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Saneamento nas cidades médias - O Estado de SP

As condições de saneamento básico nos municípios médios do País, com população entre 50 mil e 141 mil habitantes, são piores do que as das cidades grandes e até do que a média nacional. Sem a agitação, a pressa, os congestionamentos, as aglomerações, a insegurança e outros inconvenientes em geral associados às grandes concentrações urbanas, essas cidades são normalmente consideradas mais atraentes pela qualidade de vida e pela tranquilidade que oferecem a suas populações. Suas condições sanitárias, porém, tendem a ser mais precárias – em certos casos, bem piores – do que as dos municípios mais populosos.

É o que mostra o novo levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil como parte de seu projeto Painel Saneamento Brasil. De acordo com o estudo, enquanto 73,3% dos moradores das 100 maiores cidades brasileiras têm acesso à coleta de esgoto, nos 251 municípios considerados médios o serviço só atende 32% de seus habitantes. Isso significa que, nessas cidades, vivem 7,2 milhões de pessoas que não dispõem de coleta de esgoto. A situação é bem pior do que a média nacional, de atendimento de 53% da população.

Em todo o País, 100 milhões de pessoas ainda carecem desse serviço. É um contingente que corresponde duas vezes à população da Espanha. E, do esgoto coletado, mais da metade é lançada de volta ao meio ambiente sem nenhum tratamento. Apenas 46% dos esgotos coletados são tratados, de acordo com as estatísticas mais atualizadas.

Como lembra o Instituto Trata Brasil, num ano marcado pela pandemia de covid-19, as medidas necessárias a seu enfrentamento, como a higienização frequente – que exige, entre outras condições, a disponibilidade de água potável –, deram uma cor ainda mais dramática às carências no País na área de saneamento básico. Ainda há 35 milhões de brasileiros que não dispõem de acesso à água tratada. É o equivalente à população do Canadá.

Proporcionalmente, o problema é mais grave nos municípios médios. Enquanto 83,62% da população brasileira dispõe de água tratada, nas cidades médias o índice é de apenas 76,6%. Estima-se que nessas cidades vivam 10,6 milhões de pessoas. Dessas, cerca de 2,4 milhões não dispõem de água corrente tratada.

A isso se soma a ineficiência do sistema: estima-se que as perdas nas redes de distribuição correspondem a mais de 38% da água tratada nelas lançada. É um índice cuja evolução contraria o avanço da tecnologia no setor: só cresce.

Quando começaram os estudos do Instituto Trata Brasil sobre a cobertura do sistema de saneamento básico nos municípios brasileiros, a preocupação, como lembra seu presidente executivo, Édison Carlos, eram as grandes cidades, as capitais, as regiões metropolitanas. “Mas os novos números mostram que o déficit é ainda maior nos municípios menores, e isso aumenta os riscos a suas populações.”

Os 251 municípios agora incluídos no Painel Saneamento Brasil estão distribuídos por 21 Estados das 5 regiões do País. Agora, o Painel dispõe de dados sobre um total de 839 municípios, nos quais vivem 145 milhões de pessoas, cerca de 70% da população total do País.

O Painel está sendo montado desde o ano passado pelo Instituto Trata Brasil para apresentar mais informações aos brasileiros, especialmente sobre as condições de saneamento básico das localidades em que vivem. Por meio dessas informações, os cidadãos podem conhecer os impactos à saúde das más condições de saneamento e entender os benefícios econômicos e sociais que a melhora dessas condições traz (mais renda, turismo, valorização imobiliária, mais proteção à saúde das famílias, sobretudo das crianças, entre outros).

Um dado expressivo apresentado pelo Painel é sobre indicadores socioeconômicos. Em 2018, as cidades médias registraram 6,7 mil internações por moléstias transmitidas por problemas hídricos. Isso significa 6,26 casos por 10 mil habitantes.

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