Villas Bôas: ‘Ninguém tutela o Bolsonaro’
Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo
Na manhã da última segunda-feira, um comboio de carros blindados estacionava em frente a uma casa no Setor Militar Urbano, em Brasília. O presidente Jair Bolsonaro chegava para uma visita inesperada ao general da reserva Eduardo Villas Bôas. O encontro durou poucos minutos, mas foi o suficiente para Bolsonaro receber o apoio público de uma figura que tem forte influência nas Forças Armadas.
Em entrevista nesta quinta-feira, 2, ao Estado, Villas Bôas avaliou que Bolsonaro acha que “todo mundo” está contra ele. O ex-comandante do Exército afirmou que o panelaço e a economia preocupam, mas disse acreditar que, ao final, o presidente sairá por cima, e o Brasil vai se recuperar.
O presidente agiu errado em falar que o coronavírus é uma gripezinha?
Ele disse isso, naquele momento, para tentar tranquilizar o País. Mas não é uma gripezinha.
Na manhã de segunda-feira, o presidente esteve na casa do senhor. À tarde, o senhor publicou no Twitter um post de apoio a ele. Ele pediu seu apoio?
Eu já estava pensando em me manifestar. Ele pediu o meu apoio e eu achei oportuno me posicionar e dizer às pessoas qual é a lógica da sua atuação. Pode-se discordar do presidente, mas sua postura revela coragem e perseverança nas suas próprias convicções. Mas ele não pediu isso explicitamente.
Mais de 600 mil foram demitidos de restaurantes e bares, estima associação

Mais de 600 mil pessoas podem ter sido demitidas de bares e restaurantes com a escalada do coronavírus no Brasil, de acordo com projeção da ANR (Associação Nacional de Bares e Restaurantes), baseada em enquete com seus associados.
A entidade, que agrega 9.000 associados, entre grandes redes, franquias e restaurantes independentes, recebeu respostas de cerca de 70% de seus integrantes de 27 de março a 1º de abril. Identificou que 61,8% dessas empresas já demitiram.
"Estimo que esses 61% correspondem a cerca de 15%, 20% dos funcionários do setor no país. Com essa estratificação, assumo que as demissões do setor no Brasil podem girar em torno de 600 mil a até 800 mil", diz Cristiano Melles, presidente da ANR, que reúne redes como McDonald's, China in Box e Viena.
Considerando trabalhadores formais e informais, o setor emprega 6 milhões no país. Na quarta (1º), a rede Madero demitiu 600 funcionários. A IMC anunciou corte de 30% da sua força de trabalho. A ANR diz que mais da metade dos associados que responderam (53,2%) afirmou que perdeu de 50% a 90% do faturamento na comparação entre março deste ano e o mesmo mês de 2018.
Investigação aponta que Brasil já tinha caso de coronavírus no fim de janeiro, diz Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta-feira (2) que o primeiro caso de coronavírus registrado no Brasil foi verificado em 23 de janeiro. De acordo com a pasta, a investigação mostra que o coronavírus Sars-Cov-2 já estava em circulação no país antes do anúncio do primeiro caso.
Até então, o primeiro caso caso positivo de coronavírus no Brasil tinha sido anunciado em 26 de fevereiro. Tratava-se de um homem que mora em São Paulo, tem 61 anos, e veio da Itália. Quando o caso foi confirmado, à época, havia outros 20 casos em investigação e 59 suspeitas já foram descartadas.
"Lembrem-se que estamos fazendo a investigação de casos internados. Muitos desses casos estão com material colhido, e nós tivemos a partir de investigação retrospectiva a identificação do primeiro caso confirmado, ele é da semana epidemiológica 4, de 23 de janeiro", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.
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Investigação também no zika
O secretário afirmou que fato semelhante ocorreu com o vírus da zika.
"Isso foi feito também no Zika vírus. Inicialmente achávamos que os primeiros casos eram de abril de 2015 e, um ano depois, com investigação retrospectiva, verificamos que tinha caso de Zika vírus identificado em banco de sangue na região amazônica desde abril de 2014", disse Wanderson. PORTAL G1
Promotoria investiga ordens para subnotificar coronavírus em São Paulo
Luiz Vassallo / FOLHA DE SP
02 de abril de 2020 | 17h58

Prédio do Ministério Público em São Paulo
O Ministério Público Estadual cobrou esclarecimentos do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), que administra 37 hospitais municipais sobre o motivo de ter ‘desdenhado das determinações do Gestor Municipal de saúde adotando procedimento que favorece à subnotificação dos casos suspeitos de coronavírus’. O caso passou a ser investigado pelos promotores de Justiça Dora Strilicherk e Arthur Pinto Filho após vir à tona reportagem da CNN sobre e-mails internos dos hospitais.
A investigação foi aberta em face também da Secretaria Estadual de Saúde, em razão de uma resolução que, segundo a Promotoria, estaria incentivando a subnotificação. E, também a Secretaria Municipal da capital, que gere os contratos com o CEJAM.
