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Avanços concedidos - FOLHA DE SP

No cenário atual de agravamento da crise sanitária e incerteza econômica e política, a infraestrutura segue como uma das poucas áreas com progresso palpável. O programa de concessões na área visa leiloar cem ativos até 2022 e obter R$ 260 bilhões em investimentos.

Na semana passada foi cumprida mais uma etapa desse cronograma, com a concessão para a iniciativa privada de 22 aeroportos, cinco terminais portuários e o trecho ferroviário que pretende ligar o porto de Ilhéus à Norte-Sul, objeto de preocupações ambientais.

Os certames renderam R$ 3,5 bilhões em outorgas para os cofres da União e contrataram investimentos de R$ 10 bilhões. Ainda em 2021 o governo espera conceder mais 22 empreendimentos, com aportes de R$ 130 bilhões.

A semana intensa foi uma preparação para ambições maiores. No caso dos aeroportos foram passados para a iniciativa privada os blocos Norte, Sul e Centro-Oeste. A lógica de blocos tem o objetivo de garantir que, com os principais aeroportos, os novos concessionários se comprometam com melhorias em localidades menos atrativas.

O bloco Norte, arrematado pela francesa Vinci, inclui, além do aeroporto de Manaus, terminais em Rio Branco e Cruzeiro do Sul (AC), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO), Tabatinga e Tefé (AM).

A concessionária vê potencial para Manaus, o foco principal da região, se transformar no módulo de integração das Américas, mas também terá que investir R$ 1,4 bilhão nos outros ativos.

Consolidado um modelo até agora bem-sucedido em atrair operadores internacionais experientes, a próxima etapa será a concessão neste ano de outros 16 aeroportos, incluindo Congonhas, na capital paulista, e Santos Dumont, no Rio.

Na área rodoviária estão previstos os leilões da Nova Dutra e outros trechos de alto impacto econômico no Centro-Oeste. Há ainda a pretensão de conceder o porto de Santos como parte do programa.

O país se lança como atraente destino para investimentos em infraestrutura. Além da melhor estruturação dos leilões, incorporando de forma mais adequada critérios de retorno e risco, observa-se uma mudança importante no padrão das empresas interessadas.

Não se trata mais de empreiteiras ligadas a políticos, mas cada vez mais de gestores profissionais estabelecidos mundialmente e de fundos de investimento privados, ambos orientados por parâmetros de mercado e com amplo acesso ao mercado de capitais.

A concorrência e a diversidade têm aumentado, o que decerto favorece o mercado. Melhor governança e solidez regulatória não se constroem facilmente. Nesses quesitos há avanços a comemorar.

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Consciência democrática - Catarina Rochamonte

Recentemente, um grupo de possíveis candidatos a presidente da República divulgou documento intitulado Manifesto pela Consciência Democrática, no qual se constata que —três décadas após a reunião de forças políticas em torno do movimento das Diretas-Já e da eleição de Tancredo Neves— a democracia brasileira está sob ameaça.

O diagnóstico é correto, mas merece o adendo de que a chegada ao Planalto de um populista de direita resultou da rejeição desse ciclo político que se iniciou nos anos oitenta. Não se pode confundir a democracia que vale a pena defender com o mecanismo nefasto mantido por políticos que a defendem apenas retoricamente.

No quadro de crises permanentes que caracteriza a Nova República, marcada por práticas patrimonialistas e estruturada em um presidencialismo problemático que convive com um sistema loteado por partidos desacreditados que se multiplicam ao sabor de uma legislação permissiva que os engorda com fundos bilionários em relação aos quais mal prestam contas, a Operação Lava Jato deixou à mostra a real engrenagem da nossa perversa política, de modo geral, e do Partido dos Trabalhadores (PT), em particular: a captura do Estado em esquema sistêmico e gigantesco de corrupção por meio de conúbio entre grandes empreiteiras, burocratas estatais e líderes políticos autointitulados democratas.

Bolsonaro ser um desastre pandêmico não torna Lula menos corrupto. Importa repisar isso quando começamos esse estranho abril, no dia da mentira, assistindo à amistosa entrevista concedida por Lula ao autor do “País dos Petralhas” e, nessa mesma Folha, lendo Mario Sergio Conti clamar pelo messianismo de um Lula ressurreto. Até Luiz Felipe Pondé, avesso à corrupção lulopetista, chegou a ponderar que, em caso de segundo turno entre Alien e o Predador, o menos traumático seria o Predador Lula, dotado de uma forma mais humana. Não há, porém, carma coletivo que nos condene novamente a tão trágico dilema eleitoral.

