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Temer tira país da recessão; emprego já se recupera.

Publicada: 02/03/2018 - 8:16

O presidente Michel Temer: previram a ruína, e veio o crescimento, com os fundamentos da economia entrando nos eixos. e agora?

O governo Michel Temer tirou o país da recessão. O Brasil cresceu 1% em 2017. Os dados mais conservadores apontam um crescimento de 3% neste ano. Otimistas responsáveis acham que pode se aproximar de 4%. Sim, é verdade, a sensação de que as coisas melhoraram brutalmente ainda não chegou às pessoas, mas, acredito, acabará chegando. E é importante notar que isso se deu contra todas as expectativas, com o governo enfrentando duas tentativas de golpe.

O ano de 2018 começa também com o país gerando novas vagas formais de trabalho. O governo deve anunciar nesta sexta os dados referentes a janeiro do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados): criaram-se no mês passado 77,8 mil novas vagas, o melhor resultado para janeiro desde 2012. No acumulado de 12 meses, é o primeiro saldo líquido positivo desde 2012: 83.5 mil vagas entre fevereiro do ano passado e janeiro deste ano.

Nos anos tenebrosos da recessão, obra de Dilma e do PT, o país mandou para o ralo 3,5 milhões vagas. A coisa melhorou bastante em 2017, mas o saldo ainda foi negativo em 20,8 mil vagas. Como dizem os economistas, o emprego é sempre o último vagão a se mover quando há a retomada da economia. Quando se fala, note-se, que a melhoria da economia “ainda não chegou” à população, o que se quer dizer é que o desemprego ainda é alto e isso ajuda a manter em alta o mal-estar oriundo do governo Dilma. Mas o mercado de trabalho começa a se mexer pra valer.

Que se note: isso tudo se dá na contramão do catastrofismo. Até anteontem, propagandistas do caos alertavam para o que diziam ser a “ruína” do governo Temer. Ainda hoje, a pestilência do moralismo chulo — que nada tem a ver com a moral — do lava-jatismo doidivanas insiste em tornar o país refém de suas taras policialescas. Que essa gente investigue e faça o seu trabalho, no limite do que a lei  lhe facultar.

Já escrevi na Folha e já disse aqui que parte considerável da reação negativa de certos setores à intervenção no Rio — que conta com o apoio da esmagadora maioria da população — deriva do temor de que ela sirva de gatilho a despertar a população para o bom e virtuoso governo do presidente Michel Temer. E, por óbvio, não fossem as duas tentativas de golpe lideradas por Rodrigo Janot, com a conivência de ministros do Supremo, as perspectivas seriam ainda melhores. Não fossem as fábulas dos açougueiros de casaca, o país já teria aprovado a reforma da Previdência.

Antes, o reconhecimento sobre as óbvias virtudes do governo era sonegado porque, afinal, ninguém queria ser parceiro de uma gestão impopular. Agora, há um esforço para esconder os méritos, que são óbvios, com receio de que eles possam a vir a ter uma tradução eleitoral e que, fale-se com todas as letras, o próprio Michel Temer se viabilize como candidato.

Uma coisa, note-se, já podemos dar como certo. Se, antes, poderia haver alguma dúvida sobre o governo ter ou não alguém que defendesse seus méritos na disputa deste ano, agora não se tenha mais. E, ate onde leio o jogo, afirmo: ou será Geraldo Alckmin, do PSDB, ou será alguém do próprio PMDB, o que, a meu juízo, inclui Temer.

E por que se pode fazer tal afirmação sem medo de errar? Porque é contra a natureza do jogo e da política um governo com essa folha de serviços ficar ao relento, sem quem o defenda, num processo eleitoral. Mais: a expectativa de que pudesse ser um saco de pancadas à esquerda, à direita e até ao centro também vai se diluindo. Objetivamente, não há razão para isso.

Até um Luiz Inácio Lula da Silva, não é mesmo?, reconhece que houve uma tentativa de golpe contra Temer. Leio as hipóteses mais disparatadas sobre os motivos que o levaram a tal constatação. Com a devida vênia, não passam de exercícios de curta imaginação. O petista está apenas fazendo uma constatação objetiva. E Temer ainda paga o pato da impopularidade decorrente, em boa parte, daquela arquitetura dolosa.

Sim, a recuperação da economia está aí. Seu tempo de duração dependerá, obviamente, do que os brasileiros vão fazer nas urnas em 2018. Uma coisa é certa: esse é um dado que não estava na equação original dos pré-candidatos. Ainda que contra os fatos, ainda que contra as evidências, ainda que contra os números, todos haviam preparado uma retórica para uma disputa eleitoral travada no “Findomundistão”. Mas o fim do mundo não chegou.

Alckmin será o candidato do centro, mas não o do governo? Mas, afinal, o que há de errado com o governo? Os esquerdistas vão atacar tudo o que está aí? Mas será preciso ver se as pessoas querem mudar tudo o que está aí. E a extrema direita bolsonarista? Vai pregar a continuidade, mas com mais revólveres e fuzis?

Voltem à prancheta, senhores estrategistas. A economia derrubou Dilma. E ela é, desde agora, uma personagem da eleição deste ano. Ou Temer estará na urna — e não por causa da intervenção (isso é só maldizer) — ou alguém estará por ele.

Porque é essa a natureza do jogo.

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