No PMDB, o coronel faz as pazes com o mordomo de filme de terror pelo poder
Chamado de “coronel” por Michel Temer, o senador Renan Calheiros celebrou um armistício com seu ofensor, a quem chamou de “mordomo de filme de terror”. Coube ao senador Romero Jucá articular a reaproximação do presidente do Senado com o vice-presidente da República. Com o armistício, selado nesta terça-feira, esvaiu-se a perspectiva de disputa pelo comando do PMDB na convenção partidária marcada para março. Temer deve ser reconduzido à presidência do PMDB federal para um mandato de mais dois anos. Renan e Jucá, que tramavam o lançamento de uma chapa para medir forças com Temer, deram meia-volta. Decidiu-se que um dos dois será acomodado na chapa de Temer, na posição de 1º vice-presidente. Combinou-se também que, uma vez reeleito, Temer pode se licenciar da presidência do PMDB. Nessa hipótese, o 1º vice-presidente assumiria interinamente o comando da legenda. Significa dizer que o maior partido do Congresso deve ser conduzido por um investigado da Lava Jato, já que tanto Renan quanto Jucá respondem a inquérito no STF. No PMDB é assim. Muda-se o status sem mexer no quo. JOSIAS DE SOUZA
Depois que Dilma foi embora, PT e PSDB quebraram o pau na tribuna do Senado

Durou pouco a atmosfera de concórdia que Dilma Rousseff tentou criar ao comparecer à sessão inaugural do ano legislativo de 2016. Em seu discurso, a presidente propôs uma “parceria com o Congresso” para superar a crise. Depois que ela foi embora, petistas e tucanos quebraram o pau no plenário do Senado. Bem cedo perceberam que já é muito tarde para o diálogo. Os petistas revezaram-se na tribuna. Deram de ombros para o pronunciamento de Dilma. Saíram em defesa de Lula e de seus familiares. E atacaram ferozmente o tucanato. Líder do PSDB, o senador Cássio Cunha Lima reagiu. No auge do arranca-rabo verbal, o petista Lindbergh Farias disse que Lula sofre “uma campanha de ódio dirigida por setores da mídia brasileira.” Comparou-o a FHC.
“Ele foi o presidente que fez a organização das instituições para que houvesse investigação no país, porque tucano não gosta de investigação. Na época do Fernando Henrique Cardoso, não havia investigação. O procurador-geral Geraldo Brindeiro era conhecido como engavetador-geral da República. Ele foi nomeado três vezes. Na quarta vez, houve uma eleição. Sabe em que lugar o Geraldo Brindeiro ficou? Em sétimo lugar, fora da lista tríplice. Sabe o que fez o presidente Fernando Henrique? Nomeou o sétimo colocado.”
Lindbergh prosseguiu: “Sabem quantas operações da Polícia Federal houve nos oito anos de governo Fernando Henrique? Foram 48, seis por ano. Isso é um escândalo. Hoje, são mais de 250 por ano. Olhem a comparação!”
Cunha Lima chamou de “pueril” a tese do petista. Afirmou que, sob FHC, “não se praticavam tantos crimes como se pratica hoje.” E Lindbergh: “Ah! Vossa Excelência acredita nisso? Ah!” O líder tucano elevou o tom. “Não havia uma organização criminosa comandando o Brasil, senador.”
Wesley Safadão destacou senador peemedebista durante show em Brasília
O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, conferiu o show do cantor Wesley Safadão, no fim de semana, em Brasília. Durante a apresentação, cantor, amigo do peemedebista, fez questão de parabenizar Eunício e sua mulher, Mônica, que ali comemoravam 36 anos de casados. Safadão, bom lembrar, sempre acompanhou politicamente o senador, em quem votou no pleito passado. Talvez seja por isso que a mãe do cantor, dona Bill, esteja no PMDB e já posando de pré-candidata à Prefeitura de Aracoiaba. BLOG DO ELIOMAR
Ministro quer que aliados defendam Lula. Ah,vá!
De volta das férias, líderes governistas na Câmara foram ao Planalto para trocar ideias sobre as prioridades legislativas do ano. Além de ajudar a aprovar projetos indigestos como o que recria a CPMF, os aliados do governo foram instados pelo ministro Jaques Wagner (Casa Civil) a defenderem Lula das acusações imobiliárias que o assediam. Amigo de Lula, Wagner afirma que a história do morubixaba petista “precisa ser respeitada”. O apelo de Wagner chega um dia depois da divulgação de uma pesquisa do instituto Ipsos que detectou os efeitos da Lava Jato sobre o prestígio de Lula. Escassos 25% dos entrevistados consideram que Lula é um político honesto. A grossa maioria dos entrevistados (68%) avalia que Lula não tem mais moral para falar de ética. Para 67%, o escândalo na Petrobras mostra que Lula é tão corrupto quanto os outros políticos. Com resultados assim, os amigos costumam ficar com a solidariedade bem cansada. JOSIAS DE SOUZA
A crise e seu espetáculo - MARCO ANTONIO VILLA
Como é possível um governo lambuzado em dezenas de casos de corrupção, e tendo o seu principal líder acusado de graves crimes, continuar agindo e dirigindo os negócios públicos como se o país vivesse em plena bonança econômica e respeito aos valores republicanos? Vivemos uma situação anômala. O mais estranho é que os dias vão passando, as crises — pois são várias — vão se sucedendo e se aprofundando, mas nada muda. Nada no sentido da interrupção deste perverso processo. É como se estivéssemos condenados ao fogo eterno, cada vez mais quente e mais devastador.
A sucessão das denúncias e as condenações na operação Lava-Jato — quase uma centena, até agora — são recebidas como algo natural, parte intrínseca da política. Diversamente dos Estados Unidos, o nosso destino manifesto seria conviver com a corrupção. Sempre teria sido assim — e sempre será assim. O que em outros países encerraria a carreira de um político aqui passou a ser entendido como um ato falho, de falta de esperteza.
A farsa desmontada - O ESTADO DE SP
Se em relação a Luiz Inácio Lula da Silva a Operação Lava Jato e afins não conseguirem revelar nada mais do que até agora veio a público, já estará mais do que demonstrado um traço importante do comportamento do ex-presidente que o desqualifica como homem público incorruptível ou, como ele próprio se definiu, a “alma mais honesta” do País: a promiscuidade com empresários corruptos como o ex-presidente da construtora OAS, condenado a 16 anos de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da Petrobrás.
Pressionado, Lula confessou, em nota divulgada por seu instituto, o que já se tornara indesmentível: fez uma visita, em 2014, a “uma unidade disponível para venda no condomínio”, o famoso tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, acompanhado de Marisa Letícia e de Léo Pinheiro, então firme no comando de sua empreiteira, que havia assumido a construção do prédio. Após a visita – segundo a nota, sob o título Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa –, o casal concluiu que o apartamento “não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava”. Aparentemente, para satisfazer o casal, Léo Pinheiro mandou fazer novas reformas, que foram fiscalizadas, ainda segundo a nota, em outra visita de Marisa Letícia, desta vez acompanhada do filho Fábio Luís.