FOLHA DE SP

 

MUNDO AINDA TEM PAÍSES SEM UMA ÚNICA DOSE DE VACINA

David Ehl / ÉPOCA

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 600 milhões de doses de vacina contra a covid-19 já foram aplicadas em todo o mundo. Mas a discrepância entre países é alta: enquanto, por exemplo, quase 100% da população de Gibraltar já foi vacinada, países como a Nicarágua ainda aguardam as primeiras doses.

Uma situação descrita pelo secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, como um absurdo: recentemente, ele apelou para que a produção global fosse aumentada, e as vacinas, distribuídas de forma justa para enfrentar a fase aguda da pandemia.

No mapa global de vacinação, ainda há uma faixa inteira de países africanos aguardando a chegada de doses - da Líbia a Madagascar. Esses países não figuram sequer nas estatísticas de vacinação da OMS. O quadro é semelhante na Ásia Central, assim como em países como Coreia do Norte, Cuba e Bósnia-Herzegóvina. Isso não significa, no entanto, que estes países não tenham recebido absolutamente nenhuma vacina até o momento. A Bósnia deverá receber sua primeira grande entrega direta no final de maio, mas já teve acesso a algumas doses doadas pela vizinha Sérvia.

PAÍSES AFRICANOS SEM VACINA

"Com relação à África, temos a boa notícia de que 44 países já receberam o fornecimento de vacinas. Mas, ao mesmo tempo, isso também significa que dez países não receberam até agora nenhuma vacina", diz Clemens Schwanhold, da ONG de combate à pobreza ONE.

Madagascar, Burundi e Eritreia estão entre em que os governos acreditavam que o vírus poderia ser combatido por outros meios. A Tanzânia, entretanto, passou por uma mudança de opinião após a morte repentina do presidente John Magufuli, um negacionista da ciência, após rumores não confirmados de uma infecção pela covid.

Schwanhold acredita que o governo liderado pelo sucessor de Magufuli, o presidente Samia Suluhu Hassan, provavelmente encomendará vacinas nas próximas semanas. "Ainda vai levar alguns meses, talvez algumas semanas, até que algo chegue", comenta.

MAIORIA DAS DOSES NAS MÃOS DE UE E EUA

"Nenhum de nós é seguro até que todos estejamos seguros" é um mantra sobre a covid-19 - e é a ideia por trás do programa Covax de proporcionar acesso global à vacinação. Os Estados-membros da OMS foram divididos em dois grupos. Um é formado por 98 países mais ricos, que estão financiando o fornecimento subsidiado ou gratuito de vacinas para os 92 países mais pobres.

"O problema é que não há muito mais doses de vacinas disponíveis porque a UE e os Estados Unidos já asseguraram a grande maioria delas", diz Sonja Weinreich, responsável pelas questões de saúde na organização Brot für die Welt (pão para o mundo), uma agência de assistência administrada pelas igrejas protestantes na Alemanha. "Portanto, este mecanismo não vem sendo capaz de se impor adequadamente porque essa solidariedade simplesmente não existe".

Uma grande coalizão de organizações de ajuda e outros grupos tem exigido a renúncia às patentes de vacinas da covid para ajudar a enfrentar este problema. "Isso permitiria que os países mais pobres - ou todas as empresas em todo o mundo - que são capazes de produzir vacinas, fizessem exatamente isso. Isso simplesmente teria que caminhar de mãos dadas com a transferência de tecnologia relevante", diz Weinreich.

Brot für die Welt é uma das organizações por trás desta demanda. Um argumento, diz ela, é que as vacinas foram parcialmente desenvolvidas e produzidas com fundos públicos: "Não é aceitável que algo seja financiado publicamente e, em seguida, os lucros sejam privatizados", comenta.

A indústria farmacêutica, por outro lado, argumenta que a patente não é o ponto. Nathalie Moll, diretora-geral do grupo de lobby da indústria, a Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA), disse à DW no final de março: "Se uma empresa entra em contato com outra para expandir a produção de vacinas, muito know-how técnico tem que ser transferido, para que as vacinas possam ser produzidas com segurança e eficiência nas quantidades necessárias. Trata-se de muito mais do que propriedade intelectual". Segundo ela, 250 licenças já haviam sido distribuídas em todo o mundo para expandir a capacidade de produção.

COVAX, UMA INICIATIVA REALISTA?

