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The Economist: Depois de anos, automação veio para ficar

The Economist, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 05h00

Mary Barra, CEO da General Motors, recorreu à plataforma virtual no dia 12 de janeiro para o lançamento da BrightDrop. A nova divisão de logística da companhia venderá coisas tão sem graça como vans para entrega de mercadoria e paletes elétricos autônomos para serem usados em armazéns. Coisas que dificilmente fariam o coração bater mais acelerado. Segure o seu bocejo, porque o anúncio de Mary é o sinal mais recente de uma revolução silenciosa, e contudo poderosa.

“A convergência de software e hardware que vemos nas alas acarpetadas das companhias hoje pode ser vista nas oficinas das fábricas de todas as indústrias que atendemos”, diz Blake Moret, diretor executivo da Rockwell Automation, uma gigante do setor. A sua empresa tem uma unidade industrial de grande escala na sua sede de Milwaukee, para provar que a automação permite fazer produtos competitivos apesar dos altos custos da mão de obra nos EUA. O preço das suas ações subiu 28% no ano passado, quase duas vezes o índice das 500 maiores companhias da S&P nos EUA. Outras fornecedoras foram ainda mais longe.

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Mão de obra robô
Alto preço da mão de obra foi compensado com máquinas na pandemia. Foto: Ralph Orlowski/Reuters
 

Altos executivos gabam-se há anos da automação de suas operações sem ter muito o que exibir. A covid-19 os obrigou a mostrar mais ação e menos palavras. Hernan Saenz, da empresa de consultoria Bain, prevê que até 2030 as empresas americanas investirão US$ 10 trilhões em automação. Nigel Vaz, diretor executivo da Publicis Sapient, uma grande empresa de consultoria digital, afirma que a crise proporciona aos chefões uma cobertura perfeita. “A pressão insistente dos investidores por resultados financeiros a curto prazo foi temporariamente suspensa”, diz. “As empresas não estão voltando para a sua situação anterior à pandemia, mas reformularam completamente como vão trabalhar,” diz Susan Lund, coautora de um relatório que será publicado em breve pelo think-tank McKinsey Global Institute. Uma recente pesquisa da empresa de consultoria irmã do instituto constatou que dois terços das companhias globais estão cedendo à automação.

Sim, robô! Os robôs são os vencedores mais notáveis. A empresa de pesquisa Robo Global prevê que até o fim de 2021 a base instalada de robôs de fábricas em todo o mundo superará 3,2 milhões de unidades, o dobro do patamar de 2015. Segundo as previsões, o mercado global de robótica industrial crescerá de US$ 45 bilhões em 2020, para US$ 73 bilhões em 2025.

“Nós estivemos na primeira fila durante a pandemia”, diz Michael Cicco, diretor das operações americanas da Fanuc, uma fabricante de robôs japonesa. Com as cadeias de fornecimentos esgotadas, as indústrias foram obrigadas a encontrar soluções para criar flexibilidade, afirma. As companhias que transferiram a sua produção procuraram compensar os altos preços da mão de obra com as máquinas. Além disso, os robôs estão se tornando mais capacitados. Os mais hábeis podem pegar objetos delicados como um morango.

A Fanuc registrou um aumento da demanda de equipamentos para manuseio de material, e de “robôs colaborativos”, projetados para interagir com as pessoas. Esses “cobôs”, como são chamados, são particularmente úteis no e-commerce, que recebeu um impulso enorme com a covid-19. 

Stuart Harris, da Emerson americana, uma grande empresa de automação, afirma que “as aplicações pervasive sensing” – que combinam inteligência artificial e sensores inteligentes – ajudaram o faturamento de sua companhia com monitoramento remoto a crescer 25% no ano passado. 

Publicis Sapiens automatizou a previsão do estoque da divisão de uma grande varejista europeia que repetidamente ficou sem produtos em plena mudança dos padrões de consumo durante a pandemia. O software da empresa de consultoria permitiu que a cliente prevenisse a escassez de 100 de seus principais itens 98% das vezes.

