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Novo patamar da disputa pelo poder

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (4), pelo jornalista Érico Firmo: A briga por poder no Ceará a cada dia alcança novos patamares. A extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) foi aprovada, em dezembro, como sinalização da hegemonia total do grupo Ferreira Gomes sobre o Ceará. Incomodados com o ex-aliado que os confrontou, eles partiram para a retaliação. Controlam o Executivo e o Legislativo do Estado.

Quiseram mostrar que, dentro das divisas cearenses, mandam eles e obedece quem tem juízo. Como têm maioria para tal, atropelaram qualquer resistência e tomaram medida extrema. Sem hesitar, extinguiram o órgão que se tornara bastião de um poderoso opositor.

Ocorre que hoje, no Brasil, o PMDB pode mais. Camilo Santana (PT) e os Ferreira Gomes controlam o Ceará, mas em Brasília quem manda são os peemedebistas. E o líder opositor cearense, Eunício Oliveira (PMDB), jamais pôde tanto em Brasília.

Nem bem tomou posse como presidente do Senado, executou gesto voltado para a disputa de poder local. O primeiro projeto de que se tomou notícia do agora presidente do Senado no cargo voltou-se à disputa política no Ceará. Busca justamente impedir a articulação de deputados cearenses para acabar com o TCM. Os aliados dos Ferreira Gomes decidiram levar adiante uma briga de poder que talvez não tenham cacife para ganhar.

Os atos dos dois grupos políticos são distorções. União entre casuísmo e demonstrações do poder de que dispõem. As forças que governam o Ceará não aprovaram o fim do TCM por acreditarem que o melhor é unificar os tribunais de contas. Em nenhum momento a economia e a melhor forma de controle das contas públicas lhes passou pela cabeça. Aprovaram a emenda à Constituição porque têm maioria e poder para tal. E tiveram objetivo unicamente de tirar o instrumento de poder do aliado. Simples assim.

Da mesma maneira, o PMDB cearense reagiu em Brasília porque não tem como se contrapor à supremacia do grupo governista no Ceará. Levaram a briga, então, ao espaço que controlam. As decisões federais se sobrepõem a locais. E lá o partido de Eunício Oliveira dá as cartas. Ele assumiu a presidência do Congresso Nacional, seu partido tem maioria nas duas casas, tem a presidência da República, o controle da agenda legislativa. Em suma, os Ferreira Gomes compraram briga com alguém que, hoje, pode muito mais que eles. O grupo que comanda o Ceará pode dar com os burros n’água na batalha que encampou.

Para o interesse público, tudo isso é lamentável. Os dois grupos dão mostras de não conhecerem limites, de estarem dispostos a qualquer coisa na luta por poder. Mexem de todo jeito na Constituição Estadual e também na Federal, unicamente pautados pelos mais rasteiros interesses de ocasião. Papelão de parte a parte. Quem perde, com qualquer desfecho, é a fiscalização das contas públicas. OPOVO

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