Debilidade de Temer eleva apetite de fisiológicos
A discrepância entre o discurso ameaçador do Planalto e a suavidade no trato com os parlamentares infiéis leva a plateia a duvidar da seriedade da cena. Michel Temer fica em posição comparável à do sujeito que diz que vai quebrar a cara do outro, mas demora tanto tempo para lenvantar da cadeira que vira motivo de chacota. A situação legislativa do presidente é mais precária do que faz supor a retórica oficial. Os supostos aliados é que ameaçam o governo, não o contrário. Intimados a concluir a votação das reformas de Temer, governistas acenam com a hipótese de dar uma coça no Planalto se os seus apetites fisiológicos não forem saciados.
Além das beiradas dos açudes - OPOVO
Em Tauá (Sertão dos Inhamuns), a saudade tem a extensão do açude Favelas, um dos grandes da região, a 23 quilômetros da sede do município. Pode-se medir pelas conversas no caminho: quando a chuva encontrava o açude, faziam-se “uns cinco, seis quilômetros d´água para um lado e para outro. Quando tá chei, vai até Tauá botando água”, somam as histórias de pescadores e agricultores locais. Quando tinha água, tinha também curimatã, tilápia, traíra, sardinha, paisagem.
Série a peleja da água - OPOVO
178 dos 181 municípios do Ceará estavam em situação de emergência quando O POVO iniciou uma série de reportagens pela etnografia da seca deste século. O caminho pelos sertões do Estado, agora, quer alcançar estratégias de convivência com a falta d´água. A morte do gado e o comércio de uma água suja, por exemplo, são retratados lado a lado com o assistencialismo de governos e questões ambientais.
Pentecostes e Apuarés: A felicidade de cada dia

Nos interiores dos lugares e das pessoas por onde esta reportagem andou, sertão e homem se tornam um só: fazem, da fraqueza, a força. No nascer (e nascer) entre seca e chuva, no viver entre a falta e a fartura, o homem vai se deixando no sertão e o sertão vai sendo humanidade. O agricultor Francisco Fernandes da Silva Maciel, 30, gerente da fazenda Califórnia, em Pentecoste (94,7 quilômetros de Fortaleza), sofre a sede da terra, a fome do bicho. Os últimos cinco anos de estiagem mataram 50 gados dos 180 da fazenda produtora de leite. “Fora os pequeno”, adita.
Entre o Rio e o Roçado - a multiplicação do fazer
Foi o rio Acaraú que fez a agricultora Maria da Saúde Pinto Lima, 60 anos neste maio, se mudar da serra de Guaraciaba para o sertão de Varjota (272,7 quilômetros de Fortaleza). Ela foi ao encontro das águas, para dar de beber à plantação que a acompanha desde sempre. “Na serra, tava seco. Quando eu cheguei aqui, que vi o rio Acaraú, eu disse: é aqui que eu vou ficar”, demarca.
A persistência se faz natureza - OPOVO
Sertão é terra-mãe, com todas as delicadezas deste relacionamento. Pariu e criou Maria, João, Francisco, José, Ivone, Abel, Valquíria. Sertanejos que, neste caderno especial, conduzem as narrativas de dentro para fora. Mostram a casa que construíram com o tanto que plantaram; espelham como resistiram com menos água, comida e sonhos. Contam como o passado os fazem ir até o amanhecer seguinte, atravessando o presente.