A Índia - vital para o fornecimento mundial de vacinas - recentemente restringiu a exportação. O governo quer manter os suprimentos no país, que está atualmente registrando níveis recordes de infecção. Os EUA também não exportaram praticamente nenhuma vacina, enquanto a União Europeia tem permitido o envio de suprimentos para países mais pobres.

Mas tanto Sonja Weinreich quanto Clemens Schwanhold estão otimistas quanto ao fato de que o principal objetivo do programa Covax pode ser alcançado. O objetivo é vacinar pelo menos 20% da população de todos os 92 países beneficiários até o final de 2021, incluindo grupos de alto risco e pessoal médico.

"Acho que isso é viável", diz Weinreich. "Na Europa, a implementação da vacinação está começando a ganhar velocidade, e muito mais vacinas devem estar disponíveis", acrescenta ela.

A UE encomendou mais de quatro vacinas per capita de vários fabricantes, embora apenas duas, no máximo, sejam necessárias. O Canadá já encomendou mais de oito. Clemens Schwanhold explica que as questões de responsabilidade ainda precisam ser resolvidas antes que tal excesso de vacinas possa ser repassado aos países em necessidade.

Os fabricantes repassaram sua responsabilidade à maioria dos Estados que compram seus produtos devido ao tempo extremamente curto de entrega. "E é compreensível que a UE não queira ser responsabilizada por nenhuma reclamação em potencial se repassar doses de vacina", explica Schwanhold.

Ele diz que o sucesso da promessa da Covax depende de "todos os participantes se unirem quando se trata de financiamento e do fornecimento de matérias-primas". O bom, argumenta, é que "a Covax não tem que fazer tudo isso sozinha". A União Africana também encomendou significativamente mais de 500 milhões de doses de vacinas, diz ele: "Estou relativamente confiante de que teremos vacinado muito mais de 20% até o final deste ano".

 

Bolsonarismo, conservadorismo e liberalismo

Denis Lerrer Rosenfield, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 03h00

Jair Bolsonaro, em sua eleição, conseguiu encarnar a força do antilulopetismo, congregando em torno de si três correntes de ideias que, naquele então, apareceram juntas na luta contra um inimigo comum: a extrema direita, os conservadores e os liberais. Compareceram amalgamados, unidos, mesmo indistintos, prometendo uma regeneração nacional, contra a corrupção e os políticos que a ela tinham aderido.

A concepção propriamente de extrema direita, embora já presente, foi progressivamente ganhando forma, exercendo forte influência graças à família presidencial e à captura de ministérios importantes. Os conservadores, bem delineados, surgiram na defesa de valores morais, tendo como representantes principais os evangélicos. Os liberais apresentaram-se, principalmente, sob a pauta do liberalismo econômico e menos sob a forma do liberalismo político.

No entanto, nestes mais de dois anos transcorridos, as diferenciações e divergências internas foram se tornando mais nítidas, embora algumas ainda não se tenham configurado completamente. Por exemplo, o liberalismo econômico já foi praticamente deixado de lado, apesar de o ministro da Economia continuar no poder como figurante de um governo de extrema direita, afeito a intervenções em empresas públicas, abandono das reformas, irresponsabilidade fiscal e ausência de privatizações. Sobra apenas um fiapo de discurso e práticas liberais.

No que diz respeito ao conservadorismo, ele continua ainda aderido à extrema direita, apesar de fissuras se fazerem cada vez mais presentes. Os evangélicos prezam a solidariedade, a compaixão, os valores morais, são reconhecidos como pessoas que reverenciam as virtudes e o trabalho, logo, não podem compactuar com o tratamento que o bolsonarismo dispensa à morte, à doença, o seu desprezo pela vida. Quando a morte e a doença batem à porta, pelo descaso e pela inépcia governamentais, um limite está sendo ultrapassado. Não há nenhuma gracinha na “gripezinha” e nos efeitos da vacina criando caudas de jacaré. O que há, sim, é um completo menosprezo por valores religiosos e morais.

