A autocrítica bloqueada
Muito difícil, para indivíduos e organizações de qualquer natureza, o exercício da autocrítica. Por implicar avaliação rigorosa dos próprios atos, sem cancelar os aspectos problemáticos e até negativos, costuma dar a ideia de fraqueza: é como se, no caso dos organismos políticos, se abrisse o flanco ao inimigo, mostrando os pontos frágeis que tornariam possível um contra-ataque arrasador. Coisa de ingênuos, diriam os que abraçam uma concepção cínica (“maquiavélica”) da política.
O acúmulo de erros que marcaram o petismo no poder, especialmente visíveis quando passou a bonança propiciada pela emergência do gigante chinês, suscitou, de vários comentaristas, a observação de que tem faltado ao partido dominante, para remate de males, esse tipo de avaliação de si mesmo. Evidenciou-se algo que Leandro Konder, um intelectual comunista que deixou marcas, chamou a seu tempo de “atrofia conservadora da autocrítica” (O Marxismo na Batalha das Ideias, Nova Fronteira, 1983).
Galinhas-d'angola são arma contra invasão de escorpiões no Morumbi

Na calada da noite, um morador de um condomínio luxuoso em São Paulo driblou a equipe de seguranças da portaria e infiltrou dez agitados soldados na luta contra um exército peçonhento. Na manhã seguinte, "tô fraco, tô fraco", galinhas-d'angola acordam os moradores, que neste verão viram seu sossego ter fim com a invasão de escorpiões. Daí a ideia de recorrer, na quarta (13), às galinhas, predadoras naturais dos temidos artrópodes. Pais e filhos deste condomínio de sete prédios e 200 casas no Morumbi (zona oeste de São Paulo) saem todas as noites à caça dos escorpiões. Sua presença, com uma ou outra aparição, já havia sido notada em 2013, quando o condomínio de 155 mil m² foi inaugurado.
Em janeiro, porém, a infestação piorou: moradores dizem ter encontrado cem escorpiões em só três dias. Duas cobras também apareceram nos últimos meses.
Por que Lula não é investigado?
Todos os caminhos daOperação Lava Jatolevam a Lula e, por alguma razão que se perde nas brumas das apurações, ninguém é capaz de explicar, o Ministério Público Federal tampouco, por que o ex-demiurgo, convertido em verdugo da institucionalidade, não é um investigado. Ou, vá lá, para ser preciso: existe uma apuração na Procuradoria da República em Brasília para saber se ele praticou tráfico de influência em favor da Odebrecht. Dada a, digamos, onipresença do Babalorixá de Banânia nessa história, é café pequeno. Suspeito que, fosse outra empreiteira, nem isso haveria.
Dois delatores, cujas confissões já receberam a devida chancela do STF, atestam a interferência do ex-presidente no que acabou se constituindo em mais um empréstimo fraudulento ao PT. Refiro-me a Nestor Cerveró e a Fernando Baiano.
José Carlos Bumlai, o empresário que serviu para lavar a operação, confirma a sua condição de laranja. O próprio emprestador, o grupo Schahin, revela que dispensou o PT do pagamento da dívida quando conseguiu um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras. Dito de outro modo: o empréstimo foi pago, na prática, pela estatal. Cerveró confessa: ganhou de presente, de Lula, um cargo na BR Distribuidora por ter viabilizado o acordo do Schahin com a Petrobras. Baiano confirma.
Enquanto Dilma não perde o emprego, os brasileiros vão ficando desempregados…
Como não existe milagre, é evidente que os desastres provocados pelos governos petistas na economia haveriam de ter efeitos devastadores do emprego. A taxa de desemprego no país voltou a subir e ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro de 2015. O resultado é o mais alto da série histórica medida pela Pnad Contínua, que teve início em 2012. Para ter uma ideia da degradação do indicador, eis alguns números de pesquisas anteriores. No mesmo período de 2014, a taxa estava em 6,6%. No trimestre imediatamente anterior, encerrado em julho do ano passado, foi de 8,6%.
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No período, a chamada população desocupada (aqueles que estão à procura de trabalho) alcançou 9,1 milhões de pessoas, um aumento de 5,3% em relação ao trimestre de maio a julho e de 38,3% em comparação com o mesmo período de 2014. Em um ano, houve um acréscimo de 2 milhões e meio de pessoas na fila do desemprego.
Entre os setores da economia, a piora mais intensa no mercado de trabalho foi observada na indústria. Em 12 meses, a queda no número de ocupados no segmento foi de 5,6%, o equivalente a 751 mil pessoas. Os setores de informação e atividades financeiras também foram mal e registraram, ambos, recuo de 4% na comparação com o mesmo trimestre de 2014. Pois é… É preciso que Dilma perca o seu emprego para que muito mais desemprego não venha por aí.REINALDO AZEVEDO
Um dos empreiteiros do petrolão recorreu a ex-marido de Dilma para tentar salvar negócios
Há três anos, o grupo Engevix, que tem empresas nas áreas de óleo e gás, petroquímica, siderurgia, mineração e infraestrutura, começou a enfrentar sérios problemas financeiros. Já sentia os efeitos da desaceleração da economia. Para sobreviver, o empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da Engevix, bateu em diversas portas da alta burocracia, sem sucesso. Até que partiu para uma ação desesperada. Constatou que, para destravar as barreiras dos empréstimos oficiais, restava somente falar com a própria presidente Dilma Rousseff. Foi desaconselhado – é notória a aversão de Dilma a contatos com empresários que saiam do esquadro republicano. Mas Antunes tinha um plano. O plano chamava-se Carlos Franklin Paixão de Araújo.
Das Cinzas ao carnaval - Fernando Gabeira
A Operação Lava Jato começou o ano desatando fios de várias meadas. Um deles, as mensagens telefônicas do ex-diretor da OAS Léo Pinheiro. No vácuo político do recesso, a única variável com poder de alterar o quadro é o curso da Lava Jato e de outras operações da Polícia Federal. As mensagens de Léo Pinheiro comprometem o ministro Jaques Wagner em alguns pontos. Um deles, sua interferência num fundo de pensão, a pedido da OAS. Negócio de R$ 200 milhões. Mais ou menos no mesmo período vazou trecho da delação de Nestor Cerveró também comprometendo Wagner. Desta vez na construção de um prédio destinado a abrigar a direção financeira da Petrobrás.
Cruzo os dados não para demonstrar culpa de Wagner. Mas para reafirmar que a Lava Jato é uma espécie de termômetro que permite vislumbrar ao menos algumas nesgas do futuro. No caso de Lula não poder disputar em 2018, Wagner era uma espécie de plano B. Há pedras no caminho.