A automação não chegou apenas aos armazéns e às oficinas das fábricas, mas também à área administrativa das companhias. Segundo uma estimativa, o sistema de saúde dos EUA poderia economizar US$ 150 bilhões por ano graças à automação dos processos burocráticos. A Allied Market Research, uma firma de analistas, prevê que as vendas globais de produtos para automação de processos crescerão de US$ 1,6 bilhão em 2019, para cerca de US$ 20 bilhões, em 2027. Em dezembro, a UI Path, uma startup romena inovadora na área, pediu para fazer uma oferta pública inicial. Ela poderá começar com um valor de mercado de US$ 20 bilhões. No dia 12 de janeiro, a Workato, uma concorrente americana, informou que captou US$ 110 milhões em recursos novos.

Os céticos observam que a história está repleta de exemplos de tecnologias que supostamente mudariam o mundo e iludiram os executivos, não cumprindo as promessas. (Lembram da blockchain?). Quando a covid-19 for derrotada, o entusiasmo das companhias por novas tecnologias talvez diminua. Os que perderam a oportunidade de se automatizar – como aconteceu com muitos que estavam ocupados tentando simplesmente sobreviver à recessão – perderão a cobertura de que fala o diretor executivo da Publicis Sapient.

Os otimistas retrucam que desta vez será diferente. No passado, os maiores retornos para a automação beneficiaram as gigantescas corporações. Hoje, os avanços na tecnologia e modelos de negócios permitem que as menores desfrutem de benefícios semelhantes. Isso deveria aumentar a demanda de sistemas inteligentes – e com o tempo reduzir ainda mais os seus custos. E assim por diante, em um ciclo virtuoso totalmente automatizado./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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Nosso adoecimento democrático

Antonio Carlos do Nascimento, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 03h00

Em 28 de março de 2020 o governo de São Paulo estampou em seu portal o recorde histórico de imunização contra a gripe no Estado, com 2,3 milhões de pessoas vacinadas em quatro dias. A ação foi executada pela estrutura do SUS, cabendo elogios às gestões estadual e municipais na coordenação das ferramentas de nosso Sistema Único de Saúde. Virtualmente, nesse ritmo o País inteiro seria vacinado em um ano ao menos com uma dose, de qualquer imunizante.

Em 10 de junho de 2020, o governo de São Paulo assinava acordo com a biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech, envolvendo o Instituto Butantan no desenvolvimento tecnológico da vacina Coronavac; 17 dias depois o governo federal chancelava pacto semelhante entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o projeto desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca.

Causou enorme entusiasmo o anúncio feito pelo Butantan, em 7 de janeiro, apontando a eficácia da Coronavac em 78% na prevenção de casos leves de covid-19 e 100% nos casos graves. Esses dados sustentaram que 78 em 100 pessoas imunizadas pela Coronavac evoluíram sem sintomas ou com sintomas leves, mas sem necessidade de internação, enquanto a totalidade foi protegida da forma grave da doença, dispensando cuidados de terapia intensiva.

Quatro dias depois, em novo pronunciamento, a mesma instituição informou que a eficácia global é de 50,3%, no que nos assegura que 50 em cada 100 indivíduos vacinados não desenvolvem nenhum sintomatologia, sem invalidar as informações anteriores. No quanto se mostraram sem didática, os porta-vozes devem admitir as críticas, mas no que a vacina representa, são vítimas de imensa injustiça.

Um monitorado e ideológico desprezo foi destinado à parceria firmada pelo governo paulista com a farmacêutica chinesa, durante todo o processo. Em suas origens a depreciação tem cunho político, mas nos seus destinos seu compartilhamento é inconcebível, seja pela ingratidão reservada ao Butantan e ao Estado de São Paulo, ou pela incoerência, no que me refiro ao desdém aos produtos chineses.

Em tempos em que nem o futebol nos notabiliza fora de nossas fronteiras, deveria fazer-nos muito bem saber que o mundo tem o Instituto Butantan como uma das instituições mais importantes e respeitadas na produção de vacinas. O Estado de São Paulo merece respeito, não fosse pelo que representa em seus 33% de participação no PIB brasileiro, ao menos por ser o maior investidor em pesquisas cientificas no País, albergando cérebros de todas as unidades federativas em seus centros de estudos.

