Lula discursa em velório como viúvo de comício
A morte é um evento caprichoso e unívoco. Não segue regras. E não se presta a interpretações. A morte simplesmente mata. É sua função. E ela a exerce quando e da maneira que bem entende. A vingança mais eficaz contra a compulsoriedade da morte é o protesto do silêncio. E a melhor homenagem aos mortos é não os esquecer.
Deixa pra depois - Ana Maria Machado é escritora
Tenho um amigo brincalhão, fino observador da cena nacional, que hesita há anos entre dois caminhos garantidores de seu futuro. Bem típicos do Brasil, exemplos da criatividade que consagra nosso jeito de ser. Ambos escancaram portas para a riqueza crescente, a sombra e água fresca, assegurando vencer na vida sem fazer força. É só aproveitar a moleza que a lei permite e fundar uma grande organização que permita receber muito dinheiro sem trabalhar. E sem se preocupar com impostos, graças ao privilégio de isenções fiscais. Isto é, desde que não se tenha que contribuir para o desenvolvimento do país, criar empregos, resultar em produtividade e geração de riqueza. Basta ser um partido político ou uma igreja, como os que grassam entre nós e parecem se multiplicar até por cissiparidade — aliás, uma palavrinha boa para homenagearmos o saudoso João Ubaldo Ribeiro, que nos brindava periodicamente com a recomendação zelosa: “Dicionário, amigos, dicionário...”
Crítica à política antidrogas ganha forte apoio no STF
Em um Supremo que se notabiliza por ser progressista em temas ditos sociais e éticos — pesquisa em células-tronco embrionárias, aborto de fetos anencefálicos, por exemplo —, a questão das drogas tende a ser outro tema polêmico a testar a Corte. O teste, por sinal, já teve início, em 2015, com o julgamento, suspenso por pedido de vista do ministro Teori Zavascki, de recurso da Defensoria Pública a favor de presidiário flagrado na prisão com três gramas de maconha.
Com crescimento acima da média, Paraguai vira caso de sucesso na região
Com crescimento acima da média, Paraguai vira caso de sucesso na região
| Marta Escurra/Folhapress | ||
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| Vista noturna do novo centro financeiro de Assunção, capital do Paraguai |
Antes visto apenas como exportador de alimentos, eletrônicos falsificados e extremamente dependente de seus vizinhos maiores –Brasil e Argentina–, o Paraguai vem se destacando como um "case" de sucesso na região. Em sua recente participação no Fórum de Davos, a primeira de um presidente paraguaio, o conservador Horacio Cartes (Partido Colorado) foi questionado sobre qual era o segredo do sucesso de seu país num momento em que a América Latina desacelera. O país cresceu entre 3% e 4% nos últimos anos, enquanto as demais economias da região ficaram na média de 2%. Para não falar da recessão de Brasil e Argentina.
Clima de harmonia - FOLHA DE SP
O desfecho da eleição na Câmara dos Deputados prenuncia certa tranquilidade para o governo de Michel Temer (PMDB) e escancara o contraste com o início do segundo mandato de Dilma Rousseff (PT). Verdade que já se notavam as diferenças na disputa dentro do Senado, na quarta-feira (1º). Há dois anos, Renan Calheiros (PMDB-AL) reelegeu-se presidente da Casa com o apoio do Planalto e apenas 49 dos 81 votos possíveis. Agora o comando passou às mãos do governista Eunício Oliveira (PMDB-CE) com o endosso de 61 parlamentares.
O caminho difícil para 2018 -Luiz Werneck Vianna
No ano de 2018, ainda tão distante de nós, temos um encontro marcado com o destino, e não se deve chegar a ele de mãos vazias. O tempo não para, advertia o bardo, e se o futuro a Deus pertence, a ação da providência não nos subtrai a liberdade, na primorosa argumentação de Giorgio Agamben no capítulo final deO Reino e a Glória. Como o autor procura demonstrar, “liberdade ( livre-arbítrio) e servidão ( necessidade) se esfumam uma na outra”, tal como na metáfora famosa de Adam Smith sobre a ação de uma mão invisível que atuaria sobre o mercado de modo benfazejo, mas se suportaria na livre atividade dos homens. Tocqueville, por sua vez, tratou do avanço dos valores e instituições da igualdade como um movimento irresistível guiado providencialmente, cabendo aos contemporâneos, pela ação consciente, torná-la compatível com os valores da liberdade, que somente poderiam subsistir se ancorados em instituições que os defendam.


