Globo cancela 'Jornal Nacional' pela 1ª vez desde 1969 para exibir votação
O "Jornal Nacional" teve exibição cancelada na última quarta-feira (2) devido à transmissão ao vivo da votação que barrou o avanço da denúncia contra o presidente Michel Temer. Esta é a primeira vez que isso ocorre na história do telejornal. O "JN" é exibido de segunda a sábado pela Globo desde 1969, quando foi criado.
Globo derruba até o 'JN', mas perde a queda de braço com Temer
A Rede Globo tirou do ar a grade histórica do horário nobre, o sanduíche novela/telejornal nacional/novela que sustenta sua mescla de entretenimento e jornalismo, mas não foi o bastante para constranger os deputados a votar contra Michel Temer.
Um por um, na tela da Globo, única emissora aberta a trocar a programação regular pela transmissão ao vivo da Câmara, os parlamentares deram seus votos, desta vez mais contidos, não só nas declarações e nos gestos, mas até nas roupas.
Artigo: 'Silêncio das ruas', por José Casado
RIO - Há mais de uma dúzia de meses não se ouve o ronco das ruas. Desde a deposição de Dilma Rousseff, prevalece o silêncio no espaço público. As pesquisas de opinião sugerem que a sociedade sabe exatamente o que quer e precisa. E, por isso mesmo, se recusa a reconhecer um lado no embate quase sempre retórico dos gladiadores nos plenários do Congresso.
A ética deprimida
*Eugênio Bucci, O Estado de S.Paulo
03 Agosto 2017 | 03h09
“A leitura dos jornais, sempre penosa do ponto de ver estético, é-o frequentemente também do moral, ainda para quem tenha poucas preocupações morais.” – Fernando Pessoa (1888-1935), em Livro do desassossego
Lá se vão quase cem anos desde que Fernando Pessoa escreveu os fragmentos que seriam publicados, somente depois de sua morte, no Livro do desassossego, mas parece que foi ontem. Quando lemos a passagem acima, temos a sensação de que ele fala dos nossos dias – e do Brasil. Hoje, como naqueles tempos, os jornais não primam pela beleza. Aliás, também não primam pela limpeza: ao manusear as versões impressas dos nossos matutinos, o leitor fica com os dedos tingidos de tinta escura. Veja você, que metáfora incômoda: a leitura dos jornais suja as mãos do público.
A ‘política radical’ de Lula
O Estado de S.Paulo
03 Agosto 2017 | 03h01
Lula da Silva chegou à conclusão de que o Brasil precisa de um programa “radical no sentido político”. Defendeu a ideia na segunda-feira, em São Paulo, durante reunião convocada para “debater” o programa do partido a ser apresentado na campanha presidencial do ano que vem. Não entrou em detalhes sobre o que entende por um programa político “radical”. Há, entretanto, fortes indícios de que está convencido de que só um governo forte, autoritário, será capaz de “salvar” o País. Dias antes, falando em nome do PT – portanto, em nome de Lula – no Foro de São Paulo realizado em Manágua, capital da Nicarágua, a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR), manifestou apoio e solidariedade “ao governo da Venezuela e ao presidente Nicolás Maduro”, bem como a esperança de que a eleição de uma Constituinte, que se realizaria no domingo passado, “possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana”.
Primeira etapa da saga de Janot é arquivada. Ele não se conforma. Faltaram 125 votos aos golpistas
Endossaram o relatório que recomendava o arquivamento da denúncia 264 parlamentares; 227 votaram contra o texto
Por: Reinaldo Azevedo
Publicada: 02/08/2017 - 23:12

Derrotada com folga a primeira etapa da saga golpista de Rodrigo Janot. Ainda voltarei ao assunto, é claro! Votaram a favor do relatório de Paulo Abi Ackel (PSDB-MG) — e, portanto, contra a denúncia — 264 deputados. Rejeitaram o relatório, alinhando-se contra Temer, 227. Houve duas abstenções, e 19 não compareceram para votar. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, não vota. Como o golpismo precisava de 342 adesões, faltaram-lhe 125 votos.
É claro que o procurador-geral não se conformou. Antes mesmo que a Câmara concluísse o seu trabalho, ele voltou à carga, evidenciando que a questão já se tornou pessoal. REINALDO AZEVEDO