Por outro lado, a imensa maioria de todos nós, se não possui, ao menos sonha adquirir um aparelho eletrônico de vanguarda, para o que não aponto novidade ao afirmar que a quase totalidade desses artigos é proveniente de território chinês, assim como a maioria dos insumos e maquinários hospitalares utilizados em todo o mundo. Seria legítimo, não fosse dissimulado, questionar o estímulo que tal comércio promove na perpetuação de uma relação empregado-empregador que não aceitamos no Ocidente.

O Reino Unido e os Estados Unidos iniciaram a vacinação em 8 e 14 de dezembro de 2020, respectivamente. Mas estávamos em 8 de janeiro de 2021 e os britânicos contabilizavam 1,5 milhão de doses administradas, enquanto os americanos alcançavam 6 milhões, número distante dos prometidos 20 milhões de vacinas antes que o último ano findasse. Não vou pormenorizar as dificuldades enfrentadas pela União Europeia em sua marcha vacinatória anticovid-19.

A OMS define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Talvez isso possa explicar como uma fração substancial de brasileiros deixa de contemplar a possibilidade real de fazermos história. Com o SUS somos capazes de efetivar campanha de vacinação de qualquer dimensão, com resolutividades sem precedentes em âmbito nacional. Além de devolver nossa gente à reconstrução econômica brasileira, apagando para os olhos do mundo a mancha que o negacionismo irracional nos impregnou.

Porém estamos presenciando devoções cegas, obediências incondicionais, um extremismo desmedido que pensávamos ter ficado na década de 1940, com o colapso do fascismo e do nazismo. Os insurgentes de agora já não despontam pela fome e pela desigualdade, emergem unidos em suas incapacidades de diálogo e aceitação da ciência.

A invasão do Capitólio por manifestantes apoiadores de Donald Trump mutila, pelo menos por algum tempo, a (aparente) sólida democracia americana, talhando ferida de cicatrização incerta. Entretanto, pior que isso é o exemplo democrático sonhado por grande parte do planeta apresentar suas suscetibilidades.

Por aqui, preocupam os entraves provocados na saúde pública por desinformação orientada. Mas também entristece a perspectiva de que nosso jovem processo democrático possa estar adoecendo gravemente.


DOUTOR EM ENDOCRINOLOGIA PELA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM)

Displicência mortal -

O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 03h00

Não foram poucas as vozes que no fim do ano passado alertaram para a iminência de uma explosão de contaminação e mortes por covid-19 no País nas primeiras semanas de 2021. É exatamente o que se vê agora. Não foi presságio e tampouco mau agouro dos especialistas em saúde pública. Foi apenas a antevisão de uma consequência lógica da irresponsabilidade com que muitos governantes e cidadãos se portaram diante da ameaça de contágio pelo novo coronavírus durante os festejos e férias de fim de ano. Agora, a incúria, o egoísmo e o desmazelo de tantos que puseram a fruição individual acima do interesse coletivo apresentam uma pesada conta.

Na quinta-feira passada, o País registrou recorde na média móvel de casos diários de covid-19. De acordo com a apuração do consórcio de veículos de imprensa, foram 56.453 casos em 24 horas. A Nação pranteou a morte de cerca de 1,2 mil brasileiros por dia. Alguns hospitais particulares da capital paulista já não têm vagas em UTI para atender pacientes acometidos pela covid-19. Na capital fluminense também não há mais leitos de terapia intensiva exclusivos para o tratamento da doença.

Em nenhum município, no entanto, a situação é tão dramática como em Manaus. Chegou-se ao ponto em que médicos e enfermeiros não têm outra coisa a fazer a não ser administrar morfina em pacientes graves que agonizam nos leitos pela falta de oxigênio. A sensação de impotência levou ao desespero muitos desses profissionais. Por meio das redes sociais, eles publicaram pungentes pedidos de ajuda enquanto viam seus pacientes, um após o outro, morrerem afogados no seco. Só ontem começaram a chegar cilindros de oxigênio a Manaus vindos do Rio e de São Paulo em aviões da FAB.

