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Correios: dívidas judiciais crescem quase 460% em 2 anos. Nova gestão quer fazer radiografia dos processos

Por Thaís Barcellos — Brasília / O GLOBO

 

Após registrar uma alta de 458% no estoque de precatórios nos últimos dois anos, os Correios planejam contratar uma consultoria para fazer uma análise detalhada dos processos judiciais contra a empresa. A ação é uma das iniciativas previstas no plano de reestruturação da estatal.

 

Entre junho de 2023 e o mesmo mês deste ano, o estoque de dívidas decorrentes de decisões judiciais finais (transitadas em julgado) saiu de R$ 367,4 milhões para R$ 2,05 bilhões. Deste total, R$ 913,1 milhões precisam ser pagos até o fim deste ano, e o restante será quitado em 2026.

 

A fatia de 2025 já está contemplada nos cálculos realizados pela cúpula da estatal em relação à necessidade de recursos no curto prazo. Como revelou o GLOBO, a empresa corre contra o tempo para conseguir ao menos R$ 10 bilhões em empréstimos para conseguir reequilibrar o caixa, pagar dívidas em atraso e colocar de pé o plano de reestruturação.

 

O aumento dos precatórios, inclusive, é um dos pontos que ajuda a explicar os resultados negativos dos Correios este ano, além das despesas com pessoal e a queda nas receitas. A empresa registrou prejuízo acumulado de R$ 4,3 bilhões em 2025.

 

Apenas no segundo trimestre, entre abril e junho, o resultado negativo atingiu R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes o registrado em igual período do ano anterior, de R$ 553,1 milhões.

 

O salto no estoque de precatórios ainda acionou uma cláusula de pagamento antecipado no atual contrato de empréstimo que os Correios têm com BTG Pactual, Citibank e Banco ABC Brasil.

 

Causas antigas

 

Em uma renegociação com as instituições financeiras, os Correios tiveram de aceitar o pagamento de uma taxa extra de R$ 40,5 milhões, além do aumento do percentual de juros cobrados e da antecipação do início do pagamento do valor principal, de junho de 2026 para janeiro.

 

No âmbito da renegociação, a estatal já fez uma consulta em todos os tribunais para verificar se o número de precatórios emitidos considerado no balanço era fidedigno. Agora, dentro do plano de reestruturação, a ideia é fazer uma análise de cada processo ainda em tramitação na Justiça para entender, por exemplo, os principais motivos das ações. Mais de 70% das causas são antigas, da década de 90 até 2020.

 

A ideia é verificar se o dinheiro reservado para prováveis perdas nos processos está adequado. Essa provisão é classificada como uma despesa no balanço — ou seja, quanto maior, pior o resultado da empresa. Por isso é importante que os cálculos estejam corretos.

 

A avaliação é que a revisão deve fortalecer as práticas contábeis dos Correios, um sinal considerado essencial para recuperar a credibilidade da empresa.

 

O que dizem os Correios

 

Procurados, os Correios afirmaram que seguem rigorosamente o que determina a legislação referente a precatórios. "O aumento do volume registrado neste período decorre, principalmente, da atualização monetária definida em lei e da entrada de novos processos já transitados em julgado, ou seja, se trata de uma despesa obrigatória", afirmou a estatal.

 

A empresa afirma que trabalha pela eficiência administrativa e pela redução de passivos judiciais futuros, por meio de melhores práticas de gestão e conciliação.

 

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