O País das estatais e da corrupção
Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (15):
Governos tentaculares, estruturas de poder inchadas e proliferação de empresas estatais formam o caldo fértil e propício à corrupção. Estatais deficitárias e ineficientes são bancadas pelo contribuinte. Nomeações políticas para o comando das estatais coroam o ciclo de vícios. Logo, a manchete é a seguinte: “Geddel passava informações privilegiadas a grupo criminoso, diz investigação”.
Penitenciárias. Como o Poder Judiciário contribui para a crise
Dos 20,9 mil presos no Ceará, 12,5 mil são provisórios, o equivalente a cerca de 60%, segundo dados da Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus). O número excede a média nacional, que é de 40%. Na prática, isso significa que a população carcerária poderia ser bem menor, aliviando os presídios, que abrigam detentos além de sua capacidade.
Do tempo em que o PT fervia
O PT denuncia golpe, mas faz acordo para apoiar candidatos de DEM e PMDB em Brasília, indica tucano para o governo do Ceará e não sabe se é oposição ou aliado na Câmara de Fortaleza. Esse quadro é em grande parte resultado de processo que ocorreu ao longo dos anos de poder. Os 13 anos no governo gradualmente sufocaram o que era a maior virtude do PT. Diferente de quase todas as demais siglas, os petistas tinham vida partidária efervescente. Vivia em estado de permanente ebulição e tudo era discutido. O “assembleísmo”, como reclamavam os críticos, era ruim para o governo, mas fazia o partido pulsar.
A descentralização do poder
No atual cenário de crise no setor público, poucas cenas revelam tanto do Brasil atual quanto a romaria diária de governadores e prefeitos a Brasília. Sem recursos para pagar suas contas ou prestes a entrar na UTI, eles buscam apoio do governo federal para tentar evitar um desastre de proporções incontroláveis. Embora também esteja no vermelho, em decorrência da herança recebida da presidente cassada Dilma Rousseff, a União controla a Casa da Moeda e pode lançar títulos públicos na praça para reforçar o caixa – um privilégio hoje vetado aos Estados e municípios. Está, portanto, numa posição privilegiada na mesa de negociações, para submeter os demais entes da Federação ao jugo do Poder Central.
Candidatura de Lula é uma aposta no cinismo
Dentro de seis dias, o PT deve deflagrar uma cruzada por eleições diretas e lançar a re-re-recandidatura de Lula. Numa reunião do diretório nacional do partido, o pajé do petismo aceitará o sacrifício de retornar ao Planalto para salvar o país. Não é propriamente um projeto político. Trata-se de uma aposta no poder de sedução do cinismo.

