A grande obra de Dilma
Depois de garantir o pior desempenho da economia desde 1990, quando o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 4,35%, a presidente Dilma Rousseff adiciona mais uma grande marca a seu currículo, produzindo a maior inflação em 12 anos. Em novembro de 2002, a taxa acumulada em 12 meses chegou a 11,02%, como consequência de uma campanha eleitoral conturbada, muita especulação, fuga de capitais e enorme pressão sobre o câmbio. No mês seguinte, a alta de preços arrefeceu e o número final foi de 9,30%. Apesar de tudo, naquele ano a produção cresceu 2,66%. O contraste em relação ao ritmo da atividade é inegável. Quando sair o balanço econômico de 2015, ninguém se surpreenderá se o PIB tiver diminuído 3,50% ou até mais. O desastre geral já aconteceu. Nos 12 meses terminados em novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 10,48%, e o resultado final do ano, tudo indica, permanecerá em dois dígitos. Basta uma taxa de 0,40% em dezembro para se alcançar 10% em 2015.
Dilma inventa um vírus, um ovo que pica, uma doença, um caos…
Vivemos em tempos de múltiplas barbáries — inclusive a do discurso. No sábado, em Recife, a presidente Dilma lançou, com 13 anos de atraso — refiro-me ao período em que o PT está no poder — um programa de combate ao Aedes aegypti, o mosquito que transmite os vírus da dengue e da chikungunya e o Zika vírus, que, tudo indica, está ligado ao surto de casos de microcefalia que se espalha especialmente pelo Nordeste, particularmente grave em Recife.
Não existe coisa fácil com Dilma Rousseff. Se alguém pedir que ela declame “Batatinha quando nasce”, fiquem certos de que a operação vai se perder em algum abismo da sintaxe. Não duvidem de que ela é capaz de se perder nos desvãos do ritmo, o que lhe dará tempo de fazer uma pausa para refletir em voz alta: “Mas o que é a batatinha?”.
Foi assim que ela já nos premiou com o lirismo da mandioca, que nunca mais será a mesma depois daquela reflexão.
Muito bem! No sábado, ela resolveu dar uma aula de Zika vírus. O vídeo segue abaixo. O trecho que transcrevo depois dele está entre 8min42s e 8min56s.
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Leiam o que disse a presidente: “Porque o mosquito transmite essa doença porque ele coloca um ovo. Esse ovo tem o vírus que vai transmitir a doença”
Entenderam? Dilma inventou o ovo que pica!!! Dilma inventou o ovo que voa! Alguém passou a esta senhora um briefing informando que o mosquito, macho ou fêmea, se alimenta de néctar. Mas a fêmea tem uma dieta adicional: sangue, necessário à maturação dos ovos.
O ministro que melhor convém
As notícias dos últimos dias focaram-se no recebimento da denúncia por crime de responsabilidade pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com a consequente deflagração do processo de impeachment (da presidente da República), bem como nas estratégias e ações arquitetadas pelo Planalto para tentar barrar o processo.
Como parte do plano estratégico, segundo declarou à imprensa o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, seria intentado mandado de segurança (no STF) visando a anular o recebimento da denúncia por Cunha, sob o argumento de “abuso de poder”, visto que sua decisão fora, supostamente, motivada por revanchismo.
A ação, encampada pelos deputados petistas Paulo Teixeira (SP), Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ), acabou proposta às 16 horas de quinta-feira 3/12, sendo registrada como MS 33921 e distribuída à relatoria do ministro Gilmar Mendes pouco menos de 20 minutos depois.
Vale esclarecer que, conforme previsto pelo artigo 548 do Código de Processo Civil (CPC), combinado com o artigo 66 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal (RISTF), a referida ação foi regularmente distribuída por sorteio eletrônico aleatório.
Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão elege nova diretoria

Carmen Lúcia Dummar foi eleita, na manhã de ontem, presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado do Ceará (Sindatel). Ela é a responsável pela coordenação da rádio Tempo FM e já preside a Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert).
A eleição contou com a presença de representantes de 64 empresas associadas e da vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert), Mônica Pereira. Lídio José Fernandes Ferreira foi eleito o vice-presidente do sindicato.
A presidência estava vaga desde outubro por causa do falecimento do então presidente, Edilmar Norões. Pelo estatuto do Sindatel, deveria assumir o vice, Jaime Machado da Ponte Filho. Porém, alegando motivos empresariais, ele abdicou do cargo. OPOVO
Governo faz besteira ao judicializar a questão em vez correr em busca dos votos
Edson Fachin, ministro do STF, concedeu uma liminar contra parte do rito do impeachment sem anular decisão nenhuma tomada pela Câmara. Até o dia 16, quando o STF vai julgar os pleitos do PCdoB expressos numa Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), está tudo congelado.
Nesta terça, o partido pediu também que o Supremo concedesse liminar contra o voto secreto para a eleição da comissão especial e contra a formação da chapa alternativa. Conseguiu a suspensão temporária apenas da primeira decisão.
A liminar é uma vitória do governo? Será que o Planalto acerta em fazer a aposta no tapetão? Sinceramente, acho que não. E explico por quê.
Como todos sabemos, não é a primeira vez que o Supremo é acionado depois que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deu início à tramitação da denúncia.
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Tenho pra mim que o governo comete um erro brutal ao patrocinar essas investidas no Supremo, transformando a questão do impeachment numa guerra judicial — no caso, a única guerra razoável é pelo voto.
Avanços sociais são ameaçados e desigualdade pode voltar a crescer
Yolanda Fordelone & Natália Cacioli / O ESTADO DE SÃQO PAULO
Alta de preços de itens básicos compromete, principalmente, o orçamento das famílias mais pobres, que também não têm acesso a instrumentos financeiros sofisticados.
O forte avanço dos preços em 2015 está prejudicando, sobretudo, a vida da camada mais pobre da população. O mercado ficou mais caro, o preço da conta de luz disparou e até o gasto com transporte público aumentou. Na contramão dos preços, o salário ficou menor e agora custa a durar até o fim do mês. Na ponta da cadeia, esse movimento perverso coloca em risco os avanços sociais dos últimos anos e o temor é que a desigualdade volte a crescer no País.
LEIA A ANÁLISE: ‘Por que a inflação prejudica os mais pobres?’ "Tradicionalmente, nos períodos em que a inflação aumenta, a desigualdade também sobe", diz o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, citando o aumento da desigualdade na década de 1980, quando a inflação atingia dois dígitos por mês. Já na última década - com a ampliação de programas sociais, a formalização do mercado de trabalho e o aumento da renda -, as diferenças entre ricos e pobres se estreitaram. O problema é que o ritmo de melhora perdeu força nos últimos dois anos.
O Índice de Gini passou de 0,494 em 2013 para 0,489 em 2014 (números mais próximos a zero indicam uma sociedade mais igualitária), segundo a última divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2009 e 2012, por exemplo, o avanço foi bem mais expressivo: de 0,516 para 0,496.
Desigualdade cai, mas em ritmo menor Perda do poder de compra e aumento do desemprego ameaçam ganhos sociais da última década.

