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O custo do ‘Estado indutor’

Por Notas & Informações / o estadão de sp

 

O governo estima arrecadar neste ano R$ 54,103 bilhões em dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) de estatais, como consta do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, apresentado no ano passado. Trata-se de receita crucial para tentar cumprir a meta fiscal, mas não reflete o resultado das 27 empresas classificadas como “não dependentes”, aquelas que, em teoria, não precisariam de aportes do Tesouro para operar. Ao contrário, o retorno está concentrado em apenas quatro delas. Como o Estadão mostrou recentemente, em outro extremo, estatais problemáticas viraram um sorvedouro de recursos públicos que, em dez anos, consumiu R$ 15,8 bilhões do erário e não saíram do abismo financeiro.

Os Correios são o caso mais notório pelo recente empréstimo de R$ 12 bilhões contraído com cinco bancos e avalizado pelo Tesouro, que deverá quitar a dívida caso a estatal não consiga honrá-la. A probabilidade de que isso aconteça não é remota, haja vista que, mal obteve a aprovação para a operação, a direção dos Correios informou que precisará de mais R$ 8 bilhões, sugerindo que poderão vir de aportes do próprio Tesouro. A empresa se tornou o exemplo mais bem acabado de disputa política por cargos públicos, mas não está sozinha na formação de rombos.

 

Infraero, companhias portuárias federais da Bahia, Rio de Janeiro, Ceará, Pará e Rio Grande do Norte, ENBPar (que administra as usinas nucleares de Angra dos Reis), Casa da Moeda, entre outras, acompanham os Correios no rol de empresas que representam alto risco fiscal para o governo, de acordo com relatório do próprio Tesouro. O prognóstico de rombo de algumas empresas é tão certo que torna incompreensível a insistência do governo em mantê-las sob seu controle – a não ser, por certo, em razão da formação de cabides de emprego.

 

É fato que o desequilíbrio das estatais deficitárias tem atravessado vários governos, mas no de Luiz Inácio Lula da Silva a desordem administrativa ganha força pela combinação perigosa entre a visão de “Estado indutor” e o populismo assistencialista do petista, além de acordos políticos que não raro usam a ingerência de partidos nas estatais como moeda de troca. O resultado é o rombo nos cofres públicos.

 

Ao Estadão, o especialista em contas públicas Felipe Salto chamou a atenção para o óbvio: muitas estatais que apenas drenam recursos da União não fazem mais sentido algum e deveriam simplesmente ser fechadas. Outras poderiam passar à iniciativa privada sem que isso representasse piora nos serviços ou qualquer prejuízo à população, muito ao contrário. Desde o plano de desestatizações da década de 1990, são abundantes os exemplos de serviços e empresas que passaram a ser mais eficientes depois de transferidos à administração privada: telecomunicações, saneamento, infraestrutura, logística, mineração e siderurgia, por exemplo.

 

A tese defendida com frequência pelo lulopetismo, que alega questões de estratégia e de soberania nacional a toda e qualquer atuação estatal, não passa de desculpa esfarrapada para sustentar dezenas de empresas ineficientes com recursos dos contribuintes. Tampouco a propalada preocupação social justifica os prejuízos, pois não há, em contrapartida, ganhos substanciais para a população.

PF tem indícios no celular de Vorcaro de que ele ordenou ataques virtuais de influenciadores

Por Aguirre Talento / O ESTADÃO DE SP

 

BRASÍLIA - A Polícia Federal tem indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro foi quem ordenou diretamente ações virtuais de influenciadores para defender o Banco Master, atacar autoridades públicas e até mesmo criticar jornalistas. 

 

Na análise inicial que os investigadores estão realizando no telefone celular do banqueiro, apreendido em 17 de novembro no momento de sua prisão na Operação Compliance Zero, foram encontrados diálogos dele ordenando a realização desse tipo de ação. Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou.

De acordo com fontes que tiveram conhecimento do assunto, Vorcaro repassava essas ordens a auxiliares, que não trabalham diretamente no quadro do Master. Ele pedia a promoção de informações positivas sobre o Master e determinava ataques virtuais a pessoas públicas que, na sua avaliação, estavam atuando contra seu banco.

 

As informações colhidas pela PF são anteriores à liquidação do banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro, porque isso só ocorreu depois que o celular foi apreendido. Mas, na época, já havia alguns ataques virtuais ao BC por causa da demora na análise da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), que foi vetada pelo órgão de fiscalização no inicio de setembro.

 

De acordo com essa análise preliminar, o modo de atuação de Vorcaro era semelhante aos ataques coordenados ao BC por causa da liquidação do Master, que ocorreram mais recentemente, na virada do ano.