O colapso do sistema de saúde em Manaus é o retrato cruel de como a negligência e o negacionismo do poder público, aliados à irresponsabilidade dos cidadãos que fazem pouco-caso das medidas protetivas contra o vírus, são mortais quando se está diante de uma crise sanitária da magnitude da pandemia de covid-19. Não se chega a um estágio desses sem uma longa esteira de erros e omissões.

Fiel à sua índole, o presidente Jair Bolsonaro foi rápido ao fazer circular a informação de que o governo federal repassou R$ 8,91 bilhões ao Estado do Amazonas e R$ 2,36 bilhões à cidade de Manaus, sugerindo que nada tem a ver com o desastre havido na capital amazonense. “Fizemos a nossa parte”, disse o presidente ao grupo de apoiadores que batem ponto na entrada do Palácio da Alvorada.

Em primeiro lugar, repasses da União aos Estados e municípios decorrem das leis e da Constituição, não da boa vontade do presidente da República. Bolsonaro não fez nada além de sua obrigação ao repassar os recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além dos recursos extraordinários aprovados pelo Congresso para dar conta do enfrentamento da pandemia. Segundo, em nenhum momento desta emergência sanitária o resultado trágico em Manaus ou em qualquer outro município decorreu da falta de dinheiro. Faltou ao governo federal compromisso com os fatos, com a ciência, com a vida. Faltou a coordenação, no âmbito federal, dos esforços nacionais para debelar a peste.

Sobre o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), também recai uma boa parcela da responsabilidade pelo colapso da saúde pública em Manaus por ter cedido à pressão de empresários e autorizado a flexibilização das atividades comerciais no Estado, contrariando as recomendações das autoridades sanitárias. “Eu preciso ouvir a voz das ruas”, justificou o governador. Por esta sua “insurgência” contra a “ditadura do lockdown”, Lima foi bastante festejado por apoiadores do presidente Bolsonaro.

Manaus foi uma das cidades que sucumbiram ao falso dilema entre a “liberdade” individual e o “arbítrio” das medidas de contenção ao novo coronavírus. Como a natureza é implacável, o resultado não haveria de ser outro: o aumento do número de mortes por um dos meios mais cruéis, a asfixia.

As três esferas de governo agora se mobilizam para socorrer os manauaras. Para muitos, entretanto, a ajuda chega tarde demais. Até onde irá o desgoverno?

Eleição da Câmara: Arthur Lira e Baleia Rossi atraem governadores para campanha

Bruno Góes e Thiago Herdy / O GLOBO

 

BRASÍLIA E RIO - Em campanha acirrada pela presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AP) tentam mobilizar governadores para influenciar a decisão de deputados. Lira já esteve com 11 chefes de Executivos estaduais, enquanto o emedebista se reuniu com cinco. A expectativa é que ambos continuem a viajar pelo país até o fim do mês. Esse tipo de articulação é considerada importante porque muitos parlamentares são influenciados pela política local em sua atuação na Câmara.

 

Na sexta-feira, Baleia e o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estiveram em São Paulo com o governador João Doria (PSDB). Além de tentar conter a dissidência de parte dos tucanos, o objetivo é garantir o máximo de votos na bancada paulista. No plano nacional, Doria sofre resistência da ala do PSDB liderada por Aécio Neves (MG). A meta da campanha, para o estado, é que a mobilização do governador resulte na conquista de 55 dos 70 votos da bancada paulista. Segundo Maia, seu bloco tem apoio de 18 a 20 governadores.

Candidato do presidente Jair Bolsonaro, Lira também aposta suas fichas na interlocução com governadores e tenta usar sua viagens para forçar dissidências. Já conversou, inclusive, com oito cujos partidos integram o bloco de Baleia. Em Pernambuco, por exemplo, esteve com Paulo Câmara, do PSB, cuja bancada está rachada. Até o momento, não há assinaturas suficientes para que os socialistas formalizem a adesão anunciada ao emedebista.

Apelo de Doria

O deputado do PP já esteve também com Waldez Góes (PDT, Amapá), Helder Barbalho (MDB, Pará), Antônio Denarium (PSL, Roraima), Ronaldo Caiado (DEM, Goiás), Wellington Dias (PT, Piauí), João Azevedo (PSB, Paraíba) e Fátima Bezerra (PT, Rio Grande do Norte). Todos, teoricamente, são aliados de Baleia.

