio Parnaíba, onde houve elevada participação da cadeia de produção de soja associada à relativamente pequena população.
* Matéria alterada às 11h36 para esclarecer informações no primeiro parágrafo. agência brasil
PIB municipal: saiba quais são as 10 cidades mais ricas do Ceará
O Produto Interno Bruto (PIB) de Fortaleza cresceu nos últimos anos, mas perdeu espaço na participação das riquezas produzidas pelo Estado. De acordo com levantamento divulgado hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica (Ipece) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a atividade econômica da Capital cearense somou R$ 67 bilhões em 2018, 43% do PIB do Estado.
Em 2002, o PIB de Fortaleza somava R$ 13,4 bilhões, 46,7% do total produzido pelo Ceará. Os números mostram uma descentralização das riquezas de Fortaleza para o restante do Estado, mas as cidades mais ricas ainda estão, sobretudo, na Região Metropolitana.
O levantamento, que considera a atividade nos 184 municípios cearenses, mostra que o segundo maior PIB em 2018 foi observado em Maracanaú (R$ 10,4 bilhões), seguido por Caucaia (R$ 5,07 bilhões).
Top 10: as maiores economias do Estado
- Fortaleza (R$ 67 bilhões)
- Maracanaú (R$ 10,4 bilhões)
- Caucaia (R$ 5,07 bilhões)
- Juazeiro do Norte (R$ 4,8 bilhões)
- Sobral (R$ 4,7 bilhões)
- São Gonçalo do Amarante (R$ 4,22 bilhões)
- Eusébio (R$ 2,47 bilhões)
- Aquiraz (R$ 1,9 bilhão)
- Horizonte (R$ 1,7 bilhão)
- Itapipoca (R$ 1,6 bilhão)
Enquanto Fortaleza perdeu participação, os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia ampliaram sua presença na atividade econômica cearense, chegando a 2,71% e 3,26% em 2018, respectivamente.
O analista de políticas públicas do Ipece, Daniel Suliano, destaca que os ganhos são explicados, em grande parte, pela instalação e desenvolvimento da atividade industrial na região.
"Os ganhos devem-se, em grande parte, ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, situado entre esses dois municípios e que vem atraindo novas indústrias para aquela região", detalha.
PIB per capita
O estudo divulgou ainda as cidades com o maior PIB per capita (divisão do PIB pelo número de habitantes) do Ceará. O principal destaque é São Gonçalo do Amarante, com R$ 87,08 mil. O município cearense ficou entre os 100 maiores PIBs per capita do País (95ª colocação).
Veja o ranking:
- São Gonçalo do Amarante (R$ 87,08 mil)
- Eusébio (R$ 46,8 mil)
- Maracanaú (R$ 46,2 mil)
- Horizonte (R$ 25,7 mil)
- Fortaleza (R$ 25,3 mil)
- Aquiraz (R$ 24,6 mil)
- Penaforte (R$ 23,5 mil)
- Sobral (R$ 23,1 mil)
- Quixeré (R$ 19,1 mil)
- Pereiro (R$ 18,9 mil)
Em contrapartida, cidades como Pires Ferreira, Tejuçuoca, Caridade, Catarina e Itatira, conforme destaca Suliano, apresentam os menores níveis de atividade econômica per capita do Estado. "Em 2020, pode ser que a gente dobre o PIB per capita de Pires Ferreira só com o auxílio emergencial", detalha ele. O PIB per capita de Pires Ferreira em 2018 foi de R$ 5,3 mil.
Para o supervisor de Disseminação de Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Helder Rocha, o levantamento serve de base para o direcionamento de investimento público para promoção de regiões mais carentes.
"Nós observamos que São Gonçalo disparou ao longo dos últimos anos e hoje possui o 95º maior PIB per capita entre os municípios brasileiros", pontua Helder Rocha.
Agropecuária, indústria e serviços
O estudo também mostra os municípios que se destacam considerando os setores que compõem o PIB. Na Agropecuária, se sobressaíram as cidades de Beberibe, com produção de castanha, ovos e camarão; e Limoeiro do Norte, com produção de frutas como melão, melancia e pecuária irrigada.
Em relação à indústria, o destaque fica com Fortaleza, Maracanaú e São Gonçalo. Suliano pontua, porém, o crescimento da participação de Trairí, que recebeu nos últimos anos investimento para a instalação de parques eólicos.