 

Os contratos com influenciadores previam remuneração de até R$ 2 milhões, como informou o jornal “O Globo”. O Estadão mostrou contrato com as iniciais de Daniel Vorcaro (“Projeto DV”) e previsão de multa de R$ 800 mil para quebra do sigilo. Um dos envolvidos é administrador de empresas do jornalista de celebridades Leo Dias.

 

A PF atualmente realiza uma análise inicial das informações para produzir um relatório consolidado sobre esses ataques, chamado tecnicamente de informação de polícia judiciária. A partir desse documento, a PF vai avaliar se já existem suspeitas de crimes que justifiquem a instauração de um inquérito policial.

 

Como revelou o Estadão/Broadcast, instituições e autoridades envolvidas com a liquidação do Banco Master sofreram uma série de ataques nas redes sociais pouco antes da virada do ano. A ofensiva, concentrada em um período de 36 horas, utilizou contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em relação à operação de liquidação do Master, decretada em novembro pelo BC e que está sob o escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU).

Master: Contratos de influenciadores para defender banco de Vorcaro chegavam a R$ 2 milhões

Por Malu Gaspar e  Johanns Eller / O GLOBO

 

 

Os contratos oferecidos a influenciadores de direita para lançar suspeitas nas redes sociais sobre o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central – o “projeto DV”, em referência ao dono da instituição, Daniel Vorcaro – chegavam a R$ 2 milhões e previam cláusulas de sigilo absoluto para evitar o vazamento e manter a aparência de um movimento orgânico contra o órgão regulador.

 

É o que mostram documentos, prints de trocas de mensagens e de depósitos bancários a que tivemos acesso. Parte do material nos foi fornecido sob reserva, desde que os influenciadores não fossem identificados. As cifras e diálogos indicam que o valor do cachê variava conforme a quantidade de seguidores do perfil em questão.

 

Para um dos influenciadores com quem conversamos, que tem mais de 1 milhão de seguidores, a remuneração oferecida foi de R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com a contrapartida de oito postagens mensais. Em outro caso, de um perfil com menos de 500 mil seguidores, o valor foi de R$ 250 mil por três meses de trabalho e a mesma quantidade de posts. Em pelo menos uma ocasião, o dinheiro caiu antes mesmo da publicação ser feita.

 

O contratante final, de acordo com dois influenciadores que avançaram nas conversas para o projeto, era a Agência MiThi, mantida por Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias, com 10% do capital. De acordo com os prints dos depósitos bancários, pelo menos um pagamento saiu da conta de Miranda. Outro sócio do grupo é o empresário Flávio Carneiro, com 60% de participação.

 

Procurado, o jornalista Leo Dias disse que a Agência Mithi não tem qualquer relação com o portal que leva seu nome. Afirmou, ainda, que Thiago Miranda deixou o comando do grupo em junho. Já Miranda, embora procurado insistentemente, não respondeu aos contatos da reportagem.

 

Um terceiro influenciador abordado em nome da Mithi foi o deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP), que costuma criticar a gestão do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ele, porém, não aceitou prosseguir com as conversas e não chegou a ser informado sobre o teor da proposta.

 

“Quando me dei conta de que a única figura do mercado que poderia estar em busca de uma gestão de crise naquela data era o Daniel Vorcaro, eu imediatamente cortei contato”, relatou o parlamentar à equipe do blog. “Só tive a confirmação de que se tratava do Banco Master com a divulgação das propostas na imprensa, que eram idênticas e envolviam os mesmos interlocutores”.

 

De acordo com o print fornecido por Siqueira, em 21 de dezembro ele recebeu uma mensagem pelo Instagram do publicitário André Salvador, que é vinculado à UNLTD Brasil, especializada em perfis de direita. “Oi, Leo, tudo bem? Me chamo André e trabalho com o Thiago Miranda da Agência Mithi e sócio do Grupo Leo Dias”, escreveu.

 

Mesmo roteiro

Nos dois casos o roteiro era o mesmo: sondar o interesse em participar de um “projeto de comunicação” e relações públicas envolvendo a “gestão de crise de um executivo do mercado financeiro”. Os detalhes, como a identidade do banqueiro, e os valores a serem acertados, só seriam repassados mediante a assinatura de um “NDA” – sigla em inglês para Non-disclosure Agreement, ou contrato de confidencialidade.  Indagado sobre as mensagens, André Salvador ficou de retornar as chamadas, mas não o fez até o fechamento desta reportagem.

 

Já Junior Favoreto disse que a Portal Group BR foi acionada por “outra agência” para a indicação de influenciadores, sem especificá-la, e alegou que nenhum de seus indicados assinou contrato. Favoreto disse ainda desconhecer a Agência Mithi e que “nunca falou com qualquer Thiago”.