Os traços principais da extrema direita no poder são: 1) A concepção da política baseada na distinção entre amigos e inimigos. Todo aquele que não segue as ordens do clã presidencial é considerado inimigo efetivo ou potencial, seja ele real ou imaginário. Afirma-se, assim, o ódio ao próximo. 2) A sociedade e o mundo em geral são vistos pelo prisma de uma teoria conspiratória, com inimigos invisíveis urdindo um grande complô internacional, sendo o atual governo o bastião de “valores”, evidentemente os seus. 3) O presidente considera-se investido de uma missão de caráter absoluto, como se tudo por ele proferido devesse ser simplesmente acatado, no estilo ele manda e os outros obedecem. 4) Deduz-se daí um culto à personalidade, particularmente presente em sua apresentação de si como se fosse um mito, uma espécie de messias, numa deturpação dos valores religiosos. 5) A destruição e a morte tornam-se traços principais dessa arte de (des)governar, com as instituições representativas, liberais, sendo atacadas e dando livre circulação ao coronavírus, com atrasos, incompetência e tergiversações sobre vacinas, apregoando o contágio por aglomerações e ausência do uso de máscaras. A morte pode circular livremente!

Ora, o conservadorismo no Brasil, fortemente ancorado em valores morais de cunho religioso, está baseado no amor ao próximo, e não em sua exclusão ou potencial eliminação. Sua expressão política na representação parlamentar se faz pelo diálogo e pela negociação, o outro não podendo ser tomado como inimigo. Mais precisamente, não haveria como aceitar o culto à personalidade, muito menos ordens a serem simplesmente acatadas, pois, nesse caso, o poder laico estaria adotando uma forma religiosa. E conforme assinalado, a vida é algo sagrado, não pode ser tratada com incúria e desprezo. Torna-se nítido que o conservadorismo começa a distanciar-se do bolsonarismo, embora sua imagem continue atrelada a ele.

Quanto ao liberalismo, se o seu componente econômico já está sendo relegado a uma posição secundária, se não irrelevante, outro valor seu começa a ser contaminado, a saber, a sua feição propriamente política. Vocações autoritárias do bolsonarismo são inadmissíveis para um liberal. A política enquanto distinção amigo/inimigo é o contraponto de tudo o que essa concepção defendeu no transcurso de sua história. O culto à personalidade lembra tanto o stalinismo quanto o nazismo e o fascismo, com a glorificação e a santificação do líder máximo. A distinção dos Poderes, tão cara, está sendo cotidianamente testada, como se as instituições representativas fosse um obstáculo ao exercício do poder que devesse ser eliminado.

Eis alguns aspectos que serão centrais nas próximas eleições e para o destino do País, cujas distinções aparecerão mais claramente numa abertura para o futuro – isso se algumas dessas correntes não optarem por um jogo de esconde-esconde, do qual o bolsonarismo sairá vencedor.

Mais vale prevenir do que remediar.


PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFGRS. E-MAIL: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lockdown é o fetiche da esquerda, assim como a cloroquina é o da direita

Luiz Felipe Pondé

Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e “Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP. / FOLHA DE SP

Estamos acostumados a pensar em negacionistas grosseiros tais quais os zumbis bolsonaristas. Gente que defende cloroquina. Mas também existem negacionistas chiques, como bolsas Prada.

Esses negacionistas com credenciais citam diplomas e termos técnicos e o senso comum acredita neles. Cada dia se especula mais diante da ignorância crassa acerca da peste. Diante das câmeras, se diz qualquer coisa pra manter a bola quicando. Mas a verdade é que não sabemos muito mais sobre ela do que se sabia sobre a gripe espanhola em termos epidemiológicos ou sanitários. Esse negacionista nega a sua ignorância, no entanto.

Aliás, o mundo era mais sexy antigamente. Pegar a gripe espanhola tinha um quê de sensual. Imagine se disséssemos “peguei a gripe chinesa” em vez de “peguei a Covid-19”.

Hoje, contudo, quero refletir sobre o negacionismo com marca de luxo. Os negacionistas chiques não são tão óbvios quanto os zumbis. Darei dois exemplos. Seguramente, se você lê jornais, tem um negacionista de luxo ao lado, ou ainda no seu próprio espelho.

Ambos são fenômenos que circulam entre pessoas de classe média pra cima, com razoáveis condições financeiras, um repertório de viagens ao exterior invejável, acesso a informação de qualidade, digamos, e até hábito de leitura acima da média miserável do país. Assim como existem zumbis bolsonaristas que têm apartamento em Miami, existem negacionistas chiques que mantêm apartamento em Lisboa.

O primeiro exemplo são os negacionistas alternativos. Gente que toma cúrcuma pra fortalecer o organismo contra o coronavírus. Gente que acha que os efeitos da vacina da Pfizer podem ser comparados a casos como a da talidomida, que levou uma geração dos anos 1950 e 1960 a ter membros encurtados e órgãos com má-formação ao ser receitado como um remédio para enjoo a mulheres grávidas.