Ontem, Doria fez um apelo aos deputados federais para que não permitam que o Congresso se transforme em extensão do poder Executivo, cuja gestão ele considera “desastrosa”. Estiveram presentes parlamentares de partidos como PSDB, DEM, MDB, Cidadania, PSL e PV.

— Eu sei o que é a dor de uma ditadura militar. Sei o que representa o totalitarismo e o poder concentrado nas mãos de um homem. Imaginem de um homem destemperado, desequilibrado e despreparado como o atual presidente da República — atacou Doria.

Presente no encontro, Baleia disse que a candidatura do adversário é “submissa ao Palácio do Planalto” e flerta com grupos radicais que “até pouco tempo defendiam o fechamento do Congresso Nacional”.

Ontem, em Natal, de acordo com a imprensa local, após conversa com deputados, o prefeito Álvaro Dias (PSDB) defendeu a candidatura de Lira.

— Temos cinco deputados que o apoiam. E isso vai se transformar em ponto positivo em favor do Rio Grande do Norte — disse Álvaro Dias.

Mesmo filiada a partidos alinhados à candidatura de Baleia, parte dos governadores abriu as portas de gabinetes para dialogar com o deputado do PP. Nas conversas, Lira faz questão de dizer que a Câmara será independente sob sua gestão, e que os problemas de cada região serão tratados pelos parlamentares.

Na próxima semana, o deputado do PP terá encontro com o governador do Rio, Cláudio Castro (PSC). No estado, aliados de Maia e Baleia não conseguiram ter boa receptividade à candidatura. A maior parte da bancada rejeita a liderança do presidente da Câmara.

Nos próximos dias, Baleia deve se encontrar com Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul.

A eleição na Câmara está marcada para o dia 2 de fevereiro e a votação é secreta. O bloco de Baleia reúne 11 partidos e soma 278 deputados. Já o de Lira tem nove partidos , que somam 195 integrantes.

Traições sem fim - ISTOÉ

TRADIÇÃO SIMONE TEBET

Os estímulos que desde o final de dezembro propagaram sem turbulência a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na disputa à presidência do Senado foram abalados nesta semana por movimentos nos bastidores do Congresso, que encontraram no nome de Simone Tebet (MDB-MS) o impulso capaz de causar inquietação nas estruturas que Pacheco já contava como estabelecidas para vencer o pleito. O cenário de traições, no entanto, é o enredo que embala o confronto entre os dois senadores.

“A pandemia desnudou, ainda mais, o que mais nos envergonha no cenário mundial: as nossas desigualdades sociais” Simone Tabet, senadora

Lançada como candidata do MDB à Presidência da Casa, Simone Tebet conseguiu romper barreiras internas da legenda, que ainda titubeava entre seu nome e o do líder da legenda na Casa, Eduardo Braga (AM). O senador amazonense, contudo, esbarrou na falta de apoio externo para seu nome, sobretudo dos partidos de esquerda, como o PT. Em conversas com senadores da oposição, Braga sentiu que não teria força para romper os pilares já colocados a favor da candidatura de Pacheco, bancada por Davi Alcolumbre e pelo presidente Jair Bolsonaro. Se o MDB queria mesmo tentar um retorno ao comando do Senado, a única chance seria com Tebet, filha do ex-senador Ramez Tebet, que já presidiu o Congresso e faleceu em 2006.

Primeira mulher a disputar a presidência da Casa, a senadora, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), conseguiu, menos de 24 horas depois do lançamento oficial de seu nome, estremecer até mesmo partidos que contavam com a bancada fechada em torno de Pacheco. Foi o caso do PP. Comandado pelo senador Ciro Nogueira (PI), amigo de Bolsonaro, o partido, que tem sete senadores, chega agora rachado para o voto na eleição marcada para o dia 2 de fevereiro.

