A guerra de mentira MURILO ARAGAO
Dizem que Winston Churchill teria dito (o que foi desmentido por uns e confirmado por outros): “Lá vem um táxi vazio e dele desce Neville Chamberlain”. A irônica frase caracterizava o perfil desse primeiro-ministro inglês que, sem muita convicção, declarou guerra aos nazistas e passou oito meses em lentos preparativos para o conflito. Historicamente, o período que vai de setembro de 1939 a maio de 1940 é conhecido como a “guerra de mentira”. Com a ascensão de Churchill, em 13 de maio de 1940, a guerra de verdade começou.
Lula roda um filme tipo B e reivindica um épico
Não dá para imaginar os executivos da OAS e da Odebrecht, pés sobre a mesa, copo de uísque na mão, charuto entre os dedos, calculando quanto da rapina na Petrobras caberia ao Lula. Segundo o Datafolha, a maioria dos brasileiros acha que houve toma-lá-dá-cá. Os governos do PT azeitaram negócios para as construtoras e, em troca, essas empresas beneficiaram Lula com reformas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia. Esse seria o filme classe B, a simples reiteração da tomada do Estado brasileiro por uma quadrilha e sua descoberta por jovens procuradores e agentes federais depois que a prataria já havia sido vendida.
O filme verdadeiro deve ser um épico, salpicado de nuances psicológicas. Nele, Luís Inácio, no papel de Lula, é um homem convencido de sua missão divina e dos privilégios que ela lhe concede. Personagens como os empreiteiros e o primeiro-amigo José Carlos Bumlai são apenas escudeiros providenciais, versões pós-modernas de Sancho Pança. Todos com as algibeiras recheadas com verbas do BNDES e dos cofres de estatais. O papel dos escudeiros é o de livrar Lula dos cuidados banais, como a conta das reformas do sítio e do tríplex, a montagem das cozinhas planejadas, a troca do assoalho, a instalação do elevador privativo…
Nos supermercados, um preço na prateleira e outro no caixa Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/nos-supermercados-um-preco-na-prateleira-outro-no-caixa-18767275#ixzz41TCunhGP © 1996 - 2016. Todos direitos

RIO - Dificuldade em identificar o preço de um produto na gôndola e valores diferentes — normalmente para mais — entre a prateleira e a boca do caixa, infelizmente, são uma rotina comum a quem faz compra em supermercados. As numerosas reclamações levaram a “Defesa do Consumidor” a pedir ao Procon-RJ que verificasse, com exclusividade para o GLOBO, qual era a realidade nos supermercados fluminenses. Ao todo, foram fiscalizadas, na última semana, 12 mercados de sete redes, nas Zonas Sul, Norte e Oeste do Rio e em Niterói. Sete estabelecimentos foram autuados por problemas com preços e prazo de validade, sendo eles filiais do Pão de Açúcar, Extra, Prezunic e Intercontinental.
Ingênuos - O ESTADO DE SP
Era presumível que o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura fosse alegar, com a convicção dos puros, que não fazia ideia de qual era a origem da dinheirama que apareceu subitamente em suas contas no exterior – e que, para a Lava Jato, é parte da roubalheira da Petrobrás. Só isso já seria suficiente para ofender a inteligência dos investigadores e do distinto público, mas não se pode dizer que tenha sido uma surpresa. No entanto, o que saiu dos primeiros depoimentos dessa dupla do barulho à Polícia Federal concorre a um lugar de destaque na antologia que se fizer a respeito desses tempos de colapso moral sob o lulopetismo – e joga na fogueira a Odebrecht, a gigantesca empreiteira cujo nome volta e meia surge nas narrativas desse escândalo.
100 mil lojas foram fechadas em 2015

RIO - O apelo à criatividade, às promoções e ao corte de custos tem sido o mantra dos comerciantes brasileiros neste início de ano, mas nada deve salvar o varejo de uma nova retração nas vendas em 2016. Desemprego crescente, elevado endividamento das famílias e crédito caro persistem e habitam os piores pesadelos dos empresários, que no ano passado já assistiram ao maior tombo nas vendas desde 2001 e fecharam quase 100 mil lojas. O baque foi tão grande que o comércio acabou perdendo espaço para outras atividades na economia.
Como nada mudou na passagem do ano, o encolhimento deve continuar. Neste mês, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que os comerciantes reclamam cada vez mais da demanda insuficiente e dos custos com mão de obra, o que pode incentivar demissões nos próximos meses. O próprio indicador de emprego previsto caiu 3,3 pontos, para o menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010. “Isso é um sinal de que o ritmo de redução de pessoal ocupado no setor deve aumentar nos próximos meses”, explica Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV.