 

Documentos obtidos pela equipe da coluna demonstram que o serviço ofertado aos influencers é batizado de “projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, dono do Master.

 

O banqueiro foi preso em 18 de novembro na Operação Compliance Zero da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos por suspeita de fuga para Malta, mas foi solto 11 dias depois por decisão da Justiça Federal de Brasília mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica. No período em que influenciadores eram sondados para defender o Master em troca de quantias milionárias, Vorcaro cumpria medidas cautelares da Justiça, incluindo a proibição de contato com os demais investigados.

 

Quem é Thiago Miranda

Com 39 anos, Miranda é dono da Agência Mithi, registrada como Miranda Comunicação na Receita Federal, e se tornou sócio do Grupo Leo Dias, que controla o portal do jornalista de entretenimento. A empreitada foi anunciada em 2023, mas, segundo documentos apresentados pela defesa de Dias indicam que a sociedade foi oficializada no ano passado. Leo Dias afirmou ainda que Vorcaro não tem qualquer participação no grupo.

 

Conhecido no mercado, Miranda e sua agência trabalham com celebridades e marcas de grife, além de instituições como a XP. Ele também não respondeu quais são suas ligações com Vorcaro.

 

 

 

 

 

 

Único lado certo no caso Master é o da apuração às claras

Em 18 de novembro, quando o Banco Central liquidou o Master horas depois de, na noite do dia anterior, a Polícia Federal haver prendido o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, os elementos de um escândalo financeiro e político já estavam escancarados.

Fatos incontestáveis: o banco de Vorcaro recebera em março uma injeção de recursos do BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, que comprou suas ações sem direito a voto e manteve no posto o controlador. Uma instituição saudável não precisaria de tal socorro —e não foi no setor privado que se viabilizou o negócio da China, posteriormente desautorizado pelo BC.

Conhecem-se de longa data as conexões de Vorcaro com políticos e autoridades. Poucos dias antes do veto à transação, líderes da Câmara tentaram aprovar projeto que permitiria ao Congresso demitir diretores do BC. Pouco depois da liquidação, descobriu-se que fundos previdenciários estaduais, como os de Rio e Amapá, e municipais fizeram generosas aplicações no Master.

Para além do que é indesmentível e já gravíssimo, a PF investiga a venda de carteiras de crédito falsas de R$ 12 bilhões ao BRB, e o BC apontou indícios de fraude em negócios com fundos administrados por uma gestora suspeita de envolvimento com a facção criminosa PCC.

Diante de tudo isso, a resposta das cortes brasilienses ao escândalo —que pode custar até R$ 50 bilhões em ressarcimentos a clientes lesados— está longe de ser tranquilizadora. A começar pelo Supremo Tribunal, onde o ministro Dias Toffoli decidiu assumir o caso, que corria em instância inferior, e decretar sigilo sobre ele.

O mesmo Toffoli, que não se sentiu constrangido por ter viajado em um jato de empresário na companhia de um advogado ligado ao Master, determinou uma inusitada acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB e um diretor do BC, recuando depois da estranheza geral.

Tampouco seu colega Alexandre de Moraes viu alguma anormalidade no contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de advocacia tocado por sua esposa. Moraes diz que seus contatos recentes com a cúpula do BC trataram apenas das sanções a ele impostas e retiradas por Donald Trump.

O BC é ainda mais claramente o alvo do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União, ex-deputado levado ao posto pelo Congresso, que determinou inspeção no órgão —ademais na mira de uma ofensiva de influenciadores contratados de modo misterioso nas redes sociais— e deixou implícita a possibilidade de reversão da liquidação.

O caso, a esta altura, tem o potencial de minar a credibilidade de instituições do Estado brasileiro. É imperativo que deixe de ser conduzido à base de decisões mal explicadas e intimidações aparentes. Não se trata de defender este ou aquele; o único lado correto é o da apuração rigorosa e transparente.

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Campanha tenta sabotar autonomia do Banco Central

Por  Editorial / O GLOBO

 

A autonomia do Banco Central (BC) foi uma conquista obtida com dificuldade. Sempre sofreu resistência dos interessados em manter a autoridade monetária vulnerável a interferências. A lei garante que o BC é uma autarquia de natureza técnica, cujas decisões devem ser preservadas das pressões políticas. Isso vale tanto para a taxa de juros quanto para medidas destinadas a regular e preservar o sistema financeiro. É, por isso, lamentável a campanha deflagrada contra o BC, tendo como alvo a liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

 

 

Não há acaso nas publicações nas redes sociais que procuram contestar as decisões da autoridade monetária e difundir versões favoráveis a Vorcaro, acusado de fraudes bilionárias. Dois influenciadores admitiram ter recebido propostas milionárias para fomentar uma versão segundo a qual o BC foi precipitado ao decretar a liquidação, informou a colunista Malu Gaspar, do GLOBO. A intenção era pôr em xeque a autoridade monetária. Um deles enviou documentos e mensagens comprovando a oferta de um certo “Projeto DV”. Nenhum dos dois topou, mas a revelação mostra como funciona a indústria de versões do meio digital.