A reportagem mostrou, por exemplo, um dos trechos do e-mail da CEJAM, de 25 de março de 2020, com a determinação: “Não iremos mais notificar a população em geral, somente profissionais da saúde com queixa respiratória (síndrome gripal), este deverá ser notificado no site do Ministério e coletar o swab, não abrir SINAN”.
Em esclarecimentos à Promotoria, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde do Município de São Paulo, COVISA, afirmou que ‘não segue este protocolo que a reportagem menciona, emitido pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde conforme a Resolução SS – 28, de 17 de março de 2020’.
“De forma geral a vigilância em Saúde da cidade de São Paulo, atua em alinhamento com os órgãos federal e estadual, contudo, neste caso específico, o município decidiu manter o protocolo anterior, por entender que a situação epidemiológica específica da capital paulista, exige que todo caso clinicamente indicado por médico como suspeito deve ser notificado independente de sua gravidade”, diz a COVISA.
Com crise do coronavírus, empresas começam a pedir revisão de contratos na Justiça
02 de abril de 2020 | 07h00
SÃO PAULO E RIO - Na terça-feira, 31, a Raízen, empresa de combustíveis da Cosan e da Shell, declarou força maior em relação aos contratos assinados com seus fornecedores, por conta da epidemia do novo coronavírus. Assim, poderia rever os volumes de compra de etanol, originalmente programados. Com a maioria da população em casa, a venda de combustível caiu em até 80% em algumas cidades.
Já o Grupo Autostar, rede de 16 concessionárias de carros importados, como BMW, Land Rover, Volvo, Jeep e Harley-Davidson, ganhou na Justiça o direito de suspensão do pagamento de aluguéis por quatro meses. Os valores só serão pagos nos 12 meses seguintes, sem mora. Em seu despacho, a juíza Flávia Poyares Miranda, do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou que "a pandemia mundial acarretou a paralisação de diversas atividades, causando profundo impacto na vida das pessoas" e classificou a situação como um caso de "força maior", o que, no seu parecer, justifica a intervenção do Judiciário.
Os episódios podem ser os primeiros a virar uma tendência. Com a alegação de "força maior" ou "evento fortuito" - por conta do coronavírus -, o meio jurídico teme que os contratos sejam suspensos em um efeito dominó, com distorções em toda economia. Entrariam aí pagamento de aluguel de imóveis, distratos de compra e venda de ativos, fornecimento de insumos e serviços, entrega de obras, entre outros.
O efeito em cadeia, evidentemente, gerou reação imediata dos envolvidos. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), por exemplo rebateu "veementemente" o rompimento de contratos pela Raízen. "Do ponto de vista jurídico, as notificações ignoram os pressupostos legais para a alegação de força maior e pretendem criar uma verdadeira licença para não pagar", escreveu a Única. "Sob o ponto de vista econômico, empresas altamente capitalizadas, com farto acesso ao crédito nacional e internacional, pretendem transferir a elos mais frágeis as responsabilidades que competem a elas e para as quais se prepararam nos últimos anos." A entidade disse ainda que, se as usinas não receberem o previsto, milhares de fornecedores e colaboradores também não receberiam.
'Caiam na real: governadores e prefeitos oferecem esmolas com dinheiro alheio', diz presidente do BB
02 de abril de 2020 | 11h48
BRASÍLIA - O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, encaminhou na manhã desta quinta-feira, 2, via WhatsApp, a mensagem: “Caiam na real” acompanhada do vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro com o apelo de uma apoiadora pela reabertura do comércio no País, em meio à pandemia da covid-19.
"Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas", respondeu o presidente à mulher, que o aguardava em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial, acompanhada dos dois filhos. Além da retomada dos serviços, ela também solicitou a presença do Exército nas ruas.
A mulher se identificou como professora da rede privada e mãe de família. "Não quero dinheiro do governo, eu quero trabalho", disse ela.
Ao ser questionado pela reportagem do Estado sobre o vídeo, o presidente do BB disse que "governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio, em troca". “Esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem. E pessoas querem viver de seu esforço próprio”, disse.
Segundo Novaes, depois que se monta um "grande Estado assistencialista", fica difícil desmontá-lo. "Crises instigam os piores instintos intervencionistas e estatizantes. Não podemos deixar que esta crise médica, por mais séria que seja, destrua as bases de nossa sociedade”, ressaltou.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na terça-feira, 31, que as pessoas que enfrentam “dificuldade” financeira para se manterem em isolamento podem obedecer às recomendações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta porque há recursos sendo mobilizados para isso. "É uma quantidade formidável de recursos. Amparo formidável à sociedade. E podemos avançar mais”, disse. A declaração foi dada durante entrevista no Palácio do Planalto, onde também estava os ministros Mandetta, Sergio Moro (Justiça) e Braga Netto (Casa Civil).
O governo já divulgou o auxílio emergencial dado a trabalhadores informais, com impacto de R$ 98 bilhões aos cofres públicos. O programa para a manutenção de empregos com carteira assinada durante a crise custará outros R$ 51,2 bilhões em compensações aos trabalhadores. O Brasil, seguindo exemplo de outros países do mundo, ampliou a rede de proteção a famílias e empresas como resposta às consequências da pandemia da covid-19.




