Mais problemas no horizonte

Em fase de negociação com a Procuradoria Geral da República, o acordo de delação premiada de Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, tem tudo para criar novos embaraços para o Palácio do Planalto e para a presidente Dilma Rousseff. A proposta de acordo, em que Azevedo detalha aquilo que tem para contar às autoridades, envolve dois dos auxiliares mais próximos da presidente da República em uma ofensiva para fazer com que a empreiteira despejasse mais dinheiro na campanha da então candidata petista à reeleição.
Nos chamados "anexos" da delação premiada, que resumem os tópicos principais da colaboração, Otávio Azevedo afirmou que a pressão por dinheiro, em pleno ano eleitoral de 2014, partiu do então tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e de Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete e atual assessor especial de Dilma Rousseff. A mensagem, segundo o executivo, era clara: se a Andrade Gutierrez não se engajasse mais efetivamente na campanha petista, seus negócios com o governo federal e com as empresas estatais estariam em risco em caso de vitória de Dilma. Em outras palavras, o executivo, preso em junho do ano passado pela Operação Lava-Jato, relatou o que entendeu como um achaque.
Delator volta atrás e afirma que Dirceu sabia de esquema de corrupção

Pela segunda vez, o lobista Fernando Moura, amigo de longa data do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, mudou o discurso em sua delação premiada na Operação Lava Jato. Agora, ele afirma que o petista recebia propina de empreiteiras e que sabia que a verba era proveniente de desvios na Petrobras, informou a Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (29). "Eu tenho certeza que ele tinha [conhecimento]", relatou. Em depoimento ao juiz Sergio Moro na semana passada, Moura negou que Dirceu tivesse indicado Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobras e sugerido que ele saísse do Brasil durante o mensalão. Segundo o jornal, nesta quinta-feira (28), porém, ele disse que mentiu no depoimento anterior e que sua delação é "estritamente a verdade". Ele alegou que se sentiu ameaçado ao ser abordado por um estranho em uma rua de Vinhedo (SP), onde vive, que lhe perguntou: "Como é que estão seus netos no Sul?". "Eu tenho dois netos que moram em Venâncio Aires (RS). Fiquei totalmente transtornado", relatou. ÉPOCA
Promotoria intima Lula e Marisa para depor como investigados
Cássio Conserino, promotor de Justiça criminal em São Paulo, investiga tríplex 164 A, no Guarujá, que seria do ex-presidente; ex-presidente da OAS também foi intimado
Atualizada às 13h24
O promotor de Justiça Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, intimou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher Marisa Letícia e o empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ligado à OAS, para prestarem depoimento no dia 17 de fevereiro, a partir das 11h, sobre o tríplex do Condomínio Solaris, no Guarujá. Segundo o promotor, o ex-presidente e Marisa vão depor como investigados. A Promotoria suspeita que imóvel pertença a Lula. Também foi intimado o engenheiro da OAS, Igor Pontes. Conserino diz ter indícios de que houve tentativa de esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex 164 A, no Guarujá, que seria do ex-presidente, o que pode caracterizar crime de lavagem de dinheiro. Segundo o promotor Cássio Conserino, os advogados da família Lula ‘não quiseram receber a notificação, porque não tinham poderes’.
Odebrecht fez obra em sítio ligado a Lula, diz fornecedora

A ex-dona de uma loja de materiais de construção e um prestador de serviço de Atibaia (SP) afirmaram àFolhaque a empreiteira Odebrecht realizou a maior parte das obras de reforma em um sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva eseus familiares. A reforma teve início em outubro de 2010, quando Lula estava no fim de seu segundo mandato como presidente. A Odebrecht disse que, após apuração preliminar,não identificou relaçãoda empresa com as obras. Lula não quis comentar. A propriedade rural, de 173 mil m² (o equivalente a 24 campos de futebol), está dividida em duas partes. Uma delas está registrada em nome de Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo que fundou o PT com Lula. A outra pertence formalmente ao empresário Jonas Suassuna, sócio, assim como Bittar, de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente.
Judiciário sustenta Lava Jato
O governo, PT e aliados, associados a interesses de empreiteiras e de advogados – inclusive os que representam essas empresas na Justiça – acusam a Operação Lava Jato e em particular o juiz Sergio Moro, responsável pelo controle das investigações na primeira instância, de colocar em prática um “regime de supressão episódica de direitos e garantias” e afirmam que “magistrados das altas cortes do País estão sendo atacados ou colocados sob suspeita para não decidirem favoravelmente aos acusados em recursos e habeas corpus”. Pois bem: desde o início da Lava Jato, em março de 2014, de pelo menos 413 recursos apresentados pelas defesas, apenas 16, menos de 4% do total, foram acolhidos pela Justiça de segundo grau e pelas cortes superiores. Ou seja, as decisões de Sergio Moro, baseadas no trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, têm sido maciçamente sustentadas pelas instâncias judiciais superiores.
PSDB e PT de olho na ação que pode cassar Pimentel