 

Houve um pico de 4.560 ataques on-line ao BC no dia 27 de dezembro, durante ofensiva contra a liquidação do Master, revelou levantamento da Federação Brasileira de Bancos divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Os disparos tinham indícios de impulsionamento por robôs. A tentativa de confundir a opinião pública expõe o vale-tudo que impera nas redes sociais e demonstra a relevância do jornalismo profissional, fundado em princípios editoriais sólidos e compromisso com o interesse público, como fonte de informação confiável para o cidadão. Quem se informa apenas pelas redes se torna refém de interesses escusos.

 

É ainda mais lamentável que o questionamento à atuação do BC vá além do meio digital. Causa estranheza e preocupação o processo sobre o Master no Tribunal de Contas da União (TCU), sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus. Depois de intimar a autoridade monetária a prestar informações, Jhonatan determinou uma inspeção no BC para analisar documentos que tratam da liquidação. O estranhamento aumentou porque ele admitiu a possibilidade de reverter parte dos efeitos da liquidação para manter os ativos do banco liquidado — embora aparentemente depois tenha voltado atrás. Jhonatan insinuou haver dúvida a respeito de medidas tomadas por unanimidade pelo BC. Ora, desde o Plano Real instituições financeiras têm enfrentado situações similares, e o BC tem cumprido seu papel regulador com competência, sem interferência nem alarde. Acórdãos do próprio TCU e do Supremo Tribunal Federal deixam claro que não cabe à Corte de contas avaliar o mérito de decisões da autoridade monetária.

 

Tais questionamentos, dizem entidades do setor, criam um precedente que fragiliza a supervisão bancária, compromete a previsibilidade regulatória e afeta a confiança na estabilidade do sistema financeiro. Não é à toa que quase 1,5 mil instituições financeiras manifestaram apoio ao BC. A legislação estabelece que ele tem competência exclusiva no caso de liquidações bancárias. Em meio à campanha difamatória, estão em jogo a autonomia da autoridade monetária e a saúde do sistema financeiro — conquistas de que o Brasil não pode abrir mão.

 

Fachada do Banco Master em São PauloFachada do Banco Master em São Paulo — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/20/11/2025

Caso Master: ‘Governo não tem dado apoio ao BC’, avalia ex-diretor

Por Paulo Renato Nepomuceno — Rio / O GLOBO

 

O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Reinaldo Le Grazie vê um cerceamento à autoridade monetária no caso Master. A decisão do ministro do TCU Jhonatan de Jesus, na segunda-feira, de determinar uma inspeção nos documentos do BC relacionados à liquidação do Banco Master gerou reações contrárias de instituições financeiras ao que pareceu uma tentativa de cancelar a determinação do Banco Central. Mas, sob pressão, o ministro deve paralisar a apuração.

 

Como o senhor avalia a atuação do TCU no caso?

 

Já faz algum tempo que os Tribunais de Contas buscam um aumento da competência. Todos os instrumentos de governo brigam por espaço, isso é legítimo. Mas, na prática, isso está virando um cerceamento ao Banco Central. Chama atenção pelo ineditismo da matéria.

 

Quem entende de liquidação é o BC, que tem os dados. O TCU, mesmo que viesse a ter acesso, não vai conseguir entender com clareza o que aconteceu.

O que chama sua atenção?

É incrível como o Banco Central está solitário nessa operação. O governo não tem dado apoio explícito. O BC é muito próximo à Fazenda, era esperada participação na discussão. O apoio ficou a cargo das associações. O que é insosso, porque associações não têm cara.

 

Em que resultará a movimentação do TCU?

Acho que não vai dar em nada. Acho que o BC vai cumprir seu papel, tenho certeza de que fez um bom trabalho. Mas vai ficar uma marca no chão de até onde o governo brasileiro vai permitir o peso político em agências reguladoras. O BC não é órgão de governo, é de Estado.

 

Pode haver impacto na economia?

Se o cerceamento do BC for grande, complica a relação institucional. Quando o regulador é fraco, o sistema é fraco. Os canais de transmissão da política monetária dependem de credibilidade. Se não tem, não tem credibilidade para guiar inflação e juros. Sob pressão, um BC entrega inflação mais alta sob juros mais altos.

 

Há chances de reverter a liquidação?

 

Não se ressuscita um banco. É tão descabido falar nisso… porque ele não tem capacidade financeira de sobreviver e voltar.

 

 

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