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Avanços insuficientes

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

No ano passado, o porcentual de jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam, estudavam ou se qualificavam, os “nem-nem”, era de 18,5%, abaixo dos 19,8% de 2023 e dos 22,4% de 2019, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) Contínua recém-divulgada pelo IBGE. Apesar da queda sequencial, o porcentual de “nem-nem” segue muito elevado.

 

O problema é ainda maior entre as mulheres de 15 a 29 anos, uma vez que uma em cada quatro (24,7%) não trabalhava nem estudava, o dobro do verificado entre os homens (12,5%). O trabalho doméstico e a gravidez explicam a diferença nos porcentuais.

 

Além disso, de acordo com o IBGE, o índice de analfabetismo em 2024, de 5,3%, foi o menor desde que a série histórica foi iniciada, em 2016.

 

A queda no número de “nem-nem” e no de analfabetos é obviamente positiva, mas quando se olha o quadro geral não há muito a celebrar.

 

Instituído em 2014, o Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu como meta a erradicação completa do analfabetismo até 2024. De acordo com o IBGE, porém, no ano passado nada menos que 9,1 milhões de brasileiros não sabiam ler nem escrever. Mais da metade dos analfabetos (5,1 milhões) tinha 60 anos ou mais, ou seja, o analfabetismo ainda está fortemente associado à idade avançada. O acesso à educação básica vem se expandindo ao longo dos anos, porém o fato de que cada vez mais jovens saibam ler e escrever também não encerra a questão.

 

Levantamento recente do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) apontou que 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, o que significa que, mesmo sabendo ler e escrever, são incapazes de interpretar textos ou fazer contas mais complexas. Entre jovens de 15 a 29 anos, o analfabetismo funcional é de 16%, um índice elevado. E, para coroar a tragédia que é a educação no País de um modo geral, o Inaf apontou que mesmo entre brasileiros que concluíram o ensino superior 12% se enquadram na definição de analfabetos funcionais.

 

A soma dos totalmente destituídos de educação com os que, mesmo com diploma, não dominam o básico para operar num mundo cada vez mais complexo e tecnológico evidencia o desafio imenso que o País tem diante de si. Não é um desafio novo, e ele exige atenção focalizada, uma vez que questões regionais, raciais e de gênero ainda determinam o acesso à escola e o índice de evasão. Segundo dados de 2024 do IBGE, a maioria dos analfabetos do País (55,6%) está no Nordeste, ante 22,5% no Sudeste, onde está o segundo maior contingente de brasileiros nessa situação. Já entre os 8,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos que abandonaram ou nunca frequentaram a escola, 72,5% eram pretos ou pardos.

 

Também são alarmantes os dados sobre educação na primeira infância, fase da vida essencial para o desenvolvimento humano: apenas 39,8% das crianças entre zero e 3 anos estavam na escola ou na creche em 2024.

 

Mantido esse ritmo, em vez de formar cidadãos plenos, o Brasil seguirá condenando milhares, notadamente mulheres, pretos e pardos da Região Nordeste, a um futuro “sem-sem”: sem trabalho remunerado e sem educação.

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