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Doria demite funcionários ligados a vereadores 'infiéis' na Câmara de SP

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2017 | 22h18

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O vereador Souza Santos (PRB), no plenário da Câmara em 2008 Foto: JF DIORIO/Estadão

SÃO PAULO - A infidelidade na base aliada do prefeito João Doria (PSDB) na Câmara Municipal de São Paulo começou a custar cargos dentro da Prefeitura. Após sofrer novo revés na votação do projeto de privatização do Complexo do Anhembi, nesta quinta-feira, 30, a administração tucana decidiu demitir ao menos quatro funcionários indicados por vereadores do PRB, entre os quais Souza Santos, apontado como líder do motim que barrou a proposta de Doria, que aguarda a votação definitiva desde setembro.

Estado apurou que entre os que devem ser demitidos nesta sexta-feira, 1.º, está o secretário-adjunto de Habitação, Gilmar Souza Santos, irmão do vereador do PRB. Outra pessoa ligada ao parlamentar Souza Santos que deve perder o cargo na Prefeitura é a superintendente do Serviço Funerário, Marcia Mendes. Outros servidores dentro da autarquia que cuida dos cemitérios da cidade e que foi loteada para o PRB no início da gestão Doria, também devem ser exonerados.

Os chefes de gabinete das prefeituras regionais de Itaim Paulista e Sapopemba, ambas na zona leste da capital, também devem entregar seus cargos. Um deles, Mário Corochel Neto (Sapopemba), teria sido indicado pelo vereador Rinaldi Digilio (PRB). Ao todo, a bancada do PRB, partido ligado à Igreja Universal, tem quatro vereadores, mas, segundo fontes da gestão Doria, apenas Souza Santos e Digilio têm obstruído projetos do Executivo com o objetivo de obter mais cargos na Prefeitura.

A retaliação aos infiéis da base de Doria foi ordenada pelo vice-prefeito Bruno Covas (PSDB), que assumiu em novembro a articulação política da gestão ao ser nomeado secretário da Casa Civil, depois de uma crise política com o prefeito que resultou em sua saída da Secretaria das Prefeituras Regionais. Foram Covas e o secretário de Governo, Julio Semeghini, os responsáveis pela maior parte das nomeações políticos dentro da Prefeitura durante a montagem do governo Doria, após a eleição em outubro de 2016. Procurado, Bruno Covas não quis comentar as exonerações.

O vice-prefeito foi à Câmara Municipal na última quarta-feira, 29, negociar a aprovação do projeto de privatização do Anhembi nesta semana com os vereadores. Na reunião, segundo informou o jornal Folha de S. Paulo, ficou acordado que 10% do valor que a Prefeitura arrecadar com a venda do Complexo do Anhembi, que incluiu o centro de exposições e o sambódromo, seria dividido em cota parlamentar para que os vereadores pudessem indicar investimentos nas áreas de Saúde, Educação, Transporte, Segurança, Habitação e Assistência Social.   

Câmara Municipal fatia projeto e adia a privatização do Anhembi
Vista aérea do Complexo do Anhembi, zona norte de SP Foto: Gabriela Biló/Estadão

Mesmo após a conversa, Souza Santos continuou dificultando a votação do projeto pelo governo, que também sofreu com a falta de quórum porque outros parlamentares da base não registraram presença. A ação irritou o presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), aliado do prefeito. A bronca da gestão Doria com o parlamentar do PRB é antiga. Segundo assessores do prefeito, ele tem imposto dificuldades ao governo em todas as votações de interesse do Executivo, como ocorreu no pacote de concessões de parques, bilhete único, mercados e terminais de ônibus, no primeito trimestre. 

A reportagem tentou contato com Souza Santos, mas ele não foi localizado na noite desta quinta-feira, 30. A assessoria do vereador Rinaldi Digilio afirmou que ele "não foi comunicado sobre as demissões, que são prerrogativas do Executivo". Ainda segundo a nota, o parlamentar "considerou uma afronta declarações feitas à imprensa por lideranças do governo sobre um suposto acordo que envolvia a liberação de emendas no valor de 10% do valor de venda do anhembi", em referência a declarações feitas pelo líder do governo, Aurélio Nomura (PSDB), em reportagem veiculada pela Folha de S. Paulo. "Melhor do que tentar conseguir apoio com benesses, o governo deveria discutir e debater os projetos com a sociedade paulistana", conclui o vereador do PRB.

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