O Aedes aegipti é o novo fator de unidade nacional - REINALDO AZEVEDO
Não vou aqui fazer a lista das cidades onde houve panelaço quando a presidente Dilma apareceu na TV para falar sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti. Não faço porque isso sempre tem de ser ampliado, incluindo cidades e bairros que não são citados. Parece-me que o prudente é considerar que houve protestos onde quer que as pessoas soubessem que ela iria se manifestar. Acho que se espalhou pelo Brasil inteiro. Na região onde estou, na Paulista, do 24º andar de um edifício, ouvi o mais ruidoso de todos os protestos até agora. Como há muita gente voltando pra casa, as buzinas brigavam com as panelas para ver quem se manifestava com mais clareza.
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Dilma está de parabéns! O ímpeto da presidente da República de transformar o mosquito num ativo político mereceu da população o devido repúdio e certamente vai contribuir para, como posso dizer?, elevar a temperatura em favor do impeachment.
O refúgio modesto e esquecido, que Lula trocou por Atibaia

SÃO BERNARDO (SP) - Antes de chegar à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva tinha como refúgio uma propriedade muito mais modesta do que o sítio Santa Bárbara de Atibaia. Era no Los Fubangos, às margens da represa Billings, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que ele reunia os amigos e familiares para pescar, descansar e cozinhar coelho. Com 7,3 mil metros quadrados, vinte vezes menor do que o sítio de Atibaia, o Los Fubangos tem como marca a simplicidade, simbolizada pelo nome que remeteria a algo fuleiro, sem muito valor, segundo pessoas que frequentaram o local. O GLOBO visitou o antigo sítio e encontrou o portão fechado. Na vizinhança, formada por casas simples, ninguém tem visto o ex-presidente. — Trabalho aqui há quatro anos e nunca vi o Lula — conta um funcionário do clube do Sindicato dos Metalúrgicos, ali perto.
PT se agarra ao mito - O Estado de SP
Acossado por todos os lados e com seu grande líder na mira de investigações sobre corrupção, o PT está lançando na programação partidária gratuita da mídia eletrônica uma campanha de forte apelo emocional, com inserções de 30 segundos, focada na defesa de Lula, que é apresentado como alvo de “perseguição” por parte dos “preconceituosos de sempre” que “não aceitam que o Lula continue morando no coração do nosso povo”. Essa campanha é a primeira providência prática de atuação pública da direção petista a partir da avaliação de que as investigações sobre corrupção estão tendo um efeito devastador sobre a imagem do partido e de sua principal liderança, colocando em xeque não apenas o desempenho eleitoral dos petistas no pleito municipal deste ano, mas também na eleição presidencial de 2018.
A preocupação é procedente, pois o PT é a mais corrupta de todas as legendas políticas, na opinião de mais de 7 em cada 10 brasileiros, que também acham que nem o partido nem Lula têm mais moral para falar de ética. Apenas 15% dos brasileiros continuam acreditando na honestidade do PT, contra 27% em 2005, no auge do escândalo do mensalão. Esse é o quadro revelado pela pesquisa do Instituto Ipsos divulgada na segunda-feira.
JK na Vieira Souto e Lula no Guarujá
Dias depois da morte de Juscelino Kubitschek, o presidente Ernesto Geisel recebeu uma carta de um coronel zangado. Ele dizia: “Estamos assistindo à ‘choradeira’ nacional pela morte de JK, muito bem urdida e explorada pelos comunas e seus eternos aliados irresponsáveis. (...) O que é mais triste, prezado amigo, e disto discordo, é ver-se o governo decretar luto oficial por três dias.” JK tivera um funeral apoteótico, e Geisel contrariara a opinião do seu ministro do Exército, decretando o luto. O presidente tinha horror a Juscelino e anos antes participara da decisão que cassou seu mandato de senador, banindo-o da vida pública por dez anos. Geisel anotou na carta do coronel: “O lamentável é que as provas não eram provas de qualquer valor jurídico. Na realidade, eram indícios, embora todos soubéssemos da ladroeira consumada. Eu penso que não houve, nem haveria condenação.” O símbolo da “ladroeira” era um apartamento no edifício Ciamar (Avenida Vieira Souto 206, o mesmo onde viveria Caetano Veloso).
Dilma e Lula decidem se dar o abraço de afogados - REINALDO AZEVEDO

Consta da mitologia criada sobre Dilma Rousseff que ela foi, como vou dizer?, professora de marxismo. Eu duvido um pouco. Em primeiro lugar, porque, fora o tatibitate do Marx escrevendo sobre ideologia ou relendo a história, aquele troço não é simples — o que não quer dizer que seja nem bom nem correto. Mas fácil não é. Se, hoje, já bastante madura, a presidente tem um raciocínio notavelmente confuso, a gente pode imaginar como era quando tinha pouca experiência. Como sabemos, ela sempre perde a luta para a sintaxe. Raciocínio confuso costuma combinar com escolhas igualmente atrapalhadas. Dilma chegou a ter a chance de se salvar, já escrevi aqui, lá pelo começo do ano passado. Deveria ter apeado do PT, enviado ao Congresso uma emenda parlamentarista e proposto um governo de coalizão. Não o fez. Preferiu se agarrar ao partido. Está afundando junto com ele, e continuo a achar que não conclui o seu mandato. O “esfriamento” do impeachment me parece aquela bonança que antecede a tempestade. O povo de verdade ainda não disse o que acha da crise.
A imagem de Lula se desintegra, se esfarela. E não porque alguém conspire contra ele, mas porque, a gente nota, o homem se mostra incapaz de dar explicações convincentes. E que se note: isso só está em curso porque, finalmente, alguém teve a ousadia de cobrar. E, como se sabe, até agora, não foi Rodrigo Janot, não foi o Ministério Público Federal. A Operação Triplo X, no que diz respeito a Lula, por enquanto, é apenas um trocadilho.
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Eis aí. De novo, com um pouco de inteligência política, só um pouquinho, Dilma poderia tentar passar pela porta estreita e tentar se descolar de Lula. Ocorre que ela se cercou de conselheiros… lulistas! E estes a convenceram de que ela só se salva se ele se salvar. Por mim, acho o conselho excelente porque intuo que todos eles naufragarão juntos.
Falta à humildade de Dilma um quê de contrição
Ninguém quer ver Dilma Rousseff ajoelhando para pedir perdão. Nem de uma gestora em apuros se esperaria semelhante teatro. Mas esta presidente é culpada pela crise econômica que carcome a sua credibilidade. E não obterá a “parceria'' que reivindica enquanto não abandonar a convicção segundo a qual a crise é “internacional”, seus efeitos sobre o Brasil serão “transitórios” e tudo terminará bem porque seu governo dispõe de uma “agenda”.
Dilma foi ao Congresso. Entregou pessoalmente a mensagem do Executivo com as prioridades que defenderá no Legislativo em 2016. O ministro Jaques Wagner disse que a presença da presidente entre os congressistas foi um gesto de “humildade”. O presidente do Congresso, Renan Calheiros, declarou que não é hora de apontar responsabilidades, mas de buscar soluções. Avaliou que Dilma abriu-se para o diálogo.