No setor de serviços - excluindo a adminsitração pública -, Fortaleza, Maracanaú, Sobral e Juzeiro do Norte continuam mantendo posição de destaque, de acordo com o estudo. diarionordeste
Com o fim do auxílio, governo estuda antecipar 13º salário para aposentados
15 de dezembro de 2020 | 05h00
BRASÍLIA - Avessa a propostas de prorrogação do auxílio emergencial, que trariam custo extra aos cofres públicos em 2021, a equipe econômica tem um plano de contingência para o caso de os índices de adesão ao distanciamento social voltarem a subir como reação ao repique da covid-19. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, entre os instrumentos, está a antecipação do 13º para aposentados e pensionistas do INSS e do pagamento do abono salarial (uma espécie de 14º salário a trabalhadores que ganham até dois mínimos), “se for necessário”.
O plano está sendo tratado como uma espécie de “vacina” para garantir a sustentação da retomada econômica, caso haja um recrudescimento ainda maior da doença antes de o País alcançar ampla imunização da população.
O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, deu pistas do que o governo pode fazer para ajudar na “aterrissagem” após o fim do auxílio emergencial, que já injetou R$ 293,8 bilhões na economia. “Temos a capacidade de antecipar benefícios, diferir arrecadação de impostos – já fizemos isso neste ano”, disse Guedes em audiência pública no Congresso na sexta-feira passada. Ele ressaltou que essas ações respeitam o teto de gastos, regra que limita o avanço das despesas à inflação.
Uma fonte da equipe econômica disse que o Ministério da Economia está “observando” para tomar as medidas, que depende do “andamento da economia!”. Não há intenção, no entanto, de fazer medidas de diferimento de tributos (postergação do pagamento) porque a Receita Federal está começando a recuperar agora a base de arrecadação.
Não há ainda um comando já emitido para o acionamento dessas medidas. A avaliação é de que é preciso “ter munição”, mas guardá-la para o momento em que seu uso se mostrar necessário.
Em março, ainda sob os primeiros efeitos sanitários e econômicos da pandemia no Brasil, a equipe econômica lançou mão de um amplo cardápio de medidas que incluía antecipação de parcelas do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, antecipação do calendário do abono salarial e adiamento da cobrança de tributos a serem recolhidos por empresas no País.
O temor é uma segunda onda de covid-19 se instalar no Brasil sem que o País tenha atingido níveis ideais de imunização. O governo já garantiu R$ 20 bilhões para a compra de vacinas, mas ainda não há data definida para começar a imunização da população.
A eventual execução do plano de contingência também pode impor desafios adicionais à gestão da dívida pública. Com mais de R$ 600 bilhões em vencimentos concentrados no primeiro quadrimestre de 2021, eventual antecipação de benefícios ou diferimento de tributos pressionaria ainda mais o caixa do Tesouro Nacional, já bastante demandado devido às despesas da pandemia.
Caixa
O cronograma de pagamento do auxílio, na prática, está sendo estendido para janeiro de 2021, com sobras do que não foi pago neste ano. Um calendário de janeiro com o número de beneficiados foi divulgado, mas não os valores. A reportagem procurou a Caixa, que não informou os valores. O próprio ministro Guedes já falou publicamente em pagamento em fevereiro.
Em meio à pressão para a prorrogação do auxílio, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), disse ao Estadão/Broadcast que é preciso cortar despesas antes de uma definição sobre a prorrogação do auxílio emergencial em 2021.
“Antes de definirmos oportunidade e necessidade de prorrogar o auxílio é preciso aprovar medidas de corte de gastos”, afirmou. Segundo ele, é preciso aguardar os indicadores sanitários da pandemia de covid-19 e os dados da economia do último trimestre. Bezerra defendeu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial, que prevê medidas de cortes de gastos, em fevereiro para depois decidir sobre o auxílio.
Ontem, o dólar voltou a ser cotado acima de R$ 5,10 e a Bolsa de Valores brasileira perdeu os 115 mil pontos após o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentar um projeto para estender o decreto de calamidade pública, previsto para acabar no fim deste ano, até 31 de março de 2021. A iniciativa poderia abrir caminho para uma prorrogação do auxílio emergencial.
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Cada vez mais fogo e menos árvores
15 de dezembro de 2020 | 03h00

A destruição de nossas matas e nossos cerrados, em parte pela ação e em parte omissão dos brasileiros, foi neste ano de 2020 talvez a maior desde a chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500. A maioria da população já se acostumou com as repetitivas notícias de que são cortados diariamente tantos mil hectares de nossas reservas florestais, fato que se repete e propaga em todo o mundo a ideia de que nós, brasileiros, não damos importância a essa extraordinária e incomparável riqueza.