Embora sua legenda tenha apoiado Pacheco, um dos mais experientes senadores do PP, Esperidião Amin (SC), não aceitou a decisão imposta goela abaixo e anunciou voto em Tebet. Não teme represálias. Como o voto é secreto, outras dissidências também são esperadas. “Eu votarei na Simone Tebet. Os dois candidatos são pessoas com boa biografia, mas essa é uma questão de análise que cabe a mim fazer”, afirmou o senador, logo após Ciro Nogueira ter divulgado uma nota oficial, em nome da bancada, declarando a opção por Pacheco.

Racha no PP

O PP não é a única bancada que trará problemas à contabilização de votos de Pacheco na disputa pelo comando da Casa. O senador, que estimava no começo da semana já ter 38 dos 41 votos necessários, esbarra agora em resistências até mesmo dentro do PT, que anunciou apoio à sua candidatura. A repercussão negativa para a legenda ao apoiar um candidato que é defendido por Bolsonaro pesou à história da legenda. Nos bastidores, o racha já é dado como certo. Humberto Costa, que foi ministro da gestão de Lula, consta como um dos mais propensos a não sacramentar voto em Pacheco. Há conversas para que o PT repense o posicionamento da bancada.

De quem também é esperada uma nova postura é a bancada do PDT. A legenda, que costuma votar em bloco com o Cidadania e a Rede, anunciou apoio a Pacheco, mas com Tebet no cenário se viu isolada no grupo e tende a mudar de posição. O Cidadania, que tem três senadores, fechou posição em defesa da senadora. Mesmo que não mude oficialmente de posição, o racha dentro do PDT, assim como em outras legendas, já é dado como certo. “Não deve haver unidade em nenhuma das bancadas maiores. Os rachas e as traições estão a mil nesta eleição. Sempre é difícil vencer o candidato do governo, mas acho que é viável”, avalia o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

A Rede, que tem dois senadores, ainda busca um consenso entre o bloco, mas o apoio a Tebet já é incontestável. Embora respeite a trajetória de Pacheco, a bancada que tem dois votos não aceita o apoio a um candidato defendido por Bolsonaro. “A Rede é um partido de oposição a Bolsonaro e a gente terá lealdade à nossa posição de oposição ao governo”, afirma Randolfe Rodrigues (AP), líder da legenda.

Embora tenha anunciado a candidatura de Tebet, também haverá rachas no MDB. O partido tem os dois líderes do governo: Eduardo Gomes (TO) no Congresso e Fernando Bezerra (PE) no Senado, que poderão votar em Pacheco. Já Márcio Bittar (AC), um dos maiores defensores de Bolsonaro na casa, declarou voto em Tebet. As divergências podem ser abrandadas pelos novos integrantes da legenda: Rose de Freitas, que deixou o Podemos, e Veneziano Vital do Rêgo, que deixou o PSB, que devem reforçar o apoio a Tebet. Com a chegada da dupla, o MDB se solidificou como a maior bancada da Casa, com 15 senadores, e isso pode ser decisivo para o enfrentamento a Pacheco. Há ainda o Podemos, com dez senadores, e o PSDB, com sete, onde também são esperadas rupturas. Os tucanos anunciaram apoio a Pacheco, mas alguns deles admitem que poderão aderir a Tebet. Até a eleição do dia 2 de fevereiro, o caderninho dos candidatos que guarda a contagem dos votos deve precisar de muito lápis e borracha.

Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda tratamento precoce contra Covid-19

PACIENTE É TRANSPORTADO

 

Contraindicação em relação ao uso de qualquer substância em tratamento precoce. Esse foi o recado dado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) por meio do seu perfil no Twitter na última quinta-feira (14).

“A SBI não recomenda tratamento precoce para COVID-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a COVID-19”, começa o comunicado.

“Essa orientação da SBI está alinhada com as recomendações das seguintes sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como: Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e da Europa (ESCMID), Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), Centos Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA)”, completa.

Além disso, a entidade oferece um documento completo em seu site com todas as atualizações e recomendações para a Covid-19.

Crítica de Bolsonaro

A SBI se pronunciou após a possibilidade do tratamento precoce ser utilizada para combater o aumento de casos da Covid-19 no estado do Amazonas, no qual a quantidade de infectados gerou uma grave crise no sistema de saúde estadual, com falta de leitos e até cilindros de oxigênio. ISTOÉ

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