Freios e contrapesos - O ESTADO DE SP
31 de julho de 2019 | 03h18
Peço desculpas ao leitor acostumado às colunas das quartas-feiras, em que costumo “quebrar” os textos em várias notas, de cunho mais informativo. A escalada da retórica autoritária e sem compromisso com fatos e com a verdade do presidente da República, desde há algumas semanas, me obriga a fazer deste texto uma continuação da minha coluna de domingo, em que alertei para o crescimento do cordão dos puxa-saco que cerca Jair Bolsonaro e dos riscos que isso traz para o debate público e para o próprio ambiente democrático.
Duas perguntas têm sido repetidas nas conversas que tenho com políticos, outros formadores de opinião, leitores, ouvintes, familiares, ministros do Supremo e toda uma gama de pessoas preocupadas com as diatribes bolsonaristas: 1) qual o limite para o que ele pode dizer?, e 2) como fazê-lo parar? Nos dois casos tenho respondido, entre constrangida e preocupada: não dá para saber.
A política da raiva - O ESTADO DE SP
31 de julho de 2019 | 03h00
O destampatório de Jair Bolsonaro nos últimos dias – especialmente virulento mesmo para os padrões do presidente – contribui para ampliar o seu isolamento político. Afinal, grande parte do eleitorado que sufragou o nome de Bolsonaro nas urnas no ano passado não o fez para que ele, uma vez na Presidência, passasse seus dias a alimentar violentos antagonismos com diversos setores da sociedade, dificultando consideravelmente a governabilidade. Mesmo entre os políticos que se elegeram na onda do bolsonarismo já há os que procuram manter uma distância prudente do presidente, pois temem ser identificados com a irresponsabilidade que tem caracterizado o comportamento de Bolsonaro.
Se entusiasmam os devotos mais fiéis da seita bolsonarista, as diatribes do presidente colaboram para anuviar ainda mais o sombrio horizonte político e econômico do País. O homem encarregado pelas urnas de dirigir os destinos nacionais choca diariamente a maioria dos brasileiros com declarações absurdas, baseadas em nada além de devaneios e despejadas sem qualquer respeito pelas normas da democracia e mesmo da civilidade. Tal comportamento irrefletido torna imprevisível tudo o que emana do gabinete presidencial. Hoje, sob esse comando irracional, é impossível dizer para onde vai o País.
Ceará detém mais de um terço de todos os dessalinizadores do País

A maior parte do subsolo no Sertão cearense - cerca de 75% - é constituída de rocha cristalina, que apresenta duas desvantagens para o abastecimento de comunidades rurais: reduzida oferta e água salobra. A solução, nesse caso, é o uso de sistemas de dessalinização. Nesse modelo, o Ceará é destaque. Dos 651 sistemas funcionando em todo o Brasil, 252 - cerca de 38,7% - estão no Ceará, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).
O avanço ocorreu nos últimos quatro anos a partir da implantação do Programa Água Doce (PAD), em 2015, que tem gestão compartilhada entre o Governo Federal, Estadual, Prefeituras e associação de moradores. Atualmente, os projetos atendem a 58.780 pessoas com uma média de oferta de 151.600 litros de água por hora. De acordo com o coordenador estadual do Programa Água Doce, Ricardo Medeiros, hoje o Ceará é destaque nacional.
Bolsonaro diz que, mesmo após ataques, não vai mudar seu jeito de ser
O presidente Jair Bolsonaro tem um recado claro: ele não vai mudar. A repercussão negativa, e até críticas de aliados, a suas declarações nos últimos dias, comataques a governadores do Nordeste e contestação de dados históricos da ditadura militar , estão longe de fazê-lo repensar o próprio comportamento. Em conversa exclusiva com O GLOBO, Bolsonaro confirma que continuará falando à parcela mais conservadora da população, a primeira a aderir à sua candidatura .
— Sou assim mesmo. Não tem estratégia. Se eu estivesse preocupado com 2022 não dava essas declarações — afirmou Bolsonaro, ao ser questionado se as falas recentes são planejadas ou apenas resultado de impulsividade.
O presidente recebeu a reportagem em seu gabinete no terceiro andar no Palácio do Planalto após a cerimônia em que lançou um amplo processo de flexibilização de segurança e saúde do Trabalho. Depois de uma curta entrevista coletiva com jornalistas, Bolsonaro estava subindo a rampa que liga o Salão Nobre ao seu gabinete quando foi abordado pela reportagem, que pediu uma conversa com ele. Imediatamente, sem ouvir seus auxiliares da área de comunicação, pediu que os seguranças liberassem a repórter para acompanhá-lo.
Bolsonaro diz que reforma tributária pode evoluir para ter Estados e municípios

O presidente Jair Bolsonaro disse que a ideia do governo é encaminhar uma proposta de reforma tributária que envolva apenas impostos federais, mas que é possível “evoluir” para incluir Estados e municípios. A possibilidade, no entanto, é vista como arriscada por ele. “Até pode evoluir (para incluir estados e municípios), mas toda vez que isso foi feito ao longo dos meus 28 anos na Câmara a proposta não foi para frente e foi arquivada porque há muito interesse”, avaliou.
Ele disse que “todo mundo concorda (com a proposta, desde que não perca nada”. “Acho que o Paulo Guedes (ministro da Economia) está certo, é uma reforma da União. Depois, uma outra PEC poderá ser feita para Estados e Municípios. A minha ideia é a gente simplificar impostos e taxas”, disse após evento no Planalto com anúncio de mudanças em normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho.
Bolsonaro – Um presidente que não precisa de inimigos

Da Coluna Radar, da Veja Online:
Constatação de uma gura que gosta de dizer que já “construiu presidentes”.
Enquanto Jair Bolsonaro atua de forma predatória, fabricando crises contra a instituição que deveria governar – atacando nordestinos, minorias e a memória de mortos pela Ditadura –, adversários virtuais dele, em 2022, como o governador de São Paulo, João Dória, avançam em agendas sólidas na economia e na segurança pública.
Depois de abrir a corrida por 2022, Jair Bolsonaro se perde fabricando crises contra a instituição que deveria governar.
(Foto – Agência Brasil)