Dirigentes do PSDB e do PT de Minas Gerais decidiram acompanhar oficialmente cada andamento da ação de investigação judicial eleitoral que pode resultar na cassação do governador do Estado, o petista Fernando Pimentel. Primeiro, advogados tucanos pediram para entrar na ação como assistentes simples do Ministério Público, que investiga abuso de poder econômico na campanha petista com extrapolação do limite de gastos em mais de 10 milhões de reais. O PSDB mineiro afirma ter "interesse patente" na procedência da ação. Logo depois, o PT pediu ao Tribunal Regional Eleitoral para ser aceito como assistente litisconsorcial na defesa de Pimentel. O desembargador Geraldo Domingos Coelho, relator a ação, postergou nesta quarta-feira a decisão sobre os requerimentos e deu mais vinte dias para a conclusão de uma perícia contábil nas contas da campanha de Pimentel. O TRE já havia autorizado a remessa de provas colhidas pela Polícia Federal na Operação Acrônimo que apontam para caixa dois na eleição do governador. (Felipe Frazão, de Brasília) veja
Contratos de funcionários serão rescindidos
Um total de 700 trabalhadores do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC) não terá os contratos renovados. A decisão foi tomada ontem em audiência na 7ª Vara do Trabalho, no Centro. De acordo com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do Estado (Sindsaúde), apenas o pagamento da rescisão dos contratos será feito pela UFC. Em nota, a universidade informou que não encontrou “qualquer base jurídica” para prorrogação administrativa dos contratos.
Desde março do ano passado, trabalhadores da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) e do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) estão sob ameaça de demissão. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela gestão do complexo, deve substituir os atuais funcionários por profissionais concursados.
Segundo o Sindsaúde, ficou acordado ainda que até o próximo dia 5 a UFC deve efetuar o pagamento referente à rescisão dos contratos. Uma assembleia será marcada com os funcionários para que eles decidam se continuam a greve, que começou em outubro do ano passado. OPOVO
Consultor relata à PF negociação de propina com senadores por emenda

O consultor João Batista Gruginski, investigado na Operação Zelotes, disse em depoimento à Polícia Federal ter ouvido do lobista Alexandre Paes dos Santos, conhecido como APS, relato de uma suposta negociação de propina com os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e o então senador Gim Argello (PTB-DF) para que uma emenda a medida provisória fosse aprovada. O suposto suborno, conforme citado por Grugunski, seria de R$ 45 milhões – R$ 15 milhões para cada um dos políticos.
Procurada pelo G1, a assessoria de Renan Calheiros informou que "o senador não conhece Gruginski e que jamais autorizou, credenciou ou consentiu que qualquer pessoa utilizasse o seu nome em qualquer circunstância".O G1 deixou recado nos celulares do ex-senador Gim Argello e do senador Romero Jucá, e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.
Presos na 22ª fase da Operação Lava Jato chegam à PF em Curitiba

Publicitária Nelci Warken, que prestou serviços de marketing à Bancoop (Foto: Reprodução TV Globo)
Chegaram à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba na noite desta quarta-feira (27) três presos da 22ª fase da Operação Lava Jato. Nelci Warken, Ricardo Honório Neto, Renata Pereira Brito têm prisão temporária em vigor até domingo (1º) e devem prestar depoimentos à PF neste período.
Esta nova fase da Lava Jato investiga a abertura de offshores (empresas no exterior) e a compra de apartamentos no Condomínio Solaris em Guarujá (SP) para lavar dinheiro do esquema de corrupção na Petrobras. A empresa Mossack Fonseca, sediada no Panamá, é investigada por abrir uma offshore (Murray Holdings) que assumiu a propriedade de um dos imóveis para esconder os reais donos.
Ricardo Honório Neto é o sócio da representação brasileira da Mossack, que tem sede em São Paulo. Já Renata Pereira Brito, segundo o MPF é funcionária de confiança da Mossack no Brasil. Nelci Warken, por sua vez, é apontada como responsável por um tríplex no Condomínio Solaris, embora ele tivesse sido transferido para a Murray.
Ao fim do período da prisão temporária, o juiz Sérgio Moro pode decidir liberá-los, prorrogar as prisões por mais cinco dias, ou ainda transformá-las em preventiva – isto é, por tempo indeterminado. A decisão deve ser embasada em relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) após os depoimentos dos presos.
Engenheiro diz que reforma no triplex que seria de Lula custou R$ 777 mil
Armando Dagre, sócio da Talento Construtora, contou ao Ministério Público de São Paulo que 'tomou um susto' quando vislumbrou Marisa Letícia ingressando no apartamento acompanhada do filho Fábio e de Leo Pinheiro, dono da OAS e condenado na Lava Jato a 16 anos de prisão
O engenheiro Armando Dagre, sócio-administrador da Talento Construtora, declarou ao Ministério Público de São Paulo que ‘praticamente’ refez o triplex 164 A, no Condomínio Solaris, em Guarujá, no litoral de São Paulo – imóvel que a Promotoria suspeita pertencer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reforma, contratada pela empreiteira OAS, alvo da Operação Lava Jato, custou R$ 777 mil, segundo Dagre. Os trabalhos foram realizados entre abril e setembro de 2014.
Em 2006, quando se reelegu presidente, Lula declarou à Justiça eleitoral possuir uma participação em cooperatriva habitacional no valor de R$ 47 mil. A cooperativa é a Bancoop que, com graves problemas de caixa, repassou o empreendimento para a OAS. A Polícia Federal e a Procuradoria da República suspeitam que a empreiteira pagou propinas a agentes públicos em troca de contratos fraudados na Petrobrás.



