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Especialistas defendem investimentos em tecnologia para qualificar a segurança

Especialistas defendem investimentos em tecnologia para qualificar a segurançafoto : Marcos Moura

 
A mesa "Tecnologia e Inteligência em Segurança Pública" encerrou, na tarde desta sexta-feira (08/06), o Seminário Internacional sobre Segurança Pública, realizado pela Assembleia Legislativa. Segundo especialistas que compuseram o último debate, para que a segurança pública seja eficiente e adequada às demandas atuais é necessário investir em tecnologia e inteligência.

“O crime usa recursos tecnológicos em suas práticas e o Estado precisa se preparar para enfrentar de forma eficaz esse cenário complexo”, ressaltou o perito criminal, advogado e professor Paulo Quintiliano da Silva, do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG). Para ele, a inteligência policial está associada à alta tecnologia, por isso, o Estado deve investir na área de forma eficiente. 

“Não há como fazer uma segurança pública moderna, eficaz e eficiente sem investimento em tecnologia e inteligência”, indicou o perito criminal da Polícia Federal, Helano Matos. Relatando a forma como a tecnologia permeia a área da perícia, ele ressaltou a necessidade de mecanismos tecnológicos de ponta e cientificamente comprovados, a fim de materializar provas e atuar na busca da autoria das infrações, por exemplo.

Para Marcos Monteiro, da Unichristus, “inteligência é sine qua non (indispensável) para a segurança pública”. Ele indica a sociedade mudou, sendo necessário acompanhar as novas demandas. O professor comentou ainda sobre a tecnologia como arma já usada há muito tempo pelo crime. 

INFORMAÇÃO E SEGURANÇA PÚBLICA

A informação está atrelada à tecnologia e inteligência, especialmente quando se fala de gestão e segurança pública. José Antônio Macedo, do Departamento de Computação da UFC, elencou alguns dos desafios da gestão da informação, como a coleta eficiente de dados, a integração, qualificação e garantia da segurança da informação.

Jaqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressaltou a necessidade de desenvolver ferramentas adequadas à realidade concreta, “tirando medidas” da realidade para construir as ferramentas. Partilhando várias das experiência do Rio de Janeiro na área da segurança pública, ela indicou que os processos se constroem à medida que se mapeiam as práticas de trabalho.

A pesquisadora ressaltou ainda o papel, por ora subestimado, do policial como produtor de saber e de informação. E citou a possibilidade de a inteligência ser usada para orientar os níveis decisórios da investigação.

Qualificação e tecnologia

O médico legista e professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da UFC, Renato Evandro Filho, indicou a importância de qualificar continuamente os profissionais da medicina legal, área essencial nos processos da segurança pública. Ele apontou ainda a necessidade de condições de trabalho, remuneração atrativa e planos de carreira e, especialmente, gestão eficiente do serviço.

“A perícia não pode, não deve estar subjugada ao aparelho repressor”, afirmou Luis Carlos Galvão, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Precisamos ser órgãos estritamente de investigação científica para prestar colaboração à justiça”, afirma.

O mediador da mesa Tecnologia e Inteligência em Segurança Pública, professor Nestor Eduardo Araruna Santiago, da Unifor, afirmou que a interface entre tecnologia, inteligência e segurança pública é importante e interessante, mas ainda pouco explorada. Também compôs a mesa o procurador geral do Ministério Público, Plácido Rios.

EXPERIÊNCIAS CEARENSES

O presidente da AL, deputado Zezinho Albuquerque, também participou do debate e encerrou o Seminário Internacional da Segurança Pública. O parlamentar compartilhou duas experiências cearenses: a campanha Ceará sem Drogas e o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, ambas iniciativas da AL. Segundo o presidente da Casa Legislativa, entre os objetivos de tais abordagens está a prevenção de forma qualificada e a busca pelas causas e origens das violências.

Para o deputado, durante quatro dias de evento com palestras, debates e coleta de propostas da sociedade civil, o Seminário permitiu que se discutisse segurança com pessoas que estudam o tema o ano inteiro e que já contribuíram em outros países.

O Seminário Internacional sobre Segurança Pública, realizado pela Assembleia Legislativa, reuniu durante quatro dias 80 convidados de diversos estados e países que compartilharam com o público diagnósticos, experiências,  problemas e propostas para a segurança pública.

AGÊNCIA Assembléia

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