Antivacina em geral, mas com passaporte francês. Aliás, a França, país chique por excelência, apresenta um número significativo de indivíduos contra vacinas por causa da disseminação da cultura de medicina alternativa em meio aos croissants.

Membros dessa tribo podem jantar com você —depois da peste— e você nem perceberá. Aliás, eles existem desde antes da peste, no que demonstram ser mais chiques do que os novos negacionistas zumbis bolsonaristas.

Um negacionista de classe lê nas suas bolhas das redes “artigos que provam” que vacinas são ruins para a saúde e acredita numa coisa vaga chamada natureza.

Para eles, a vacina antipólio, infelizmente uma exigência das escolas, não é a responsável pela queda de pólio entre as crianças, mas sim hábitos alimentares “mais naturais”.

Esses idiotas com branding não lembram que câncer é tão natural quanto cúrcuma. Imagino o drama de quem é contra testes em animais pra tomar as vacinas contra Covid. Coitadinhos, não?

O segundo caso é mais delicado e profundo. Esse tipo de negacionista não tem a mínima ideia de que ele é um negacionista, no caso, das ciências sociais. Dessa tribo podem fazer parte médicos, cientistas, jornalistas, e até mesmo a Mulher Maravilha.

Pestes são entidade sociológicas, além de médicas. Mas muitos médicos, talvez a maior parte, mesmo se especialistas na sua área, bombaram em ciências sociais. E epidemiologia e saúde pública são áreas da medicina com uma face voltada para as ciências biológicas e outra para as sociais.

Quer saber como você identifica um deles? Muito fácil: basta ver alguém berrando por um lockdown radical no Brasil, e você estará diante de um negacionista com credenciais múltiplas. Suspeito mesmo que a palavra lockdown, para muitos, dispare uma sensação de orgasmo. O lockdown é o fetiche da esquerda, assim como a cloroquina é o da direita.

O lockdown radical é impossível no Brasil por razões sociológicas, econômicas, políticas e históricas. O Estado não tem braços pra impor algo assim. Nem dinheiro pra pagar a conta. Um brasileiro que morre de fome não pode pagar multas em euros. O negacionista chique aqui, mesmo com títulos científicos, legisla do seu laptop para um país que não existe.

Isso não dá razão a Bolsonaro, apenas impõe limites sociais às políticas de contenção epidemiológica. É uma tragédia, mas nem por isso é menos científica do ponto de vista das ciências sociais.

E os jornalistas, já desgastados com essa efeméride de uma peste que não passa, berram: “queremos lockdown!”.

Chuva no Ceará chega a mais de 90 municípios e tem precipitação de 69 mm neste fim de semana

chuva NO CE

O Ceará registrou chuvas, pelo menos, em 92 municípios atingindo o melhor resultado de abril até o momento, segundo balanço da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) atualizado às 10h30 deste domingo (11). As maiores precipitações ocorreram nos municípios Deputado Irapuan Pinheiro e Boa Viagem, na região do Sertão Central e Inhamuns, registrando 69 mm cada um. 

Logo em seguida estão os municípios de Aracoiaba (68 mm), Itapiúna (66 mm), Monsenhor Tabosa (62.4 mm), São Gonçalo do Amarante (59 mm), e Quixeramobim (57 mm), com as maiores precipitações registradas. 

No último dia 5 de abril, o Estado registrou 78 mm de chuva em Tauá, a maior ocorrência do mês até agora. Naquela data, choveu em 88 municípios. 

Segundo previsão elaborada pela Funceme, o domingo será de “nebulosidade variável em todas as regiões com chuva isolada no Litoral de Fortaleza e no Maciço de Baturité. Nas demais regiões, eventos de chuva”. 

A Fundação Cearense afirma que a instabilidade nas condições de tempo neste fim de semana "indicam aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), o que pode colaborar para chuvas mais expressivas, mesmo que ainda restritas ao centro-norte". 

PREVISÃO PARA INÍCIO DA SEMANA

Para a segunda-feira (12), a Funceme aponta “nebulosidade variável em todas as regiões com chuva isolada no Litoral do Pecém, no Litoral de Fortaleza e no Maciço de Baturité. Nas demais regiões, eventos de chuva”. 

Já para terça-feira (13), a previsão é de “nebulosidade variável em todas as regiões com chuva isolada na faixa litorânea e no Maciço de Baturité. Nas demais regiões, eventos de chuva”. 

 DIARIONORDESTE.

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