Governo do estado paralisa obra do Aquário do Pantanal em MS
A obra do Aquário do Pantanal, no parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, foi paralisada pelo governo do estado nesta segunda-feira (16). O executivo tomou a decisão após a Egelte Engenharia, construtora responsável pelo empreendimento, conseguir uma liminar na Justiça que a desobriga de voltar ao canteiro.
Segundo o governo, como as outras empresas que executavam serviços na obra dependiam dos trabalhos da Egelte, elas não tiveram condições de terminar seus contratos, por isso, para que não se continuasse tendo despesas com uma obra que já estava praticamente parada, os outros contratos foram paralisados.
A estrutura do aquário está com cerca de 95% das obras concluídas. Demandando o acabamento e o revestimento. O Centro de Pesquisa e Reabilitação da Ictiofauna, conhecido como Aquário do Pantanal, foi lançado em 2011 pelo então governador André Puccinelli (PMDB). As obras começaram no mesmo ano.
Quando finalizado, o empreendimento será o maior aquário de água doce do mundo, com 6,6 milhões de litros de água, distribuídos em 24 tanques, com 7 mil animais de 263 espécies, entre elas peixes, jacarés e cobras. O Aquário do Pantanal deve incluir ainda um centro de pesquisa, com 1000 m² de laboratório e biblioteca digital.
O preço da pilhagem
Os prejuízos em que a Petrobrás incorreu por ter aplicado bilhões de reais em dois projetos lançados por mero interesse político-eleitoral do ex-presidente Lula, mas cuja viabilidade havia sido condenada por pareceres internos e diagnósticos realizados por consultorias privadas, são o retrato do modelo de gestão que o governo petista impôs à estatal. As previsíveis e maléficas consequências que a pilhagem da Petrobrás traria para a empresa e para o País vão agora sendo apontadas e aferidas por auditorias como a que o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu há pouco.
Os projetos de duas refinarias premium - uma no Maranhão, outra no Ceará - foram anunciados por Lula em 2008 para agradar aos governadores daqueles Estados. O relatório de uma empresa contratada pela estatal para melhorar a qualidade dos projetos das refinarias levou à redução do custo total delas de US$ 44 bilhões para US$ 33,7 bilhões. Mesmo assim, o risco de prejuízo continuou muito alto, de praticamente 100%, como apontou uma auditoria externa. A diretoria da Petrobrás, por isso, sabia dos riscos.
Sem que os projetos tenham saído do papel, a Petrobrás gastou com eles R$ 2,7 bilhões. Como mandam as práticas contábeis seguidas por empresas sujeitas a auditorias externas, esse valor foi lançado como prejuízo, o que só aconteceu no terceiro trimestre de 2014.
A tortura dos números
Números, por mais que sejam torturados, não permitem que se diga algo diferente do que expressam. Distorções têm racionalmente limites, salvo para os que se contentam com imposturas ideológicas. Essa impostura está presente em Mato Grosso do Sul, na atuação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Essa entidade da Igreja Católica entrou na luta propriamente política, denunciando um suposto “genocídio” da etnia guarani no Estado. Procura, com isso, prejudicar os empreendedores rurais, como se fossem responsáveis por tal “situação”. Vão mais longe, apregoando um boicote internacional a seus produtos. A impostura não conhece fronteiras!
Os números da Superintendência da Inteligência de Segurança Pública do Estado são eloquentes. Eles mapeiam os homicídio dolosos tendo indígenas como vítimas, nos anos de 2008 a 2015, no total de 229 casos, com os respectivos boletins de ocorrência e inquéritos policiais instaurados. Os inquéritos permitiram apurar a definição de autoria de 167 casos, perfazendo um porcentual de esclarecimento de 72,9%. Nestes, 85 são de adolescentes infratores indígenas, mais de 50% dos casos apurados.
Os autores indígenas perfazem 155 dos casos apurados, enquanto autores não indígenas somam apenas 9. Ou seja, a violência é de indígena contra indígena, e não de branco contra indígena, como os agentes ideológicos não se cansam de apregoar. Eles criaram o conceito de “genocídio” em completo desapego aos fatos. Buscam a plateia das ONGS nacionais e internacionais, que estão mais preocupadas em denegrir a imagem do Brasil do que em ajudar os indígenas.
História para acordar o boi
Não posso criticar Dilma por cantarolar “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso. Eu mesmo faço isso várias vezes. Mas aqui, nas amargas margens do Rio Doce, lamento que uma presidente não tenha, na semana do acidente, da solidariedade às vítimas da tragédia, sequer reunido sua gente para fazer um plano de recuperação do rio. Dilma foi saudada pelo poeta Augusto de Campos como uma heroína da democracia. A política pode ser bem mais derramada que a poesia, mas exige um certo rigor conceitual.
Para a luta armada, a democracia burguesa tinha sido um fracasso, e a prova disso foi a queda de Goulart. Os documentos da época apontavam para o socialismo, uma ditadura do proletariado. Os menos audazes propunham uma fase anti-imperialista que desembocaria rapidamente no socialismo, como em Cuba. Está tudo lá nos textos, e o próprio ministro Juca Ferreira sabe disso, pois lia e escrevia documentos na época. O destino dos poetas de vanguarda no socialismo russo foi uma tragédia. Da mesma forma, em Cuba, a geração em torno do poeta Virgilio Piñera foi dizimada pelo governo de Fidel Castro. Isso pode ser lido nas memórias do novelista Reinaldo Arenas. Também está lá.
