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Até a recessão é de qualidade inferior

Não se pode confiar nem na recessão, pelo menos naquela made in Brazil. Recessões decentes são em geral acompanhadas de inflação em queda e contas externas em recuperação. O caso brasileiro é especial. Os preços ao consumidor sobem 10%, enquanto o desemprego atinge 9% da força de trabalho, a renda real das famílias diminui, o crédito se torna mais difícil e o produto interno bruto (PIB) encolhe 3,5%, segundo as estimativas correntes. Só uma parte do script convencional parece estar sendo cumprida. O superávit comercial de US$ 14,21 bilhões acumulado no ano, até a primeira semana de dezembro, é o sinal mais vistoso da melhora do balanço de pagamentos.

No ano passado, no mesmo período, o saldo havia sido um déficit de US$ 3,95 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Pelo menos as contas externas parecem refletir um efeito benigno da recessão. O mercado projeta para este ano um superávit de US$ 15 bilhões na conta de mercadorias. A última estimativa do Banco Central (BC), baseada em critério um pouco diferente, é de um saldo positivo de US$ 12 bilhões, com enorme recuperação, portanto, em relação ao resultado de 2014, quando o déficit chegou a US$ 6,53 bilhões.

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A imprudência de Dilma

Em sua relação com o PMDB, a presidente Dilma Rousseff assemelha-se a um lutador que mal consegue se manter em pé de tanto apanhar, mas continua a cometer a imprudência de chamar o oponente para a briga – correndo o sério risco de, a qualquer momento, levar um nocaute.

A petista tomou outra sova dos peemedebistas no Congresso quando o partido decidiu trocar de líder na Câmara – no lugar de Leonardo Picciani (RJ) entrou Leonardo Quintão (MG). Picciani havia sido cooptado por Dilma para dividir o PMDB e, assim, sabotar os esforços de parte do partido para fazer avançar o processo de impeachment. Ele atuou de forma escancarada a favor de Dilma ao escolher os correligionários que integrariam a comissão especial da Câmara que analisará o pedido de impeachment. O deputado se negou a indicar peemedebistas que fazem oposição ao governo, gerando revolta em parte da bancada.

O contra-ataque foi imediato: além de articularem o lançamento de uma chapa paralela para a comissão do impeachment – que acabou sendo eleita –, esses peemedebistas, apoiados pelo vice-presidente Michel Temer e pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deflagraram um movimento para destituir Picciani da liderança do partido. “Agora (Picciani) vai pagar o preço de não ter sido líder da bancada, mas do governo”, disse Osmar Terra (PMDB-RS), que liderou a manobra contra o deputado que estava a serviço de Dilma.

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Obra do PT ficou menor que sua promiscuidade

Noutros tempos, a política feita sob o lema despudorado do 'rouba mas faz' reivindicava a imunidade preventiva para um sistema de conveniências em que o suposto proveito substituía a ética. Hoje, depois de 13 anos de poder petista, já não há nem uma coisa nem outra. A roubalheira fulminou a ética. E a ruína econômica fez sumir a noção de proveito. É contra esse pano de fundo que o governo Dilma se despedaça, espalhando estilhaços na direção de Lula e do PT.

A conversão da rotina em escândalo e a troca da responsabilidade fiscal pelo malabarismo econômico dissolvem o petismo. Apenas 31% dos brasileiros acham que sua vida melhorou nos 13 anos de PT no poder federal, informa o Datafolha. A maioria (68%) avalia que a coisa piorou (26%) ou ficou na mesma (42%). E só 24% veem o desempenho do PT no Planalto como ótimo ou bom. Para 35%, o partido merece as menções ruim ou péssimo. Outros 40% consideram que a legenda foi regular.

O PT paga a conta da longevidade de um poder promíscuo. Lula passou a temer o que o futuro dirá dele quando puder se pronunciar sem o cheiro de enxofre que exala da conjuntura. A combinação de três crises —ética, política e econômica— compromete um título que o morubixaba do PT imaginava estar no papo. O título de presidente da redenção social. Ao vender como realidade a ficção do talento gerencial de Dilma, Lula fez da história das administrações petistas uma ponte ligando o sucesso ao “por outro lado''. Com um abismo no meio. Na era petista, todos os estratos sociais prosperaram. A renda dos 10% mais pobres subiu 129% acima da inflação. A dos 10% mais ricos aumentou 32%. Por outro lado, o país amarga uma recessão que já compromete esses ganhos. Neste ano da graça de 2015, o PIB deve murchar quase 4%.