O mais chocante nessa destruição é a indiferença ofensiva do presidente Jair Bolsonaro e de seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o qual não tem poder de decisão e só faz aquilo que o patrão lhe ordena. Por ser assim tão obediente, não existe esperança de que seja substituído no cargo por alguém que defenda a Floresta Amazônica e o restinho de cerrado que escapou dos destruidores.
Jair Bolsonaro é negacionista por inteiro, ou seja, assim como condena o isolamento social para combate ao coronavírus, ele também não reconhece que nossas árvores estão sendo cortadas todos os dias para a fabricação de lindos móveis na Europa e nos Estados Unidos. Ele é o principal responsável e finge que não tem nada que ver com a destruição.
Quem mais sofre com isso é a nossa Floresta Amazônica, que em seu admirado esplendor vai a cada dia ficando menor, a ponto de já influir de forma assustadora no clima do País.
Dias atrás o governo federal ameaçou retirar o ipê da lista internacional de proteção de espécies ameaçadas, por ser uma das madeiras mais cobiçadas no exterior. Os ipês são vistos talvez como uma das árvores mais admiradas no Brasil e por isso choca comprovar que tanto faz para o governo federal se eles forem extintos ou não.
Parece haver uma espécie de cegueira do presidente da República em relação ao que está acontecendo com o meio ambiente. Em parte se entende, porque ele só vê à sua frente as eleições de 2022, ou seja, tudo o que ele faz tem como objetivo azeitar o caminho para poder permanecer mais tempo no Palácio do Planalto. Está bastante claro que ele e seus filhos estão gostando tanto que querem mandar na Nação por mais tempo.
Os estudiosos ensinam que o Brasil detém 60% da Floresta Amazônica, que é um regulador para o índice de chuvas no País, com influência também no planeta. Durante muito tempo o Brasil foi respeitado por preservar a Floresta Amazônica, mas os desmatamentos progressivos modificam de forma cada vez mais clara aquilo que Jair Bolsonaro diz não existir.
O desmatamento concorre para as queimadas, tanto na Amazônia como no cerrado, a prova disso ficou bastante evidente durante todo o ano de 2020. Além de nossas árvores e plantas de tantas espécies, também a fauna sofreu horrivelmente com os efeitos do fogo. Parece inacreditável que essa tendência a destruir cresça a cada ano e não haja um despertar do presidente e dos demais integrantes do seu governo.
Houve lamentável equívoco do presidente Bolsonaro quando afirmou que as queimadas são provocadas pelo índio e pelo “caboclo”. A verdadeira razão das queimadas está na ganância de fazendeiros, que cortam as árvores, valendo-se da falta de fiscalização, e depois ateiam fogo na parte derrubada, para convertê-la em pasto para os rebanhos. O fogo propaga-se, queimando extensões enormes de nossas preciosas matas.
O admirável historiador Arnold Toynbee reconhece que o homem é a primeira espécie de ser vivo em nossa biosfera que adquiriu (com o diabo) o poder de destruí-la e, ao assim fazer, de liquidar a si mesmo. Ele está cheio de razão, porque os homens e outros seres vivos são parte integrantes da biosfera e se ela se tornar inabitável o homem – bem como as outras espécies – seria extinto.
“Parece que o homem não conseguirá salvar-se da destruição de seu poder e ganância materiais diabólicos, a menos que passe por uma mudança no seu coração, a qual o leve a abandonar seu objetivo presente, adotando o ideal contrário”, escreve o historiador britânico.
Será que existirá alguém no País capaz de amolecer o coração de Jair Bolsonaro a ponto de fazê-lo olhar com amor para as nossas árvores tão preciosas da Amazônia e dos cerrados? Tem-se a impressão de que ele só olha no espelho e no calendário eleitoral.
O pior é que, quando olha no espelho, a toda hora enxerga aquele que considera seu pior adversário – João Doria, o governador dos paulistas. Pelo que se vê, ao combatê-lo, na verdade, só o projeta cada vez mais.
Nunca tivemos um presidente da República que se preocupasse mais com sua eventual futura eleição do que em governar. O curioso é que no seu governo há um grupo “ideológico”, mas, onde estão as ideias? Até agora não se viu ideia nenhuma que atue em favor do Brasil.
Os descontentamentos com o governo de Bolsonaro são crescentes e a destruição da Amazônia e dos cerrados concorrerá para desacreditá-lo cada vez mais.
DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TJSP, FOI SECRETÁRIO DA JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. E-MAIL: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.