'A tendência de fechamento de lojas deve continuar. As condições desfavoráveis permanecem, o comércio continua com o pé na lama' - Fabio Bentes, economista da CNC
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) espera pela demissão de aproximadamente 245 mil trabalhadores formais neste ano – o comércio já fechou quase 181 mil vagas em 2015. Mas o problema não deve se limitar a demissões. Sem clientela suficiente, quase 100 mil lojas deixaram de existir no ano passado. “A tendência de fechamento deve continuar. O comércio continua com o pé na lama”, afirma o economista da CNC Fabio Bentes.
Sem uma via de escape, o varejo depende do consumo doméstico. Só que os brasileiros seguem pessimistas diante do aumento do desemprego e da queda na renda e, na tentativa de equilibrar o orçamento doméstico, acabam freando os gastos. Muitos inclusive têm recorrido à poupança para conseguir manter as contas em dia. “Há menos pessoas trabalhando e muitas pessoas ganhando menos. Isso impacta”, diz o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores.
No ano passado, as vendas no varejo restrito encolheram 4,3%, o pior resultado desde o início da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2001. No segmento ampliado, que inclui veículos e material de construção, o tombo foi ainda maior, de 8,6%. Como resultado, o Produto Interno Bruto (PIB) do comércio deve ter encolhido 8% no ano passado, o pior resultado desde o início das Contas Nacionais em 1948, estima a CNC.
'O ritmo de redução de pessoal ocupado no setor deve aumentar nos próximos meses' - Aloisio Campelo, superintendente da FGV
A forte queda no PIB do comércio em 2015 abortou o processo de crescimento do peso da atividade na economia brasileira, um caminho encarado como natural pelos economistas. No ano passado, 10,5% da renda gerada no País veio do comércio, contra 11,1% em 2014, segundo estimativas do Monitor do PIB, produzido pela FGV.
Perdas. Com a disputa pelo cliente cada vez mais acirrada, os lojistas tentam lançar mão de promoções para atrair os brasileiros. Renegociação de prazos e valores com fornecedores e medidas de redução de custo também estão no ‘script’ das empresas. Mesmo assim, o crédito travado e a inadimplência em crescimento mínguam os planos de grandes varejistas.
O Grupo Pão de Açúcar teve prejuízo de R$ 314 milhões no ano passado. Os investimentos de R$ 2 bilhões feitos em 2015 devem cair a R$ 1,5 bilhão neste ano, segundo a companhia.
A Via Varejo, braço do Grupo Pão de Açúcar que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, também vai intensificar os cortes de investimentos e deve ser mais seletiva no crédito diante do preocupante aumento da inadimplência observado atualmente. A rede fechou 23 lojas e demitiu mais de 11 mil funcionários durante o ano passado. O lucro líquido da empresa encolheu expressivos 99,7% ante o ano anterior, para R$ 3 milhões.
A Magazine Luiza é outra gigante do comércio brasileiro que espera dificuldades em 2016. O presidente da companhia, Frederico Trajano, afirmou em recente entrevista ao Estado que a gestão tem mirado em cortes de custos para enfrentar a crise. O ESTADO DE SP
Datafolha aponta que 62% acreditam que Lula foi beneficiado por empreiteiras
Maioria dos brasileiros acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi beneficiado por empreiteiras em reformas em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, e em um apartamento tríplex no Guarujá, no litoral paulista, revelou pesquisa Datafolha. Mesmo assim, Lula é citado como o melhor presidente. Os números da pesquisa apontam que 62% dos entrevistados acreditam que Lula foi beneficiado pelas obras no tríplex e 58% avaliam que a construtora OAS, responsável pela reforma, obteve vantagem. No caso do sítio em Atibaia, 58% acham que o ex-presidente foi beneficiado pelas obras na propriedade e 55% pensam que as construtoras responsáveis pela reforma tiveram vantagens de governos do PT.
Lula é citado espontaneamente como o melhor presidente do Brasil, para 37% dos entrevistados, entre Fernando Henrique Cardoso (15%), Getúlio Vargas (6%) e Juscelino Kubitschek (5%). O governo de Lula está empatado em segundo lugar com o de Fernando Collor entre os quais houve mais corrupção, mostra a pesquisa. O governo da presidente Dilma aparece como o mais corrupto, para 34% dos consultados.
O levantamento foi realizado entre 24 e 25 de fevereiro junto a 2.768 entrevistados em 171 municípios. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, segundo o Datafolha. O ESTADO DE SP