O Brasil usufruiu como poucos do chamado ciclo das commodities. Por outro lado, e absteve de fazer reformas estruturais e serviu-se da manobra das pedaladas fiscais para maquiar gastos incompatíveis com a receita. A gastança reelegeu Dilma. Por outro lado, madame mentiu tanto na campanha que, reempossada, sua credibilidae virou suco.

Potencializadas pelo Bolsa Família e pela Previdência, as despesas na área social cresceram de 6,5% para 9,3% como proporção do PIB. Por outro lado, a inflação de dois dígitos e o desemprego crescente infelicitam sobretudo os brasileiros mais pobres, roendo-lhes os ganhos.

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Direto ao Ponto

Neste 13 de dezembro, a imensidão de indignados precisa sair de casa, engrossar a onda de protestos e mostrar que o destino do país será ditado pela voz das ruas

    

Atualizado às 11h05

Neste 13 de dezembro, estarão de volta às praças e avenidas de centenas de cidades os milhões de indignados que expressam a vontade do país que presta. É hora de sair de casa e engrossar a multidão inconformada. O fim da era da canalhice, convém insistir, começa pelo impeachment de Dilma Rousseff. E a presidente só será afastada do cargo que desonrou pela voz rouca das ruas.

No dia 16, os devotos de ditaduras bolivarianas voltarão a investir em tubaína, gorjeta e mortadela para que manifestações de apoio ao governo desgovernado não pareçam procissão de vilarejo. Devem ser desmoralizados já no domingo pela demonstração de força da resistência democrática, que será acompanhada com lupa por deputados, senadores e ministros do Supremo.

É preciso mostrar-lhes que o Brasil decente exige o imediato despejo dos farsantes no poder. AUGUSTO NUNES/ VEJA

Temer ignora apelo de Dilma e tenta unir PMDB em torno do impeachment

Mesmo após terem selado um acordo de paz na quarta-feira, vice e a petista continuarão a trabalhar para dividir as bancadas peemedebistas no Congresso

Numa “guerra fria” em que o rompimento se mostra iminente, a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, definiram esta semana estratégias distintas para enfrentar o processo de impeachment. No roteiro do vice – que assumirá a Presidência num eventual afastamento de Dilma – o ponto principal é a unificação da bancada do PMDB da Câmara, dividida ao meio pelos vaivéns sobre a escolha do seu líder.

Temer durante palestra do Instituto de Direito Público em São Paulo
Temer durante palestra do Instituto de Direito Público em São Paulo
No campo oposto, o Palácio do Planalto aumenta a pressão sobre os deputados da bancada peemedebista que detêm cargos do governo federal, sobretudo nos Estados. As ameaças lado a lado serão cada vez mais frequentes.  Na conversa que tiveram na noite de quarta-feira, Temer e Dilma afirmaram que buscariam uma convivência “profícua”. No entanto, o vice deixou claro que vai se dedicar ao comando do PMDB. Segundo aliados do vice, se Dilma buscar fustigá-lo dentro da sigla, Temer vai promover uma convenção do partido para consolidar o rompimento com o governo. 

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Bia, 20 anos, a nova estrela do clã Lula

Maria Beatriz da Silva Sato Rosa, nom de guerre Bia Lula, 20 anos, a neta mais velha de todos sabem quem, é uma estrela em ascensão no PT do Rio. À frente de uma comissão de quinze jovens de Maricá, cidade fluminense onde é dirigente partidária, ela foi uma das estrelas do Terceiro Congresso da Juventude do partido, realizado no mês passado em Brasília, com direito a discurso de abertura de seu avô.bia lula original

No evento, em que gritou "Fora Levy" e "Fora Cunha", Bia conclamou correligionários a defender o partido: "É nesses momentos difíceis que vemos os verdadeiros petistas. Se desistirmos, tudo vai piorar. Temos de ir para a rua, não fugiremos à luta". Sobre os sentenciados do mensalão e da Lava-Jato, afirmou: "O companheiro Dirceu foi condenado sendo inocente, assim como muitos do nosso partido. Sou uma eterna defensora dele e do companheiro José Genoino. São presos políticos, infelizmente".

Primogênita de Lurian Lula da Silva, a filha de Lula com a ex-enfermeira Miriam Cordeiro, Bia é a aposta do presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, para alavancar o partido nas eleições de 2018, ocasião em que deverá disputar um cargo. Estudante de psicologia, apresenta-se também como atriz.

 

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