Um economista americano preocupado com o suicídio e autodestruição no país, sobretudo na classe média branca, apontou como uma causa a perda da narrativa, a falta do sentido na vida. O poeta estava construindo sua narrativa ao ser condecorado por uma heroína da democracia. Dilma construía a sua de coração valente. No entanto, as narrativas de coragem precisam ser confrontadas com a realidade. Dilma foi a Mariana, na quinta, e realmente falou em enquadrar Samarco e Vale. Mas se esqueceu das responsabilidades do seu governo no episódio. Passou de mansinho, apontou o culpado e se foi.
Lava Jato, partidos e democracia
Difícil calcular, ainda, o impacto e o alcance de uma operação como a Lava Jato não só sobre usos e costumes, como também sobre o sistema partidário, esse elemento central da vida democrática. Numa visão clássica da moderna comunidade política de massas, os partidos são a própria “democracia que se organiza”, ao lado, naturalmente, de outros numerosos institutos que expressam o associativismo, representam interesses e, em última análise, animam o confronto de ideias e dão substância ao pluralismo.
Não é trivial saber, pela voz do Ministério Público, que haverá consequências para partidos, como o PT ou o PMDB, que em maior ou menor grau se envolveram em esquemas de poder ao longo dos últimos governos. Esses dois partidos não são agremiações irrelevantes. O primeiro corporificou majoritariamente a “nova esquerda” tal como construída no País redemocratizado; o segundo constituiu o instrumento decisivo para a derrota do regime militar, manteve capilaridade em todo o território nacional, mesmo depois do desaparecimento de suas lideranças históricas e de sua evidente involução programática – o partido que gerou, há décadas, documentos como Esperança e Mudança só recentemente reencontrou fôlego para propor “uma ponte para o futuro”, seja qual for o juízo que fizermos da possibilidade de uma ação partidária minimamente vertebrada daqui por diante.
O impacto sobre um partido de esquerda, como o PT, medido pela eventual retenção significativa de fundos públicos ou pela hipótese extrema de cassação do registro, não pode nem deve ser subestimado. Melhor buscar atar algumas pontas soltas de nossa história política do que bradar, de modo estridente ou imaturo, contra perseguições ou pretensas tentativas de criminalização de uma força popular, urdidas por uma “direita” aninhada nos órgãos republicanos de controle e mancomunada com a mídia conservadora e outras forças do mal. O maniqueísmo não costuma ser bom conselheiro; antes, é uma das formas prediletas de loucura induzidas pelos deuses naqueles a quem querem perder.
O PT secou
Diferentes sondagens de opinião vêm atestando o desgosto generalizado dos brasileiros em relação aos políticos e aos partidos, como reflexo não apenas da corrupção e da incompetência do governo e de seus apoiadores no Congresso, mas da incapacidade da oposição de apresentar-se como alternativa a tudo isso que está aí. Em meio a tal desencanto, contudo, destaca-se a decadência irresistível do Partido dos Trabalhadores (PT), que hoje assiste, aparvalhado, a uma debandada de seus quadros e, principalmente, à construção de uma unanimidade em torno de seu nome: o PT se tornou o partido mais detestado do País.
Uma pesquisa do Ibope antecipada por José Roberto de Toledo, colunista do Estado, mostra que 70% dos brasileiros têm opinião desfavorável sobre o PT. Já o PSDB, partido com o qual o PT costuma rivalizar, é malvisto por 50% dos entrevistados.
Além disso, apenas 12% disseram que são simpáticos ao partido – o porcentual mais baixo desde 1989. A decadência do PT fica ainda mais evidente quando se oferece ao entrevistado uma lista com os nomes de todos os partidos e se pergunta de qual deles o eleitor “menos gosta”: o PT aparece bem à frente, com 38% das menções; seguido do PSDB, com 8%; e do PMDB, com 6%.
É claro que o PT está muito longe de se transformar em um nanico. Trata-se, ainda hoje, de uma muito bem estruturada e agressiva máquina eleitoral, como comprova seu crescimento desde que chegou à Presidência, em 2002. Até recentemente, apenas o PMDB ostentava capilaridade nacional tão robusta como a do PT, que invadiu nos últimos anos até mesmo os grotões onde os peemedebistas reinavam absolutos.
Ao mesmo tempo que se expandiu, no caminho de se tornar o maior partido do País, o PT procurou manter seu discurso fundador, segundo o qual sua missão era mudar o modo de fazer política e de governar, empreendendo a tal “justiça social” assim que chegasse ao Planalto.
Em nome dessa missão redentora, a companheirada, sob a liderança do guia genial Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu mundos e fundos aos eleitores. O carisma de Lula, que só diz o que a plateia quer ouvir, foi suficiente para convencer uma grande parte do País de que era possível realizar o sonho do Brasil potência sem fazer força – bastava que o Estado abrisse as burras e pronto, o milagre da multiplicação dos empregos e do crediário para os pobres se realizaria.

