Roberto Mesquita pede frente para defender cultura da carnaúba
Deputado Roberto MesquitaFoto: Máximo Moura
De acordo com o parlamentar, a cultura vem sendo ameaçada por exigências do Ministério Público do Trabalho. “Estão pedindo até instalação de banheiro químico em pleno sertão. Quem pede isso está em órbita e não conhece as peculiaridades desse trabalho, que tem origem indígena”, acrescentou Roberto Mesquita.
O deputado explicou que a extração da palha ocorre nos horários das seis da manhã até 10h30, no máximo, em decorrência das condições próprias da atividade. Portanto, esse banheiro químico seria totalmente desnecessário. “É preciso que se conheça a realidade do trabalho”, acentuou
Roberto Mesquita lembrou que a cera é exportada para o mundo todo, utilizada em diversos produtos industrializados nas indústrias química, farmacêutica, de cosméticos e até para construção do chip de computador. Portanto, é uma atividade que merece maior atenção do Estado na sua concepção. “A cultura da carnaúba não pode ser criminalizada, precisa é ser modernizada.”
Na avaliação do deputado, o Estado foi incompetente no incentivo à cultura da carnaúba, e nenhuma contribuição deu para aprimorar a forma de extrair a cera e desenvolver uma cadeia produtiva. “Não há sequer uma política de preço mínimo para o agricultor que trabalha com o produto”, afirmou.
Roberto Mesquita explicou que a atividade tem tradições. “Quando exige que alguém que vai extrair a folha da carnaúba tenha acesso a um banheiro químico, nos sertões de Granja, Itapipoca e Amontada, mostra não conhecer a nossa realidade”, pontuou.
De acordo com o deputado, são 300 mil pessoas que sobrevivem da extração do pó da carnaúba, no período de setembro a dezembro, quando outras atividades são paralisadas, em decorrência do ciclo das chuvas no Ceará.
Em aparte, Sérgio Aguiar (PDT) considerou o pronunciamento de Roberto Mesquita “o mais lúcido” realizado na Assembleia. Ele explicou que muitos municípios vivem do extrativismo nessa fase do ano. Portanto, o MPT não pode ser um fator limitante da sua capacidade produtiva. “Temos que demonstrar que é um modus operandi que vem da tradição indígena”, assinalou.
JS/AT
Informações adicionais
- Fonte:Agência de Notícias da Assembleia Legislativa / ILO SANTIAGO JR

